BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

domingo, 26 de abril de 2015


Eanes, o seu Conselho da Revolução

e a causa nacional de Olivença


Heduíno Gomes

Eanes e o seu Conselho da Revolução traíram a causa nacional de Olivença ao permitirem que a Espanha entrasse para a NATO, em Maio de 1982, sem previamente devolver a Portugal o seu território de Olivença.

Portugal, na NATO, como seu membro fundador, tinha direito de veto. Foi uma oportunidade de ouro perdida pelos DDT (donos disto tudo) entre 1974 e Setembro de 1982, data da extinção do CR.

O «grande estratega» de salão Loureiro dos Santos, com culpas no cartório, arranja uma versão surrealista para «a grande oportunidade» de Portugal reaver Olivença. Calcule-se que, para este «estratega», a grande oportunidade teria acontecido se os americanos, em vez de terem desembarcado na Normandia, tivessem desembarcado em Portugal... como se não houvesse Pirenéus! (Declaração proferida na apresentação de um livro de Paula Fitas sobre Olivença, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em 28 de Fevereiro de 2008.)

Enfim, generalatos de aviário, fardas, ordenados e agora brutas reformas. A defesa de Portugal que se lixe. Militares de salão. Vulgares carreiristas.

O grande logro chamado Eanes.
O que festejam eles?





sábado, 25 de abril de 2015


Petição entrega de Olivença a Portugal



http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Olivenca

Para: Só permitido a cidadãos Portugueses


PETIÇÃO

Petição usando a internet.

O nome e o número do Bilhete de identidade ou Cartão de cidadão são obrigatórios.

Só podem assinar esta petição cidadãos Portugueses.

São necessários 4 000 assinaturas válidas.

Petição ao Governo da Republica Portuguesa.

Em particular, «ao Senhor Primeiro-Ministro e ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros».

Objecto da petição: entrega de Olivença a Portugal.

Esta petição tem como base o artigo 5 da Constituição da República Portuguesa no seu n.º 3, – preceitua – «O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.»

Esta petição respeita o que está disposto na Lei n.º 43/90 de 10 de Agosto – Exercício do Direito de Petição, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 6/93, de 1 de Março e Lei n.º 15/2003, de 4 de Junho e Lei n.º 45/2007, de 24 de Agosto.

A Vila de Olivença foi conquistada pelos portugueses aos mouros, pela primeira vez em 1166. A sua posse definitiva foi reconhecida em 1297, no Tratado de Alcanices, quando foram fixadas as fronteiras entre Portugal e Castela. Durante mais de 600 anos a sua população bateu-se contra as investidas de Castela e depois da Espanha (a partir de 1492) para preservar a sua identidade nacional.

No dia 20 de Maio de 1801, o exército espanhol, tomou o Concelho de Olivença, usurpando 750 km2 do território de Portugal, incluindo uma das suas vilas mais importantes.

Esta usurpação ocorreu num momento particularmente dramático para Portugal, dado que vivia sob a ameaça de uma invasão pelo exército francês. A Espanha aproveitou-se desta fragilidade de Portugal, e declarou-lhe guerra pela força das armas, ocupando, em violação do direito internacional, um território que não lhe pertencia, subjugando uma população indefesa.

Em 1815, após inúmeras manobras negociais, a Espanha compromete-se a devolver aquilo que havia roubado a Portugal, mas acabou por nunca o fazer. Pelo contrário, iniciaram uma sistemática política de genocídio cultural de uma parte do povo português e de ocultação das marcas de um crime.

Em 1817 a Espanha reconheceu a soberania portuguesa subscrevendo o Congresso de Viena de 1815, comprometendo-se à retrocessão do território o mais prontamente possível. Porém, até aos dias de hoje, tal ainda não aconteceu.

Para tentar provar que Olivença não é Portuguesa, recentemente a Igreja de Santa Maria Madalena, Manuelina, foi eleita por Espanha Monumento Espanhol. Mas o seu estilo, a sua arquitectura, as armas que ostenta, são indubitavelmente Portuguesas.

Exigimos a entrega imediata de Olivença a Portugal pela potência invasora.

Apoie esta Petição. Assine e divulgue. O seu apoio é muito importante.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Olivenca





quarta-feira, 22 de abril de 2015


O rosto da Constituição de Abril


O Tribunal Constitucional – aquele órgão que nem deveria existir – foi auditado pela primeira vez: carros para uso pessoal, dinheiro recebido a mais pelos juízes, avaliação dos funcionários por fazer.

Sousa Ribeiro, o seu Presidente, «desgostoso», garante que vai emendar.

Entretanto, andou a usufruir dos nossos impostos – ele e os outros.

Mas isso ainda foi o menos. O pior foram as suas interferências políticas, mascaradas de defesa da Lei.






segunda-feira, 6 de abril de 2015


Aconteceu-nos e pode voltar a acontecer


Helena Matos, Observador, 29 de Março de 2015

O que o percurso de Sócrates revelou foi uma enorme disponibilidade da esquerda para apoiar caudilhos e a extraordinária fragilidade daquele que, até hoje, tem sido o principal partido português, o PS.

Andamos todos muito entretidos a discutir o futuro das democracias por causa do crescimento de partidos que esperávamos ver como marginais – o Syriza, o Podemos e a Frente Nacional. Muitos de nós até agradecemos aos céus, ao PREC e ao PCP preservarem Portugal de tal assombração. Mas nem reparamos que aquilo que podia ter acontecido em Portugal e de certa forma aconteceu foi bem mais perigoso. Foi um grande partido tornar-se ele mesmo um instrumento das circunstâncias pessoais de um homem, José Sócrates.

Entendamo-nos desde já e antes que comece a ladainha na caixa de comentários sobre a inocência de José Sócrates e a sem razão da sua detenção: não me interessam as acusações de natureza criminal que possam vir a ser feitas contra o antigo primeiro-ministro. Experimento aliás uma imensa vergonha de cada vez que saem mais notícias sobre tal assunto. Afinal não passo de uma provinciana cidadã de um pequeno país que sabe que este tipo de casos acontece em todo o lado mas que também não ignora que o mundo reage institucionalmente quando estes casos acontecem com o Kremlin ou o Palazzo Chigicomo panos de fundo.

Pelo contrário se o cenário for aquela pequena vivenda de S. Bento a que por aqui chamamos palácio, os sorrisos escarninhos e condescendentes logo aparecem. A isto, que já não é pouco, junta-se o meu sério temor que ao reduzirem-se as dúvidas sobre a actuação de José Sócrates a um ou muitos casos de justiça acabemos a esquecer o essencial: a condenação ou absolvição num tribunal não pode nem deve substituir-se ao juízo moral nem político.

Feita esta introdução passemos ao que me interessa: a política. E aos falarmos de política chegamos àquilo que o percurso de Sócrates revelou: uma enorme disponibilidade da esquerda para apoiar caudilhos e uma extraordinária fragilidade daquele que, até agora, tem sido o principal partido português. Não interessa que o PS ganhe ou perca as eleições. A linguagem, o paradigma, as referências, o padrão do regime são socialistas em Portugal.

Cavaco Silva conseguiu enormes vitórias eleitorais mas continua a ser visto como um intruso no poder. Os estadistas são Soares e Guterres. Sá Carneiro só é uma referência transversal porque morreu. E é muito cedo para dizer que Passos Coelho conseguirá alterar esta espécie de pacto de regime. Portanto, que o PS possa ser capturado por um grupo que o coloca ao serviço dos seus particulares desígnios não diz apenas respeito aos socialistas. Diz respeito a todos nós. Não tenho aliás grandes dúvidas sobre o que seria o funcionamento das instituições da democracia portuguesas devidamente entregue a pintos monteiros e noronhas do nascimento, caso o governo em funções em 2011 não se tivesse visto obrigado a chamar a troika e que consequentemente Sócrates não tivesse perdido as eleições em 2011. De igual modo tenho quase a certeza que Sócrates preparava uma candidatura presidencial quando foi detido. Para tudo isso podia contar com o PS transformado no seu círculo protector.

Mas deixando o plano do que nos poderia ter acontecido voltemos ao plano do que de facto nos aconteceu e não pode voltar a acontecer: um partido, para mais um grande partido, sofrer um processo de captura pelas circunstâncias pessoais do seu líder. E este usar em proveito próprio as características desse mesmo partido. No caso, a cultura jacobina a par da convicção de superioridade intelectual e moral dos quadros e simpatizantes socialistas levou-os a transformar o partido numa espécie de milícia de defesa de Sócrates.

Note-se que os partidos socialistas sempre foram um objectivo para a chamada táctica do «entrismo» que, como é próprio de todas as tácticas políticas muito ardilosas mas pouco eficazes, nasceu da cabeça dos trotsquistas.

Resumidamente a coisa passar-se-ia assim: militantes trotsquistas escondendo a sua pertença ideológica filiavam-se noutros partidos, sobretudo nos socialistas democráticos. Uma vez lá dentro tinham como objectivo transformar estes partidos reformistas em partidos revolucionários.

Tudo isto tem as suas variantes que no caso português acabam geralmente com a irónica suspeita de que o estalinista PCP seria o grande beneficiado caso a tendência «entrista» de Manuel Serra tivesse vingado no congresso do PS de 1974. Já em França o entrismo foi bem sucedido quando o antigo militante trotsquista Lionel Jospin se tornou líder do PSF. Acontece contudo que sendo os trotsquistas notáveis a conceber tácticas são também incapazes de atender ao essencial: o infiltrado podia esquecer-se da missão que trazia e aderir às teses da organzição que deveria subverter. Assim nunca se soube se Lionel Jospin foi ou não um agente do entrismo da Organização Comunista Internacionalista dentro do PSF. Mas em boa verdade não fez nada para transformar o PSF num partido revolucionário. Aliás enquanto primeiro-ministro proferiu a frase «l’État ne peut pas tout» um óbvio ululante mas dizer em França no ano de 2002 que o Estado não pode tudo era um perfeito sacrilégio face ao estatismo então e agora reinante na esquerda e na direita daquele país.

Espantosamente (ou talvez não) o PS português, que sempre manifestou prudência face aos candidatos a entristas ou que teve a capacidade de os tornar politicamente apresentáveis como fez com Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio (antigos radicais do MES) deixou-se instrumentalizar por Sócrates. O que esse episódio nos veio mostrar é que qualquer um que domine o jargão da esquerda e a leve a acreditar que ele sim vai derrotar a direita inevitavelmente ultra-montana, retrógrada e reaccionária («a mais estúpida do mundo» e «neo-liberal» também são expressões a considerar) terá não apenas o apoio mas também a devoção do eleitorado socialista. Mais, contará com o silêncio dos estridentes compagnons de route dos socialistas, como é o caso do BE e seus múltiplos derivados, que vivem na esperança de fazer o melhor negócio da política portuguesa: associarem-se ao PS ou serem convidados a entrar naquele partido.

Seja qual for a modalidade, uma regra aplica-se sempre: nunca uma gente que não vale mais que meia dúzia de votos consegue tanto protagonismo e alarido em torno das suas pessoas. Para cúmulo ficam sempre com a aura de serem a consciência de esquerda do PS o que é meio caminho andado para se tornarem personalidades de referência e para que o PS se convença de que fez um bom negócio.

Assim, o que perturba não é tanto o que Sócrates fez mas sim aquilo que muitos no PS e nessa entourage que vive de o PS ser poder não quiseram ver que ele fazia. Perturbante é ainda e sobretudo constatar que o povo socrático continua à espera de quem lhe pegue. Não, não me estou a referir aos que vão cantar hinos para a porta da prisão de Évora mas sim a essa plêiade de notáveis que quanto mais insanes eram as medidas que o então primeiro-ministro tomava mais eles resguardados nas suas universidades, institutos, fundações, ordens e observatórios, garantiam que o primeiro-ministro devolvera a esperança aos portugueses. Essa gente continua aí, disponível, à espera não só de quem lhes prometa o impossível mas sobretudo de quem consiga envolver essa promessa num imaginário de uma esquerda a «malhar na direita». Tal como anunciava aquele homem que nos Restauradores vendia os mais improváveis objectos «É disto que o meu povo gosta!»

Na verdade o PS gostou de Sócrates e aquilo que esperam de cada novo líder é que ele lhes devolva o espírito miliciano que tiveram com Sócrates. Nada disto é crime. Mas politicamente falando é um desastre. Para maior azar foi o nosso desastre e pode voltar a sê-lo outra vez.





sábado, 4 de abril de 2015


Esta é a ONU dos «sábios» Adriano Moreira e Freitas


Heduíno Gomes

No nosso post «Assembleia Geral vota a favor do 'casamento' entre invertidos e fufas» há ainda a acrescentar uma pequena nota.

Esta é a ONU dos nossos «sábios» Adriano Moreira e Freitas do Amaral, que pretendem colocar a ONU a governar o mundo.

Dois académicos parolos sem visão de Estado e sem perspectivas nem para a Civilização, nem para o Ocidente nem para Portugal.







Assembleia Geral da ONU vota a favor

do chamado «casamento» entre invertidos e fufas


Stefano Gennarini, resumido

Tradução: Julio Severo

Numa reunião do orçamento animada e surpreendentemente cheia na semana passada, os países membros da ONU aprovaram benefícios especiais para qualquer funcionário invertido ou fufa da ONU.

Uma proposta na Assembleia Geral quase reverteu a decisão unilateral do secretário-geral em Junho passado estendendo benefícios de casamento para qualquer funcionário invertido ou fufa da ONU, ainda que o seu país de origem não reconheça o «casamento entre invertidos e fufas».

O Secretário-Geral da ONU com o universalista,
relativista e multiculturalista Sampaio.

O que é surpreendente é que 80 países votaram a favor para permitir tais benefícios. Só 43 países votaram para revogar a decisão executiva, e 70 países cujas leis não estão em coerência com a acção executiva ou se abstiveram do voto (37), não apareceram ou não chegaram a dar um voto (33). Se todos esses países tivessem votado, é provável que a Assembleia Geral tivesse revogado o secretário-geral.

Uma mensagem do secretário-geral defendendo a sua decisão foi lida antes da votação, dizendo que era seu «privilégio e dever» tomar tais decisões. Os Estados Unidos, os países europeus e os países nórdicos tomaram a palavra para repercutir os comentários dele sobre a necessidade de promover a «igualdade.»

Fontes dizem que o resultado da votação não deveria ser visto como uma exibição mundial de apoio aos direitos LGBT, mas como prova da dominação completa dos países ricos que fazem doações no orçamento e nas questões administrativas da ONU. O resultado aumenta a percepção de que os países membros não têm a mesma agenda social dos países ricos que fazem doações e têm menos adesão no sistema.

Até mesmo entre os 80 países que votaram com o secretário-geral, pelo menos metade deles não tem condições de dar benefícios especiais para invertidos e fufas nas suas leis nacionais. O casamento entre um homem e uma mulher permanece como norma na maioria dos países e não mais do que 40 países no mundo inteiro dão benefícios a invertidos e fufas por meio de leis que sancionam o tão chamado «casamento» entre invertidos e fufas ou uniões civis. Até mesmo na Europa poucos países sancionam tais «casamentos» sem qualificação.

As abstenções e ausências são o produto de uma campanha de seis anos realizada pelos Estados Unidos e países europeus para fazer com que os países se abstenham durante as votações envolvendo direitos lésbicos, invertidos, bissexuais e transgêneros (LGBT) na ONU.

Esta não é a primeira vez que a Assembleia Geral dá a sua aprovação oficial a uma decisão do secretário-geral para garantir benefícios de casamento para funcionários invertidos e fufas da ONU.

A resolução de 2004 foi adoptada pela Assembleia Geral depois de uma acção executiva similar do secretário-geral, e limitava o alcance da sua decisão para estender benefícios de casamento para invertidos e fufas. Desta vez a votação foi necessária.

A votação foi um caso que estabeleceu um precedente para futuras acções conjuntas dos países europeus e do secretário-geral para avançar direitos LGBT por meio do sistema da ONU, apesar da falta completa de qualquer mandato em resoluções da ONU. Um precedente foi agora estabelecido para o secretário-geral abertamente desafiar o consenso da Assembleia Geral em questões LGBT.





segunda-feira, 30 de março de 2015


Acidente da Germanwings:

impotência e humilhação colectiva


Pedro Afonso

De acordo com as informações disponíveis, a queda do Airbus 320 da Germanwings na região nos Alpes, em que morreram 150 pessoas, terá tido origem num acto deliberado do co-piloto Andreas Lubitz. O jornal alemão Bild avança a informação de que Andreas Lubitz terá recebido tratamento psiquiátrico há cerca de seis anos por apresentar sintomas de depressão profunda. Estas informações levantam a possibilidade de existir uma doença psiquiátrica grave por detrás deste acto aparentemente suicida.

Embora tenhamos de ter a devida reserva por não conhecermos os factos na sua totalidade, o acidente é suficientemente grave para merecer algumas reflexões. Em primeiro lugar, este acidente levanta a questão dos riscos das doenças psiquiátricas no mundo laboral. Um relatório recente, publicado este ano pela OCDE, revelou que cerca de 20% da população em idade activa sofre de uma doença mental a qualquer momento e uma em cada duas pessoas (50%) vai sofrer um período de má saúde mental durante a vida.

Quando um indivíduo sofre de depressão grave e continua a exercer a sua actividade profissional sem o acompanhamento adequado, esta situação pode ser particularmente perigosa e sensível em determinadas profissões, como é o caso dos pilotos de aviação, agentes de segurança, militares, etc. Um dos perigos reside no risco de suicídio. Cerca de dois terços das pessoas que cometem suicídio sofrem de depressão. Além disso, no caso de o indivíduo sofrer de depressão, o risco de cometer suicídio é cerca de 21 vezes superior à restante população.

Mas como é que se podem detectar estas situações em profissões de risco? Contrariamente ao que tem sido referido por alguma comunicação social, a depressão grave não é uma «doença psicológica» que pode ser facilmente detectada por testes. A depressão grave é uma doença orgânica que provoca muitas alterações fisiológicas, atingindo o cérebro e outros órgãos, e que afecta a capacidade de sentir, pensar e agir. O seu diagnóstico é clínico — já que não existe um exame específico —, não podendo ser efectuado por testes psicológicos. No entanto, estes testes podem ajudar a seleccionar os candidatos a pilotos, identificando alguns factores de risco para vir a sofrer de doenças mentais, nomeadamente associados à personalidade, mas não diagnosticam propriamente doenças psiquiátricas.

Por que será que um indivíduo se suicida e decide matar juntamente consigo uma série de pessoas inocentes? A resposta a esta pergunta é difícil, mas sabemos que existem doenças psiquiátricas graves, embora raras (por exemplo, a depressão psicótica), nas quais o indivíduo pode apresentar sintomas psicóticos, mais concretamente ideias delirantes de conteúdo niilista. Neste caso, a pessoa pode acreditar que tudo acabou, a esperança desaparece e não há futuro; portanto, está convicta de que não existe solução para o sofrimento que se tornou insuportável, julgando ainda que os outros se encontram na mesma situação. Assim, este acto homicida é visto pelo próprio como um acto de compaixão. É o chamado «homicídio oblativo ou piedoso», já que o indivíduo considera (erradamente) que ao matar os outros está a ter um gesto de misericórdia.

Que factores na área da aviação podem contribuir para o aumento das doenças psiquiátricas? Um dos aspectos que se encontram relacionados com este tema diz respeito ao stresse profissional. Esta situação pode dar origem a uma autêntica doença ocupacional (burnout) que ainda é muitas vezes ignorada pelos vários responsáveis. Com frequência surgem queixas, por parte dos pilotos e restante tripulação, de que a carga horária é excessiva e que nem sempre são respeitados os intervalos de descanso. Aparentemente, este fenómeno tem vindo a aumentar, já que a competição entre companhias de aviação é enorme, e a tentativa de reduzir ao máximo os custos tornou-se uma obsessão dos gestores. O incremento do stresse profissional pode aumentar o risco de aparecimento de doenças psiquiátricas e com isso colocar em causa a segurança.

Esta recente tragédia veio trazer para o debate público a questão da segurança na aviação. Para além disso, deveria também alertar para o aumento das doenças psiquiátricas no mundo do trabalho e para a importância que se deve dar à saúde mental, independentemente da profissão. Este é um assunto complexo para o qual não existem soluções fáceis. Seja como for, há que criar condições para prevenir e detectar estas situações o mais precocemente possível, evitando-se as consequências terríveis que um aparente suicídio como este acarreta, levando à morte 150 inocentes e gerando um sentimento de impotência e de humilhação colectiva.


NOTA DA REDACÇÃO

As estatísticas sobre as doenças mentais aqui apresentadas pecam por defeito dado que o gangue dos invertidos conseguiu que a sua doença fosse retirada da lista das doenças psiquiátricas. Não é doença, é opção do «género»...





sábado, 28 de março de 2015


Comportamentos (militares e civis) insólitos,

num país insólito


João José Brandão Ferreira Oficial Piloto Aviador

«O que não funciona vai
dando para o que não existe.»
Autor desconhecido

A frase expressa na introdução do seu último livro, pelo professor Cavaco Silva, defendendo que o seu substituto na Presidência da República tivesse experiência em política internacional, provocou uma pequena tempestade política num copo de água. Não devem ter mesmo mais nada para fazer.

Vejamos, a afirmação em si, é de uma evidência cristalina e simultaneamente confrangedora, não representando qualquer ideia política original, pensamento profundo sobre qualquer assunto ou decisão que possa influir seja no que for.

É aquilo que em termos científicos se poderia designar por «vulgaris de Lineu» e na gíria castrense, de «generalidades e culatras».

Mas logo vários pelotões de políticos e comentadores vislumbraram na oração presidencial, intenções capciosas sobre os putativos candidatos ao cargo e sei lá que mais maquiavélicos pensamentos. Não há pachorra.

Lembramos que a extraordinária lei eleitoral de que usufruímos, apenas impõe a um eventual candidato que seja português (até ver) e que tenha mais do que 35 anos. Não exige mais nada (nem sequer um registo criminal limpo), a não ser 7 500 assinaturas de pessoas que devem estar assaz preocupadas se os candidatos que apoiam sabem alguma coisa de política externa….

Ofereço uma ideia: optem por ter um rei, que além de ter de saber dessa matéria, tem o problema da sucessão resolvido!...

Um a zero na imbecilização do povo.

*****

O ministro da Defesa fez um despacho em que delega cerca de 90% (ou será mais?) das suas funções ao alvedrio da sua secretária de Estado.

Porque o fará?

Para que é preciso então, um ministro?

Já se sabia das preocupações que Sua Ex.ª tem com o governo da sua firma de advogados (e eu a julgar que uma coisa seria incompatível com a outra, até em termos de disponibilidade), mas que diabo alguma coisa há-de ter para fazer no edifício do Restelo. Será que necessita do seu precioso tempo para outras actividades, agora que se aproximam épocas eleitorais?

Ou trata-se apenas de passar a assumir publicamente a importância que dão à Defesa – que se resumiu sempre e apenas, às Forças Armadas – e que agora como estas estão a caminho da exaustão, atira-se-lhes com um «para quem é, bacalhau basta»?

Se assim for, porque poupa na austeridade e não desaparece de vez, leva a Dr.ª Berta consigo e designa um director geral com o título de «Presidente da Comissão Liquidatária»?

Não entenderá que é mais honesto e consentâneo?

Dois a zero, na tal imbecilização.

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Um conselheiro de Estado perdeu (depois de ter recorrido para a Relação), um processo que intentou em tribunal contra um cidadão por se sentir difamado por ter intuído que lhe tinham chamado traidor à Pátria, por alguns factos ocorridos no seu passado já longínquo. Continua, porém, conselheiro de Estado, apesar do assunto ser pouco conhecido no país, já que a comunicação social praticamente não fez eco do que se passou.

Felizmente que o julgamento terminou desta forma, senão os cerca de um milhão de compatriotas, mobilizados nas últimas campanhas ultramarinas (o caso tem a ver com este conflito) ficava em maus lençóis por não terem seguido o exemplo em causa. Podendo inferir-se até, que seriam eles os traidores…

Mas não se tendo, por douta sentença, seguido este caminho, ficam as perguntas seguintes: porque é que as autoridades do país, na altura (referimo-nos ao pós 25 de Abril de 1974) consubstanciados na Junta de Salvação Nacional e no Movimento das Forças Armadas, não «arrecadaram» os que se tinham portado como o queixoso para os julgarem sobre o que tinham feito, como se fez, por exemplo, com alguns daqueles que foram na Legião Portuguesa lutar nas hostes napoleónicas, em 1807?

E como se permitiu, depois deste «pecado original», que a pessoa em causa e muitos outros, ocupassem altos cargos em órgãos de soberania?

E como é que se permite que um cidadão nestas condições (mesmo que eventuais crimes já tenham prescrito) se possa candidatar ao mais alto cargo da Nação?

Porque não existe qualquer censura social e quase toda a gente lhe aperta a mão?

Três a zero, a aumentar a imbecilização do povo.

*****

Quase clandestinamente o parlamento votou a favor da ida de Eusébio da Silva Ferreira para o Panteão Nacional.

A coisa foi feita algo envergonhadamente e quando nada o faria supor.

Pudera, depois do «pai da democracia», cheio de verdete por o «Pantera Negra» nunca ter dito mal do professor Salazar, o mais apropriado que achou por bem dizer, após o passamento do ídolo do futebol, foi tentar achincalhá-lo com um «bebia whisky ao pequeno-almoço», que se poderia esperar?

Lamentavelmente nada de institucional existe para definir quem tem direito a dormir o sono eterno no antigo templo de Santa Engrácia, ficando tudo à mercê das maiorias parlamentares do momento.

Será até curioso, um dia ver o que acontece quando se der um movimento para tirar de lá alguém…

Mas o que gostaríamos de focar nesta crónica é, tão só, uma notícia veiculada nos órgãos de comunicação social, e com origem, ao que se sabe, num deputado do PSD, que comentando a novidade – que alguns órgãos de comunicação social propalaram acriticamente – saiu-se com esta tirada digna de Horácio, Tucídides, quiçá, Virgílio: «Eusébio é o primeiro português que vai para o Panteão e que não nasceu em Portugal»!

Gostaram?

Então nasceu onde, pode-se saber? Lourenço Marques, capital de Moçambique, onde chegámos em 1497, e que fez parte de todas as Constituições portuguesas desde 1822, era território pária? E ninguém esfrega um pano encharcado no «fácies» destes broncos?

Quatro a zero na imbecilização do povo!

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A Escola Secundária «C+S de Cascalhais de Baixo» está com o ar condicionado avariado há um mês. Resultado, manifestação de professores e alunos à frente da escola sendo, amiúde, os portões da dita cuja fechados a corrente e cadeado; cinco minutos de imagens nas televisões (todas à excepção do 2.º canal); os comentaristas espraiam-se em voluptuosa verve; clama-se para que o ministro da pasta respectiva se apresente no parlamento, a fim de ser interpelado (às vezes ele vai) e, não raro, se pede a demissão do chefe do governo; chovem acusações de que o Presidente da República não tem opinião sobre coisa alguma, (aliás, quando ele fala, é o que se sabe…).

Os exemplos podiam multiplicar-se por «ene factorial» (N!).

Em contrapartida, a Força Aérea, a Marinha e o Exército – este último consegue bater os outros dois aos pontos – estão numa situação dramática, com falta de tudo, sem verba para se sustentarem, sem pessoal, com os equipamentos (que restam) quase todos parados e não há uma voz neste país (as das associações militares ouvem-se baixinho), que exale um «ai» de preocupação a começar pelas chefias militares que quando abrem a boca é para exprimirem um ar de «tranquilidade».

Deve ser por ser segredo de Estado, não vá o inimigo dar-se conta!...

No fim do reinado do rei, Senhor D. João V – e não se podia alegar então, haver falta de verba – os sentinelas chegavam a pedir esmola à porta dos quartéis.

Deve ser por isso, que agora, os estão a substituir por empresas de segurança…

N! a zero na imbecilização do povo