BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

terça-feira, 20 de janeiro de 2015


Sobre os últimos eventos na terra da

«Liberdade, Igualdade e Fraternidade»


João José Brandão Ferreira Oficial Piloto Aviador

«By way of deception, Thou shalt do war»

Lema da Mossad (serviço secreto israelita)

Portugal teve a felicidade de nascer e formar-se neste cantinho ocidental da Europa.

Tivemos o azar de confinar com Castela/Leão o que nos importunou amiúde e a sorte da excelente companhia do Atlântico, autêntica janela de oportunidade e liberdade.

De riquezas naturais estamos remediados, assim tivéssemos tino para as explorar e preservar.

Tirando os abalos sísmicos fomos também bafejados pelo clima.

A coesão cultural, religiosa e linguística é outra riqueza extraordinária.

Só nos damos conta disto, porém, quando saímos de cá para fora e nos damos conta do que se passa noutras paragens.

Relativamente à emigração/terrorismo que é um dos (vários) problemas que estão em cima da actualidade política na Europa, também temos tido alguma sorte do nosso lado, embora não tenhamos feito muito por isso.

Como Portugal é excêntrico à grande massa continental e mesmo relativamente à Península Ibérica e, enfim, não sendo a economia brilhante, a quantidade de imigrantes que nos procuram tem sido relativamente pequena e ainda é gerível.

Não tem nada a ver com o que se passa na maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que estavam do lado de cá da ex-Cortina de Ferro. E nós também não temos consciência disso.

De facto a comunidade imigrante estabilizou entre os 400 e 500 mil indivíduos, estando a decrescer há quatro ou cinco anos por via da «crise».

A grande maioria dos imigrantes vem de países que falam português – aquilo a que chamo de «pretos doces» – cujos problemas derivam apenas das gerações descaracterizadas, infiltrações de máfias do Leste da Europa e ainda de alguma banditagem brasileira que a degenerescência dos costumes daquele lado do Atlântico exportou para cá.

O número de muçulmanos é muito pequeno, a maioria com origem na Guiné e Moçambique e temos tido a sorte do líder da comunidade islâmica de Lisboa, Sheik David Munir, ser um homem moderado e inteligente, com uma grande costela portuguesa.

As recentes aquisições lá das bandas do Paquistão é que é provável trazerem problemas, que é necessário identificar e isolar rapidamente.

Finalmente, os portugueses são o único povo europeu que não é racista e isso está-nos no ADN há muitos séculos.

Isto quer dizer que, ao contrário do que acontece noutros países, os portugueses são aqueles que melhor conseguem integrar os imigrantes.

Porque integrar os emigrantes não é construir-lhes blocos de apartamentos nem cumulá-los com bonitas declarações de princípios: é convidá-los para irem almoçar connosco!

Ora o que se passa no resto da Europa não tem nada a ver com isto.

O que se passa é que hordas de milhões de indivíduos foram desembarcando no continente Europeu, fugindo à miséria, grande parte deles, sobretudo negroides e árabes/berberes, sem qualquer afinidade com as sociedades para onde se mudavam, de uma maneira anárquica.

Muitos deles recusam-se a integrar-se e foram encontrando sociedades europeias cada vez mais permissivas, amolecidas moralmente, egoístas e hedonistas, que não querem ter filhos nem desempenhar determinadas tarefas/trabalhos, tidos por menos condignos ou duros.

Isto para já não falar nas redes de tráfico humano e exploração do trabalho, que foram surgindo. A demagogia dos «direitos humanos» fez o resto.

Preconceitos e complexos de culpa vários e falta de autoridade militante foram tornando as leis permissivas, o que facilitou a obtenção de nacionalidade, o usufruto da segurança social e, até, a participação política.

Daqui para a reivindicação de situações de excepção e de enviesamento das leis a favor das comunidades extrínsecas aos países, foi um passo.

Inventou-se o «multiculturalismo» que debaixo da capa da igualdade de direitos foi segregando e auto segregando as comunidades em ilhas arco-íris, descaracterizando as sociedades dos países de acolhimento, sobretudo nas grandes cidades.

Ora chegámos a um ponto em que tudo deixou de ser sustentável: não é possível pagar tudo isto, não é possível absorver tudo isto; não é possível conviver com tudo isto, não é possível aturar tudo isto!

As nações estão pois, em vias, de implodir e, ou de deixar de ser elas próprias.

A permeabilidade das fronteiras permite que tudo se compre e tudo se venda e tudo e todos se movimentem. Começa a não se conseguir controlar seja o que for.

Acresce que há múltiplos conflitos no mundo onde os países europeus (e sobretudo os EUA) actuam por vezes militarmente. Os principais focos de instabilidades têm a ver com conflitos entre muçulmanos, venda de petróleo e gaz e com a questão fulcral, da existência do Estado de Israel.

E, agora, todos os dias são mortas pessoas um pouco por todo o lado, por meio de «drones», que ninguém vê, operados muitas vezes em salas com ar condicionado a muitos Kms do local de operação e com a decisão de matar delegada em baixos escalões de comando…

É pois natural que estes problemas passem a repercutir dentro das fronteiras europeias.

E, é claro que os europeus sentem muito diferentemente o que se passa lá longe, com aquilo que acontece dentro das suas fronteiras…

Acresce o facto de em vez de serem as comunidades imigrantes a cumprirem as leis dos países para onde imigram e respeitarem os costumes e tradições locais, tem passado a acontecer precisamente o contrário.

A insanidade é total e está aberto o caminho para uma guerra civil generalizada.

Ora tem que se arrepiar caminho rapidamente e a primeira coisa a fazer é tomar consciência que os sucessivos governos europeus são os verdadeiros culpados disto tudo, mesmo que algumas das ideias postas em prática tivessem origem em boas intenções.

Porém, quão longe da verdade das coisas e dos humores da natureza humana…

A reacção aconteceu agora pelos piores motivos, isto é, não pela liberdade de expressão e de informação, mas sim por causa do abuso que foi feito dessa liberdade. O que serviu de «desculpa» para a eliminação física de 12 pessoas.

Toda a gente sabe, embora nem todos aceitem, que a liberdade de cada um acaba onde começa a do outro, por isso a «Liberdade sendo um conceito absoluto – logo intangível, tem aplicação relativa.

Veja-se aliás, o que aconteceu em França (que deve ser presentemente o país europeu mais moralmente destroçado), para implantar a trilogia jacobina e mentirosa da «Liberdade, Igualdade e Fraternidade», quantas centenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas ou afogadas nos rios franceses, para impôr «La Republique»?

Ora o tal «Charlie Hebdo» assemelha-se a um pasquim de anarcas alucinados, que não respeitam nada nem ninguém. E podiam cair vítimas de um radicalismo islâmico ou outro. Razões de queixa não faltavam…

Os jornalistas existem para dar notícias e tratar com isenção os temas da actualidade tendo o «estatuto» de comentadores podem e devem, criticar situações, pessoas ou instituições, mas tal não implica o insulto, a mentira ou a insinuação, só para referirmos estas.

Tão pouco, os jornalistas se devem arrogar o direito a influenciar a sociedade mais do que qualquer outro grupo profissional ou social. A que propósito o fariam?!

Vamos mesmo ter que ganhar juízo e preparar-nos para o pior.

Independentemente de terem sido muçulmanos a puxar o gatilho, terroristas ao serviço de uma qualquer causa, ou ter sido mais uma das operações da «Mossad».

A procissão nem sequer chegou ao adro.

Pode ser que se consiga estabilizar a situação, não só porque a Europa já viu temporadas alargadas de outros terrorismos ou, simplesmente, por uma questão de sobrevivência.

Mas vai ser difícil: desta vez estão muitas dezenas de milhões de problemas cá dentro; a autoridade e as forças militares têm sido dizimadas e o relativismo moral impera.

Os portugueses vão ter que pensar seriamente como vão sobreviver ao que aí vem.

E ainda nem sequer começaram a pensar nisso.




sábado, 17 de janeiro de 2015


Se não fosse o 1.º de Dezembro


José Ribeiro e Castro

1. São, hoje à tarde (quinta-feira), discutidos no plenário da Assembleia da República, vários projectos de lei sobre a questão dos feriados. Também decidi apresentar um projecto, a título individual, que, graças ao consenso favorável dos grupos parlamentares, também poderá ser discutido hoje e votado amanhã. A imprensa, de uma forma geral, nomeadamente o Observador, já deu nota dos seus pontos mais salientes.

Porém, soube que, no debate em plenário, só terei direito a usar da palavra por 1 minuto para o discutir e defender. A apresentação dos outros disporá de 4 minutos cada um. As regras são assim – são para cumprir.

Isso alterou, porém, a ideia quanto ao discurso que tencionava fazer, focado na questão do 1.º de Dezembro, que é o feriado nacional que mais me tem ocupado. Não é essa a única questão do meu projecto; mas tinha pensado actualizar, perante o plenário da Assembleia, um texto que escrevi há quase três anos e que me ajudou a aprender ao correr da pena, à medida que o escrevia. Teria gostado de o partilhar directamente, de viva voz, com os meus colegas parlamentares.

Não o podendo fazer, por falta de tempo de palavra, antecipo-o aqui, junto com os leitores do Observador, admitindo que ao menos alguns deputados o possam ler. E sorrir. E ponderar.

2. Na reavaliação desta questão dos feriados que tanta tinta fez correr, centro-me na reposição do 1.º de Dezembro, o mais alto dos feriados nacionais, porque celebra o valor mais alto e essencial de Portugal: a independência e a liberdade nacionais.

Quando tudo isto começou, há três anos, cansei-me de ouvir pessoas – creio que minoritárias, mas influentes e poderosas – a sustentar que «o 1.º de Dezembro não tem importância de maior», que «não tem grande valor», que «não representa nada de fundamental», que «podemos bem pensar sem ele». E comecei a escrever um texto ligeiro, quase por brincadeira, apenas a imaginar o que seríamos e o que seríamos, se não fosse o 1.º de Dezembro. É isso que escrevi que vos quero dizer, neste tempo em que decidimos se vamos, ou não vamos, chumbar uma vez mais, pela terceira ou quarta vez consecutiva, o nosso 1.º de Dezembro.

3. Este texto não seria escrito se não tivesse havido 1.º de Dezembro. Ou seria escrito em Castelhano. Não seria dito aqui, porque não estaríamos aqui. Porventura este «aqui» nem existiria, mas qualquer outra instituição.

Não haveria Língua Portuguesa como a conhecemos hoje – teríamos sido sujeitos a longa aculturação espanhola, somando mais 370 anos de usurpação aos sessenta de domínio dos Filipes.

Não haveria a querela do Acordo Ortográfico – porque não haveria o Português, nem o problema da regulação do uso universal da nossa língua. Estaríamos hoje com os galegos, esbracejando pela cidadania linguística.

Não haveria Rui Reininho e a sua «Pronúncia do Norte», nem Pedro Abrunhosa e o seu «Momento» ou Jorge Palma e «Encosta-te a Mim», o «Ó gente da minha terra» de Mariza, o «Fado Tropical» de Chico Buarque.

Fernando Pessoa não seria o que é, nem a «Mensagem». Camões e «Os Lusíadas» seriam talvez desconhecidos, literatura esquecida ou clandestina.

Veríamos filmes dobrados – em Castelhano.

O Fado não seria Património Imaterial da Humanidade. Não existiria sequer o fado, antes outra coisa qualquer de sonoridade espanhola.

Já não teríamos declarado o sobreiro árvore nacional. Não seríamos o maior produtor mundial de cortiça – seria Espanha.

O nosso porco preto alentejano seria porco ibérico para toda a vida, sem apelo nem agravo.

Teríamos centrais nucleares na bacia do Tejo – e talvez também na do Douro –, não só do lado de lá, mas do lado de cá.

Não haveria lado de cá e lado de lá.

A política espanhola de transvases, afectando os nossos rios, estaria aí em pleno.

Não haveria D. João IV, nem D. João V e o seu Convento de Mafra, nem D. João VI e a originalidade fundadora da corte no Brasil.

Não haveria o próprio Brasil. Em lugar dessa criação do génio e do acaso português, teriam surgido outras coisas, fruto de colonizações retalhadas de holandeses, franceses, espanhóis e ex-portugueses falando espanhol. Não haveria o samba e a bossa nova.

Não haveria Angola, nem Moçambique. O espaço de Moçambique estaria repartido por países anglófonos; e no de Angola seria outro retalho qualquer de colonizações holandesa, alemã, francófona, talvez espanhola. São Tomé e Príncipe estaria na Guiné Equatorial, como Fernando Pó e Ano Bom. A Guiné-Bissau moraria na francofonia; Cabo Verde provavelmente também. Não haveria a morna, nem a coladeira, talvez o zouk de Guadalupe e Martinica. Timor seria holandês e, portanto, indonésio. Macau teria logo acabado, pouco depois de ser.

Não teria havido a guerra de África – não teria havido Ultramar ou colónias. Não existiria a CPLP. Nem haveria sequer o Fórum Ibero-Americano, antes qualquer coisa hispano-americana.

Não haveria o navio-escola «Sagres». O nosso mar português não seria.

Não teríamos o Eusébio. Não teríamos festejado o louco terceiro lugar do Mundial de Inglaterra 1966, mas alguns teriam celebrado a Espanha campeã do Mundo na África do Sul 2010. O Benfica e o Porto provavelmente nunca teriam sido campeões europeus. A Académica nunca teria ganho a Taça de Portugal – não haveria Taça de Portugal. Com sorte, Benfica, Porto, Sporting, outro, poderiam ter ganho a Copa Generalíssimo ou a Taça do Rei.

Não haveria Cardeal Patriarca de Lisboa, título do século XVIII. Não haveria um só cardeal português no Consistório de Roma. Não existiria a Conferência Episcopal – os nossos bispos estariam na conferência espanhola.

Teria havido o terramoto de 1755, mas não o Marquês de Pombal, nem a baixa pombalina. As invasões francesas teriam sido uma passeata com cicerone espanhol. Não haveria a questão de Olivença – seríamos todos nós Olivença.

Teríamos tido na mesma as lutas liberais, mas não entre D. Pedro e D. Miguel, antes envolvidos nas longas guerras do carlismo. Não teríamos tido nem Afonso Costa, nem Salazar, mas dois breves episódios republicanos, um fugaz no século XIX, outro nos anos '30 do século XX, seguido da guerra. Teríamos tido a Guerra Civil, seguida do Generalíssimo e da restauração monárquica com rei espanhol. Teríamos sofrido o terrorismo da ETA.

Não haveria Cavaco Silva, presidente; nem, antes, Jorge Sampaio, Mário Soares, ou Ramalho Eanes. Seria D. Juan Carlos; e, hoje, Filipe VI de Espanha – talvez Filipe V de Portugal, se permanecesse a formalidade dos reinos separados e da monarquia dual, o que é duvidoso.

Não teríamos Passos Coelho, nem Paulo Portas, antes Mariano Rajoy e Garcia-Margallo ou Soraya Sáenz de Santamaría.

Não teríamos Ministério dos Negócios Estrangeiros – seríamos somente um negócio de estrangeiros.

Não teríamos Assembleia da República, apenas as Cortes Generales.

Aqui chegados, eu compreendo perfeitamente que as Cortes de Madrid chumbassem o nosso feriado do 1.º de Dezembro, primeiro o Congresso dos Deputados, logo a seguir o Senado. Mas a Assembleia da República fazer isso? Não pode ser.





quarta-feira, 14 de janeiro de 2015


O Real Madrid modifica o seu símbolo

por dinheiro dos muçulmanos!!!


Heduíno Gomes


Pelas conhecidas trafulhices franquistas no futebol espanhol a favor do Real Madrid, tudo numa perspectiva política centralisto-castelhana, incluindo Portugal, eu já detestava esse clube. Por isso, o meu íntimo desejo, jogo a jogo, já era que perdesse sempre 5-4 com 4 golos do Ronaldo. Para mim, seria sempre o resultado ideal! E perdendo por estes números com os clubes das nações anticastelhanas amarradas a Madrid, a minha alegria seria a dobrar!

Mas agora esse castelhano Florentino Pérez deu-me mais uma razão para este meu profundo desejo. Com efeito, o safado Florentino Pérez vendeu-se aos muçulmanos do petróleo acedendo a retirar da coroa do emblema do clube a cruz.

Parafraseando Unamuno a propósito daquela República espanhola, acabem com essa monarquia de putas. (Pedindo as devidas desculpas às putas pela comparação com este estafermo, as quais, coitadas, ainda por cima, recebem um cachet muito inferior.)



Mais sobre o Florentino em:

http://www.forocoches.com/foro/showthread.php?t=4063950

http://www.canariculturacolor.com/foros/showthread.php?t=93252&page=817





domingo, 11 de janeiro de 2015


Com Costa, mais panasquice e mais fufice no PS


J. Sousa

O PS vai apresentar um diploma para a legalização da adopção de crianças por parelhas de panascas ou fufas, juntando-se assim abertamente à esquerdalha do Bloco de Esquerda e dos Verdes.

Este é o verdadeiro PS!





quarta-feira, 7 de janeiro de 2015


Patriarca de Lisboa satisfeito

por «colaborar ainda mais directamente

com o Papa»


Lusa, 4 Janeiro de 2015

Manuel Clemente a rasgar o Evangelho

O patriarca de Lisboa afirma que a nomeação como cardeal nada mudará no seu dia-a-dia e que só terá de ir mais vezes a Roma

O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, reagiu à notícia da sua nomeação como cardeal, hoje anunciada pelo Papa Francisco, afirmando que será «um gosto colaborar ainda mais directamente com o Papa».

«Vi este anúncio como já estou habituado a ver as coisas da Igreja: elas acontecem de forma surpreendente, comprometem-nos sempre mais e, nesse sentido, para mim é um gosto colaborar ainda mais directamente com o Papa Francisco, com cujo pontificado e pensamento me identifico absolutamente», disse Manuel Clemente, em declarações à Rádio Renascença em Queluz, onde se preparava para celebrar missa.

Sublinhando que nada mudará no seu dia-a-dia e que só terá de ir mais vezes a Roma, o patriarca de Lisboa, um dos 20 prelados da Igreja Católica que se tornarão cardeais a 14 de Fevereiro, numa cerimónia a realizar no Vaticano – e um dos 15 que serão eleitores –, reiterou o seu compromisso perante os desafios colocados pelo Papa, com especial atenção aos mais pobres e às periferias, a avaliar pelas suas escolhas geográficas.

«Reparei na lista dos que ele escolheu agora para o Colégio Cardinalício: a grandíssima maioria não é da Europa, nem sequer do hemisfério Norte, e isso coincide com aquilo que está a ser o catolicismo mundial, não só o movimento da demografia mundial, mas também o movimento do catolicismo e do cristianismo mundiais», observou.

«Acho isto muito bem, muito coincidente com aquilo que é preciso fazer agora para que o Evangelho chegue a todos», defendeu.

O patriarca de Lisboa junta-se aos dois cardeais portugueses existentes, mas só ele será eleitor com assento no Conclave.

«É algo que eu não tenho pressa nenhuma em efectivar. Que o Papa Francisco viva muitos e bons anos, porque ele está a fazer muito bom trabalho e todos os dias nos leva para diante no sentido evangélico das coisas e, portanto, que lá esteja com muita saúde, com muita força e por muitos e bons anos», rematou.


Comentários de católicos no DN

José António dos Santos
Madeira
05.01.2015/17:06

Não passa de um carreirista, sem chama especial, não basta colar-se ao Papa, tem uma acção pastoral muito débil, bem entrosado com o actual poder!

Meixilhão
04.01.2015/21:56

Não merece o lugar que ocupa um bispo que põe trabalhadores do Norte contra os do Sul não é digno do lugar, e digo-o como católico, não presta…

Além de Bergoglio, outro amigo e anfitrião
de Manuel Clemente




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015


A rapina dos bancos agrava-se em 2015

Custo mínimo de conta à ordem passa para 61,8 €


Economia e Finanças

O ano de 2015 trará uma novidade bancária: a conta-base. Se tem várias contas à ordem em vários bancos e não tem por hábito realizar regularmente operações de levantamento de dinheiro ao balcão fique a saber que o seu custo mínimo de conta à ordem passa para 61,8 € em 2015, subindo de um valor que poderá hoje corresponder a zero ou à anuidade do cartão de débito que possa ter associado à conta. Segundo uma análise do Jornal de Negócios a que tivemos acesso, o custo com o cartão de débito nos bancos nacionais andará entre os cerca de 8 € e os 15 €.

O que está em causa é adopção por parte dos bancos da adopção da recomendação do Banco de Portugal, publicada em Março de 2014, na qual se define uma conta-base que, entre outras características padronizadas, deve deixar de diferenciar as comissões de manutenção de acordo com os saldos médios em conta substituindo essa lógica por uma comissão fixa e um pacote de serviços comparáveis.

Para já esta conta-base e o seu preçário associado será implementada em breve pela Caixa Geral de Depósitos e pelo Crédito Agrícola (pelo menos) podendo em breve, caso o governo converta a recomendação em obrigação, ser alargado a todos os bancos.

O que vai acontecer, na prática, com a conta-base?

Na prática o que vai acontecer é que independentemente dos saldos médios, as contas terão um custo mensal associado de 5,15 € (os tais 61,8 € de que falamos no título e que já incluem o respectivo imposto de selo). Esta conta-base com este custo inclui o seguinte pacote de serviços, sugerido pelo Banco de Portugal, a saber:

  • Serviços relativos à constituição, manutenção, gestão e titularidade de conta de depósito à ordem;
  • Titularidade de um cartão de débito por cada titular da conta;
  • Acesso à movimentação da conta através de caixas automáticas, serviço de homebanking e balcões da instituição de crédito;
  • Operações incluídas: depósitos, levantamentos, pagamentos de bens e serviços, débitos directos e transferências intrabancárias nacionais (que poderão não ser gratuitas em alguns casos);
  • Os levantamentos realizados em qualquer dos balcões da instituição de crédito podem ser limitados ao número de três levantamentos no decurso do mesmo mês.
As isenções desaparecem todas?

Depende, é possível que os bancos estabeleçam que o envolvimento a nível de outros produtos determine isenções a esta comissão. Por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos que já está a avisar os seus clientes do novo preçário que entra em vigor a 5 de Janeiro define uma hipótese de isenção:

Segundo a CGD ficam isentas:

Contas de depósitos à ordem com aplicações associadas(*), independentemente do montante das mesmas em cada conta, desde que pelo menos um dos titulares tenha Património Financeiro(*) com saldo médio mensal igual ou superior a € 3.500 no somatório dessas contas. Ficam, portanto, excluídas apenas para efeito deste critério de isenção de património financeiro as contas DO que não tenham aplicações associadas.

(*) depósitos a prazo, depósitos de poupança, depósitos classificados como produtos financeiros complexos, obrigações emitidas pela Caixa, fundos geridos por empresa do Grupo Caixa e seguros financeiros, contratados na rede Caixa.

Quem fica mais beneficiado/penalizado com a conta-base?

Os clientes não isentos no regime actual que tenham saldos médios elevados nas contas, provavelmente serão os principais prejudicados caso não consigam atingir as novas condições de isenção que os seus bancos possam eventualmente criar. Poderão inclusive ter um incentivo para encerrar as contas e concentrar as suas operações caso tenha contas dispersas.

Entre os principais beneficiados estarão os que não estavam isentos e/ou os que procediam habitualmente a levantamentos frequentes ao bancão que eram pagos. Agora passam a poder efectuar três levantamentos mensais gratuitos o que pode representar uma poupança significativa.

O que recomendamos?

Recomendamos que esteja atento às alterações dos preçários do banco ou bancos onde tenha contas à ordem sem condições especiais (como acontece com as contas-ordenado) pois poderá ter uma surpresa desagradável em termos de custos. Confirme junto do seu banco se tem uma conta com condições especiais (ser conta ordenado é garantia suficiente para evitar estas comissões?) e actue de acordo com as indicações que receber. Será sempre mais aconselhável actuar preventivamente do que reagir a um custo surpresa que lhe seja debitado da conta.

Por outro lado recomendamos considerar se não lhe será mais útil e económico migrar para uma conta de serviços mínimos bancários, um tipo de conta que continuará a existir e que terá um custo máximo anual equivalente a 1% do salário mínimo nacional, ou seja, de 5,05 € em 2015 garantindo os seguintes serviços:
  • abertura e manutenção de uma conta de depósito à ordem – a conta de serviços mínimos bancários;
  • disponibilização de um cartão de débito para movimentação da conta;
  • acesso à movimentação da conta de serviços mínimos bancários através de caixas automáticos, serviço de homebanking e balcões da instituição de crédito; e
  • realização de depósitos, levantamentos, pagamentos de bens e serviços, débitos directos e transferências intrabancárias nacionais a partir da conta de serviços mínimos bancários.




sábado, 3 de janeiro de 2015


A Rússia de Putin


Miguel Monjardino

O aviso chegou no início da semana e foi claro. «Hoje posso dizer que entrámos ou estamos a caminho de entrar numa crise económica de grandes proporções. No próximo ano vamos senti-la na sua máxima força,» disse Alexei Kudrin numa conferência de imprensa em Moscovo.

Kudrin foi ministro das Finanças da Rússia entre 2000 e 2011 e conhece como ninguém a situação dos bancos, empresas e famílias do seu país. As suas declarações são uma crítica clara às posições assumidas por Vladimir Putin no seu discurso anual sobre a situação do país e a tradicional conferência de imprensa de final de ano nas últimas semanas. Para compreendermos melhor o que está a acontecer em Moscovo é preciso recuar um ano e regressar a Kiev.

O assalto russo à Crimeia e ao leste da Ucrânia foi uma reacção de Moscovo à perda do controlo sobre Kiev. O Kremlin agiu para tentar preservar a sua influência numa região crucial do ponto de vista geopolítico e iconográfico para a Rússia e forçar Kiev a participar na União Euro-Asiática. Mas Putin também agiu preventivamente para impedir uma União Europeia cada vez mais dominada por Berlim de se aproximar das fronteiras da Rússia. 2014 é o ano em que o eixo Bruxelas-Berlim passou ser visto por muita gente no Kremlin e na sociedade russa como um adversário. Há muita gente na Europa que ainda não percebeu isto.

A queda do preço do petróleo, a descida da cotação do rublo, as sanções impostas pelos EUA e pela UE e o endividamento externo das empresas estão a criar sérias dificuldades na capital russa.

A queda da Crimeia foi rápida. Mas no leste da Ucrânia as coisas foram muito diferentes. Os ucranianos combateram e as milícias separatistas nunca conseguiram o apoio social da população que por razões religiosas, históricas e políticas é pró-russa. Moscovo foi forçada a intervir de uma forma muito mais clara. O actual impasse militar foi conseguido à custa de um preço elevado.


Segundo algumas organizações não-governamentais russas, Moscovo poderá ter sofrido 4 000 mortos em apenas alguns meses de combate. Como o Kremlin nega qualquer intervenção, ninguém sabe qual é o número de baixas russas. Mas é provável que seja elevado. Além disso, a queda do preço do petróleo e do rublo, o controlo de Washington sobre o sistema financeiro internacional, as sanções dos EUA e da União Europeia, o endividamento externo das empresas russas, a fuga de capital e a queda da confiança estão a criar sérias dificuldades na capital russa.

Kudrin defende que a melhor solução é normalizar rapidamente as relações da Rússia com os países da União Europeia e Washington. Em termos estratégicos isto significa duas coisas: o futuro do país continua a passar pela integração no mundo euro-atlântico e Putin cometeu um erro grave na Ucrânia.

O discurso e a conferência de imprensa do Presidente russo sugerem exactamente o oposto. A integração com a Europa foi um erro, é preciso mudar todo o modelo económico russo para o tornar menos vulnerável a choques externos, virar o país mais para a Ásia e investir muito dinheiro em unidades militares expedicionárias até 2020. Como Putin tornou claro, a Rússia fará esta transição nos próximos anos. Temos de pensar no que é que esta escolha significa a nível europeu e internacional.





quinta-feira, 1 de janeiro de 2015


2014, o ano em que Putin foi longe demais


José Milhazes

A Rússia necessita de crescimento intensivo e, para isso, necessita de pôr a casa em ordem e só depois ter anseios geopolíticos globais. Mas, pelos vistos, os dirigentes russos têm outra opinião.

O principal resultado da política externa da Rússia em 2004 consiste em que os seus dirigentes se envolveram num conflito não só desnecessário, mas também arriscado do ponto de vista do futuro desse país e do mundo.

Segundo alguns observadores em Moscovo, a decisão de Vladimir Putin de ocupar a Crimeia teria sido emocional e com base nas informações dos seus conselheiros de que a Rússia tinha meios para responder a qualquer tipo de reacção do Ocidente caso este decidisse avançar com sanções.

Os resultados estão à vista: o Ocidente não se conformou com ocupação da Crimeia e, sobretudo, com a desestabilização no Leste da Ucrânia por separatistas pró-russos, ao contrário do que fizera em 2008, quando as tropas russas ocuparam parte do território da Geórgia. Isso bastou para se verificar que o poderio económico russo está longe de corresponder às pretensões geopolíticas desse imenso país.

Além disso, não eram segredo para ninguém os pontos fracos do Kremlin, principalmente a quase total dependência da economia russa em relação à exportação de hidrocarbonetos. Assim, a queda do preço do petróleo e as sanções financeiras para com a Rússia provocaram fortes estragos na economia russa mais cedo do que muitos imaginavam. A queda brusca do rublo é a face mais evidente desses prejuízos.

Vladimir Putin desdramatiza a situação, prometendo superar a crise do seu país em dois anos, mas a questão é saber como o fará se não o fez durante os 14 anos em que já está no poder, anos em que beneficiou de um preço do barril do petróleo a mais de 100 dólares, quando agora o barril está a 60 dólares e o prazo é cinco vezes mais curto.


Quando o actual dirigente russo chegou ao poder muitos acreditaram, e continuam a acreditar por muito paradoxal que pareça, que ele iria estabilizar a situação política interna, pôr na linha os oligarcas e dar início à modernização e diversificação da economia russa. É certo que normalizou a situação à sua maneira, com a criação da chamada «vertical do poder», ou seja, com a concentração de praticamente todos os poderes na sua mão, mas não acabou com os oligarcas, nem alterou a estrutura económica. Alguns oligarcas conseguiram sobreviver (Abramovitch, Derepaska, Patanin, etc.) ao sujeitarem-se às novas regras de jogo, e apareceu um novo grupo de sedentos oligarcas ligados por laços de amizade ao dono do país (irmãos Rotemberg, Timchenko, Usmanov, etc.). Quanto à modernização, a política neste campo não passou da utilização do pouco que restou da União Soviética, facto muito evidente na exploração do Espaço e no sector militar.

E aqui convém voltar à Crimeia, pois esta península parece ter algo de misterioso, para o bem e para o mal, na história da Rússia. Em 1856, Moscovo saiu derrotado e humilhado da Guerra da Crimeia. Alexandre II, o czar que então governava o Império Russo, não se limitou a lamentar a derrota, mas deu início a um extenso programa de reformas que, se fosse realizado até ao fim, poderia ter mudado o rumo da história: pôs fim à servidão dos camponeses, começou a dotar o país de uma vasta rede de caminhos de ferro, reformou o sistema judicial e incentivou o poder local (zemstvo), modernizou as forças armadas russas.

Alexandre tinha em mente a criação de uma Duma (Parlamento), o que transformaria a Rússia de monarquia absoluta em constitucional, mas o processo reformador terminou com o assassinato do czar pelos «narodniki» (populistas), precursores do terrorismo moderno, em Março de 1881. Mesmo incompletas, essas reformas fizeram da Rússia um dos países mais fortes da Europa e do mundo de então.

Vladimir Putin considerou o fim da União Soviética «a maior catástrofe geopolítica» do século XX mas, no lugar de tomar medidas para sarar as feridas provocadas no tecido económico, político, social e nacional da Rússia, lançou-se em aventuras que poderão provocar catástrofes ainda maiores. De que valem as palavras se o país não conseguiu manter a aviação civil, se continua a não ter pelo menos uma auto-estrada que ligue Moscovo a São Petersburgo, se está entre os países mais corruptos do mundo, se não consegue garantir à maioria da população assistência médica digna?

A Rússia necessita de crescimento intensivo, e não extensivo, pois este último apenas a enfraquece. Por isso, primeiro é necessário pôr a casa em ordem e só depois ter anseios geopolíticos globais. Mas, pelos vistos, os dirigentes russos têm outra opinião.