BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
sábado, 8 de abril de 2017
Deputados do PS e do PSD defendem regresso do serviço militar obrigatório
Luís Claro, Jornal i, 6 de Abril de 2017
Deputados do PS e PSD admitem que o País deve equacionar o regresso do SMO. O assunto está longe de ser consensual nos principais partidos e divide a esquerda
O debate sobre o regresso do serviço militar obrigatório (SMO) está a ganhar dimensão em alguns países europeus. A Suécia já decidiu reintroduzir o SMO a partir do próximo ano. Em França, a passagem obrigatória pela tropa tornou-se assunto de campanha com o candidato Emmanuel Macron a defender que «todos os jovens franceses tenham a oportunidade de experimentar, mesmo que brevemente, a vida militar».
Em Portugal, os jovens deixaram de ser chamados para cumprir o serviço militar a partir de 2004. O PCP foi o único partido a contestar a decisão, mas mais de dez anos depois o regresso do SMO é visto como uma possibilidade por deputados do PS e do PSD.
José Miguel Medeiros, coordenador do PS na Comissão de Defesa Nacional, defende, a título pessoal, que «está na altura de o assunto ser ponderado seriamente» e que «há muitas razões que justificam que se comece a trabalhar no assunto». Em declarações ao i, o deputado socialista defende que «a defesa do País é uma das missões mais nobres que qualquer um de nós pode assumir». Medeiros admite, no entanto, que o regresso do SMO coloca vários problemas: «com o modelo que tínhamos teríamos de recrutar, entre homens e mulheres, 150 mil jovens e não precisamos de 150 mil pessoas. E não temos instalações militares com condições para receber tantos jovens. Exige um investimento brutal que o País pode não estar preparado para fazer».
O PSD também não tem uma posição oficial, mas Pedro Roque, coordenador do partido na comissão que trata os assuntos de Defesa, tem «uma posição favorável» à reintrodução do SMO.
«Tenho uma visão favorável ao regresso do serviço militar obrigatório. Para garantir o recrutamento, porque as Forças Armadas estão com dificuldades, mas também porque houve uma componente cívica que se perdeu com o fim do SMO», diz ao i o deputado social-democrata.
PCP a favor do SMO
O PCP é o único partido que tem uma posição oficial a favor do serviço militar obrigatório.
Questionado sobre a possibilidade de o País voltar a ter a obrigatoriedade de os jovens cumprirem o serviço militar, o PCP garante que o seu «posicionamento sobre a questão do SMO é o mesmo de sempre e tem expressão no artigo 276.º n.º 1 da Constituição da República Portuguesa que diz: ‘a defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses´. Esta consideração tem por base a natureza das Forças Armadas e não qualquer critério conjuntural ou instrumental».
A JCP explica, na resolução política aprovada no congresso, que decorreu no último fim-de-semana, em Setúbal, que «só com uma ampla participação popular nas Forças Armadas se garante que também esta instituição seja democrática e o espelho da sociedade». Os jovens comunistas defendem «um serviço militar que a todos obrigue, inclusivo para rapazes e raparigas, que seja encarado não só como um dever mas, acima de tudo, como um direito inalienável dos jovens na participação efectiva na defesa e soberania nacionais e os direitos do povo».
A esquerda divide-se quando o tema é o SMO. O Bloco de Esquerda continua a ser contra qualquer modelo que obrigue os jovens a frequentar a tropa. Do lado do CDS, João Rebelo, que pertence à comissão de Defesa, defende que é preciso criar condições para atrair mais jovens para a vida militar, mas, para já, não equaciona o regresso do SMO. «O modelo actual não está esgotado. Deve, porém, ser alterado radicalmente em termos de incentivos financeiros e das condições que os militares têm nas suas unidades. Devem também ser alterados os incentivos ao regresso à vida civil», afirma ao i o deputado centrista.
quarta-feira, 29 de março de 2017
Quem está louco, o Erdogan ou os europeus?
João
José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador
«Muito honrado capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rhodes
tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a
terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar
muitos mouros e têm por capitão António da Silveira, que tem um par de tomates
mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm
tomates e não temem quem não os tenha!»
Resposta que deu António da Silveira, capitão de Diu, à carta que Suleimão
Paxá, comandante turco (que era eunuco), que com 70 galés e 23 000 homens
cercava a cidade, defendida por 600 portugueses.
Nessa carta, Suleimão prometia livre saída de pessoas e bens, desde que entregassem
a fortaleza e as armas. E prometia esfolar vivos, todos os que não o fizessem,
gabando-se de ter com ele muitos guerreiros que ajudaram na conquista de
Belgrado, a Hungria e a Ilha de Rhodes. Perguntava no fim a Silveira, como se
iria defender num «curral com tão pouco gado!»
Gaspar Correia, «Crónica dos Feitos da Índia», Vol. IV, pág. 34-36.
Recep Tayyip Erdogan, 63
anos, é o Chefe de Estado de um país chamado Turquia, membro da NATO, aspirante
frustrado a membro da UE e herdeiro de um dos mais temíveis impérios existentes
à face da terra, no segundo milénio da era de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Império que ganhou projecção mundial após conquistar Constantinopla em 1453,
data que marca o fim do Império Romano do Oriente e tida como marco inicial
para o que se convencionou chamar «Idade Moderna».
O Império Otomano
(1299-1923), que tinha o seu núcleo original no Planalto da Anatólia, quis
expandir-se em todas as direcções, nomeadamente para oeste, tendo progredido
perigosamente no Norte de África, nos Balcãs e no Mediterrâneo Oriental.
Este império foi
finalmente sustido no Norte de África, quando já estava em Argel (porventura a
maior motivação para D. Sebastião ter querido ir a Larache, principal objectivo
a preservar e que não incluía a surtida que acabou tragicamente em Alcácer Quibir);
no Mediterrâneo Oriental foram derrotados na batalha naval de Lepanto, em 1571,
mas nunca se conformaram – note-se que foi graças à esquadra portuguesa que
foram batidos novamente em Matapão, em 19 de Julho de 1717, faz este ano 300
anos.
Finalmente progrediram
nos Balcãs, em direcção à Europa Central, até efectuarem dois terríveis cercos
a Viena, coração do Império Austro-Húngaro, dos Habsburgo, em 1529 e 1683, data
em que foram inexoravelmente derrotados.
O «croissant», massa
folhada em forma de «crescente vermelho», que se passou a comer ao
pequeno-almoço e ao lanche, aí está a ilustrar a vitória. Ou seja, cada vez que
se come um croissant, quer dizer que se «come» um turco ao pequeno-almoço…
É possível que os
turcos, desde então, não achem graça à coisa.
No fim da I Guerra
Mundial a dinastia Otomana desapareceu e o seu império desagregou-se, tendo
grande parte dos seus territórios ficado debaixo do controlo de potências
ocidentais vencedoras da guerra, sob mandato da então Sociedade das Nações,
nomeadamente a França e a Inglaterra.
Mais tarde a maioria
destes territórios veio a adquirir, sucessivamente, a independência.
A criação do Estado de
Israel, em 1948, veio baralhar e complicar ainda mais a complexa geopolítica da
região.
Em 1923, o general Mustafá
Kemal Atatürk assumiu o cargo de primeiro Presidente da República da Turquia,
até à sua morte em 10/11/1938, e transformou o país num estado laico, onde os
militares tinham um peso desproporcionado.
A necessidade de conter
a URSS no início da Guerra-Fria, no fim da Segunda Guerra Mundial e arranjar um
estado tampão no Cáucaso e Médio Oriente, fez com que a Turquia fosse convidada
a aderir à NATO, o que aconteceu em 1952.
A Turquia apesar de
tudo, dos problemas internos – onde se destaca a questão curda – e dos ódios
figadais e seculares (por vezes milenares) entre todos os povos daquela região,
teve um papel mais estabilizador do que o contrário.
Seria ocioso explicitar
tudo o que se passou.
A Turquia tirou partido
da sua participação na NATO, onde a quezília secular com a Grécia, agravada
pelo conflito cipriota, constituiu sempre uma dor de cabeça para a Aliança (e
agora é também para a UE), recebeu armamento moderno, acesso a tácticas,
doutrinas e logística, e permitiu trocas comerciais com os países do Ocidente,
facilitando a emigração de largas massas de turcos e curdos para a Europa.
O ovo da serpente
começou a crescer desmesuradamente…
E pertencer à NATO
ajudava a conter um dos seus ancestrais inimigos, o Império Russo!
Quando Erdogan chega a
chefe do Governo (2003-2014) e a presidente, logo de seguida, tudo muda: cada
vez há maior oposição na UE, nomeadamente em França (melhor dizendo, no Grande
Oriente Francês…) relativamente à entrada da Turquia na UE. Chegaram inclusive,
ao ponto de assumirem como «dogma de fé» que na Arménia tinha havido um
genocídio de cristãos, feito pelos Otomanos, entre 1915 e 1923 (o que por acaso
até é verdade).[1]
Ankara, obviamente
estrebuchou.
Erdogan – que em 1994,
proferiu uma frase algo premonitória, «a democracia é um comboio: quando se
chega ao nosso destino, saímos» – começou paulatinamente a por de lado a
herança de Atatürk e a retirar poderes aos militares.
A seguir entrou numa
deriva islamita, torpedeando o laicismo e aproximando-se de tudo o que
preconiza o Corão.
Finalmente envolveu-se
no conflito Sírio e ficou submerso de refugiados.
Em 15/7/2016 deu-se um
estranhíssimo caso de tentativa de golpe de Estado.
O que se passou parece
um decalque do «11 de Março de 75», português.
Erdogan não perde tempo
e parte à perseguição dos seus opositores.
Prendeu-os e saneou-os,
às dezenas de milhar e insiste para que os EUA extraditem um conterrâneo seu
(de que ninguém ouvira falar até então), como suposto cabecilha do frustrado
golpe de Estado.
O homem – Fethullah
Gülen – ainda vive nos EUA, mas as principais potências ficaram quedas e mudas,
a olharem para ontem, sem saberem o que fazer ou dizer.
Erdogan tarda, mas
arrecada.
Com estes trunfos na
mão, embala para mudar a Constituição a fim de reforçar o seu poder. Pelos
vistos a eternizar-se nele.
Estamos pois em vista de
um potencial «Califa», que a seu tempo ocupará o palácio de Topkapi. Só falta
organizar o Serralho e o Regimento de Janízaros.
Porém, para obter estes
poderes necessita de votos para um referendo que quer fazer, prestes. Os turcos
existentes nos seus domínios não lhe chegam e pretende catequizar a diáspora.
E não se fez rogado:
país onde houvesse comunidade que valesse a pena influenciar, seria «invadida»
por comparsas seus, a começar por membros do seu próprio governo!
Não sabemos exactamente
o modo como informou os governos dos países visados ou sequer se deu ao
trabalho de o fazer; queria ir e pronto!
Quando os governos e as
opiniões públicas de alguns dos países europeus visados souberam da trama,
dispuseram-se a contestar tais desejos/ordens.
O que espoletou a ira do
putativo otomano e foi um ver se te avias de guerra de palavras, ameaças e
despautérios.
O que encontra amplos
antecedentes nos devaneios democráticos e cobardia dos países europeus e da UE,
a que têm o despautério de apelidar de «superioridade moral da democracia»!
Chamam-lhe um figo…
Os países europeus
reagiram individualmente de um modo frouxo, cobardolas e apaziguador, o que
denota o estado de degenerescência política, social e anímica, em que a Europa
se encontra (para já não falar na incapacidade militar, que é consequência
daquelas…).
A UE como tal, não
reagiu e por cá ouviram-se umas frases de circunstância circunspecta. Ou seja
os europeus viraram uns verdadeiros eunucos…
Entretanto o grão-turco
profere ameaças e manda, filantropicamente – só pode – as famílias turcas
emigradas, terem cinco filhos.
Compreende-se: enquanto
não têm balas, disparam rebentos.
Como fazem cá falta os
tomates do capitão António da Silveira e dos cavaleiros que estavam com ele, em
Diu.
segunda-feira, 27 de março de 2017
sexta-feira, 24 de março de 2017
França: Desradicalização de jihadistas é um «Total Fiasco»
Soeren
Kern, Gatestoneinstitute, 22 de Março de 2017
- O relatório conclui que a desradicalização, seja em centros especializados ou em prisões, não funciona pelo facto da maioria dos radicais islâmicos não aceitarem a desradicalização.
- Estima-se que haja em França cerca de 8 250 radicais islâmicos extremamente violentos, apenas 17 apresentaram a papelada e apenas nove de facto foram até lá. Nenhum dos residentes permaneceu para completar o currículo de dez meses.
- Ao alojá-los em pavilhões prisionais separados, os islamistas na realidade tornaram-se ainda mais violentos por se sentirem encorajados pelo que eles chamavam de «efeito grupal», segundo o ministro da Justiça Jean-Jacques Urvoas.
- «Desradicalizar uma pessoa não é um trabalho de seis meses. Estas pessoas, às quais não foram dadas um ideal e que ainda não abraçaram a ideologia do Estado islâmico, não se irão livrar dela facilmente. Não há um abre-te sésamo» — senadora Esther Benbassa.
- «O programa de desradicalização é um total fiasco. Tudo tem que ser repensado, tudo deve ser redesenhado a partir do zero». — senador Philippe Bas, presidente da comissão do Senado que encomendou o relatório.
O principal programa do
governo francês para desradicalizar jihadistas é um «fracasso total» e deve ser
«completamente reconceituado» segundo as conclusões iniciais de uma comissão
parlamentar de inquérito sobre a desradicalização.
O relatório preliminar
revela que o governo não tem nada de positivo para mostrar no tocante às
dezenas de milhões de euros dos contribuintes gastos ao longo dos últimos anos
para combater a radicalização islâmica em França, onde 238 pessoas foram mortas
em ataques jihadistas desde Janeiro de 2015. O relatório conclui que a
desradicalização, seja em centros especializados ou em prisões, não funciona
pelo facto da maioria dos radicais islâmicos não aceitarem a desradicalização.
O relatório chamado de
«Desdoutrinação, Desrecrutamento e Reintegração de Jihadistas em França e na
Europa» (Désendoctrinement, désembrigadement et réinsertion des djihadistes
en France et en Europe) — o título evita usar a palavra «desradicalização»
por ser considerada por alguns como sendo politicamente incorreta — foi
apresentado em 22 de Fevereiro ao comité do Senado para assuntos
constitucionais e jurídicos.
O relatório é a versão
preliminar de um estudo abrangente que está a ser conduzido por uma task
force multipartidária encarregada de avaliar a eficácia dos programas
de desradicalização do Governo. O relatório final deverá ser entregue em Julho.
Grande parte das
críticas concentra-se num programa de US$42 bilhões para construir 13
centros de desradicalização — conhecidos como Centros de Prevenção, Integração
e Cidadania (Centre de prévention, d'insertion et de citoyenneté, CPIC)
— um em cada uma das regiões metropolitanas de França, que visa desradicalizar
futuros jihadistas.
O plano original apresentado com grande alarde em Maio de 2016,
conclamou que cada centro devesse acolher no máximo 25 pessoas com idades entre
os 18 e 30 anos, por períodos de dez meses. O Governo comunicou que 3 600
indivíduos radicalizados seriam acolhidos nestes centros de desradicalização
nos próximos dois anos.
O primeiro e único
centro de desradicalização do Governo existente até agora instalado no Château
de Pontourny, uma mansão isolada do século XVIII na região central de França,
foi inaugurado em Setembro de 2016.
Quando as senadoras
Esther Benbassa e Catherine Troendle, ambas líderes da task force visitaram
Pontourny em 3 de Fevereiro, encontraram apenas um residente naquele abrigo.
Desde então o referido residente encontra-se preso por ter cometido «actos de violência
doméstica».
Depois de apenas cinco
meses de trabalho, Pontourny encontra-se vazia, muito embora empregue (27 funcionários, incluindo 5
psicólogos, 1 psiquiatra e 9 educadores, a um custo anual US$2,6 milhões).
![]() |
| «Centro de Prevenção, Integração e
Cidadania» Château de Pontourny, em França. (Imagem: captura de tela de vídeo ARTE − 28 minutos) |
Estima-se que haja em França cerca de 8 250
radicais islâmicos extremamente violentos, apenas 59 pessoas indagaram sobre a
possibilidade de irem para Pontourny desde a sua inauguração. Destas, apenas 17
apresentaram a papelada e apenas nove de facto foram até lá. Nenhum dos
residentes permaneceu para completar o currículo de dez meses.
Um dos residentes era um
jihadista de 24 anos de idade chamado Mustafa S., que foi preso durante uma operação antiterrorista
perto de Estrasburgo em 20 de Janeiro de 2017. A polícia disse que ele tinha
ligações com um dos autores do ataque jihadista de Novembro 2015 na casa de
espectáculos Bataclan em Paris. Mustafa S. foi preso quando estava de licença
de Pontourny: ao que tudo indica, ele estava a caminho para se juntar ao Estado
islâmico na Síria.
Outro residente de
Pontourny era uma mulher de 24 anos de idade, grávida, chamada Sabrina C., que
morou no alojamento de 19 de Setembro a 15 de Dezembro. Ela revelou a um jornal local que nunca foi
radicalizada, mas aproveitou a oportunidade oferecida por Pontourny para escapar
do seu «casulo familiar» e respirar um pouco de «ar fresco»:
«Eu jamais me interessei
por qualquer religião. A minha família é católica, não praticante, nós vamos à
Igreja de vez em quando, mas não mais do que isso. Meu namorado queria que eu
usasse o véu islâmico, mas sempre me recusei a usá-lo».
A mãe de Sabrina disse que o centro de desradicalização «foi a
oportunidade para a nossa filha participar na formação profissional, aprender a
cozinhar, estar perto dos animais». Por outro lado Sabrina acrescentou que a
permanência naquele lugar foi um pesadelo, salientando que: «chorava todas as
noites, e não me sentia à vontade. Em Pontourny tratavam-me como uma
criminosa». Acredita que a única razão dela ter sido autorizada a ficar no
centro foi porque o governo precisava de «mostrar serviço».
O governo também
fracassou nos seus programas para erradicar a radicalização islâmica nas
prisões francesas. Em Outubro de 2016 o governo voltou atrás sobre a política de alojar presidiários
radicalizados em unidades separadas após o aumento de ataques a guardas
prisionais.
A ideia original era
isolar os islamistas a fim de evitar que eles radicalizassem os outros detidos,
mas o ministro da Justiça Jean-Jacques Urvoas reconheceu que ao alojá-los em pavilhões prisionais
separados, os islamistas na realidade tornaram-se ainda mais violentos por se
sentirem encorajados pelo que eles chamavam de «efeito grupal».
O relatório também denunciou o surgimento de uma «indústria da
desradicalização», na qual associações e organizações não governamentais, sem
nenhuma experiência em desradicalização, obtiveram contractos lucrativos do
Governo. «Várias associações, procurando o financiamento público em períodos de
vacas magras, viraram-se para o sector de desradicalização, sem nenhuma
experiência», de acordo com a senadora Benbassa.
Benbassa salientou que o
programa de desradicalização do Governo foi mal concebido, implantado
apressadamente por razões políticas mediante a crescente ameaça jihadista. «O
governo estava em pânico em consequência dos ataques jihadistas» assinalou. «Foi o pânico que guiou as acções do
Governo. O timing político era curto, era necessário
tranquilizar o público em geral.»
O sociólogo
franco-iraniano Farhad Khosrokhavar, especialista em radicalização, realçou à France 24 que a única opção do
Governo para lidar com os jihadistas violentos é encarcerá-los:
«Há aqueles passíveis de
serem desradicalizados, mas nem todos. Isso é impossível com os jihadistas
violentos, e totalmente convictos. Os jihadistas com estes perfis são
extremamente perigosos, representam cerca de 10% a 15% dos radicalizados. A
prisão provavelmente é uma das únicas maneiras de lidar com esses obstinados
fiéis».
Em entrevista concedida ao L'Obs, Benbassa
indicou que o governo também não teve sucesso quanto à prevenção:
«Jovens candidatos ao
jihadismo devem ser socializados.Temos que profissionalizá-los, dar-lhes um
acompanhamento individualizado. Isto envolve a ajuda da família, imãs,
policiais locais, educadores, psicólogos e líderes empresariais, que também
podem colaborar...»
«Eu também acho que os
nossos líderes políticos deveriam adoptar um pouco mais de sobriedade e
humildade ao abordarem este complexo fenómeno. A tarefa é extremamente complicada.
'Desradicalizar' uma pessoa não é um trabalho de seis meses. Estas pessoas, às
quais não foram dadas um ideal e que ainda não abraçaram a ideologia do Estado
islâmico, não se irão livrar dela facilmente. Não há um abre-te sésamo».
O senador Philippe Bas,
presidente da comissão do Senado que encomendou o relatório descreveu o programa de desradicalização do
Governo da seguinte maneira: «é um total fiasco. Tudo tem que ser repensado,
tudo deve ser redesenhado a partir do zero».
sexta-feira, 10 de março de 2017
Segundo um relatório oficial, os «Irmãos Muçulmanos» pretendem construir uma sociedade paralela na Suécia
Anne
Dolhein, Reinformação.TV, 8 de Março de 2017
Un rapport commandé par
une agence du ministère de la Défense de la Suède, publié vendredi, met en
garde contre l’objectif des Frères musulmans de construire une société «parallèle» dans le pays,
grâce à la culture de «tolérance» qui a cours en Suède. Le rapport officiel,
remis à l’agence de protection civile MSB, est étonnant de franchise. Il accuse
les Frères musulmans d’infiltrer les organisations et des partis politiques
pour parvenir à leurs fins.
Le rapporteur principal,
Magnus Norell, et ses coauteurs n’hésitent même pas à dénoncer les «élites
politiques» coupables selon eux d’avoir imposé une doctrine du multiculturalisme
et du silence qui offre un boulevard aux organisations «antidémocratiques»
comme les Frères musulmans.
Le rapport a été accueilli avec colère en Suède où les musulmans,
notamment, dénoncent une présentation délétère de leur religion, et de manière
générale on parle d’une analyse «complotiste».
Un rapport officiel dénonce la culture de la tolérance en Suède
Pour les auteurs du rapport, il est au contraire évident que les
Frères musulmans travaillent à faire augmenter le nombre de musulmans
pratiquants en Suède, en essayant de faire reculer la laïcité et de noyauter
des partis politiques, des ONG et même des institutions universitaires. Tout
cela à la faveur de la valeur accordée à «l’acceptation» des citoyens qui sont
«en un sens ou dans un autre différents de la majorité».
Le rapport analyse également le type d’islam promu par les Frères
musulmans: il est décrit comme une idéologie politique totalitaire née de
l’islam, dans lequel le rapport reconnaît une religion. Autant dire que les
auteurs ne vont pas jusqu’au bout de leur étude: l’islam a certes une dimension
religieuse mais prône une théocratie sans distinction du spirituel et du
temporel, c’est sa nature.
Mais là où le rapport voit juste, c’est quand il dénonce la
«difficulté à s’opposer à ce qui a la surface, apparaît comme les droits
religieux» d’une minorité vulnérable. Critiquer
l’islam, de ce fait, expose l’imprudent à se faire traiter de «raciste» ou d’«islamophobe»,
avec des risques non négligeables pour sa carrière… Les auteurs pensaient-ils à
leur propre cas?
Les Frères musulmans
de Suède veulent fabriquer des musulmans pratiquants
Toujours est-il que de
nombreuses voix se sont levées pour dénoncer la publication du résultat de leur
enquête, 22 universitaires et «experts en religion» ont ainsi publié un message
sur un blog mettant en cause la méthodologie de leur travail.
Magnus Novell ne s’est
pas démonté: «Avaient-ils fumé quelque chose avant de lire le rapport? Il
suffit de le lire. Si quelqu’un ne l’accepte pas, je n’y peux pas grand-chose. C’est
démontré».
Le rapport accuse notamment les activistes des Frères musulmans de
menacer la cohésion sociale de la Suède en construisant des structures sociales
parallèles qui vont notamment dans les années à venir attirer les migrants
d’Afrique et du Proche-Orient «qui vont probablement continuer de venir dans
les prochaines années, à la fois en tant que membres des familles et comme
réfugiés…».
L’islam est un tout, c’est pourquoi les Frères musulmans créent
une société parallèle
Le rapport a tout faux, rétorquent
les 22 universitaires qui se sont mobilisés pour le discréditer, en ce qu’il
«semble conclure que l’islam de Suède est un phénomène homogène et que les
musulmans suédois sont conduits par les Frères musulmans». «C’est une
conclusion qui contredit la recherche dans son ensemble, qui indique plutôt que
la communauté musulmane est diverse et qu’il y a de la concurrence entre les
groupes musulmans», affirme-t-il.
Mais les Frères musulmans n’en sont pas moins
influents, particulièrement actifs en Europe et fermement attachés à la
création d’un califat sunnite. Les gouvernements de Bahreïn, d’Égypte, de
Russie, d’Arabie saoudite et des Emirats arabes unis les considèrent comme un
groupe terroriste. C’est sans doute une manifestation de cette rivalité
musulmane dont parlent les universitaires. Mais la liberté de manœuvre des «Frères» dans le pays d’Occident n’en
est pas moins inquiétante.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Perversão infantil: chocante banalidade!
Paulo Américo, IPCO, 23 de
Fevereiro de 2017
Chegámos a tal ponto da decadência moral,
que afirmações das mais graves parecem banais. Convido o leitor a comprovar
esta minha impressão fazendo um teste com a seguinte frase: a inocência das crianças está a ser
destruída.
Por um lado, tal afirmação apresenta-se
chocante. Basta lembrar as palavras do Divino Salvador: «Melhor lhe seria
que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado
ao mar, do que escandalizar a um só destes pequeninos» (S. Lucas 17,2).
Por outro lado, mencionar a destruição da
inocência infantil já nos soa normal, e banal! Isto porque se tornou cada vez
mais recorrente. Algo como uma canção macabra cantada em todas as esquinas. Já
nos acostumámos com a sua trágica melodia e repetimo-la quase sem atenção, sem
levar em conta a sua gravidade.
De facto, vivemos num triste século. Mesmo os
católicos, aqueles que deveriam reagir contra a indiferença, vão caindo
inexoravelmente nas suas garras. Não se podem estranhar as lágrimas de Maria
Santíssima, Mãe de Deus.
As nossas crianças são aliciadas e atacadas
por todos os lados pelo vendaval da imoralidade. A televisão era a sua grande
promotora até há pouco tempo. Mas também acabou por tomar o aspecto um tanto
antiquado! A internet surgiu como a máquina mais eficiente da perversão
infantil. Com alguns cliques no rato — ou alguns toques no smartphone — qualquer criança pode aceder às mais
cruas cenas de pornografia online.
Mas o tufão da imoralidade possui outras
frentes de ataque. E aqui vem mais um teste da banalização do que antes se
afigurava chocante. Curiosamente, o tema «educação sexual para crianças» não
causa mais sobressaltos como há algumas décadas. Hoje, algo mais malicioso
entrou em todos os ambientes: a Ideologia
de Género.
Agora, as crianças não são apenas submetidas
à aprendizagem do sexo desde a mais tenra idade, como também são induzidas na
escolha de outra orientação e identidade sexual.
Um exemplo para ilustrar esta alarmante
realidade. O «Life Site News» publicou,[1] no início de Janeiro último, reportagem sobre a nova série da «TV Fox», nos
Estados Unidos, intitulada The
Mick. Além da promoção do
aborto, da linguagem vulgar e do conteúdo sexual explícito, a série impulsiona
a Ideologia de Género,
visando sobretudo as crianças. Um dos personagens — menino de apenas sete anos
— é apresentado trajando um vestido de menina. Na cena, o menino faz
comentários sobre o vestido e sobre as partes femininas do seu corpo.
Chocante, dizemos! E o leitor concordará. Mas
quanto tempo transcorrerá até que tais insinuações e atitudes ressoem também
como banais ou normais aos nossos ouvidos?
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| Imagem de Nossa
Senhora do Bom Sucesso venerada no Convento das Freiras Concepcionistas de Quito (Equador). |
A Rainha dos Céus tem sempre diante de si a
gravidade da destruição da inocência infantil. Ela já havia previsto a actual
onda de degradação das crianças quando das suas aparições à Madre Mariana de
Jesus Torres, em Quito (Equador), no século XVII. As palavras de Nossa Senhora
do Bom Sucesso — profecias a respeito dos nossos tempos — são impressionantes
pela sua actualidade. Eis alguns trechos aplicáveis ao tema do qual tratamos:
![]() |
| Madre Mariana de Jesus Torres |
«Quase não se encontrará inocência nas
crianças, nem pudor nas mulheres, e, nessa suprema necessidade da Igreja,
calar-se-á aquele a quem competia a tempo falar.
«Extravasarão as paixões e haverá total
corrupção dos costumes por quase reinar satanás…, o qual visará principalmente
à infância a fim de manter com isto a corrupção geral. Ai dos meninos desse
tempo! Dificilmente receberão o Sacramento do Baptismo e o da Confirmação.
«Possuirá [o mal] sutileza para
introduzir-se nos ambientes domésticos, que perderão as crianças. Nesse tempo
infausto, quase não se encontrará a inocência infantil. Desta forma
perder-se-ão as vocações para o sacerdócio e será uma verdadeira calamidade.»
Diante da avalanche contra a inocência
infantil não devemos permanecer de braços cruzados. É por isso que a TFP (The
American Society for the Defense of Tradition,
Family and Property) proveu abaixo-assinado[2] [imagem
abaixo] no mês passado com o objectivo de impedir a exibição da citada
série da «TV Fox».
Não fiquemos indiferentes na consideração da
gravidade da decadência actual. Oração, sacrifício e emenda de vida foi o que
Nossa Senhora nos pediu em Fátima. Assim, seremos daqueles que de algum modo
enxugam as suas tão dolorosas lágrimas.
____________
Notas:
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
O que defendemos no debate sobre a eutanásia
Isabel Galriça
Neto, Observador, 22 de Fevereiro
de 2017
Na Holanda em 2015 praticou-se uma
eutanásia a cada hora e meia. De pessoas com doença mental, pessoas que não
pediram para morrer, pessoas sem situações de terminalidade, pessoas cansadas
de viver.
Neste debate sobre a legalização da
eutanásia defendemos a inviolabilidade da Vida humana, o respeito pela
Dignidade e pela Liberdade.
Este não é de todo um debate
confessional – como querem fazer crer —, talvez para acentuar um preconceito
subtil de que sendo um debate religioso seria uma coisa retrógrada, um
preconceito que confunde a sociedade laica em que vivemos com uma sociedade
anti-religiosa. O debate, ainda que politizado, é claramente sobre que valores
queremos ter na sociedade moderna para dar resposta ao sofrimento dos mais
vulneráveis.
Defendemos a protecção da vida e a
Dignidade. Entendemos que não é preciso escolher ser morto por outro para ter
Dignidade na morte, aliás ser morto por outra pessoa é provavelmente a forma
menos digna de se morrer. Defendemos a Dignidade enquanto valor intrínseco e
patrimonial inegociável do ser Humano, pelo que para nós, e independentemente
das circunstâncias, não há vidas que valem a pena ser vividas e outras não. É a
vida que deve ter Dignidade, até ao fim, existindo hoje indicações rigorosas e
meios de intervenção claros que não permitem que se prolongue a vida das
pessoas com doenças avançadas e em sofrimento à custa de mais sofrimento com
tratamentos inúteis.
Numa matéria literalmente de vida ou
de morte como esta, com a relevância que a rodeia, não são admissíveis
imprecisões e eufemismos que enviesam o debate, acrescem demagogia e pouco
esclarecem: por exemplo, não se trata de um direito a morrer nem de uma morte
assistida – trata-se sim de criar um pretenso direito a ser morto por outra
pessoa; não se trata de morte digna – mal estaríamos se apenas os homicídios a
pedido definissem a dignidade na morte; e não se trata de abranger apenas
situações de fim de vida, pois no articulado do ante-projecto não são
claramente excluídas outras situações de sofrimento, como situações de
sofrimento existencial e com muito tempo de vida pela frente. Faz-se crer que
serão situações de excepcionalidade, que depois o próprio articulado não
permite de todo garantir.
Defende-se uma certa visão
distorcida da Autonomia, em nosso entender irrealista e incorrecta: a ideia de
que a autonomia é igual a uma autodeterminação absoluta em que o individualismo
se estabelece e se ignoram as consequências do exercício das liberdades no Bem
Comum. Se a autonomia fosse um valor absoluto, não seriam recusados pedidos nem
se reservaria esta opção apenas para situações de fim de vida, e não seriam
médicos a aprovar a decisão, esses sim os verdadeiros decisores que vêem o seu
poder reforçado. A eventual legitimação e aplicação das propostas defendidas
levaria a uma aparente «normalização» do matar a pedido e a uma banalização
daquilo que consideramos um retrocesso na nossa sociedade. O que se iria impor
seria uma visão apoucada do ser humano, que teria consequências perigosas no
Bem comum, pois é isso que acontece quando se fazem leis deste tipo nos poucos
países europeus que as têm, e se permite que sejam mortas milhares de pessoas
por ano – uma eutanásia a cada hora e meia na Holanda em 2015 –, pessoas com
doença mental, pessoas que não pediram para morrer, pessoas sem situações de
terminalidade, pessoas cansadas de viver.
Defendemos uma sociedade moderna, que tem na
protecção da vida o alicerce dos Direitos Humanos, uma sociedade que não
descarta os mais vulneráveis e lhes amplia horizontes. Para nós, o problema do
sofrimento em fim de vida trata-se cuidando e não eliminando aquele que sofre.
Maçonaria francesa proíbe sites «enganosos» pró-vida
«Liberdade — Igualdade — Fraternidade»
ou as «amplas liberdades» maçónicas...
Chiara Bertoglio, Mercatornet, 21 de
Fevereiro de 2017
Uma das citações mais mal atribuídas credibiliza a
Voltaire com uma frase bem formada – que ele nunca escreveu. De qualquer
forma, o pai do Iluminismo francês e dos seus valores, alegadamente proclamou:
«Eu desaprovo o que diz, mas vou defender até à morte o seu direito de
dizê-lo.» (Na verdade, a frase vem da pena de Evelyn Beatrice Hall).
Parece, no entanto, que os
netos de Voltaire estão a desviar-se cada vez mais dos valores fundadores da
sua República e da sua democracia, que são parcialmente resumidos na citação
falsa. Na sua versão actualizada deve ler: «Eu desaprovo o que diz, mas
vou defender até à morte o seu direito de concordar comigo.» Ou então, cala a
boca.
De qualquer forma, é a
mensagem que o Parlamento francês enviou para aqueles que discordam do aborto e
que estão a usar a internet para informar às mulheres que não é o único, e
muito menos a melhor resposta para uma gravidez indesejada. Na última
quinta-feira, a Assembléia Nacional aprovou uma lei contra a «difusão de
informações enganosas» sobre o aborto, um crime punível com pena máxima de dois
anos de prisão e multa de US $ 30.000.
A medida expande o crime
existente de «obstáculo ao aborto» – com o objectivo de impedir que activistas
pró-vida falem às mulheres que entram em clínicas de aborto, ou organizem
manifestações perto de clínicas e hospitais públicos – para incluir sites e «obstáculos
digitais».
Num artigo precedente escrevi
sobre o bagarre que (o
combate que) cerca alguns Web site franceses da
pró-vida. Ocasionalmente semelhantes em aparência aos sites oficiais do
governo que fornecem informações sobre serviços de aborto, estes sites (muito
bem sucedidos) têm o objectivo de ajudar as mulheres que estão a enfrentar uma
gravidez difícil ou inesperada, encorajando-as a escolher a vida para seu bebé.
No último caso, nenhum mal
está a ser feito a ninguém, especialmente porque as pessoas são perfeitamente
livres para silenciar informações indesejáveis com um clique numa janela do
navegador. Nenhum pro-lifer francês aparece sob o seu laptop enquanto está
a navegar na internet para «dificultar» a sua ida para uma clínica de aborto.
Sim, às vezes é muito
difícil encontrar apoio legal para suprimir a liberdade de expressão em França,
uma vez que a famosa liberté ainda está no lema da República. Neste caso, é
preciso encontrar uma maneira oblíqua de obter o mesmo resultado.
Assim, os sites pró-vida
devem ser encerrados não porque os seus conteúdos
diferem da linha oficial sobre
o aborto, mas porque parecem muito semelhantes aos sites oficiais pró-escolha e,
portanto – é mantida – enganam as mulheres e fortalecem-nas a continuar a
gravidez.
A ministra dos Direitos da
Mulher, Laurence Rossignol, declarou:
«Os adversários do controle
da natalidade estão a avançar disfarçados, ocultos atrás de plataformas [web-]
que imitam sites institucionais ou linhas directas aparentemente
oficiais. Os militantes pró-vida, entretanto, permanecerão livres para
expressar a sua hostilidade contra o aborto. Desde que afirmem
sinceramente quem são, o que fazem e o que querem.»
Mas o que isto significa na
prática? De acordo com este relatório, a redacção da lei não é restritiva:
«Tal como está, pode ser
usado para processar aqueles com qualquer «informação» que apresenta o aborto
numa luz desfavorável e empurra as mulheres a não escolher o aborto. A lei
não define quem tem autoridade para julgar se a informação é oficialmente «enganosa».
Isso dependerá dos juízes em princípio e especificamente para a saúde e
funcionários do governo.»
Quem está a enganar as
pessoas neste debate é, pelo menos, aberto a questionar. O site oficial do aborto fala, por exemplo, sobre o aborto cirúrgico como uma
«aspiração do ovo» e afirma que «o aborto não é a remoção de uma vida», como
disse Rossignol na Assembléia Nacional. O site oficial diz que «todos os
estudos sérios» mostram que não há efeitos psicológicos adversos a longo prazo
do aborto, enquanto que o site IVG.NET pró-vida fornece evidências
muito credíveis contra. Isto poderia, sob a lei, levar a queixas e
acusações.
A Alliance Vita, uma rede
pró-vida, denuncia a lei como um perigo para a «liberdade de expressão e de
informação. [...] Não só a objectividade da informação é ameaçada, mas
também qualquer prevenção das pressões que encorajam o aborto, que actualmente
são negadas e ignoradas».
IVG.NET por sua vez não está pronto a recuar. O seu director
M. Phillippe declara que não mudará «o conteúdo dos nossos sites ou a
ajuda que fornecemos às mulheres por telefone, incluindo o convite para
refletir».
Torna saliente que a
tentativa de esmagar sites pró-vida estende-se aos meios de comunicação: nos
oito anos que foram atacados, receberam apenas quatro minutos para colocar o
seu ponto de vista – no canal da TV do Senado Público. Acrescenta:
«Nós, naturalmente, não
exercemos» pressões morais e psicológicas ‘ou’ ameaças ou actos de
intimidação». Mas o propósito desta lei (e a sua consequência) será
permitir que o Planeamento Familiar nos assedie judicialmente sem que possamos retribuir
condignamente por causa da sua impunidade de facto».
O Partido Republicano
(centro-direita), que votou contra, concorda. Pretendem submeter o texto
ao Conselho Constitucional, na esperança de o declararem contrário à
Constituição francesa.
O golpe para a liberdade francesa é
sério. De facto, o alvo maior do crime de «impedimento ao aborto» é
susceptível de limitar dramaticamente os esforços das pessoas cujo único
objectivo é ajudar as mulheres a escolher a vida.
Para citar Voltaire novamente,
«Nós somos pró-escolha, desde que você escolha o que queremos.» (Podemos fazer
mais uma citação falsa Voltaire, não podemos?).
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