BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

segunda-feira, 19 de setembro de 2016


PETIÇÃO



Rogério de Moura enviou-lhe a seguinte Petição.

Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição: «APOIO AO JUIZ CARLOS ALEXANDRE » no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT82973

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.

Obrigado.

Rogério de Moura

Esta mensagem foi-lhe enviada por Rogério de Moura (rdemoura007@gmail.com), através do serviço http://peticaopublica.com em relação à Petição http://peticaopublica.com/?pi=PT82973







Carlos Alexandre incomoda


A folha de serviço


Eduardo Dâmaso, Sábado, 15 de Setembro de 2016

O juiz Carlos Alexandre já foi alvo de denúncias anónimas sobre contactos com jornalistas que nunca teve. Foi obrigado a um striptease salarial e a relatar a inspectores judiciais todos os rendimentos da família. Foi vasculhado por causa de um empréstimo de 4 mil euros num programa de TV dirigido por Sandra Felgueiras, filha da famosa arguida Fátima Felgueiras, que fez outro programa onde explorava alegadas «coincidências» entre as decisões do juiz e as notícias de um jornalista.

Foi «aconselhado», por superiores, a suavizar decisões sobre o crime de branqueamento em processos relacionados com Angola. Viu processos de obras em casa espiolhados e decisões suas achincalhadas por desembargadores da Relação de Lisboa que passaram mais de uma década em comissões de serviço nomeados pelos amigos políticos, com base em opiniões e não em argumentação jurídica. Viu os filhos ameaçados com pistolas deixadas em cima das respectivas fotografias.

Nunca teve uma repreensão do Conselho Superior de Magistratura. Tem quase trinta anos de serviço público, centenas de decisões acolhidas pelo direito e uma folha de serviço impecável. Tudo isso é indiferente aos pregadores evangélicos como Louçã e a outros que o macaqueiam, que reduzem tudo ao interesse indisfarçável que prosseguem e que não é outro senão safar Sócrates, mesmo que isso leve Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e Duarte Lima na mesma água do mesmo banho a deitar fora. Todos vítimas do malandro Carlos Alexandre e do iníquo Estado de direito em que vivemos… Grandes democratas!






O «caso» Carlos Alexandre


Elogio dos vermes


José Mendonça da CruzCorta-Fitas, 14 de Setembro de 2016


O juiz Carlos Alexandre deu uma entrevista em que explicou quem era, e tudo o que disse de si está solidamente comprovado pela sua vida, a sua carreira, e o testemunho de quem o conhece ou com ele trabalhou. Mas o juiz Carlos Alexandre cometeu um erro grosseiro de avaliação: avaliou mal o país e o tempo em que vive, incomensuravelmente mais rascas do que julga ou desejaria. Compreende-se, pois, que logo lhe tenham caído em cima os barões do país pardo e da corrupção, obviamente acolhidos e aclamados na comunicação social avençada, e inevitavelmente acompanhados daqueles idiotas úteis que seguem qualquer carroça de pruridos politicamente correctos, na ilusão de mostrar equilíbrio e equidistância.

O juiz Carlos Alexandre avaliou mal.

Declarou-se católico praticante, e disse que a fé o estrutura e fortalece. Ofendeu o credo «laico» da redutora acepção socialista, menosprezou jacobinos e maçons.

Contou com alegria que tem uma família sólida e tradicional, com a qual se sente feliz. Desconsiderou, pois, as virtudes fracturantes.

Revelou serenamente que trabalha muito, ganha pouco, e vive uma vida de austeridade e contenção. Mostrou-se, portanto, displicente com uma governação que virou a página da austeridade, que defende a redução do horário de expediente para os trabalhadores (desde que do sector público), e celebra o fausto, (desde que reservado a quem tem políticas para as pessoas). E, pior, desprezou as nobres carreiras daqueles defensores da coisa pública que, à força do seu dinâmico optimismo, saltaram do Clio para o Mercedes S, do apartamento para o palacete e a casa de férias, da mediania para o enriquecimento sem causa ou explicação, do anonimato para a gloriosa inutilidade de algum observatório ou fundação.

O juiz Carlos Alexandre apresentou-se, em resumo, (e a sua vida e carreira, repete-se, parecem confirmar que é assim) como um homem sério e bom, incorruptível, estranho ao deslumbramento das mordomias, do dinheiro a rodos, dos pied à terre em Paris. Mais grave ainda: o juiz pareceu manifestar uma inabalável fé na Justiça, mesmo naqueles casos a que o programa do PS chama perseguição a políticos (seus).

Eis, pois, em pormenor e por extenso, o mais álacre manifesto contra o tempo novo português.

Que juiz deve servir, então, se Carlos Alexandre, que vai tão ao arrepio do miasma, não serve?

É fácil. Algum magistrado fiel como Santos Silva ou Silva Pereira; impoluto como Rocha Andrade; sensato, contido e escrupuloso como Costa; intocável como Ferro Rodrigues; polido como Galamba; sério como César; equidistante como Rangel; insuspeito como Nascimento; trabalhador como Nogueira; crível como Centeno; e que, no entanto, fosse frugal... como Sócrates.





sábado, 17 de setembro de 2016


E para já!…








«O Papa contra Hitler»:

Uma recensão e um pedido


Brad Miner

O que é que Pio XII sabia sobre o regime nazi na Alemanha, e será que fez o suficiente para o combater? Terá feito o suficiente para salvar os judeus de serem massacrados pelos nazis, tanto em Roma e no resto da Europa? Estas e outras questões continuam em aberto, mas podem ser esclarecidas se o Papa Francisco quiser.

O canal National Geographic (NatGeoTV, para os amigos) está a transmitir um novo «ecodrama» chamado «O Papa vs. Hitler», sobre o braço de ferro entre Pio XII e Adolfo Hitler. O filme recorre a uma dúzia de bons historiadores, o principal dos quais é Mark Riebling, autor de «Church of Spies». Outros peritos consultados incluem o padre George W. Rutler, Eric Metaxas e Nigel Jones. Poderia nomeá-los a todos, mas mais vale avançar com a recensão.

Respondendo à primeira questão apresentada em cima: O Papa sabia muito. «O Papa vs. Hitler» demonstra que Pio XII se esforçou por boicotar o regime nazi logo desde o início. E mesmo antes disso, uma vez que, enquanto secretário de estado do Vaticano, foi ele o principal autor de «Mit brennender Sorge» (Com Ardente Preocupação 1937), a única das encíclicas de Pio XI que não foi originalmente publicada em latim. Trata-se de uma forte condenação dos ataques dos nazis à Igreja e aos judeus alemães convertidos ao catolicismo. Mas não diz nada sobre a desapropriação, deportação e detenção de judeus por parte do regime. (O primeiro dos campos de morte começou a operar em 1939).

Houve uma primeira tentativa de assassinato de Hitler, levada a cabo por membros da Abwehr, a divisão de informação do exército alemão. O Papa Pio XII deu-lhe o seu apoio. Mas o plano acabou por não ser bem-sucedido e depois disso as acções do Papa a este respeito tornaram-se mais circunspectas. Na verdade, todas as nobres conspirações contra Hitler falharam.

Nas palavras de Nigel Jones: «É quase como se o Diabo estivesse do seu lado».

Pois… Sim.

Antes, durante e depois da guerra, o Papa Pacelli foi avisado de que quaisquer intervenções mais fortes da sua parte levariam a um aumento das já pesadas restrições contra a Igreja e os católicos nos países ocupados pelos alemães.

Este estilo de programa, claro, mistura imagens de arquivo, especialistas e encenações de eventos históricos. E nesse sentido é um exemplo bem conseguido. A meu ver, é também uma avaliação globalmente positiva de Pio XII. Mas não totalmente. O rabino Shmuley Boteach diz que entre os historiadores existe um «consenso» de que a Shoah (o holocausto) «não poderia ter tido a magnitude» que teve se o Papa tivesse condenado mais firmemente a solução final nazi. O historiador britânico Geoffrey Robertson concorda: «A condenação do Papa teria tido repercussões em todo o mundo».

Não duvido que isso seja verdade, mas uma visita ao Museu Americano do Holocausto em Washington D.C., mostra que os relatos sobre os crimes dos nazis eram frequentemente ignorados ou desvalorizados, tanto pelo New York Times como pela Administração Roosevelt.

Uma boa parte de «O Papa vs. Hitler» lida com as conspirações falhadas contra o Führer, o que é interessante do ponto de vista histórico, embora bastante conhecido, sobretudo no que diz respeito à tentativa mais famosa, com nome de código Valquíria, levada a cabo pelo coronel Claus von Stauffenberg no dia 20 de Julho de 1944. Quase que foi bem-sucedida. Stauffenberg devia ser um católico devoto (os historiadores divergem neste ponto), mas neste caso não recebeu qualquer apoio ou encorajamento do Vaticano. Então porque é que aparece no filme?

Talvez porque na véspera de colocar a mala-bomba perto de Hitler, Stauffenberg foi-se confessar e, segundo Riebling, pediu e recebeu a «Absolvição de São Leão». É a primeira vez que ouço falar de tal coisa: perdão dos pecados antes de uma batalha, dada por vezes a soldados.

Resumindo, parece claro que Pio XII não era «o Papa de Hitler», como tem sido apelidado por alguns.

Mas isso leva-nos à segunda questão: Será que o Papa fez o suficiente para livrar os judeus do genocídio? O rabino Boteach reconhece que o Papa escondeu judeus sempre que possível – em mosteiros e em catacumbas – mas quando centenas de judeus de Roma foram detidos e colocados em comboios para seguir para os campos de morte (de entre os quais apenas uma mão cheia sobreviveu), o Papa não reagiu. Se o Papa tivesse ido à estação e dito aos soldados alemães – entre os quais certamente havia alguns católicos – que estavam a colaborar com um pecado mortal, quais teriam sido as consequências?

Bom, esse é o problema, não é? Na história as coisas ou se fizeram ou não se fizeram e apenas podemos julgar o que aconteceu, não o que poderá ter acontecido.

E isso leva-me ao pedido: Papa Francisco, revele por favor o material de arquivo do pontificado do seu venerável antecessor Eugenio Pacelli relativo aos anos da guerra.

Passei vários anos a fazer investigação para um livro (sobre o qual escreverei mais tarde) nos arquivos da diocese de Nova Iorque e compreendo porque é que o material de arquivo deve ser selado durante um certo período. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não concorda, porque tem uma visão absolutista de que a verdade nunca deve ser escondida. Isso é um disparate, e não apenas no que diz respeito a dados secretos.

Tanto eu como o meu co-autor (o Sr. Marlin) não pudemos ver vários ficheiros sobre o cardeal John O’Connor, que morreu no ano 2000. Isso pode dever-se ao facto de haver, nesses documentos, afirmações sobre pessoas que ainda estão vivas e que são difamatórias, ou que não são verdade, ou ambos. A regra é esperar 25 anos. Tanto quanto sei, o Vaticano espera 75.

Isso implica reter os arquivos de Pio XII, que morreu em 1958, até 2033. Mas porque não libertar alguns documentos agora? Pelo menos até 1940, com os restantes anos da guerra a serem tornados públicos até 2020? Ajudaria certamente a responder a várias questões e isso é algo que a Igreja deveria querer fazer o mais rapidamente possível.


(Publicado em The Catholic Thing)





quinta-feira, 15 de setembro de 2016


A preguiça mental contra a acção



Cid Alencastro

Pode parecer surpreendente, mas talvez a preguiça, sobretudo a mental, seja a paixão mais frequente em produzir mentecaptos. Habituando-se a não fazer esforço, a não querer enfrentar o ambiente hostil que o rodeia, a nunca lutar — «dá trabalho»… «dá preocupação»… «exige empenho»… «não é comigo»… — a pessoa acaba por ficar meio aparvalhada e deixa-se levar pela televisão, pela moda, pela opinião dos outros, como uma folha seca que o vento carrega para qualquer lado e acaba por ser pisada como inútil e desprezível. É um néscio, um idiota, um imbecil com o qual não se pode contar para nada de sério ou racional.

A preguiça mental costuma exercer forte tirania em relação aos seus escravos, a ponto de estes preferirem qualquer coisa a terem que lutar ou fazer algum esforço. Disseram-me que o colesterol é produzido por gorduras que aderem às faces internas das veias e impedem o sangue de circular normalmente. A imagem é-me muito cómoda para exprimir esse «engorduramento» das veias do pensamento, que impede a irrigação do cérebro pelo sangue vivo e borbulhante da reflexão bem feita, da observação precisa, da análise objectiva da realidade. E, tudo isso, porque pensar pode levar a conclusões desagradáveis, pode ser um convite à luta, ao esforço, em suma, obriga a sair de entre os lençóis mentalmente «engordurados» da preguiça para o campo de batalha. Se as evidências furam os olhos, o melhor é fechá-los para não ver e não ter que sair das prazerosas comodidades interiores da moleza.

Esse gosto mórbido da inacção mental explica que tenha sido possível aos arautos da esquerda ir introduzindo no convívio social das nações, sem oposição proporcionada, as maiores aberrações intelectuais, como a Ideologia de Género, a generalização da matança de inocentes no ventre materno, os horrores da arte moderna; e, na Igreja, a contestação de doutrinas evidentes, a demolição de cerimónias ancestrais belíssimas, de costumes tocantes. São máquinas de opinião pública que vêm despejando sobre as pessoas esses e outros horrores, como certos tubos enormes despejam asfalto numa via de terra para se constituir ali uma estrada, enquanto o «louco» olha para isso com olhar desagradado, mas aparvalhado.

Alguém dirá: mas muitas pessoas não estiveram de acordo com essas novidades malsãs!

O problema é exactamente esse! A grande maioria dos que não estavam de acordo não quis lutar, limitou-se a um choramingo, a exprimir um desagrado. Preferia que não houvesse essas mudanças, mas deixar as suas comodidades interiores para entrar no campo de batalha ideológico, muitas vezes psicológico, isso não! Ante tal omissão, as muralhas da civilização cristã foram sendo derrubadas uma a uma, sem que os habitantes da cidade de Deus se levantassem corajosamente para impedir a entrada dos inimigos. Hoje estes dominam.

Tudo isso é verdade, pode-se ponderar, mas agora já é tarde, o mundo está entregue e muitos pastores transformaram-se em lobos.





terça-feira, 16 de agosto de 2016


Crime de «lesa-pátria»

Oficiais das Forças Armadas criticam

negócio aéreo do combate aos fogos



Joana Almeida Silva, Jornal de Notícias, 11 de Agosto de 2016

O presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, António Mota, diz que é um «crime de lesa-pátria» a atribuição a empresas privadas do combate aéreo aos fogos florestais.

«O poder político afastou por completo a Força Aérea do combate aos incêndios e isso ninguém entende. É um crime de lesa-pátria», critica o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, António Mota, em declarações ao «Jornal de Notícias».

Aquele tenente-coronel diz que não faz sentido os portugueses estarem a pagar o combate aos incêndios a empresas privadas depois de existir uma rede da Força Aérea capaz de responder ao flagelo, com aeródromos e profissionais.

«Os pilotos são pilotos o ano todo e não apenas no Verão. São custos que os portugueses já têm. O piloto tanto sai para fazer o transporte de bombeiros para a Madeira, como está a acontecer agora, como segue para apagar um fogo em Arouca», disse.

António Mota acrescenta que «os militares estão preparados e interessados nessa missão, mas alguém decidiu retirar essa competência à Força Aérea. É um negócio que envolve muitos milhões de euros».

Críticas no Facebook

As declarações do presidente da AOFA surgem horas depois de ter surgido na página oficial da associação no Facebook uma publicação assinada por um coronel que critica o «negócio» aéreo que envolve o plano de combate a incêndios em Portugal.

O texto, assinado por João Marquito, deixa clara a crítica à forma como foi retirada às Forças Armadas a função de operar os meios aéreos envolvidos no combate aos incêndios.

«O MAI (Ministério da Administração Interna) recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu ‘interesse’ e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país», pode ler-se na publicação.

Parece impossível... No final do século passado, enquanto o combate aos incêndios florestais foi uma «Missão», a Força Aérea Portuguesa operava os meios aéreos em Portugal, mas quando esse combate passou a ser um «Negócio» arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem e....o flagelo continua.

Quais as vantagens? A centralização dos meios aéreos na Força Aérea com custos reduzidos para o erário público, bem como a poupança em termos de manutenção (dado o background existente) e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional.

Parece que, conforme noticiado em 9 Junho de 2016, o MAI recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu «interesse» e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país.

Espanha, EUA, Grécia, Croácia, Marrocos, são exemplos de países onde os meios aéreos de combate a incêndios são operados pela Força Aérea local. Parece impossível...


Estudo na gaveta

O anterior governo pediu um estudo sobre a resposta aérea de combate aos incêndios, que defende o regresso dessa competência para a Força Aérea.

A garantia é reiterada pelo presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), António Mota, que explicou ao JN que nesse relatório se identificam os meios que a Força Aérea precisaria de voltar a ter para assumir a responsabilidade.

O relatório, «que continua numa gaveta», nas palavras do presidente da AOFA, estima que «a partir de 2018 haveria um lucro para o erário público (2016 e 2017 seriam anos de investimento), uma vez que deixaria de ser necessária a contratação de meios privados para fazer o ataque aéreo às chamas».





sexta-feira, 12 de agosto de 2016


A reconquista de Nambuangongo!


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador, 10 de Agosto de 2016

Faz hoje 55 anos que o Exército Português reconquistou a povoação de Nambuangongo, na região dos Dembos, Norte de Angola, a 200 Km de Luanda, durante a operação «Viriato».

O Batalhão de Caçadores 96, do comando do tenente-coronel Armando Maçanita, o Esquadrão de Cavalaria 149, comandado pelo capitão Abrantes e o Batalhão de Caçadores 114, sob o comando do tenente-coronel Oliveira Rodrigues, convergiram para o objectivo em três eixos distintos.

O Batalhão 96 tinha o percurso mais longo e foi reforçado por um pelotão de Engenharia comandado pelo alferes Jardim Gonçalves.

A tenacidade e capacidade de comando do tenente-coronel Maçanita, conseguiu que fosse a sua unidade aquela que primeiro entrou em Nambuangongo, erigida como quartel-general da banditagem terrorista da UPA, após penosa marcha, vários combates e quatro mortos.

Coube ao pelotão do alferes Santana Pereira a honra de hastear a Bandeira Nacional Portuguesa na Igreja semi-destruída da vila.

O tenente-coronel Maçanita morreu na sua cidade natal, Portimão, em 17/11/2005, com 88 anos de idade.

Honra aos combatentes

Viva Portugal

(Abaixo os traidores).





terça-feira, 2 de agosto de 2016


Uma operação em território do Zaire


MEMÓRIAS DE UM CAPITÃO


João Sena

A PIDE tinha um prisioneiro que sabia onde era, exactamente, o quartel mais forte e com mais guerrilheiros do MPLA. Situava-se na margem esquerda do Luena, próximo da picada internacional que ligava o Zaire a Angola.

Para se poder atacar este objectivo tínhamos disponíveis, apenas um grupo de combate de 18 militares. Teríamos de atravessar a «chana» que estava completamente alagada, com a ajuda de uma «zorra» do CFB, que estava no LUACANO para pequenos trabalhos na linha mas não se podia perder aquela oportunidade.

As coordenadas do objectivo foram enviadas ao BCAV1883 e à ZIL, uma vez que se situava já em território do Zaire.


Obtida a autorização da ZIL, ao fim da tarde, partimos até a um determinado quilómetro da linha, o mais próximo possivel do objectivo, onde fomos largadas cinco equipas comandadas por mim, pelo Alferes BARREIRA e Alferes CRUZ.

Imediatamente ficámos alagados até à cintura.

Assim tivemos de andar durante a noite, quase vinte e tal quilómetros, até encontrar a antiga picada.

Por indicação do prisioneiro andámos mais uns quilómetros na picada.

Eram três da manhã quando encontrámos o Kimbo encostado à antiga picada internacional.

Numa das suas extremidades havia um grande «parrot» onde, com a luminosidade das brasas, quase apagadas, dormiam os guerrilheiros.

Pretendia-se fazer o golpe de mão ao nascer do dia mas os soldados, com o frio e o ter estar atentos e sem se mexer, começaram a tossir.

Temendo-se que a surpresa fosse quebrada e com a certeza de não estarmos a atacar a população, fizemos fogo sobre os vultos que, imediatamente, responderam com tiros de rajada e saltaram, como gatos, sobre os soldados.

A confusão na noite foi tremenda.

Tiros por todo o lado, com gente a fugir estremunhada em todas as direcções.

As armas do IN foram recolhidas pela PIDE dizendo que depois as entregariam o que nunca veio a acontecer.

Do corpo a corpo sangrento, (a operação mais violenta da guerra que só pode dar testemunho quem a viveu), foram mortos uns quantos IN e feridos dois soldados das NT.

O soldado SILVESTRE LANITA CANDEIAS (CRUZ DE GUERRA de 4.ª Classe) tinha na cara um grande rasgão feito por uma baioneta de Kalash, e o soldado «Madeira», ERNESTO FERNANDES BAETA (CRUZ DE GUERRA de 4.ª Classe), ainda com a sua MG em brasa, tinha um largo golpe no pescoço mas que embora profundo, pouco sangrava.

O regresso foi muito mais difícil.

Tivemos de improvisar uma maca para transportar o CANDEIAS que, não obstante os esforços do maqueiro, CONSTANTINO TEIXEIRA, não parava de sangrar; eram ligaduras sobre ligaduras e ainda teve de ser feita uma transfusão de sangue, de veia a veia, mais o ter de caminhar com água pela cintura, a juntar as emoções e o cansaço já dispendido, tornaram a caminhada muitíssimo mais difícil.

Só por volta das dez da manhã chegámos à linha de onde podemos pedir as evacuações dos feridos e água para beber.

Por via rádio dissemos o quilómetro onde nos encontrávamos e passado um tempo regressámos ao LUACANO.

O CANDEIAS e o «MADEIRA» foram imediatamente evacuados por um avião DO-27, pilotado pelo Cap.PilAV. CARLOS ACABADO, para a enfermaria do LUSO.

Nas operações nas águas da «chana» alagada andávamos só com as botas calçadas, ou seja, sem meias; e lá tive de andar mais de três semanas com os pés negros tingidos pelas botas.

Reconfortante foi o rádio enviado pelo Brigadeiro MACHADO DE SOUSA (RIP), o célebre «MARAVILHAS», professor na AM durante muitos anos.

O pior foi meses mais tarde ter de responder por inquérito, sobre o incidente diplomático com a ameaça de uma valente «porrada» que o Governo português me queria enviar.

Era absolutamente proibido entrar em território do Zaire.