BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

sábado, 19 de julho de 2014


OCDE...

Estrangeiros e estrangeirados
que opinam sobre Portugal


Heduíno Gomes

Dando bons ou maus conselhos – e alguns já deram bons e outros maus –, as instituições internacionais não são as pessoas (colectivas, na circunstância) mais indicadas para velar pelos interesses de Portugal e dos Portugueses. Bem podem opinar...

Umas vezes essas instituições internacionais são simplesmente compostas por indivíduos incompetentes, tecnocratas ou burocratas, fora da realidade económica, social e política, indivíduos que na sua vida real não deram uma para a caixa e que, por currículo académico livresco ou por artes e magias, são guindados a esses altos postos internacionais. Portanto não nos servem para conselheiros.

Outras vezes são indivíduos descaradamente corruptos, ao serviço das agendas dos grandes interesses financeiros especulativos mundiais. Portanto também não nos servem para conselheiros.

E outras vezes são apenas criados de governos estrangeiros, quer directa e secretamente investidos nessa missão por esses governos, quer através de órgãos internacionais dominados pelos referidos interesses, como o FMI, a OCDE, o BCE, a actual União Europeia e outros. Portanto também não nos servem para conselheiros.

A questão importante na discussão que se trava sobre os conselhos da OCDE não é saber se o sujeito que deu a cara tem razão nisto ou naquilo, se nos dá um ou outro bom conselho. Pode falar à vontade. Pode dizer as asnidades que lhe vierem à cabeça. Pode defender os interesses que quizer, coincidindo ou não com os interesses de Portugal. Devemos ouvi-los, aprendendo ou sorrindo.

A questão importante é simples.

(1) A primeira questão importante é a independência de Portugal para se governar a si próprio. A rejeição de toda e qualquer política de subserviência perante o estrangeiro. Este espírito deve estar presente mesmo na situação de crise e especialmente em negociações para ultrapassá-la.

(2) A segunda questão importante é a competência e seriedade de um governo verdadeiramente nacional para governar no interesse de Portugal e dos Portugueses. O que significa varrer do espectro partidário os protagonistas da desgraça a que se chegou.


É assim que devemos olhar para as altas autoridades que opinam sobre Portugal, sejam elas estrangeiras e estrangeiradas.






Ah, ganda camarada!!!


Para ler, clicar sobre a imagem.





sexta-feira, 18 de julho de 2014


A crise das bruxas e dos maus


Inês Teotónio Pereira

O que hoje se tenta passar às crianças é que o mal não existe, que os maus são bons e que qualquer coisa que mostre ou revele crueldade incita à violência

A versão clássica dos maus da fita está em crise: já não existem maus, nem nas fitas nem em lado nenhum. Se alguém pega numa arma e assassina dezenas de pessoas numa universidade ou se um grupo de terroristas aniquila dezenas de civis, a tendência é justificar os crimes com o contexto. Porque a culpa, em primeira instância, nunca é dos autores. A culpa é quase sempre da sociedade, da globalização, dos capitalistas, do contexto familiar, dos filmes violentos, da pobreza, da liberalização da venda de armas, da religião, etc. O que prevalece nesta teoria é que as pessoas, de um modo geral, são estúpidas, coitadas, e a moral que têm ou não têm depende exclusivamente do contexto. Os maus são vítimas e, na verdade, somos todos bons selvagens, incluindo os terroristas, os assassinos, etc. Os maus são os contextos, e não os criminosos.

Esta febre de fazer tábua rasa do bem e do mal, dos maus e dos bons, à boa maneira dos filmes de cowboys e do super-homem, chegou aos contos infantis. E não, não se inventaram novos contos infantis, adulteraram-se os clássicos. Pegou-se no trabalho genial dos irmãos Grimm, de Andersen e de muitos outros que se esfalfaram a trabalhar e mudaram-se as histórias para as adaptar aos conceitos modernos e, por isso, correctos.

As histórias que foram escritas com o objectivo de traçar uma linha bem definida entre o bem e o mal, de ajudar a criar uma consciência moral, de despertar a sensibilidade das crianças, que conseguem ser mais cruéis do que qualquer bruxa má, de nos fazer chorar e de educar o nosso sentido de justiça, são hoje histórias sem heróis, sem moral e sem interesse. Hoje parte-se do princípio que as crianças, primeiro, são parvas e, segundo, que nascem sensíveis, com as doses certas de moral e com um sentimento de justiça muito apurado. Mas não é verdade, elas não nascem assim, e os clássicos infantis são obras-primas que nos ajudaram a todos a desenvolver tudo isto.

No novo filme da Disney da Bela Adormecida, a questão central é perceber porque é que a bruxa é má. E descobre-se que, afinal, a bruxa não é má: mau era o rei que lhe cortou as asas e ela, coitada, não teve alternativa senão lançar um cruel feitiço sobre a princesa para salvar o reino (enfim, é complicado...). Nesta história não há realmente maus, há contexto. E a moral da história é que tudo depende do contexto.

Também o clássico João e Maria que se conta hoje às crianças é outra história completamente diferente daquela que foi escrita. Afinal, os meninos perderam-se na floresta e não foi a madrasta e o pai que os abandonaram reiteradamente porque não tinham dinheiro para os sustentar. Nada disso. Afinal, foi por acaso que os meninos foram parar à casa da bruxa – perderam-se – e a bruxa também não caiu para dentro do forno empurrada pela heroína Maria, mas apenas ficou sem a vassoura. Aqui nem sequer há moral da história, há apenas aventura.

O que hoje se tenta passar às crianças é que o mal não existe, que os maus são bons e que qualquer coisa que mostre ou revele crueldade incita à violência. Com isto matam-se heróis e trituram-se modelos de justiça, moral e coragem.

Até que as crianças crescem e, quando todos esperávamos que, com esta nova cultura infantil, todas elas se tornassem miniaturas da madre Teresa de Calcutá e que as guerras desaparecessem da fase da terra, eis que elas se tornaram uma geração que se está nas tintas para tudo isso. Aprenderam que há uma justificação plausível para tudo e principalmente para a maldade, por isso não há lados. A eterna luta do bem contra o mal e do final feliz é qualquer coisa que não lhes assiste. Os heróis, esses, são os futebolistas e a Miley Cyrus.

E o mais caricato de tudo isto é que os jogos de consola mais vendidos são os mais violentos, em que o protagonista principal é mesmo mau. Um mau eficaz, com estilo e impiedoso. Mas não faz mal, dizem, porque é tudo fantasia. O que faz mal é cantar aos nossos filhos o «Atirei o pau ao gato», não vão eles, quando crescerem, adoptar como desporto nacional atirar paus aos gatos.






Só faltava mais esta…


Humberto Nuno Oliveira

O camaleónico Freitas do Amaral afirmou que «Se a abstenção cresce não seria de estabelecer o voto obrigatório, pelo menos nas legislativas?» apontando o voto obrigatório como uma solução que não considera antidemocrática e que inverteria «o crescente desinteresse que os cidadãos demonstram relativamente às decisões que definem o futuro do país», contribuindo «para aumentar a participação daqueles que se vão afastando», aqueles que se encontram descontentes e que por aquela via poderiam renovar o sistema político português.

Não consigo parar de me surpreender com esta gente que agora vislumbra na imposição do voto obrigatório mais uma das possibilidades de salvação da sua «democracia». Foram apenas precisos quarenta anos (alguns menos que a «negra noite fascista») para que os portugueses assistindo à sua decadência, à corrupção galopante, ao amiguismo instalado e ao nojento tráfico de influências se esquecessem das maravilhosas promessas e fantasias de Abril em que os charlatães do regime os fizeram acreditar.

Claro que esta gente do sistema nunca estabelece a ilação devida: os portugueses fartaram-se deles e do regime que eles estabeleceram para se beneficiarem mais aos seus amigos desta podre república. Vivendo em torres de marfim alheados da realidade, pensam que os portugueses ainda não reparam que nenhum político do sistema os acompanha nas privações quotidianas e que, para todos eles, há sempre um bom lugarzinho guardado numa qualquer entidade onde se traficam influências e se ganham largos milhares, quando ao cidadão comum se pedem sacrifícios que nunca chegam aos políticos, às suas chafaricas e interesses. Mas caros senhores, já toda a gente o viu!

É isso, caros senhores, que leva os portugueses a não votar: deixaram de acreditar em vós e nas vossas promessas ocas, e não vão lá com obrigatoriedades porque a questão de fundo permanecerá presente. Qual é a importância que o regime dá aos abstencionistas, e aos que votam nulo e branco? Os descontentes não contam para esta gentalha que se perpetua no poder e não se importa de ser eleita nem que seja só com os votos dos amigalhaços…






quarta-feira, 16 de julho de 2014


Carne de porco na cantina

para os muçulmanos...



Jean Leonetti, presidente do município de Antibes, território francês situado no departamento dos Alpes Marítimos, no Mediterrâneo, recusa suprimir a carne de porco nas escolas.

Os pais de alunos muçulmanos haviam pedido a eliminação da carne de porco nas cantinas das escolas de Antibes. O presidente recusou liminarmente o pedido e o município enviou uma nota a todos os pais a explicar a razão da recusa. Eis o essencial dessa nota.



Os  muçulmanos devem adaptar-se à França, aos seus costumes, às suas tradições, ao seu modo de vida, pois foi para aí que decidiram emigrar.

Para que compreendam que devem integrar-se e aprender a viver em França.

Para que compreendam que são eles próprios que devem modificar o seu modo de vida e não os Franceses, que os acolheram generosamente.

Para que compreendam que os Franceses não são nem xenófobos nem racistas, que aceitaram numerosos imigrantes, sobretudo muçulmanos, enquanto os muçulmanos não aceitam estrangeiros não-muçulmanos nos seus territórios.

Que, tal como os outros povos, os Franceses  não estão dispostos a renunciar à sua identidade, à sua cultura, apesar dos golpes baixos dos internacionalistas.

E que, se a França é uma terra de acolhimento, não são as «políticas» que acolhem os estrangeiros mas o povo francês no seu conjunto.

Para que compreendam, finalmente, que em França, com, e não apesar de, as suas raízes judaico-cristãs, as suas árvores de Natal, as suas igrejas, e as suas festas religiosas, a religião deve ficar no domínio privado. E por isso o município tem razão ao recusar toda a concessão ao islão e à charia.

Lembramos aos muçulmanos a quem a laicidade incomoda e que não se sentem bem em França que existem no mundo 57 magníficos países muçulmanos, na maioria sub-habitados, e disponíveis para recebê-los de braços abertos no respeito pela charia.

Se deixaram os vossos países para vir para França e não para outros países muçulmanos é porque consideraram que a vida é melhor em França do que nesses países.

Coloquem a vocês próprios a questão: porque estarão melhor em França do que de onde vocês vieram?

A cantina com carne de porco faz parte da resposta.








quinta-feira, 10 de julho de 2014


Bento XVI:

Porque é que o futebol envolve tantas pessoas?


Regularmente, a cada quatro anos, a taça do mundo de futebol demonstra ser um evento que atrai centenas de milhões de pessoas. Nenhum outro evento no mundo consegue ter um efeito tão grande, o que demonstra que este evento desportivo toca algum elemento primordial da humanidade, e há que perguntar sobre o que se fundamenta todo esse poder de um jogo. O pessimista vai dizer que é como na Roma antiga.

A palavra de ordem da multidão era: panem et circenses, pão e circo. O pão e o jogo seriam, então, o conteúdo vital de uma sociedade decadente que não tem outros objectivos mais elevados. Mas, mesmo se fosse para aceitar essa explicação, ela não seria absolutamente suficiente. Deveríamos nos perguntar mais uma vez: no que reside o fascínio de um jogo que assume a mesma importância do pão? Poderíamos responder, mais uma vez fazendo referência à Roma antiga, que a procura por pão e jogo era na verdade uma expressão do desejo por uma vida paradisíaca, uma vida de saciedade sem preocupações e liberdade desmedida. Porque é isto que se entende em última análise com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem propósito e sem limitações, ao mesmo tempo que envolve e ocupa todas as forças do homem. Neste sentido, o jogo seria uma espécie de tentativa de retorno ao paraíso perdido: a fuga da seriedade escravizante da vida quotidiana e da necessidade de se ganhar o pão, para viver a livre seriedade de tudo que não é obrigatório e, portanto, belo.

Assim, o jogo vai muito além da vida quotidiana. Mas, sobretudo nas crianças, tem também o carácter de um exercício para a vida. Ele simboliza a própria vida, e antecipa-a, por assim dizer, de um modo livremente estruturado. Parece-me que o fascínio pelo futebol está essencialmente no facto de que ele liga esses dois aspectos de uma forma muito convincente.
O jogo força o homem a impor-se a uma disciplina de modo a obter por meio do treino um controlo sobre si próprio; com o auto-controlo, a superioridade e com a superioridade, a liberdade. Além do mais ensina-lhe uma harmonia disciplinada: como um jogo de equipa obriga a inserção do indivíduo na equipa. Une os jogadores em torno de um objectivo comum; o sucesso e o fracasso de cada um está directamente ligado ao sucesso e o fracasso do todo.

Além disso, ele ensina uma rivalidade leal, onde a regra comum que se impõe é o elemento que liga e une a oposição. Por fim, a liberdade do jogo, se este se desenvolve correctamente, anula a seriedade da rivalidade. Ao assisti-lo os homens identificam-se com o jogo e com os jogadores e participam de modo pessoal na harmonia e na rivalidade, na seriedade e na liberdade: os jogadores  tornam-se um símbolo da própria vida; que por sua vez tem um impacto sobre os demais. Eles sabem que os demais homens representam-se neles e sentem-se reconhecidos. Claro que tudo isso pode ser contaminado por um espírito comercial, submetido à seriedade sombria do dinheiro, que converte o jogo numa indústria e cria um mundo fictício de proporções assustadoras.

Mas, nem mesmo este mundo fictício poderia existir sem o aspecto positivo que é a base do jogo: o exercício para a vida e a superação da vida em direcção ao paraíso perdido. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma disciplina da liberdade; de exercitar em si próprio a harmonia, a rivalidade e o acordo na obediência à regra.

Talvez ao refletirmos sobre essas coisas, poderemos novamente aprender com o jogo uma lição de vida, porque nele está evidente algo fundamental: o homem não vive só de pão, o mundo do pão é apenas o prelúdio da verdadeira humanidade no mundo da liberdade. A liberdade por sua vez alimenta-se da regra, da disciplina, que ensina a harmonia e a rivalidade leal, a independência do sucesso exterior e da arbitrariedade, e torna-se assim realmente livre. O jogo, uma vida. Se formos à sua essência, o fenómeno de um mundo apaixonado pelo futebol pode dar-nos muito mais do que só um pouco de diversão.





quarta-feira, 9 de julho de 2014


Banana split


Correio da Manhã, 24 de Maio de 2014

1 – Vocês vão-me desculpar, mas esta semana resolvi armar-me em jornalista para tirar a limpo uma coisa que me estava a fazer ruído na cabeça há algum tempo: aquela lei que permite aos juízes do Tribunal Constitucional reformarem-se com 10 anos de serviço, aos 40 anos de idade, ou com 12 anos de serviço, qualquer que seja a sua idade. Acho um nadinha obsceno, mas eu tenho mau feitio.


2 – Pois investiguei e descobri que o artigo que cria esta obscenidade (mas nada inconstitucional) é o 23º-A e está incluído no projecto de lei 424/V, da autoria de PS, PSD e CDS, discutido e votado no Parlamento em 12 de Julho de 1989. Ora, consultando o Diário da Assembleia da República desse dia, fiquei a saber que o referido artigo foi aprovado recebendo os votos a favor dos partidos proponentes e a abstenção do PCP e do PRD (sim, havia um partido chamado PRD).


3 – No debate parlamentar, registou-se a participação entusiasmada dos deputados António Vitorino (um dos redactores do projecto de lei) e Assunção Esteves. A 2 de Agosto, 20 dias depois, estes dois deputados tomaram posse… como juízes do Tribunal Constitucional. Enternecedor, não é? Pronto, desculpem ter interrompido, podem continuar o período de reflexão.

O chefe da maioria e Primeiro-Ministro à época...





terça-feira, 8 de julho de 2014


Obama


Uma opinião

Os historiadores do futuro, se houver futuro, talvez nos dêem a solução do maior enigma político de todos os tempos. Por enquanto, tudo são névoas e perguntas sem respostas.

Um homem que veio não se sabe de onde, que nunca teve um emprego fixo, que pagou os seus estudos nas universidades mais caras com dinheiro de fonte misteriosa, que trocou de nome pelo menos quatro vezes, que nunca exibiu um só documento de identidade válido mas apresentou pelo menos três falsificados, que tem uma história de vida toda repleta de episódios suspeitos e passou anos em companhia íntima de gangsters e terroristas, um dia elegeu-se senador pelo Estado de Illinois e, depois de somente alguns meses de experiência política – se é que se pode chamar de experiência a ausência na maioria das sessões –, foi elevado à presidência da nação mais poderosa do globo, sob aplausos gerais.

Despertou em centenas de milhões de eleitores a maior onda de esperanças messiânicas de que se tem notícia desde Lenin, Mussolini, Stalin, Hitler e Mao Zedong. Decorridos seis anos de uma administração indescritivelmente desastrosa, continua no posto, impávido colosso, sem que ninguém possa investigar as zonas obscuras da sua biografia sem ser injuriado de tudo quanto é nome pelos maiores jornais do país, bem como pela elite dos dois partidos, Democrata e Republicano.

Aparentemente a obrigação mais incontornável do eleitor norte-americano, hoje em dia, é deixar-se governar sem perguntar por quem, fazendo de conta que tudo está perfeitamente normal.

Uma vez persuadido a acomodar-se a essa situação, sob pena de tornar-se um inimigo público, o cidadão está pronto para aceitar silencioso e cabisbaixo qualquer decisão que venha do governo, por absurda, imoral e inconstitucional que seja.

A última foi essa incrível troca de cinco dos mais temíveis líderes dos talibans por um soldadinho desertor – sem consulta ao Senado, é claro, o que soma à injúria o insulto.

Mas antes disso o número e a gravidade dos crimes do presidente já haviam ultrapassado as mais tétricas especulações futuristas: duplicou a dívida nacional que prometera reduzir, desmantelou o sistema de saúde para colocar no seu lugar a fraude monumental do Obamacare, pressionou hospitais religiosos para que realizassem abortos, entregou armas a traficantes mexicanos e terroristas sírios, encheu de dinheiro estatal firmas falidas dos seus amigos e contribuintes de campanha, desprestigiou o dólar, estragou as relações diplomáticas com Israel, fez mil e um discursos culpando os EUA de tudo quanto acontece de mau no mundo, teve dezenas de encontros secretos com membros e parceiros da Fraternidade Muçulmana, usou o imposto de renda para perseguir inimigos políticos, instalou um monstruoso sistema de espionagem interna para chantagear jornalistas, incentivou enquanto pôde o ódio racial, armou a polícia civil com equipamentos de guerra para aterrorizar cidadãos desarmados, acabou com a liderança americana no mundo, recusou socorro a um embaixador cercado por terroristas e, mais tarde ele foi assassinado, tentou enganar o país inteiro com a historinha ridícula de que foi tudo culpa de um vídeo do youtube.

Entretanto, tirou mais férias, deu mais festas e jogou mais partidas de golfe do que qualquer dos seus antecessores, além de faltar sistematicamente ao «briefing» diário com os seus assessores. Nas horas vagas, a sua esposa dedicava-se a uma campanha altamente humanitária para que as crianças comessem mais nabos e menos batatinhas fritas, provocando a ira da população infantil.

A sucessão de acções maldosas e antipatrióticas, entremeada aqui e ali de futilidades obscenas, é tão assíduo, tão coerente, que toda a tentativa de explicá-la pela mera incompetência vai contra o mínimo senso de verosimilhança. Como escreveu Eileen F. Toplansky no último número do American Thinker, o homem não é um fracasso: é um sucesso. Sucesso num empreendimento frio e calculado de destruição do país.

Se, a despeito disso, ele continua blindado e inatingível, é porque a Constituição e as leis foram desactivadas, sendo substituídas por um novo princípio de ordem: a autoridade dos média, aliada à força de intimidação de uma vasta rede de colaboradores dispostos a tudo e amparada em corporações bilionárias interessadas em remover os EUA do caminho do governo mundial.

O sistema americano, em suma, já não é o mesmo, e a restauração do antigo, se for possível, levará décadas. A obra de devastação foi muito além dos seus efeitos políticos imediatos: mudou o quadro inteiro da autoconsciência americana, fez da grande potência um país doente e aleijado, incapaz de reagir às mais brutais agressões psicológicas. Incapaz até mesmo de escandalizar-se.

A passagem de Barack Hussein Obama pela presidência do país é o acontecimento mais desastroso que já se abateu sobre os Estados Unidos desde o bombardeamento de Pearl Harbor.





sábado, 5 de julho de 2014


O confronto final


Pe. C. John McCloskey

«Estamos agora diante da maior confrontação histórica que a humanidade alguma vez enfrentou. Penso que grande parte da sociedade americana e da comunidade cristã ainda não compreenderam bem isto. Estamos diante da confrontação final entre a Igreja e a anti-Igreja, entre o Evangelho e o anti-Evangelho.»

«Temos de estar preparados para nos submetermos a grandes provas no futuro próximo; provas que nos obrigarão a estarmos dispostos a dar até as nossas vidas e uma dádiva total de nós mesmos a Cristo e por Cristo. Pelas vossas orações, e pelas minhas, será possível aliviar estas tribulações, mas já não será possível evitá-las... Quantas vezes a renovação da Igreja não foi alcançada através do sangue! Desta vez não será diferente.»

– Conferência proferida nos EUA, pelo futuro São João Paulo II, então Cardeal Karol Wojtyla de Cracóvia, Polónia, a propósito dos 200 anos da independência dos Estados Unidos.

Da primeira vez que li isto os meus olhos quase que saíram das órbitas. Não queria acreditar que fosse autêntico, mas já confirmei várias vezes e é. E disse-o a nós, americanos, quando estávamos no apogeu da nossa grandeza, pouco antes da queda do «Império do Mal».

É para levar a sério? Sim, muito a sério. Afinal de contas, o orador estava prestes a tornar-se um dos maiores papas da história da Igreja. Mais, era um místico e, sim, um profeta e proclamador da verdade, que sofreu debaixo dos nazis e do comunismo, e de certa forma do Islão. (Recordemos que quase foi morto por um assassino muçulmano, sendo salvo apenas pela intercessão de Nossa Senhora de Fátima, como o próprio admitiu).


Deixem-me ser claro: A minha meditação sobre as palavras de João Paulo II não pretende levar-vos a vender tudo o que têm, fechar as contas no banco, construir um abrigo nuclear e esperar pelo Juízo Final. Essa não é a atitude católica. Mas é difícil não «meditar estas coisas no nosso coração». O que é que o Papa viu? Ou o que é que lhe foi revelado? Talvez o melhor seja procurar respostas nos seus escritos, embora não haja aqui espaço para os analisarmos exaustivamente.

Também podemos olhar à nossa volta, para o que resta daquilo que em tempos se chamava o Ocidente cristão e notarmos uma quantidade de comportamentos e crenças que parecem feitos à medida para acelerar o declínio. Por exemplo, no Ocidente damos conta da crise demográfica, aborto legal, homossexualidade aberta e «casamento» homossexual, níveis epidémicos de pornografia, queda nos índices de casamento e aumento dos níveis de coabitação.

Politicamente, até os Estados democráticos e tolerantes como o nosso estão a começar a negar os direitos de liberdade religiosa a famílias, empresas e igrejas. Mais, notamos uma crescente centralização do poder nas mãos daqueles que se opõem a qualquer crença religiosa excepto a idolatria da saúde, riqueza e tecnologia. Colocam a sua esperança de longo prazo na possibilidade de a ciência encontrar formas de impedir a morte. Viram demasiados filmes do Star Trek e da Guerra das Estrelas quando eram crianças. Infelizmente, acabarão por ir para onde muitos homens já foram – e não para o espaço.

Esta é, certamente, a anti-Igreja que São João Paulo previa – seja como for está aqui, está a crescer e, até certo ponto, já destruiu a Europa.

O que podemos fazer? Em primeiro lugar, claro, não desesperar. Enquanto católicos, vivemos esta vida com os olhos postos na próxima. Não podemos perder pois, como disse São Paulo, para nós a morte é lucro e não temos que temer.

Então como devemos enfrentar a anti-Igreja? Imitando as vidas dos primeiros cristãos! Considerem esta famosa descrição dos cristãos na «Carta a Diogneto», escrita por um autor desconhecido, no ano 79 depois de Cristo.:

Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. (...) Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os neonatos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos são perseguidos. São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam. São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados. Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras. Fazendo o bem, são punidos como maus.

Se vivermos como viveram os primeiros cristãos, também nós podemos confrontar e triunfar sobre a Igreja dos Impérios Globais do Mal.

(Publicado pela primeira vez a 1 de Junho de 2014 em The Catholic Thing. Tradução de Filipe d’Avillez)





quinta-feira, 3 de julho de 2014


O Infante



Fernando Pessoa

   Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
   Deus quis que a terra fosse toda uma,
   Que o mar unisse, já não separasse.
   Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

   E a orla branca foi de ilha em continente,
   Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
   E viu-se a terra inteira, de repente,
   Surgir, redonda, do azul profundo.

   Quem te sagrou criou-te português.
   Do mar e nós em ti nos deu sinal.
   Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
   Senhor, falta cumprir-se Portugal!


Pode ouvir este poema de Fernando Pessoa musicado por André Luiz Oliveira,

numa excelente interpretação de Elba Ramalho, em:

https://www.youtube.com/watch?v=F-9pe17cgAc