BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

sábado, 9 de agosto de 2014


Soldado Milhões.
O português que enganou os alemães
na I Guerra Mundial


(Condensado de artigo de Olímpia Mairos para a RR)

Alcançou a fama quando, na Batalha de La Lys, se bateu sozinho contra uma avassaladora ofensiva alemã. Sozinho, Aníbal Augusto Milhais permitiu a retirada de parte das forças portuguesas e escocesas.


A história é contada na primeira pessoa.

«Eu já sabia de uns abrigos, em baixo, em Huit Maisons, e aí foi onde eu fui recolher. Foi onde eu então estive a dar fogo no dia 9 de Abril [de 1918]. Entrei para o abrigo, não vi ninguém. Só via fogo em roda de mim...»

Quem a conta é Aníbal Augusto Milhais. Em 1967, contou para uma velha máquina de bobinas a história da guerra em que participou e que fez dele um herói. Fê-lo a pedido e por insistência da filha Leonida Milhões.

A voz de Aníbal apresenta-se trémula, acusa já algum cansaço. A história é contada pausadamente.

«Mais tarde começaram então eles a avançar. Aí é que eu conheci que eram alemães. Foi então que eu lhes abri fogo. Medi-os à cinta e pronto. Essa invasão caiu toda. Passado uma hora ou isso, veio outra igual. Fiz-lhe fogo antes de chegar ao mesmo sítio dos outros. Mas mais tarde veio outra… – Cortei-a também. Foi aí que eu já não vi e não tornei mais a ver alemães».

Assim relatava Augusto Milhais, em 23 de Novembro de 1967, o feito que o tornou herói nacional. A gravação permanece na família.

É guardada como se de um tesouro se tratasse. 


As origens

Aníbal Augusto Milhais nasceu em 1895, numa família pobre. Era o mais novo de três irmãos que ficaram órfãos bastante cedo e foram acolhidos por parentes mais próximos.

Ainda criança começou a trabalhar a troco de alimentação e de um abrigo, em casa das pessoas mais remediadas de Valongo, aldeia no concelho de Murça (desde 1924, Valongo de Milhais, em sua homenagem).

Nunca foi à escola. Começou a vida como «moço de recados», depois guardou rebanhos e bois e fazia «todo o tipo de trabalho agrícola», conta o neto, Eduardo Milhões Pinheiro, à Renascença. Os irmãos, João e Maria Rosa, emigraram cedo para o Brasil.

Aníbal permaneceu na aldeia a trabalhar como jornaleiro.

Em 1915 é apurado para a tropa. No ano seguinte, a 13 de Maio, assenta praça no Regimento de Infantaria (RI) n.º 30, de Bragança.


Segundo o neto, esta teria sido «a primeira vez que saiu da sua terra e do seu concelho».

No mês seguinte é transferido para o RI 19, de Chaves. Meses depois, parte para a guerra. Especialidade: «atirador especial».

A milhares de kms de casa

Já em França, Aníbal Milhais especializa-se em metralhadoras Lewis e é integrado no BI 15, de Tomar, como n.º 1 de uma das guarnições de metralhadoras ligeiras.

Rezam as crónicas que, a 9 de Abril, uma força portuguesa se viu atacada pelos alemães. A força chegou a ser destroçada, a situação era «a pior possível». Muitos portugueses foram mortos e os sobreviventes obrigados a retirar.

Como enganar alemães

Segundo Eduardo Milhões Pinheiro, o seu avô, «de forma voluntária, disponibilizou-se para ficar e cobrir a retirada de todos os seus companheiros».

«Ficou com a sua metralhadora no posto dele e foi criando a ilusão, nas tropas alemãs, que a posição estava a ser guardada por várias unidades do seu batalhão, porque ele fazia fogo de vários pontos distintos».

«Assim conseguiu empatar a ofensiva alemã durante tempo suficiente que permitiu a todos os seus companheiros recuar para linhas mais resguardadas, em segurança, sendo que a maior parte deles terá conseguido sobreviver», conta Eduardo Pinheiro.

Milhais, esse, continuou sozinho, a vaguear pelos campos. Tinha apenas «amêndoas doces» para comer.

Quatro dias depois da batalha, terá encontrado «um médico escocês a quem salvou de morrer afogado num pântano. Esse mesmo médico terá dado conta ao exército aliado dos feitos» do soldado transmontano.


«Vales milhões»

E foi assim, em plena I Guerra Mundial que o soldado português alcançou a fama, na Batalha de La Lys, em Abril de 1918.

A bravura do franzino e pequeno Aníbal, com pouco mais de um metro e meio de altura, valeu-lhe a Torre e Espada – a mais alta condecoração militar portuguesa – entre outras distinções.

O epíteto «Milhões» nasceu com um elogio do seu comandante, Ferreira do Amaral: «Tu és Milhais, mas vales milhões».


«Ele terá sido condecorado pelo que fez, mas também de forma simbólica como reconhecimento a todos os soldados que combateram, e sobretudo àqueles que tombaram na I Guerra Mundial», acredita Eduardo Pinheiro.

O regresso à terra

Em 1919, Aníbal regressa a Valongo, em Murça, compra uma parcela de terra que cultiva, casa e tem filhos. Vive com dificuldades e luta pela sobrevivência, dedicando-se aos trabalhos agrícolas.

António Milhões, 81 anos, filho do soldado Milhões, lembra-se bem dos primeiros tempos de criança, tempos difíceis e de muito sacrifício.

«Eram tempos muito duros. O meu pai trabalhou muito no campo, para criar os filhos», conta António, revelando que a família viveu períodos de fome, tempos em que «uma sardinha era dividida por três».

Orgulhoso do pai, António recorda-se dele como «um homem simples, bem-disposto e muito trabalhador». Lembra-se bem que o pai, a quem acompanhava nas tarefas do campo, começou por ganhar a vida com bois ao ganho: alimentava, tratava e utilizava os animais que outra pessoa com mais dinheiro comprara; quando eram revendidos, dividia-se o lucro.

«Era um mestre nas enxertias e na matança dos porcos e praticamente todas as pessoas da aldeia o chamavam, quando era necessário realizar esses trabalhos».

A vergonha de um herói emigrante

Do percurso de vida do soldado-herói há ainda a registar uma incursão pelo Brasil, em 1928.

Milhões teria trabalho assegurado numa fábrica do Rio de Janeiro, mas os compatriotas de Murça não aceitaram a vergonha de um herói emigrante.
  

«Fizeram uma colecta de forma a pagarem-lhe a viagem de regresso, dizendo-lhe que um herói da pátria não deve estar emigrado e, muito menos, fazer os trabalhos que lhe aparecessem. Deveria estar no seu país, como símbolo, como reserva de um conjunto de valores», conta Eduardo.

Não falar da guerra

De regresso à terra, o soldado Milhões retoma a actividade agrícola para sustentar os filhos. Teve dez, mas só oito chegaram à idade adulta. Dificilmente falava da guerra e sempre que o fazia era porque lhe pediam. Nunca deu grandes pormenores.

Mariana Rosa, 74 anos, conviveu de perto com o sogro, mas poucas vezes o ouviu falar da guerra. «Ele dizia que aquele tempo foi um tempo de tristeza e que só pedia a Nossa Senhora do Vale de Veigas que o deixasse regressar à terra.»

Eduardo Pinheiro realça que o avô até «mudava de conversa» quando alguém lhe puxava pelo assunto da guerra, mas refere que «ele falava muito de um seu companheiro», do qual só conhecemos a alcunha de «Malha-vacas» que ele viu morrer ao seu lado («despedaçado por um morteiro», no dia 9 de Abril).

«Essas marcas ficam para sempre e explicarão a resistência do meu avô em falar da guerra», conclui o neto.

O reconhecimento material da nação resumiu-se a uma pensão que se manteve nos 15 escudos por mês, pelo menos até o seu quinto filho ir à inspecção militar, no início dos anos 50.

Quando morreu, a 3 de Junho de 1970, aos 75 anos, as suas medalhas conquistadas no campo da glória valiam-lhe pouco mais de mil escudos mensais.


Mais elementos sobre o «Soldado Milhões» em:






sexta-feira, 8 de agosto de 2014


Clube centenário de Lisboa

cobiçado pela maçonaria


O que está em causa: fazer negociatas com os terrenos onde está instalado o Clube em questão, deixando-o na penúria. Isto é, palmar os terrenos do Palmense.

Leiam este artigo de José António Cerejo no Público e depois digam que a maçonaria é boa gente, idealista, patriota e tal... (exceptuando sempre uns idealistas totós que por lá andam).

Sport Futebol Palmense



José António Cerejo, Público

O que é que num clube de bairro, centenário mas endividado, pode interessar a um grão-mestre da maçonaria e a autarcas do PSD?

A pergunta anda há meses na cabeça de centenas de sócios do Sport Futebol Palmense, uma associação criada em 1910 na Palma de Baixo, entre a Estrada da Luz e a Universidade Católica de Lisboa. A resposta, contudo, não se lhes afigura fácil.

Na síntese de alguns velhos sócios, que alegam recear pala sua segurança para não dar o nome, o clube está a assistir desde há uns dois anos a «um assalto» protagonizado por pessoas acabadas de chegar e com intuitos que não compreendem.

O confronto entre a tradição Palmense e os novos sócios tem-se vindo a agudizar e na quarta-feira à noite chegou a haver gritos e seguranças privados em frente ao clube. Dezenas de novos sócios, com raros apoios entre os antigos, apareceram no local para promoverem uma candidatura aos órgão sociais, sem que os nomes dos candidatos sejam conhecidos. Mas os do bairro não estiveram pelos ajustes.

A sessão, que não chegou a realizar-se, tinha sido marcada pela direcção  — cujo presidente está a cumprir uma pena de prisão desde Março e da qual já se demitiu uma grande parte dos membros  — e a convocatória das eleições, a realizar na próxima segunda-feira, tinha sido feita pelo presidente da Assembleia Geral sem o conhecimento dos restantes elementos da mesa.

Entre os novos sócios presentes encontrava-se Rodrigo Gonçalves, anterior presidente da junta de freguesia local  — a de São Domingos de Benfica — e actual deputado municipal. O autarca, que é também vice-presidente do PSD de Lisboa e membro do Conselho Nacional do mesmo partido, está a ser julgado por agressão a um outro presidente de junta do PSD e foi recentemente acusado de corrupção passiva pelo Ministério Público. (ver o nosso texto http://moldaraterra.blogspot.pt/2014/07/ex-autarca-e-vice-presidente-do-psd.html)

Ricardo Crespo, o cabeça de lista pelo PSD à junta local nas eleições de Setembro, a cuja lista derrotada pertencia também o presidente do clube que está na cadeia, também lá se encontrava, garantem várias testemunhas.

Quem lá não estava era o presidente da Assembleia Geral, o advogado José Francisco Moreno, que ocupa desde 2010 o lugar de grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal e fez parte do gabinete de Manuela Ferreia Leite, quando esta era ministra.

Ontem mesmo os outros três membros da mesa da assembleia mandaram-lhe uma carta a pedir uma reunião urgente por não terem sido vistos nem achados na convocatória das eleições e para pedirem explicações sobre o processo de adesão de novos sócios, que tem sido conduzido por um colaborador de José Moreno não pertencente  aos órgãos sociais.

Para os que se consideram filhos do bairro, nados e criados no clube, a ofensa maior traduziu-se entretanto na convocação da assembleia geral eleitoral de segunda-feira. Esta não se fará na sede, como sempre, mas no Hotel Ibis, na Av. José Malhoa.

À porta da sala deverá haver agentes da PSP e só poderão entrar os sócios com quotas em dia. Nelson Martins, um dos membros da anterior direcção que está do lado de José Moreno e Rodrigo Gonçalves, disse ao PÚBLICO que a reunião se fará no hotel e terá polícia à porta «porque vai haver muita gente e há pessoas que têm atitudes menos próprias». Nelson Martins recusa motivações políticas na adesão dos novos sócios. Diz que «são cerca de 300 e alguns até são da oposição».

Os nomes dos candidatos aos órgão sociais, explica, só serão conhecidos na assembleia «porque a oposição não quis que se fizesse a sessão de quarta-feira». Quanto à legalidade da convocação do acto eleitoral, Nelson Martins está confiante: «Eu não estou a ver o dr. Moreno a ser parvo. Ele sabe o que está a fazer. Ele não vai meter o pé na argola.»

Da parte dos adversários do grupo dos novos sócios, Carlos Gonçalves, um dos vice-presidentes que se demitiu logo no início do mandato «por ver o rumo ilegal que as coisas estavam a levar», é um dos que não entende o que está a acontecer no Palmense. «Isto é tudo muito estranho. Não percebo porque é que há um grupo de pessoas que nunca teve nada a ver com o clube e querer tomar o poder, custe o que custar», afirma.

O PÚBLICO tentou falar durante a tarde desta sexta-feira com Rodrigo Gonçalves e com José Moreno, mas não obteve resposta.






As transferências das ratazanas

Do Grupo mau para o Banco bom...


João Moreira Rato é um dos imprescindíveis
à salvação da Pátria!






quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Será que se aumenta a natalidade por decreto-lei?


Pedro Afonso

O Estado deve criar um sistema fiscal verdadeiramente «amigo da família».

É conhecido por todos que Portugal tem um grave problema de natalidade. Com cerca de 1,2 filhos por casal, o nosso país apresenta uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo, colocando problemas de sustentabilidade a vários níveis na sociedade. O PSD, que já deveria ter consciência desta realidade há mais tempo, decidiu finalmente nomear uma comissão para estudar o assunto e que propôs recentemente um conjunto de medidas legislativas de modo a incentivar o aumento da natalidade.

Já se adivinhavam quais seriam algumas dessas  medidas propostas: maior justiça fiscal face ao número de filhos, alargar o acesso a creches e aumentar as actividades de tempos livres (ATL), flexibilizar os horários laborais para os pais, etc.  Apesar do sinal positivo de algumas destas propostas, a pergunta que se coloca é a seguinte: Será que é possível aumentar a natalidade por decreto-lei?

Como psiquiatra, profissionalmente contacto diariamente com dezenas de pessoas de diversas idades e em fases diferentes do ciclo da vida. Quando pergunto a um jovem que tem uma relação amorosa estável se está a pensar casar, a resposta que ouço como mais frequência é: «para quê?» Depois, se questiono se existem planos para terem filhos, muitas vezes o rosto desse jovem transfigura-se, adoptando uma expressão de perplexidade e de indignação, face ao despropósito daquela pergunta. A resposta habitual é um «não» peremptório.

Se for feito um inquérito aos casais jovens sobre quais os motivos que os levam a ter poucos filhos, a principal razão evocada será invariavelmente a falta de dinheiro. Mas como é que se explica que há vários anos (já com abundantes opções contraceptivas disponíveis), o rendimento per capita dos portugueses era mais baixo e ainda assim os casais tinham mais filhos? O problema da baixa natalidade não é totalmente explicado pela falta de condições económicas, mas acima de tudo pela mudança das prioridades nas opções de vida das pessoas; ou seja, por uma profunda mudança de atitudes e valores.

Há algumas semanas, a revista Sábado fez capa com o título: Há cada vez mais casais «felizes» que têm mais dinheiro e tempo para tudo... Não têm crianças por opção e são cada vez mais em Portugal». O título era reforçado pela imagem de dois jovens  fisicamente atraentes, deitados na relva e com sorrisos abertos. Este é um excelente resumo do modelo de sociedade que foi sendo criado nos últimos anos entre nós; este é um modelo actual de felicidade no qual os filhos não fazem parte.

Vivemos numa sociedade de consumo, materialista, individualista, que não compreende a renúncia e que tem alguma aversão ao compromisso, pois considera-o incompatível com a liberdade. Sabemos que ter filhos é, na verdade, um compromisso que obriga a muitas renúncias e sacrifícios que se vão tornando cada vez mais difíceis na actual sociedade de hiperconsumo. Perante estas prioridades, facilmente se compreende que seja difícil, senão mesmo impossível, conciliá-las com o nascimento de filhos.

Do meu ponto de vista, o problema da natalidade não se resolve por decreto-lei. Trata-se antes de um problema social com raízes mais profundas, relacionadas com uma sociedade emersa na cultura do efémero, hedonista e desvinculada da família como instituição social que garante a coesão social e a renovação da sociedade. Seja como for, o Estado deve ter dois papéis importantes: ser um «facilitador», e não um obstáculo para todos aqueles que querem ter filhos, e ser um defensor da justiça fiscal, criando um sistema fiscal verdadeiramente «amigo da família».

É provável que a natalidade só aumente significativamente daqui a umas décadas, quando as revistas mostrarem nas suas capas que afinal aquele casal sem filhos, outrora feliz, há muito que está separado. Ambos estão envelhecidos, talvez medicados com antidepressivos, e dominados por um enorme sentimento de solidão.






Ó Salgado!...







quarta-feira, 6 de agosto de 2014


Boicote estas marcas !



Quem financia o declínio da Civilização ocidental?

A cadeia da McDonalds está no topo da lista das empresas que mais patrocinam programas de televisão sexualmente decadentes.

As empresas da lista aqui apresentada são os piores criminosos em cada categoria, e McDonalds, YUM! Brands, e Toyota Motor Sales Inc., em particular, têm sido os principais financiadores de estações americanas promovendo a decadência moral.

Particularmente chocante é a publicidade da McDonalds, centrada na criança.

O último relatório do Watchdog TV, lançado em Maio, destaca as empresas que anunciam em programas que incluem brincar sobre o incesto, estupro, pedofilia, glorificação do adultério, palavrões, a violência brutal, incluindo o canibalismo, e carnificina de feitiçaria.

A lista foi elaborada por associações de família americanas.

Apresentamos aqui as marcas operando em Portugal.

McDonalds
YUM!
Mars
Colgate Palmolive
Virgin
Time Warner
Sony
Toyota
Samsung
Red Bull
Unilever
AT & T
Microsoft
L'Oreal
Hyundai





domingo, 3 de agosto de 2014

O herói português Marcelino da Mata


João J. Brandão Ferreira Oficial Piloto Aviador

Entre o universo dos portugueses eu não serei o mais creditado para falar sobre o nosso Marcelino da Mata (MM) – permitam que o trate assim.

Peço que essa falha seja relevada pela vossa caridade cristã e também pelo facto do meu atrevimento ser fundado em boa mente.

Só estive com MM duas vezes, a primeira foi num encontro de «malfeitores» ali para os lados de Samora Correia; a segunda foi no Porto, em que o agora homenageado foi convidado de honra num encontro patriótico de angariação de fundos para a construção de um monumento aos combatentes do Ultramar, na Invicta. Eu fui o orador no evento.

«Malheureusement», como diriam os franceses, a segunda cidade do País continua a ser um dos poucos municípios portugueses onde está por edificar tal monumento…

De tudo isto decorre não poder afirmar conhecer MM como pessoa, tão pouco aquilo que ele pensa.

Mas sei, de ciência certa, que o tenente-coronel do Exército português, Marcelino da Mata, foi um extraordinário combatente, um guerreiro, na verdadeira acepção da palavra e que honrou, até hoje, a sua condição de português de lei.

E não precisou para isso de possuir um alto grau de formação nem de nascer em berço de ouro.

É sobre tudo isto e o seu significado, que gostaria de dizer mais umas palavras.

O facto de estarmos a homenagear uma pessoa como MM – uma coisa que o Exército português e outras «entidades» se têm esquecido injusta, mas muito convenientemente de fazer – é a prova provada de que as nossas últimas campanhas no Ultramar português representaram uma guerra justa e que o grande projecto de expansão portuguesa, iniciado em 1340 e levado a cabo pela Ordem de Cristo, de inspiração templária e sob a égide do culto do Espírito Santo, estava certo e representou – e não deixou ainda de representar – uma das ideias mais grandiosas e esclarecidas que jamais ocorreram na humanidade.

Daí que nós estamos aqui reunidos em fraternidade – que é a expressão mais elevada do antirracismo – em perfeita camaradagem – que só os combatentes verdadeiramente entendem – um negro, entre tantos brancos, de vários credos religiosos e ideológicos, mas unidos pela chama do patriotismo Lusíada, a qual se levantou acima do comum dos povos ao ponto de, no Oriente, dizerem dos Portugueses que «A fortuna do Mundo é serem eles tão poucos, porque a natureza, como aos leões, felizmente os fez raros». [1]

Por isso nunca os europeus e a maioria dos povos nos compreenderão (ou perdoará), embora nos devam respeitar. E nós devemos exigir esse respeito.

Estamos pois, a anos-luz do «multiculturalismo» em voga no mundo Ocidental, no após IIGM e que agora começa a revelar-se, na sua plenitude, um descalabro mentiroso.

Por complexas e estranhas metamorfoses da «maneira portuguesa de estar no mundo», MM amalgamou-se, como a maioria dos seus conterrâneos, a esse ideário e tornou-se um combatente de elite, que lutou à sombra da bandeira das quinas.

Quinas essas, que são o símbolo maior da bandeira e da Pátria, pois nela se conservam desde a Batalha de Ourique, em 1139!

«Pai foste cavaleiro. Hoje a vigília é nossa».

Assim escreveu Fernando Pessoa, o português mais misterioso e complexo que existiu até à presente época!

O pai era D. Afonso Henriques e é a nós que cabe, hoje, a vigília.


Marcelino da Mata com familiares

Marcelino da Mata, nascido a 7 de Maio de 1940, em Bula, Guiné portuguesa, foi um grande combatente, porque se manteve íntegro e focado na sua missão.

Teve a audácia e a serenidade nos momentos críticos e foi competente, pois seguiu – mesmo sem o saber – o ensinamento desse grande cabo-de-guerra que foi o general George Patton, numa das suas frases mais célebres: «A verdadeira missão de um militar não é morrer pela sua Pátria, mas fazer com que o soldado inimigo morra pela Pátria dele».

Acresce que, a maioria dos inimigos tinham a mesma Pátria, eram apenas renegados.

MM não renegou, não desertou nem traiu, ao contrário de alguns – felizmente uma minoria – que o fizeram e que um povo confuso e desnorteado por lideranças políticas fracas, erradas e incultas, tem deixado alcandorar a funções, prebendas e pedestais que não merecem e a que não têm direito e são o opróbrio e a cruz, das almas nobres e honestas e dos bons Portugueses.

A Cristiano Ronaldo deram-lhe duas «botas de ouro», por conseguir com mestria, meter uma bola, frequentemente, em balizas adversárias, num desporto chamado futebol.

Por tal facto é conhecido em todo o mundo e, sendo ainda novo, tem-se revelado um rapaz atinado e não fez ainda nada que nos envergonhasse.

Devemos estar muito contentes com isso.

Mas Marcelino da Mata foi ferido em combate, várias vezes, participou em 2 412 operações de «Comandos» – tropa de excepcional valor, a que pertencia – e nelas praticou muitos actos de bravura e heroísmo, que lhe valeram, entre outras, cinco cruzes de guerra e ser, desde 1969, Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, da Lealdade e do Mérito.

Com isto ganhou jus a ser o militar mais condecorado na História do Exército português.

Sem qualquer desprimor, creio bem, que este palmarés vale mais do que todas as botas de vil metal, que se possam ganhar na vida…

Mas MM vive humildemente e sem alardes – como é próprio das almas nobres – no seu canto do Concelho de Sintra, esquecido dos seus compatriotas. [2]

Eu como cidadão e oficial da Força Aérea quero testemunhar o meu respeito e admiração por tão singular soldado; orgulhar-me de ser um dos nossos e, como português, agradecer-lhe do fundo do coração.

E a melhor homenagem que lhe podemos fazer é comprometer-nos a tentar igualá-lo, alguma vez mais, que o que resta da Pátria portuguesa seja ameaçada seja por quem for.

Recordo ainda D. Francisco de Almeida: «Se Deus fala português, não sei; estes canhões falam».

Lembro D. João de Castro, a seu filho enviado em socorro de Diu: «Pelo que toca à nossa pessoa não fico em cuidado, porque por cada pedra daquela fortaleza arriscarei um filho; Eu vos ponho no caminho da Honra, em vós está agora ganhá-la».

Cito Fernão Mendes Pinto, descrevendo um ataque a um barco de piratas chineses: «E com muitos Padres-Nossos e pelouros, a eles nos fomos, e matámo-los a todos num credo».

Mais recentemente Cunha Aragão, comandante do NRP Afonso de Albuquerque, após gravemente ferido, no meio do combate, em 18/1/61, para os seus homens: «Eu já estou, o Imediato que assuma o comando, não se rendam».

Porque é que todos estes nossos compatriotas se comportavam assim e tal foi recorrente nos últimos nove séculos?

O grande poeta Rodrigo Emílio explica-nos no seu «Edital do Poeta às Portas da Morte»:

      «É preciso que se saiba porque morro.
       É preciso que se saiba quem me mata.
       É preciso que se saiba
       que no forro desta angústia
       é da Pátria tão-somente que se trata.»

Caros compatriotas aqui presentes, tenhamos esperança (embora seja necessário contribuir para a esperança…). Nesta semana apesar de, durante décadas, termos escutado em abundância, o elogio da cobardia; o escárnio da virtude; a elegia do vício e a defesa do relativismo dos princípios é encorajador ver esta homenagem, a qual foi antecedida por uma outra, no dia 22 de Julho, ao heroico subchefe Aniceto do Rosário, a que se associou a PSP e a Liga dos Combatentes (LC), morto na defesa do enclave de Dadrá, Índia portuguesa, em 1954.


Aniceto do Rosário

Cerimónia, por sua vez, antecedida, no dia 13 do mesmo mês, pela inauguração de um singelo monumento evocativo dos mortos da freguesia de Sezures, no Portugal profundo, do Distrito de Viseu, iniciativa do major-general Campos de Almeida – colega de escola dos rapazes caídos no cumprimento do dever – a que se associou a Junta de Freguesia, a Liga dos Combatentes e o Exército português.

Mortos da Freguesia de Sezures.
Soldado Pedro Augusto – Guiné 25/11/1967
PCb José de Aguiar – Angola 11/7/1969

Temos assim uma homenagem àquele que foi o primeiro a tombar nesta campanha – Aniceto do Rosário – e um dos últimos a sobreviver – Marcelino da Mata – no mesmo conflito, passando por todos aqueles, desconhecidos, que verteram o seu sangue em nome da nossa existência colectiva.

Foram duas boas semanas e nada disto, à «boa» maneira portuguesa, foi planeado. Simplesmente aconteceu. [3]

Longa vida a Marcelino da Mata,

Abaixo os poltrões,

Vivam os heróis nacionais e, com eles,

Viva Portugal!



[1] Gaspar Correia, «Lendas da India».

[2] Alguns dos quais fizeram a vilania de o prender e torturar num quartel, nos idos de 1975!

[3] Mas, para quando a homenagem nacional que tanto Marcelino da Mata e alguns outros merecem?





sábado, 2 de agosto de 2014


Clientes do BES formam a ABESD

– Associação de Defesa dos Clientes Bancários



No dia 24 de Julho de 2014 foi formada a ABESD – Associação de Defesa dos Clientes Bancários, uma associação que teve a sua génese nos clientes do BES. Tratar-se-á de uma verdadeira associação ou de uma cobertura para uns advogados explorarem a oportunidade proporcionada por Ricardo Salgado? Contudo, a ser uma verdadeira associação, é para ricos, como se deduz do valor da jóia: nada menos do que mil euros...

De qualquer modo, aqui fica a informação.

A ABESD tem uma página na internet ( http://abesd.org ) e um email de contacto ( secretariado@abesd.org ).

Segundo um dos fundadores citado pelo Negócios: «Esta nova associação surge da necessidade e vontade de vários clientes lesados pela actuação do Banco Espírito Santo em institucionalizar um movimento de clientes, que surgiu espontaneamente nas últimas semanas, com vista a apurar as obrigações e direitos nesta problemática do Grupo BES-GES, que também nos afecta».

Além do sítio na internet estão a divulgar um email de contacto para poder facilitar a interacção com os interessados: secretariado@abesd.org.






A fraude


Pedro Santos Guerreiro, Expresso, 2 de Agosto de 2014

O Estado tem de intervir, capitalizando ou separando o banco dos problemas. E depressa. Processem-me se quiserem: houve fraude. A justiça tem de agir

Já vamos aos polícias, já vamos aos ladrões, já vamos à ética, ao roubo, ao crime, já vamos aos culpados e aos inocentes, às vítimas, às fúrias e às lamúrias. Mas antes salvem o BES. Salvem-no já. Hoje é sábado, amanhã é domingo, chamem-lhe nacionalização ou capitalização, usem cocos ou socos, partam o banco em bom e mau, comprem-no, vendam-no, pintem o verde de laranja, azul ou encarnado, mas acabem com esta desgraça. O Estado tem de entrar em cena. Entrar já. E entrar com tudo.

Os resultados semestrais do banco revelam um crime. O da destruição de um banco; o da transmissão, deliberada e ocultada, do buraco do GES para o BES. Processem-me se quiserem: há fraude. Há burla. Há falsificação. A justiça tem de agir, investigar, condenar e absolver.

Até ao final de 2013, destruíram um grupo. Nos primeiros seis meses deste ano, passaram a destruição para o banco. Agora descobriu-se que o engano e a ilegalidade grassaram até ao último minuto.

Vai ser necessário usar dívida pública, recorrendo à linha da troika. Há interessados na parte boa do BES – incluindo a carteira de crédito a empresas. Mas há tantos problemas relacionados com a dívida do GES, e provavelmente na carteira de imobiliário, que não bastam os três mil milhões de euros de que se tem falado. É preciso mais. E é preciso anunciá-lo de modo tranquilizador. Dirão que os contribuintes não perderão dinheiro. É impossível. Pode não ser hoje nem este ano, mas parte do que é agora dívida será um dia défice. O BES não poderá gerar resultados para devolver no futuro a injecção de capital de que precisa. Nem de digerir os activos tóxicos sem perdas.

Perde-se um grande banco. A política vai incendiar-se. As contas públicas vão sofrer. As PME perderão o apoio do banco que mais as financia. A falência do GES arrastará fornecedores e trabalhadores.

Ricardo Salgado não pode ter feito tudo sozinho, mas liderou um grupo e um banco durante a maior fraude financeira da história económica portuguesa – e durante uma manipulação tão perturbadora que dará capítulos até de psicopatia, onde se listam exemplos de perversão narcísica. Salgado usou e abusou das pessoas que o rodeavam e até das pessoas que desconfiavam: o Banco de Portugal, que já não confiava desde Janeiro, foi enganado ainda em Junho. O mal produzido pelo Espírito Santo à economia e à sociedade é tão grave que a justiça deve investigar até a fortuna pessoal de Salgado, dos presentes de Angola às contas em Singapura.

Desgraçada sorte. Há uns anos, Salgado disse que «o capitalismo é amoral». Nós continuámos a admirá-lo. Mas, no fundo, ele avisou.





sexta-feira, 1 de agosto de 2014


É esta a elite cavaquista

e da III República



Texto retirado de um despacho de Assunção Esteves, quando da sua passagem pelo Tribunal Constitucional:

«Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa de dotação e da sua relação causal como início do procedimento de requalificação no concreto e específico orgão ou serviço resulta de previsão legal, o que abre caminho evidente à imotivação»...

Desafia-se qualquer um a traduzir isto.

O mesmo desafio estende-se à frase por ela proferida em recente entrevista:

… «Houve um inconseguimento do soft power sagrado da Europa»...