BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Carne de porco na cantina
para os muçulmanos...
Jean Leonetti, presidente do município de Antibes, território francês situado no departamento dos Alpes Marítimos, no Mediterrâneo, recusa suprimir a carne de porco nas escolas.
Os pais de alunos muçulmanos haviam pedido a eliminação da carne de porco nas cantinas das escolas de Antibes. O presidente recusou liminarmente o pedido e o município enviou uma nota a todos os pais a explicar a razão da recusa. Eis o essencial dessa nota.
Os muçulmanos devem adaptar-se à França, aos seus costumes, às suas tradições, ao seu modo de vida, pois foi para aí que decidiram emigrar.
Para que compreendam que devem integrar-se e aprender a viver em França.
Para que compreendam que são eles próprios que devem modificar o seu modo de vida e não os Franceses, que os acolheram generosamente.
Para que compreendam que os Franceses não são nem xenófobos nem racistas, que aceitaram numerosos imigrantes, sobretudo muçulmanos, enquanto os muçulmanos não aceitam estrangeiros não-muçulmanos nos seus territórios.
Que, tal como os outros povos, os Franceses não estão dispostos a renunciar à sua identidade, à sua cultura, apesar dos golpes baixos dos internacionalistas.
E que, se a França é uma terra de acolhimento, não são as «políticas» que acolhem os estrangeiros mas o povo francês no seu conjunto.
Para que compreendam, finalmente, que em França, com, e não apesar de, as suas raízes judaico-cristãs, as suas árvores de Natal, as suas igrejas, e as suas festas religiosas, a religião deve ficar no domínio privado. E por isso o município tem razão ao recusar toda a concessão ao islão e à charia.
Lembramos aos muçulmanos a quem a laicidade incomoda e que não se sentem bem em França que existem no mundo 57 magníficos países muçulmanos, na maioria sub-habitados, e disponíveis para recebê-los de braços abertos no respeito pela charia.
Se deixaram os vossos países para vir para França e não para outros países muçulmanos é porque consideraram que a vida é melhor em França do que nesses países.
Coloquem a vocês próprios a questão: porque estarão melhor em França do que de onde vocês vieram?
A cantina com carne de porco faz parte da resposta.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Bento XVI:
Porque é que o futebol envolve tantas pessoas?
Regularmente, a cada quatro anos, a taça do mundo de futebol demonstra ser um evento que atrai centenas de milhões de pessoas. Nenhum outro evento no mundo consegue ter um efeito tão grande, o que demonstra que este evento desportivo toca algum elemento primordial da humanidade, e há que perguntar sobre o que se fundamenta todo esse poder de um jogo. O pessimista vai dizer que é como na Roma antiga.
A palavra de ordem da multidão era: panem et circenses, pão e circo. O pão e o jogo seriam, então, o conteúdo vital de uma sociedade decadente que não tem outros objectivos mais elevados. Mas, mesmo se fosse para aceitar essa explicação, ela não seria absolutamente suficiente. Deveríamos nos perguntar mais uma vez: no que reside o fascínio de um jogo que assume a mesma importância do pão? Poderíamos responder, mais uma vez fazendo referência à Roma antiga, que a procura por pão e jogo era na verdade uma expressão do desejo por uma vida paradisíaca, uma vida de saciedade sem preocupações e liberdade desmedida. Porque é isto que se entende em última análise com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem propósito e sem limitações, ao mesmo tempo que envolve e ocupa todas as forças do homem. Neste sentido, o jogo seria uma espécie de tentativa de retorno ao paraíso perdido: a fuga da seriedade escravizante da vida quotidiana e da necessidade de se ganhar o pão, para viver a livre seriedade de tudo que não é obrigatório e, portanto, belo.
Assim, o jogo vai muito além da vida quotidiana. Mas, sobretudo nas crianças, tem também o carácter de um exercício para a vida. Ele simboliza a própria vida, e antecipa-a, por assim dizer, de um modo livremente estruturado. Parece-me que o fascínio pelo futebol está essencialmente no facto de que ele liga esses dois aspectos de uma forma muito convincente.
O jogo força o homem a impor-se a uma disciplina de modo a obter por meio do treino um controlo sobre si próprio; com o auto-controlo, a superioridade e com a superioridade, a liberdade. Além do mais ensina-lhe uma harmonia disciplinada: como um jogo de equipa obriga a inserção do indivíduo na equipa. Une os jogadores em torno de um objectivo comum; o sucesso e o fracasso de cada um está directamente ligado ao sucesso e o fracasso do todo.
Além disso, ele ensina uma rivalidade leal, onde a regra comum que se impõe é o elemento que liga e une a oposição. Por fim, a liberdade do jogo, se este se desenvolve correctamente, anula a seriedade da rivalidade. Ao assisti-lo os homens identificam-se com o jogo e com os jogadores e participam de modo pessoal na harmonia e na rivalidade, na seriedade e na liberdade: os jogadores tornam-se um símbolo da própria vida; que por sua vez tem um impacto sobre os demais. Eles sabem que os demais homens representam-se neles e sentem-se reconhecidos. Claro que tudo isso pode ser contaminado por um espírito comercial, submetido à seriedade sombria do dinheiro, que converte o jogo numa indústria e cria um mundo fictício de proporções assustadoras.
Mas, nem mesmo este mundo fictício poderia existir sem o aspecto positivo que é a base do jogo: o exercício para a vida e a superação da vida em direcção ao paraíso perdido. Em ambos os casos, trata-se de procurar uma disciplina da liberdade; de exercitar em si próprio a harmonia, a rivalidade e o acordo na obediência à regra.
Talvez ao refletirmos sobre essas coisas, poderemos novamente aprender com o jogo uma lição de vida, porque nele está evidente algo fundamental: o homem não vive só de pão, o mundo do pão é apenas o prelúdio da verdadeira humanidade no mundo da liberdade. A liberdade por sua vez alimenta-se da regra, da disciplina, que ensina a harmonia e a rivalidade leal, a independência do sucesso exterior e da arbitrariedade, e torna-se assim realmente livre. O jogo, uma vida. Se formos à sua essência, o fenómeno de um mundo apaixonado pelo futebol pode dar-nos muito mais do que só um pouco de diversão.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Banana split
Correio da Manhã, 24 de Maio de 2014
1 – Vocês vão-me desculpar, mas esta semana resolvi armar-me em jornalista para tirar a limpo uma coisa que me estava a fazer ruído na cabeça há algum tempo: aquela lei que permite aos juízes do Tribunal Constitucional reformarem-se com 10 anos de serviço, aos 40 anos de idade, ou com 12 anos de serviço, qualquer que seja a sua idade. Acho um nadinha obsceno, mas eu tenho mau feitio.
2 – Pois investiguei e descobri que o artigo que cria esta obscenidade (mas nada inconstitucional) é o 23º-A e está incluído no projecto de lei 424/V, da autoria de PS, PSD e CDS, discutido e votado no Parlamento em 12 de Julho de 1989. Ora, consultando o Diário da Assembleia da República desse dia, fiquei a saber que o referido artigo foi aprovado recebendo os votos a favor dos partidos proponentes e a abstenção do PCP e do PRD (sim, havia um partido chamado PRD).
3 – No debate parlamentar, registou-se a participação entusiasmada dos deputados António Vitorino (um dos redactores do projecto de lei) e Assunção Esteves. A 2 de Agosto, 20 dias depois, estes dois deputados tomaram posse… como juízes do Tribunal Constitucional. Enternecedor, não é? Pronto, desculpem ter interrompido, podem continuar o período de reflexão.
![]() |
| O chefe da maioria e Primeiro-Ministro à época... |
terça-feira, 8 de julho de 2014
Obama
Uma opinião
Os historiadores do futuro, se houver futuro, talvez nos dêem a solução do maior enigma político de todos os tempos. Por enquanto, tudo são névoas e perguntas sem respostas.
Um homem que veio não se sabe de onde, que nunca teve um emprego fixo, que pagou os seus estudos nas universidades mais caras com dinheiro de fonte misteriosa, que trocou de nome pelo menos quatro vezes, que nunca exibiu um só documento de identidade válido mas apresentou pelo menos três falsificados, que tem uma história de vida toda repleta de episódios suspeitos e passou anos em companhia íntima de gangsters e terroristas, um dia elegeu-se senador pelo Estado de Illinois e, depois de somente alguns meses de experiência política – se é que se pode chamar de experiência a ausência na maioria das sessões –, foi elevado à presidência da nação mais poderosa do globo, sob aplausos gerais.
Despertou em centenas de milhões de eleitores a maior onda de esperanças messiânicas de que se tem notícia desde Lenin, Mussolini, Stalin, Hitler e Mao Zedong. Decorridos seis anos de uma administração indescritivelmente desastrosa, continua no posto, impávido colosso, sem que ninguém possa investigar as zonas obscuras da sua biografia sem ser injuriado de tudo quanto é nome pelos maiores jornais do país, bem como pela elite dos dois partidos, Democrata e Republicano.
Aparentemente a obrigação mais incontornável do eleitor norte-americano, hoje em dia, é deixar-se governar sem perguntar por quem, fazendo de conta que tudo está perfeitamente normal.
Uma vez persuadido a acomodar-se a essa situação, sob pena de tornar-se um inimigo público, o cidadão está pronto para aceitar silencioso e cabisbaixo qualquer decisão que venha do governo, por absurda, imoral e inconstitucional que seja.
A última foi essa incrível troca de cinco dos mais temíveis líderes dos talibans por um soldadinho desertor – sem consulta ao Senado, é claro, o que soma à injúria o insulto.
Mas antes disso o número e a gravidade dos crimes do presidente já haviam ultrapassado as mais tétricas especulações futuristas: duplicou a dívida nacional que prometera reduzir, desmantelou o sistema de saúde para colocar no seu lugar a fraude monumental do Obamacare, pressionou hospitais religiosos para que realizassem abortos, entregou armas a traficantes mexicanos e terroristas sírios, encheu de dinheiro estatal firmas falidas dos seus amigos e contribuintes de campanha, desprestigiou o dólar, estragou as relações diplomáticas com Israel, fez mil e um discursos culpando os EUA de tudo quanto acontece de mau no mundo, teve dezenas de encontros secretos com membros e parceiros da Fraternidade Muçulmana, usou o imposto de renda para perseguir inimigos políticos, instalou um monstruoso sistema de espionagem interna para chantagear jornalistas, incentivou enquanto pôde o ódio racial, armou a polícia civil com equipamentos de guerra para aterrorizar cidadãos desarmados, acabou com a liderança americana no mundo, recusou socorro a um embaixador cercado por terroristas e, mais tarde ele foi assassinado, tentou enganar o país inteiro com a historinha ridícula de que foi tudo culpa de um vídeo do youtube.
Entretanto, tirou mais férias, deu mais festas e jogou mais partidas de golfe do que qualquer dos seus antecessores, além de faltar sistematicamente ao «briefing» diário com os seus assessores. Nas horas vagas, a sua esposa dedicava-se a uma campanha altamente humanitária para que as crianças comessem mais nabos e menos batatinhas fritas, provocando a ira da população infantil.
A sucessão de acções maldosas e antipatrióticas, entremeada aqui e ali de futilidades obscenas, é tão assíduo, tão coerente, que toda a tentativa de explicá-la pela mera incompetência vai contra o mínimo senso de verosimilhança. Como escreveu Eileen F. Toplansky no último número do American Thinker, o homem não é um fracasso: é um sucesso. Sucesso num empreendimento frio e calculado de destruição do país.
Se, a despeito disso, ele continua blindado e inatingível, é porque a Constituição e as leis foram desactivadas, sendo substituídas por um novo princípio de ordem: a autoridade dos média, aliada à força de intimidação de uma vasta rede de colaboradores dispostos a tudo e amparada em corporações bilionárias interessadas em remover os EUA do caminho do governo mundial.
O sistema americano, em suma, já não é o mesmo, e a restauração do antigo, se for possível, levará décadas. A obra de devastação foi muito além dos seus efeitos políticos imediatos: mudou o quadro inteiro da autoconsciência americana, fez da grande potência um país doente e aleijado, incapaz de reagir às mais brutais agressões psicológicas. Incapaz até mesmo de escandalizar-se.
A passagem de Barack Hussein Obama pela presidência do país é o acontecimento mais desastroso que já se abateu sobre os Estados Unidos desde o bombardeamento de Pearl Harbor.
sábado, 5 de julho de 2014
O confronto final
Pe. C. John McCloskey
«Estamos agora diante da maior confrontação
histórica que a humanidade alguma vez enfrentou. Penso que grande parte da
sociedade americana e da comunidade cristã ainda não compreenderam bem isto.
Estamos diante da confrontação final entre a Igreja e a anti-Igreja, entre o
Evangelho e o anti-Evangelho.»
«Temos de estar preparados para nos submetermos a
grandes provas no futuro próximo; provas que nos obrigarão a estarmos dispostos
a dar até as nossas vidas e uma dádiva total de nós mesmos a Cristo e por
Cristo. Pelas vossas orações, e pelas minhas, será possível aliviar estas
tribulações, mas já não será possível evitá-las... Quantas vezes a renovação da
Igreja não foi alcançada através do sangue! Desta vez não será diferente.»
– Conferência proferida nos EUA, pelo futuro São
João Paulo II, então Cardeal Karol Wojtyla de Cracóvia, Polónia, a propósito
dos 200 anos da independência dos Estados Unidos.
Da primeira vez que li isto os meus olhos quase que
saíram das órbitas. Não queria acreditar que fosse autêntico, mas já confirmei
várias vezes e é. E disse-o a nós, americanos, quando estávamos no apogeu da
nossa grandeza, pouco antes da queda do «Império do Mal».
É para levar a sério? Sim, muito a sério. Afinal de
contas, o orador estava prestes a tornar-se um dos maiores papas da história da
Igreja. Mais, era um místico e, sim, um profeta e proclamador da verdade, que
sofreu debaixo dos nazis e do comunismo, e de certa forma do Islão. (Recordemos
que quase foi morto por um assassino muçulmano, sendo salvo apenas pela
intercessão de Nossa Senhora de Fátima, como o próprio admitiu).
Deixem-me ser claro: A minha meditação sobre as
palavras de João Paulo II não pretende levar-vos a vender tudo o que têm,
fechar as contas no banco, construir um abrigo nuclear e esperar pelo Juízo
Final. Essa não é a atitude católica. Mas é difícil não «meditar estas coisas
no nosso coração». O que é que o Papa viu? Ou o que é que lhe foi revelado?
Talvez o melhor seja procurar respostas nos seus escritos, embora não haja aqui
espaço para os analisarmos exaustivamente.
Também podemos olhar à nossa volta, para o que
resta daquilo que em tempos se chamava o Ocidente cristão e notarmos uma
quantidade de comportamentos e crenças que parecem feitos à medida para
acelerar o declínio. Por exemplo, no Ocidente damos conta da crise demográfica,
aborto legal, homossexualidade aberta e «casamento» homossexual, níveis
epidémicos de pornografia, queda nos índices de casamento e aumento dos níveis
de coabitação.
Politicamente, até os Estados democráticos e
tolerantes como o nosso estão a começar a negar os direitos de liberdade
religiosa a famílias, empresas e igrejas. Mais, notamos uma crescente
centralização do poder nas mãos daqueles que se opõem a qualquer crença
religiosa excepto a idolatria da saúde, riqueza e tecnologia. Colocam a sua
esperança de longo prazo na possibilidade de a ciência encontrar formas de
impedir a morte. Viram demasiados filmes do Star Trek e da Guerra das Estrelas
quando eram crianças. Infelizmente, acabarão por ir para onde muitos homens já
foram – e não para o espaço.
Esta é, certamente, a anti-Igreja que São João
Paulo previa – seja como for está aqui, está a crescer e, até certo ponto, já
destruiu a Europa.
O que podemos fazer? Em primeiro lugar, claro, não
desesperar. Enquanto católicos, vivemos esta vida com os olhos postos na
próxima. Não podemos perder pois, como disse São Paulo, para nós a morte é
lucro e não temos que temer.
Então como devemos enfrentar a anti-Igreja? Imitando
as vidas dos primeiros cristãos! Considerem esta famosa descrição dos cristãos
na «Carta a Diogneto», escrita por um autor desconhecido, no ano 79 depois de
Cristo.:
Os cristãos não se distinguem dos demais homens,
nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma,
habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida
de natureza singular. (...) Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos:
participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a
terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira.
Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os neonatos.
Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não
vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis
estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos
são perseguidos. São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas
em tudo abundam. São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados,
são também justificados. Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas
honras. Fazendo o bem, são punidos como maus.
Se vivermos como viveram os primeiros cristãos,
também nós podemos confrontar e triunfar sobre a Igreja dos Impérios Globais do
Mal.
(Publicado pela primeira vez a 1 de Junho de 2014
em The Catholic Thing. Tradução de Filipe
d’Avillez)
quinta-feira, 3 de julho de 2014
O Infante
Fernando Pessoa
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Pode ouvir este poema de Fernando Pessoa musicado por André Luiz Oliveira,
numa excelente interpretação de Elba Ramalho, em:
https://www.youtube.com/watch?
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Ainda o 10 de Junho
Comentários breves a um discurso impróprio
Luís Lemos
No 10 de Junho, nas comemorações junto ao monumento aos combatentes do Ultramar, contrastando com o excelente discurso do tenente-general Sousa Rodrigues (texto já reproduzido em http://responderachamada.
...
![]() |
| Henrique Leitão num oceano de sabedoria. |
«Ao começar estas breves
palavras vale sempre a pena relembrar algo que é para todos nós uma evidência: não
viemos aqui para celebrar nem uma ideologia nem uma política».
(Que quererá Henrique Leitão dizer? Que a defesa
do Ocidente e dos seus valores, que Portugal protagonizou no Ultramar, não
assenta em nenhuma ideologia nem era política (e, nesta hipótese, tratar-se-á
de ignorância filosófica e geo-estratégica de Henrique Leitão)? Ou, pior ainda,
que Henrique Leitão se quer demarcar da ideologia e da defesa militar dos
valores do Ocidente (e tratar-se-á de «progressismo» politicamente correcto)?
Então, se não se trata de ideologia nem de política, será que os traidores abrilistas que entregaram de bandeja o Ultramar à influência soviética também poderiam aqui estar a comemorar o 10 de Junho?)
Então, se não se trata de ideologia nem de política, será que os traidores abrilistas que entregaram de bandeja o Ultramar à influência soviética também poderiam aqui estar a comemorar o 10 de Junho?)
«Não viemos nem para comemorar vitórias nem para lamentar derrotas».
(Viemos aqui para comer umas febras e beber uns
copos?)
«Não viemos para julgar.»
(Afinal, para que servirão a história e as
comemorações senão para lembrar e valorizar as políticas correctas, os
valores correctos e os actos de patriotismo e condenar os erros e as traições,
proporcionando assim ensinamentos e bons exemplos para o futuro? Parece estar
na moda «não julgar»... Mas, como se verá , afinal ele, como todos, já vai
julgar... mal!)
«Também não viemos apenas para relembrar o passado, como algo frio e
distante que se examina com interesse vago ou apenas com saudade.»
(Passado frio e distante? Interesse vago? Apenas
com saudade? Sem ser fonte de lições? Pois, já tínhamos percebido para que
serve a reflexão histórica!)
«Aprendi convosco que os
verdadeiros soldados lutam não porque odeiam o
que têm diante» (...)
(Para o cientista politicamente correcto da Faculdade de Ciências de Lisboa, o que os soldados
portugueses teriam diante de si – o inimigo soviético na forma de guerrilha – não
deveria ser odiado. Deveria ser quê? Tolerado? Amado? Observado com frieza?
Deveria o soldado português puxar o gatilho, matar? Talvez, mas com amor... A
guerra que Portugal travou em África por si próprio, pelo Ocidente e pela
Civilização deveria ser uma espécie de guerra do Solnado?... Olhe, da parte do
inimigo não era assim! Claro que para todas estas interrogações há uma resposta
moralmente certa. Mas não é a resposta implícita na consideração beata de
Henrique Leitão.)
...
«A história do nosso país enche de surpresa e admiração a quem a estuda: Uma nação pequena, de escassa população e recursos limitados, veio a desempenhar um papel singular na história da Europa e do Mundo. Não foi uma história perfeita de gente irrepreensível» (...)
...
![]() |
| Coisas simples que Henrique Leitão devia estudar. |
«A história do nosso país enche de surpresa e admiração a quem a estuda: Uma nação pequena, de escassa população e recursos limitados, veio a desempenhar um papel singular na história da Europa e do Mundo. Não foi uma história perfeita de gente irrepreensível» (...)
(Que quer o cientista dizer com isto?
Que os Portugueses se comportaram mal com o inimigo? Que trataram mal o inimigo
em armas? Que Portugal cometeu erros de política ultramarina?... Conhecemos
bem, da parte dos opinadores bem comportadinhos, politicamente correctos, as
alternativas de capitulação perante o inimigo soviético.
E afinal, pasme-se, quem disse «Não viemos para julgar» já está a julgar o comportamento dos
Portugueses... à maneira dele...)
...
«Os historiadores discutem
há décadas como explicar estes factos surpreendentes [os Descobrimentos]. Razões
económicas, políticas, sociais, religiosas têm sido avançadas como explicação,
e todas elas são certamente necessárias.»
(E eis que ele vai descobrir-nos as verdadeiras
razões!)
«Mas talvez a resposta esteja em olharmos para nós próprios: Arrojados,
às vezes imprudentes, sempre prontos para partir, voluntariosos e um pouco
desorganizados, fascinados com o novo, com o diferente, sonhadores, assim foram
portugueses de todos os tempos.»
(Isto é, Henrique Leitão, no seu discurso, cita
o cientista dos Descobrimentos Pedro Nunes – poderia até citar outros
cientistas anteriores, como, por exemplo, os da Escola de Sagres e Abraão
Zacuto. Mas depois vem explicar o êxito dos Descobrimentos pelo «voluntarismo», pela «imprudência»,
pela «desorganização» dos
Portugueses... Os Portugueses, uma espécie de povo fandango, de marinheiros
fandangos – gente não
irrepreensível, como disse.
Então o cientista ignora que por detrás da grande empresa dos Descobrimentos estava uma verdadeira elite, a Ordem de Cristo, exemplo de valores, de organização, de planificação, de visão estratégica? Mas que grande lição de história e de história da ciência!).
Em resumo, Henrique Leitão ofereceu-nos um discurso pretensamente cheio de originalidades poéticas mas caindo na ideologia primária da não-ideologia, na política primária da não-política, no relativismo moral ou amoralismo do não julgar e na desconstrução da grandiosa epopeia dos Descobrimentos. Não, obrigado.
Então o cientista ignora que por detrás da grande empresa dos Descobrimentos estava uma verdadeira elite, a Ordem de Cristo, exemplo de valores, de organização, de planificação, de visão estratégica? Mas que grande lição de história e de história da ciência!).
Em resumo, Henrique Leitão ofereceu-nos um discurso pretensamente cheio de originalidades poéticas mas caindo na ideologia primária da não-ideologia, na política primária da não-política, no relativismo moral ou amoralismo do não julgar e na desconstrução da grandiosa epopeia dos Descobrimentos. Não, obrigado.
Curiosamente, Henrique Leitão é co-autor de um
artigo, com o professor americano Walter Alvarez, defendendo precisamente o
contrário sobre o papel da ciência nos descobrimentos. Nesse artigo, os autores
avançam mesmo a hipótese de a ciência moderna ter nascido em Portugal,
com os Descobrimentos, «e não
com Copérnico ou Galileu, como geralmente se aceita» (Segundo Alvarez em entrevista ao Público,
em 22.5.2014).
Não possuindo elementos para irmos tão longe, é-nos
no entanto legítimo perguntar: – Então, em que ficamos? Os Descobrimentos foram
obra de organização e ciência ou de voluntarismo, desorganização e imprudência?
Ou seja, nos fóruns académicos, a propósito dos Descobrimentos, Henrique Leitão fala de ciência. Como grande especialista, que sabe da poda, o que lhe proporciona cachet. E depois, neste acto solene, prefere destacar a vulgaridade dos Portugueses.
Ou seja, nos fóruns académicos, a propósito dos Descobrimentos, Henrique Leitão fala de ciência. Como grande especialista, que sabe da poda, o que lhe proporciona cachet. E depois, neste acto solene, prefere destacar a vulgaridade dos Portugueses.
Com toda esta narrativa terá pretendido
demarcar-se da reaccionarada?
Erro de casting da Comissão Executiva do evento. As aparências iludem e errar é humano. Para o próximo ano será certamente melhor.
Erro de casting da Comissão Executiva do evento. As aparências iludem e errar é humano. Para o próximo ano será certamente melhor.
domingo, 29 de junho de 2014
Marcello Caetano
O 25 de Abril no futebol...
![]() |
| Marcello Caetano ovacionado
durante um jogo Sporting-Benfica, a poucos dias do golpe de Estado abrilista. |
«Em
poucas décadas ...estaremos reduzidos à triste figura de eternos
perdedores, pelo que é ridículo continuar a falar de qualidade do nosso
futebol. Para uma nação que estava a caminho de se transformar num potentado
desportivo, a abrilada foi o princípio do fim. Resta o Ronaldo, as brasileiras
e suecas atrás dele, as vitórias morais, a pobreza crónica da nossa selecção, o
servilismo perante a FIFA e a UEFA e a emigração em massa dos nossos atletas.»
«Veremos alçados ao poder desportivo analfabetos,
treinadores de bancada, jogadores de matraquilhos, ladrões, escroques de toda a
espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para apanha-bolas
nem roupeiros e chegam a presidentes de clubes grandes, administradores de SAD,
secretários de Estado do desporto, chefes da arbitragem, seleccionadores
nacionais e até presidentes da Federação.»...
e aí estão eles!
Se quer ler o texto original, verá que é a papel químico.
Siga o link:
quinta-feira, 26 de junho de 2014
O general Jaruzelski, ex-presidente comunista
da Polónia, morreu no seio da Igreja
![]() |
| Wojciech Jaruzelski |
Wojciech Jaruzelski o comandante militar comunista
e presidente da Polónia durante a Guerra Fria, conhecido pelo seu ateísmo
militante, morreu no final do mês de Maio depois de receber os sacramentos no
seio da Igreja.
«Que coisa mais estranha, mas bela que é o líder do
governo que esteve em guerra com a Igreja finalmente se reconcilie com ela»,
afirmou o padre Raymond Gawronski, sacerdote jesuíta norte-americano de origem
polonesa.
Jaruzelski, que durante muitos anos se declarou
ateu, morreu em 25 de Maio depois de sofrer um acidente vascular cerebral
(AVC). O bispo do Ordinariato Militar Polonês, Dom Jozef Guzdek, celebrou a
missa de exéquias no dia 30 de Maio em Varsóvia. Um sacerdote da catedral do
Ordinariato informou que duas semanas antes da sua morte Jaruzelski tinha
pedido a extrema-unção.
Jaruzelski aderiu ao partido comunista da Polónia
em 1948, e vinte anos depois foi secretário da Defesa da Polónia. Em 1981,
Jaruzelski tomou o poder na Polónia e imediatamente declarou a lei marcial para
extinguir o «Solidariedade», federação sindical polonesa inspirada na doutrina
social da Igreja católica. Milhares de pessoas foram presas e centenas foram
assassinadas durante a repressão; a imposição da lei marcial de Jaruzelski
durou até 1983.
Em 1989 realizaram-se eleições «semi-livres»,
Jaruzelski ganhou a presidência, mas renunciou passados uns meses o que
resultou na eleição de Lech Walesa, co-fundador do Solidariedade, à
presidência.
Jaruzelski nunca apresentou desculpas públicas pela
imposição da lei marcial e outros abusos realizados durante a Guerra Fria. O
pedido da extrema-unção dos enfermos veio em pouco menos de duas semanas antes
da sua morte.
Lech Walesa assistiu ao funeral e atravessou o
corredor para dar a saudação da paz à família do seu adversário. A sua presença
«foi algo extremamente significativo, porque estes homens eram inimigos»,
comentou o padre Gawronski.
O Padre Gawronski fez um paralelo da história de
Jaruzelski com a de Santa Faustina Kowalska, santa a quem foi revelada a
devoção da Divina Misericórdia no começo do século XX. O sacerdote afirmou que
Santa Faustina é a «grande heroína» de outro santo polonês, o Papa João Paulo
II, pela sua «mensagem de misericórdia e reconciliação».
terça-feira, 24 de junho de 2014
Artista vai a tribunal
por ultraje a símbolos nacionais
(Dos jornais)
Élsio Menau começa hoje a ser julgado no tribunal de Faro pela instalação artística em que a bandeira portuguesa aparecia «enforcada».
O trabalho de final de curso de Élsio Menau valeu-lhe uma nota de 17 valores, mas também um processo judicial pelo crime de ultraje à bandeira nacional. O estudante universitário desenvolveu uma instalação artística há cerca de dois anos e que esteve exposta num terreno privado. No trabalho «Portugal na Forca», realizado para a licenciatura em Artes Visuais, Élsio colocou uma bandeira de Portugal pendurada numa forca de madeira.
O estudante garante que não teve intenção de ofender a bandeira, nem cometer qualquer crime com a sua instalação artística e, em declarações à TSF, explica que o trabalho «procurava mostrar a indignação pelo estado em está o país».
A obra foi retirada pela GNR do terreno em que estava instalada apenas dois dias depois de ter sido colocada. Mais tarde, esteve exposta durante cerca de dois meses na Galeria de Arte do Convento de Santo António, em Loulé, no âmbito de uma exposição colectiva promovida pela universidade do Algarve.
O trabalho foi ainda incluído no videoclip do grupo de hip hop «Tira Nódoas», que usou o nome da obra – «Portugal na Forca» para o título da música. O vídeo conta com mais de 80 visualizações no YouTube.
Recorde-se que depois do episódio da bandeira hasteada ao contrário na Câmara de Lisboa, cinco pessoas apresentaram queixa invocando crime de ultraje a símbolos nacionais, tendo uma dessas queixas invocado ainda crime de traição à Pátria. O caso foi investigado e o Ministério Público determinou o arquivamento. «Depois de realizadas as diligências pertinentes o Ministério Público concluiu pela inexistência da prática de crime, uma vez que não se indiciou qualquer intenção final de ultrajar ou faltar ao respeito devido à bandeira nacional», podia ler-se numa nota publicada no site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.
O site Tugaleaks foi uma das entidades que assumiu ter apresentado queixa contra o Presidente da República e o Presidente da Câmara de Lisboa, recordando a polémica em torno de um programa da SIC Radical que usou a imagem da bandeira ao contrário no genérico. Nessa altura, o PS mostrou intenções de processar o canal de televisão.
O site da Presidência da República refere que o artigo 332.° do Código Penal pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias «quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito (...) ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacional».
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















