BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

terça-feira, 5 de janeiro de 2016


Conferência


A Associação Cristóvão Colon apresenta a Conferência

«Colon, dito Colombo – foi um Português que descobriu a América?»

Organizado pela Junta de Freguesia de Alvalade (Rua Conde de Arnoso, 5-B, Lisboa) no dia 11 de Janeiro às 10h30, e que terá lugar no respectivo auditório.






segunda-feira, 4 de janeiro de 2016


Coisas que nunca mudam: as não notícias


Helena Matos, Observador 3 de Janeiro de 2016

As não notícias são tão importantes quanto as notícias. Às vezes ainda mais que as notícias. Porque as não notícias mostram como os jornalistas resistem a desfazer as suas ilusões.

As não notícias sobre a França. Em França, país bem perto de nós, foram incendiados na passagem de ano 804 veículos. Note-se que estes números estão a ser apresentados como positivos pelas autoridades francesas porque na passagem de 2014 para 2015 arderam mais 136 carros. Ou seja 940. Claro que nessa data a França não estava sob medidas de segurança tão severas quanto as actuais (os atentados ao Charlie Hebdo aconteceram dias depois, a 7 de Janeiro de 2015 e só em Novembro tiveram lugar os atentados de Paris) e de modo algum nas ruas daquele país estavam então destacados os mais de 100 mil agentes que integraram o dispositivo de segurança neste final de 2015. Como é possível que se pegue fogo a oito centenas de veículos com mais de 100 mil agentes policiais e militares nas ruas? É um mistério.


Mas convenhamos que é um mistério bem menor que o silêncio que impera nos jornais e televisões da restante Europa sobre o que acontece naquele país. Ou seja como é possível que não tenhamos informação sobre estes incidentes? Ou, para não sairmos ainda da temática dos carros incendiados, como não soubemos das 700 viaturas que arderam no 13 de Julho deste ano? Nem sequer o facto de no dia em que a França comemora a sua festa nacional ter havido também escolas incendiadas fez com que o destaque noticioso fosse maior.

Há momentos em que quero acreditar que tudo se explica pelo facto de hoje não se falar francês e por consequência a França só ser notícia quando sai nos jornais ingleses, de preferência no Guardian. Mas digamos que essa explicação se pode aplicar ao reino do Butão e respectivo lugar no índice de felicidade mas não à França onde a não notícia se tornou uma opção consciente: da França vieram primeiro revoluções e ilusões. Agora, para não comprometer a memória das primeiras e o poder das segundas, não se noticia.

Assim, ao mesmo tempo que assistimos à pilhagem de uma qualquer loja no mais recôndito canto do Ohio, nunca vemos as carcaças queimadas dos automóveis em França. Nem sequer casos como os recentemente ocorridos no final de Dezembro em Ajaccio, capital da Córsega, conseguiram romper este muro de silêncio. Digamos que em Ajaccio tudo começou como de costume: os bombeiros foram chamados ao que se designa como bairro sensível. No caso os Jardins do Imperador. Uma vez lá chegados os bombeiros foram emboscados e agredidos. Nos dias seguintes sucedem-se as manifestações de corsos indignados com o que acontecera nos Jardins do Imperador. Gritam que não querem acabar fechados em casa com medo como acontece nos banlieu do continente. Mas não só. Gritam também palavras de ordem contra os árabes e numa das manifestações rompem a barreira policial e saqueiam um local de culto muçulmano.

Qual foi o destaque noticioso destes gravíssimos incidentes? Digamos que ele passou quase tão discretamente quanto a indicação de que desde Fevereiro de 2015 já se registaram em França 200 incidentes contra militares, sendo que sete desses incidentes foram classificados como muito graves. Aliás, logo no início deste 2016, em Valence, registou-se um desses incidentes: um homem tentou atropelar quatro militares que faziam segurança junto a uma mesquita.

As autoridades, mimetizado a reacção que mantiveram até aos ataques de Novembro em Paris, logo declararam ser o homem em questão um lobo solitário para mais desequilibrado. Apesar de na sua casa ter sido encontrada propaganda jihadista, a pista terrorista não está ser seguida e admite-se que talvez exista «un lien entre son acte et une certaine religiosité»… que é como quem diz uma ligação entre o seu acto e uma certa religiosidade. Qual será a religiosidade em questão?… Como se vê, não é por falta de notícias que a França não está nas notícias. É sim porque se ficou sem narrativa. Quando o próximo sobressalto chegar, lá aparecem as carinhas a chorar mais o facebook às risquinhas e a Torre Eiffel muito fofinha. Sinais exteriores de quem não quis ver, nem ouvir nem saber.

As não notícias sobre a Grécia. Este Inverno deve estar a ser bem cálido em Atenas. Porque neste Inverno já ninguém tem frio na Grécia. Nem fome. Nem sonhos desfeitos. Nem medicamentos inacessíveis… A Grécia morreu para as notícias no dia em que os jornalistas ocidentais deixaram de ver em Tsipras o Che sem espingarda. Já não sabemos se Tsipras vai a Bruxelas, se leva gravata, se a mulher se zangou ou não com ele… Tsipras desapareceu noticiosamente falando em Julho deste ano. No momento em que deixou de ser o rosto da alternativa, do bater do pé, do virar da página da austeridade e de todas as outras categorias do pensamento mágico a que o socialismo se reduziu, Tsipras saiu dos ecrans. Por estes dias teve um regresso fugaz porque voltou a vestir a pele do Tsipras que ia mudar a Europa. Ou seja fez mais do mesmo: disse que não ia ceder aos credores. E como é disso que os jornalistas gostam lá lhe deram uns segundos da velha fama.

Curiosamente pasmamos com as fotografias em que Estaline mandava apagar os opositores mas este processo de apagamento dos heróis mediáticos que acontece em plena democracia não parece suscitar qualquer perturbação. E contudo ele é revelador do fogo fátuo que enche boa parte daquilo a que chamamos notícias, reportagens e investigações. Um desejo para 2016? Quero o Tsipras de volta. Quero saber o que faz, o que decide, o que legisla. E de caminho quero saber onde param os postais autografados por Tsipras, que se vendiam a três euros cada, com que umas almas militantes se propunham juntar dinheiro para libertar a Grécia dos credores. Como não podia deixar de ser a iniciativa foi noticiada com alarido aqui, mais aqui, e aqui, também aqui e aqui… (é melhor ficar por aqui porque com tanto aqui o texto está a ficar cacofónico) e agora nada de nada.

As não notícias sobre Guantanamo. Quantas notícias tivemos sobre Guantanamo desde que Barak Obama foi eleito? E desde que foi reeleito? Dado o silêncio que impera sobre o assunto quase se é levado a pensar que Guantanamo fechou. O quase embargo sobre o assunto é quebrado de vez em quando por uns anúncios de que o presidente dos EUA está a ultimar um plano para fechar Guantanamo. Depois temos as inevitáveis conclusões de que Obama gostaria de fechar Guantanamo mas não pode. Porquê? Não se diz. Mas note-se que as mesmas fontes asseguram e asseguraram que o anterior presidente podia fechar Guantanamo mas não queria.

As notícias sobre os EUA e seus presidentes tornaram-se na versão mediática dos gatinhos no facebook: milhões de likes para os democratas, partilhas virais e ódios profundos para os republicanos. Informação quase nenhuma.

Opções que com um presidente não democrata e sobretudo não tão querido dos estúdios de cinema e de televisão quanto o é Barack Obama teriam gerado enorme controvérsia – a aposta cada vez mais forte na exploração dos gás de rocha – têm passado quase inadvertidas apesar de ambientalmente terem muito para questionar. E como entender essa espécie de regressão nas questões raciais em que de repente os EUA parecem ter caído? Reduzidos como estamos às notícias do tipo «EUA: polícia mata condutor negro» – se o condutor fosse branco ou asiático escrever-se-ia «EUA: polícia mata condutor branco»? – deixámos de questionar os efeitos reais daquilo a que se chamam medidas de combate à discriminação racial.

Divididos entre uma élite da qual Obama e a sua mulher fazem parte e uma maioria presa nos meandros do coitadismo, os negros norte-americanos são cada vez mais objectos de uma simplificação para não dizem infantilização nas notícias.

Mas tal como acontece com Guantanamo que era para fechar e não fechou custa muito escrever sobre as bolinhas de sabão que fizeram capa e abriram noticiários e depois se viram desfazer.





sábado, 2 de janeiro de 2016


Lusofobia




Viriato Soromenho Marques, Diário de Notícias, 30 de Dezembro de 2015



Lula da Silva escolheu a Espanha para reactivar um dos tiques culturais de alguma elite brasileira contra o colonizador português. Culpou Portugal pelo facto de a primeira universidade brasileira ter sido fundada apenas em 1922. Para além de ignorar as iniciativas lusas em matéria de ensino superior, em 1792, no Rio de Janeiro (Ciências Militares), e em 1808, na Bahia (Medicina), Lula fez cair para cima da herança lusa um século de independência brasileira (1822-1922). Como Pedro Calafate tem escrito, a procura de um paradigma não português para inspiração cultural alternativa atravessa todo o século XIX do país irmão. Não só o positivismo francês, imortalizado na bandeira nacional adoptada em 1889, como um germanismo mítico, com Tobias Barreto, ou um indigenismo romântico em Gonçalves de Magalhães e Oswald de Andrade (tupi or not to be...).


Contudo, Lula ignora os grandes vultos contemporâneos da Academia brasileira. Não só o luso tropicalismo de Gilberto Freyre, como os trabalhos monumentais de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Darcy Ribeiro. Lula ignora que em 1815 o Brasil ganhou o estatuto de reino. E que a história de Pedro I, imperador do Brasil, que foi também Pedro IV de Portugal, é uma singularidade irrepetível na história universal. Ignora que a Universidade de Coimbra (depois do fecho da de Évora) foi a única para todo um império pobre. Contudo, foi esse espírito coimbrão, que unia a elite brasileira, coeva de José Bonifácio, aliado à sábia estrutura administrativa portuguesa, que garantiu – em contraste com a total fragmentação da América Espanhola – a unidade do Brasil. Os pobres portugueses asseguraram a integridade desse chão que fará do Brasil uma das grandes potências mundiais do século XXI. Basta que o seu grande povo escolha líderes capazes de cultivar a história, em vez de a tratarem com os pés.



NOTA: (Ilustrações da nossa redacção)







quarta-feira, 23 de dezembro de 2015


Coisas do Diabo

O deputado que quis boicotar o 10 de Junho!


A primeira manifestação do 10 de Junho depois do golpe de Abril foi alvo de uma tentativa de boicote violento por parte da extrema-esquerda. A PSP foi obrigada a abrir fogo para defender os cidadãos que pretendiam celebrar o Dia de Portugal e homenagear Camões. Um contra-manifestante morreu e outro ficou paraplégico: o agora deputado Falcato Simões, eleito pelo Bloco de Esquerda.

Um dos novos deputados mais falados pela comunicação social tem sido Jorge Falcato Simões, eleito pelo círculo de Lisboa nas listas do Bloco de Esquerda. O arquitecto de 61 anos, paraplégico desde 1978, apresentou a sua candidatura «independente» como uma forma de dar voz às pessoas com deficiência.

O facto de se deslocar em cadeira de rodas vai obrigar a construir rampas no hemiciclo e fazer várias obras em S. Bento para permitir a criação das necessárias acessibilidades à circulação do novo membro do Parlamento, conforme foi contado nos jornais e nos canais de TV. Até aqui tudo bem.

O que as televisões não contaram foi como é que Falcato Simões ficou paraplégico.

Liberdade só para alguns

Em meados de 1978, apesar da derrota militar imposta às forças totalitárias – comunistas e extrema-esquerda – quase três anos antes, a 25 de Novembro de 1975, e das sucessivas derrotas políticas infligidas às mesmas forças em todas as eleições (legislativas, presidenciais e autárquicas), a rua, em Portugal, continuava a ser considerada monopólio das esquerdas.

Apesar das vicissitudes do período revolucionário, o 10 de Junho nunca deixara de ser reconhecido, pelo povo e pelas autoridades constituídas, como o Dia de Portugal e de Camões (a que se acrescentou, precisamente a partir de 1978, das Comunidades Portuguesas). Quando, pela primeira vez desde o golpe de 25/4/1974, alguém se lembrou de comemorar o 10 de Junho com uma manifestação de rua em Lisboa… caíram o Carmo e a Trindade.

Mas a convocatória da manifestação cumpriu todos os requisitos legais. E, naquele feriado patriótico, acabou mesmo por realizar-se no lugar marcado: o Largo de Camões, em homenagem ao Poeta.

Esquerdistas, totalitários e violentos

O problema é que, para os totalitários – em particular, os comunistas marxistas-leninistas, então organizados no PCP (R), Partido Comunista (Reconstruído), apoiado pela respectiva «frente de massas», a UDP, que está na génese do actual Bloco de Esquerda –, à boa maneira stalinista, a liberdade, a democracia e o direito de manifestação só se aplicam a eles próprios e às suas causas…

Perante uma manifestação que se atrevia a descer à rua com o objectivo de celebrar Portugal e homenagear Camões, erguendo bandeiras nacionais e ousando declarar-se patriótica, os esquerdistas não tiveram a mais pequena dúvida. Havia que boicotar os «fascistas» e «nazis» (sic). E vai de convocarem uma contra-manifestação destinada a impedir, pela violência, o exercício da liberdade dos manifestantes pró-10 de Junho.

Quem mandou disparar

Para evitar confrontos, as autoridades – convém lembrar, hoje mais do que nunca, que estava em funções o II Governo Constitucional, sendo primeiro-ministro Mário Soares e ministro da Administração Interna Jaime Gama, ambos socialistas e ambos fundadores do PS – mandaram a PSP avançar.

E assim foi. Quando os agressores esquerdistas atacaram, a polícia foi obrigada a responder, para se proteger e para proteger os cidadãos que se manifestavam de forma ordeira, a coberto da lei.

Houve tiros. Um dos contra-manifestantes, um estudante de medicina de 18 anos, morreu. Outro participante na contra-manifestação violenta foi ferido com gravidade, acabando por ficar paraplégico. Era professor e, segundo um comunicado dos seus correligionários, «membro da UDP». Chamava-se Jorge Falcato Simões.

37 anos depois

Passados 37 anos, Falcato Simões foi, com toda a legalidade, eleito deputado.

A UDP deixou de existir como partido, mantendo-se como associação política dentro do Bloco de Esquerda.

É com esta força política que o actual líder do PS, António Costa, assin​ou um acordo para formar Governo. Que teve, naturalmente, o voto favorável do deputado Falcato Simões. O mesmo que foi boicotar uma manifestação de homenagem ao 10 de Junho, levou um tiro da polícia e ficou paraplégico.





terça-feira, 22 de dezembro de 2015


Eslovénia rejeita em referendo

casamento entre pessoas do mesmo sexo


Mais de 60% dos eslovenos rejeitaram hoje em referendo uma lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em Março no Parlamento, segundo os resultados quase definitivos divulgados pela comissão eleitoral.

O referendo foi realizado por iniciativa dos opositores do casamento homossexual, que obtiveram 63,12% quando estavam contados 96% dos votos, enquanto os apoiantes da lei ficaram com 36,88%, de acordo com os resultados.

A votação contou apenas com a participação de 35,65% dos eleitores, mas mesmo assim o referendo é válido, dado que só necessitava de uma participação de 20%.

No Parlamento, a lei alcançara uma larga maioria, com o apoio da esquerda e do partido centrista do primeiro-ministro, Miro Cerar, reconhecendo aos casais do mesmo sexo os mesmos direitos dos casais heterossexuais, incluindo o direito de adopção, o ponto mais contestado pelos opositores.

O Papa Francisco defendeu esta semana o «não», convidando os eslovenos a «apoiarem a família, estrutura de referência da vida em sociedade».

Os defensores do «não» eram apoiados pela oposição de direita e pela Igreja católica e lançaram este processo conseguindo reunir as 40 mil assinaturas necessárias para a realização de um referendo de iniciativa popular.

A organização do referendo suspendeu a aplicação da lei e não chegou a realizar-se qualquer casamento ao abrigo da mesma.

O Primeiro-Ministro e o Presidente da Eslovénia, Borut Pahor, apoiaram o «sim».







O tempo dos pós-socráticos


Helena Matos, Observador, 20 de Dezembro de 2015

Enquanto Sócrates anda às voltas com a Justiça, os pós-socráticos ficaram livres do passado e, o que é dramático, de mãos soltas para voltar a aplicar as receitas do passado.

Os pós-socráticos não têm ideologia. Têm objectivos. Ou melhor, um objectivo: ser poder. E têm um passado, que é aliás o seu denominador comum e a circunstância que faz deles o que são: pós-socráticos.

Os pós-socráticos estiveram no poder com Sócrates e com ele perceberam como a esquerda democrática, esgotado o modelo do socialismo por falta de dinheiro para distribuir, ficou disponível para apoiar mais caudilhos do que líderes porque os primeiros ao contrário dos segundos lhes reforçam a ilusão de que o mundo gira consoante a sua vontade. Mas a maior dívida de gratidão dos pós-socráticos para com Sócrates nasce não da maioria absoluta que Sócrates lhes deu e da desenvoltura narcísica com que exerceu o poder mas sim do facto de Sócrates e as suas estapafúrdias circunstâncias de vida terem poupado o PS e os dirigentes socialistas que o rodeavam a serem confrontados com o balanço da sua governação.

Ao reduzir-se o balanço dos anos de Sócrates à frente do PS ao anedótico dos envelopes com garrafas e à estrambólica megalomania que caracterizava o antigo primeiro-ministro, eximiu-se o PS de prestar contas pelo desastre a que não só por sua responsabilidade mas em grande parte por ela o país chegou em 2011.

Neste momento António Costa reproduz o modelo económico de Sócrates – atirar dinheiro para a economia, apostar no consumo interno, aumentar a despesa do Estado – e mimetiza, exponenciando-os, os traços da arrogância do antigo primeiro-ministro perante quem não se submeter à sua vontade. Para já os directamente visados são os accionistas maioritários da TAP que, garante Costa, volta para o Estado, com ou sem acordo, e as empresas que ganharam as concessões dos transportes de Lisboa e Porto.

A leviandade da actuação do actual primeiro-ministro nestas matérias, a par da quebra dos vários compromissos em que assentava o regime (Presidência da AR, escolha dos membros do Conselho de Estado) deviam ter feito soar vários alarmes mas, depois de Sócrates, no que aos socialistas respeita, Portugal tem uma regra: ou é crime ou é carisma.

E assim, enquanto Sócrates anda às voltas com a Justiça, os pós-socráticos ficaram livres do passado e, o que é dramático, de mãos soltas para voltar a aplicar as receitas do passado, agora com a prestimosa ajuda cénica das esquerdas da esquerda.

Oficialmente as esquerdas uniram-se para terem um governo. Depois as esquerdas deram as mãos para terem mais lugares no Conselho de Estado e a Presidência da Assembleia da República. Também temos direito à esperança porque a esquerda está no poder. Um novo tempo porque este é o tempo da esquerda… Para lá do recorrente folclore da esquerda festiva (alguém que à direita entrasse em semelhante exaltação mística com um governo das direitas seria dado como louco furioso na melhor das hipóteses) temos um facto: as corporações que vivem do Estado estão a reforçar o seu poder não apenas na máquina estatal mas também nos partidos. Não por acaso o PCP está a reduzir-se à condição de braço político dos sindicatos, sobretudo da aérea dos transportes, que não se importam de ver o partido perder votos desde que eles continuem a ver garantidos os seus privilégios graças ao apoio que o PCP dá a este Governo.

Mas a utilidade da arregimentação das esquerdas não acaba aí. Essa exaltação colectiva é fundamental para reforçar a ideia da direita enquanto um corpo estranho no nosso sistema político.

A discussão em torno da direita é em Portugal uma espécie de encontro sobre o grau de tolerância a mostrar perante comportamentos desviantes. Para começar assente-se no dogma: está cientificamente demonstrado que esta direita, a nossa, é a mais estúpida do mundo. Algures, existirá ou terá existido aquela direita, estoutra direita, aqueloutra direita, essoutra direita…que é (ou foi) culta e civilizada. Mas a nossa, a contemporânea, é inapresentável e nada tem a ver com a direita do algures ou do passado, nomeadamente a representada por Sá Carneiro. (Curiosamente enquanto Sá Carneiro foi vivo nunca lhe foi reconhecido esse estatuto superior, antes pelo contrário.)

Salvaguardada a direita do algures ou do passado resta portanto «esta direita», a contemporânea. Aquela que somatiza aquilo que a esquerda intelectualiza. Onde a esquerda tem indignados a direita tem ressabiados. Onde a esquerda sente traições a direita fica raivosa. Onde a esquerda denuncia conluios a direita sofre de azia. Dada esta circunscrição da direita a uma espécie de aparelho digestivo rudimentar passam por comentário político declarações como as de Edgar Silva, candidato presidencial do PCP, para quem a direita está «raivosa» e com «azia» e de António Costa que diz esperar «que o ressabiamento nervoso da direita passe daqui a uns meses». Como não podia deixar de ser, Marcelo Rebelo de Sousa, reduz tudo (e a si mesmo) a uma espécie de paráfrase do pessoano «Come chocolates pequena» propondo-se enquanto Presidente da República ajudar a lidar com a «amargura» da direita.

É isto Portugal no fim de 2015: os pós-socráticos governam, as esquerdas dão o tom e a direita está reduzida à condição de estômago. Como não podia deixar de ser o único que anda à procura do seu lugar no tempo dos pós-socráticos é Sócrates.





quinta-feira, 17 de dezembro de 2015


MENSAGEM DOS FUZILEIROS NAVAIS AMERICANOS


Pode um bom muçulmano

ser um bom americano, canadiano ou inglês?


Teologicamentenão. Porque a sua fidelidade é para com Alá, o deus-lua da Arábia.

Religiosamentenão. Porque nenhuma outra religião é aceite pelo seu Alá, excepto o Islão. (Quran, 2:256) (Corão)

Em relação às Escriturasnão. Porque a sua fidelidade é com os cinco pilares do islão e com o Corão.

Geograficamentenão. Porque a sua fidelidade é com Meca, para a qual ele se vira cinco vezes por dia para orar.

Socialmentenão. Porque a sua fidelidade ao islão o proíbe de fazer amigos cristãos ou judeus.

Politicamentenão. Porque ele deve submeter-se aos mulás (líderes espirituais), que pregam a aniquilação de Israel e a destruição da América, o Grande Satã.

Domesticamentenão. Porque ele é instruído para casar com quatro mulheres e bater e açoitar a sua esposa quando ela lhe desobedece. (Corão 4:34)

Intelectualmentenão. Porque ele não pode aceitar a Declaração de Direitos Canadense, ou a Constituição americana, uma vez que ela é baseada em princípios da Bíblia e ele acredita que a Bíblia é corrupta.

Filosoficamentenão. Porque o islão e o corão não permitem a liberdade de religião e expressão. A democracia e o islão não podem coexistir. Todo o governo muçulmano é ou ditatorial ou autocrático.

Espiritualmentenão. Porque quando nós declaramos [ser] «Uma nação sob Deus», o Deus cristão é de amor e bondoso, enquanto Alá nunca é mencionado como Pai celeste, nem é chamado amor nos 99 excelentes nomes do Corão.






quarta-feira, 2 de dezembro de 2015


Honra e Glória


António Ribeiro da Fonseca
Alferes Mil.º de Infantaria
CCac1671/BCac1907

Moçambique: 1967 a 1969
Capitão de Infantaria ‘Comando’

Comandante da 35.ª CCmds
Guiné: 1971 a 1973







Ainda o 25 de Novembro


Carta de Filipe Pinhal
ao presidente da Junta de Freguesia de Belém
sobre a placa comemorativa do evento.


Ex.mo Senhor Presidente da Junta de freguesia de Belém,

Uma vez que quem tinha a obrigação de assinalar a passagem do 40.º Aniversário do 25 de Novembro não teve coragem para o fazer, e porque a maioria dos deputados da Nação resolveu agravar a falta, oferecendo ao País um espectáculo inqualificável de pusilanimidade e covardia, apraz-me felicitar a Junta de Freguesia de Belém pela iniciativa do descerramento da placa alusiva à data.

Como português que viveu os acontecimentos, sei avaliar o significado da data e a importância da decisão da Junta.

Como lisboeta, orgulho-me de a minha cidade passar a ostentar um símbolo visível da memória do dia.

Por isso, agradeço à Junta de Freguesia de Belém o que fez para honrar o passado.

Permito-me dar conhecimento desta mensagem (em «blind copy») ao meu círculo de amigos, a quem convido a visitar o site da Junta e a ler a notícia desta oportuna celebração da História.

Apresento os meus cumprimentos,


                                                                                          Filipe Pinhal