BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
quarta-feira, 11 de julho de 2018
GUIÃO PARA UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO MILITAR
João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador, 11 de Maio de 2018
«O principal
problema da Democracia é a qualidade da Sociedade. Essa qualidade começa na
Família. Naturalmente quem aleita é quem educa.»
Autor
desconhecido
(Mas
lá que dá para pensar, dá…)
Quartel-General das Forças de Estabilização da ONU na colónia, conhecida desde a Antiguidade, como Lua.
Quartel-General das Forças de Estabilização da ONU na colónia, conhecida desde a Antiguidade, como Lua.
«Oceanus
Procellarum» – Oceano das Tormentas.
Ordem
de Serviço 666, em 11/5/2118.[1]GUIÃO PARA UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA
NO ÂMBITO MILITAR
TROPAS!
Como sabeis após o meu
antecessor ter resolvido saltar em pára-quedas para fora do nosso querido e
bem-amado Exército – esse infeliz que não teve estômago para acatar as tão
sábias directrizes muito para a «frentex», do nosso guia espiritual, o Azedo
L., que devemos equiparar a Cipião, «O Africano», depois da batalha de Zama – e
que mesmo depois da oferta generosa de Belém, em reconsiderar, retorquiu que a
força da gravidade (mais não fosse por isso) o impedia de voltar para dentro do
avião de onde saltara…
Deste modo eu assumi a
ingrata, mas honrosa tarefa de vos dirigir (isso de «comandar» é areia demais
para a minha camioneta) isto é, ao que resta de vós, da hoste que seguiu o
grande Afonso, depois de ter batido na mãe, tendo vindo por aí abaixo levando
tudo à frente, mesmo sem autorização de Bruxelas ou da Merkel (que por acaso se
chama Kastner…). Bons tempos, ai, ai...
E que belo caminho temos
feito juntos desde então!
Lembram-se de quando
mesmo antes de estar nomeado, me passou uma coisa má pela cabeça e decidi, num
ímpeto viril, despachar o vice, aquele cujo nome faz lembrar um célebre
ciclista tuga, que pedalava como ó caraças?
Ele à primeira ainda
hesitou, mas à segunda lá foi com Deus, as almas santas e uns trovões da minha
padroeira Bárbara!
Depois foi preciso pôr
ordem no Militar Colégio, agora que aquele Instituto freirático, cheio de mofo
e de discriminação de género intolerável e fascista, sito ali para os lados de
Odivelas, ter ficado devoluto e abandonado à espera de um qualquer negócio
imobiliário que apareça!
Resta
apenas fazer desaparecer sem deixar rasto o túmulo do D. Dinis (que devia era
ter ficado em Castela quando foi visitar o avô, Afonso X, o Sábio), que
resolveu mandar plantar o pinhal de Leiria para agora virem umas mãos
criminosas deitarem-lhe fogo (eu disse, criminosas? Desculpem, pois foi
certamente um descuido inocente, ou então uma acção de alguém alienado, vítima
desta sociedade machista, capitalista, racista, xenófoba, homofóbica e
preconceituosa!).[2]
Mas é bem feito! O
colonialista do Dinis não tinha nada que mandar vir almirantes de Génova e
fundar a Armada que agora diz que é antiga como ó carbono e desfila no Terreiro
do Paço a soprar 700 velas!
Agora estão tramados
pois já não vão ter madeira nem para barcoletas a remos!
Ocorre-me à memória,
porém, ó tropas, que vou ter que reconverter parte de vós –senão a totalidade –
em bombeiros (voluntários, é claro), o que não deixa de ser uma velha aspiração
dos nossos maiores, pois não é muito melhor sermos os soldados da paz em vez de
sermos os soldados da guerra?
Eu já dei o exemplo e já
peguei na foice e no martelo, perdão na maquineta roçadeira e andei a capinar,
mesmo chegadinho àquele que se orgulha de ser o primeiro-ministro descendente
de indianos da União Europeia. E eu a julgar que ele era descendente de
portugueses?!
Até ia dando uma
cambalhota à retaguarda, coisa até, que já não me lembrava de fazer desde os
meus tempos infráticos (eu disse infráticos? Que as juventudes partidárias me
desculpem, pois nunca concordei com tais práticas, abrenúncio).
Mas, ó tropas,
empolguei-me e já me esquecia que estava no Militar Colégio, que eu consegui
meter na ordem, essa cáfila elitista que eu, a custo, tolero.
Aquilo foi tudo raso:
internato; comando; oficiais reguilas; ameaças de boiada, etc., e ainda espero
acabar com a avaliação para democratizar tudo devidamente, agora que acabei com
a discriminação sexual intolerável como muito bem apontou o farol da nossa
existência – o Azedo L. – que Napoleão se fosse vivo não desdenharia escolher
para Marechal de França (ele até que se desenrasca bem no francês e tudo!).
Prometo-vos que não
descansarei enquanto não conseguir uniformizar a coberta das camas de todos os
quartéis e camaratas, nas cores do arco-íris!
*****
E aquela táctica
utilizada num memorável Conselho Superior Militar — só equiparada à importância
do uso de armas de tiro tenso na conquista de pontos de cota mais elevada!?
Estava uma lista feita
para promoções já devidamente escorada e sedimentada, quando os nossos amigos
na Administração Interna, na GNR e outros, sempre vigilantes, alertaram para os
perigos que tal ordenação implicava na justiça do mérito relativo (obviamente)
e tal nos levou no mais acertado «flick flack» à retaguarda (esta da
retaguarda, hoje anda-me a perseguir!) e mandei alterar aquilo tudo.
Deu um foguetório, só
suplantado pelo do fim do ano na Madeira, que meteu o general-maior, transferências
mágicas de oficiais generais, alteração de ordens de serviço, pressões de
bastidores, etc., mas rematei a coisa com um pedido de parecer (ajuda...), para
a PGR – numa atitude que eu próprio não sei classificar, mas que foi no mínimo
brilhante, que até ofusca – e a coisa acabou por morrer.
Foi tudo um processo que
faria corar o Maquiavel onde acabei com a carreira a pelo menos, dois
camaradas, mas que é isso comparado com a largura do meu ego medido em
milímetros?
*****
Andava eu nesta gloriosa
cruzada – que deixo aqui claro, nada ter a ver com aquelas levadas a cabo no
obscurantismo medievo – quando alguns dos meus dilectos camaradas generais me
abandonaram, deixando-me meses praticamente sozinho à testa deste «galho»,
outrora Ramo altaneiro e pujante! Os ingratos!
E digo praticamente,
pois fui salvo «in extremis», pelo último dos moicanos – a quem apesar de tudo,
pouco ligo – que a pedido de muitas famílias e condoído da queda livre em que a
coisa estava (isto de surripiar os pára-quedistas para o Exército não foi nada
boa ideia, mesmo nadinha, mas eu na altura ainda usava fraldas e não me
apercebi), lá continuou a carregar a cruz e ficou!
E que dizer dos generais
antigos como o biscoito das caravelas, que sistematicamente faltam às festas e
cerimónias para que os convido, pois não querem encarar o meu «fácies enconátus»,
tão pouco cumprimentar-me?
Já sei, são uns
invejosos, pois não se equiparam ao ilustre ocupante de S. Julião da Barra, o
Azedo L, que corajosamente – e com toda a sua pilosidade firme e hirta e
voltada para a frente – enfrenta o fantasma do infortunado Gomes Freire cujas
cinzas foram, por ali perto, deitados aleivosamente ao mar!
Todavia, a minha coroa
de glória estava para vir!
Estava eu (sempre eu!)
quase a resolver o problema dos paióis sitos no «Mar de Tancorum», já tendo
obtido as necessárias verbas, conseguidas pelo maior estratega da defesa, o
Azedo L. – que reduz Tucídides e a sua «Guerra do Peloponeso», a um cisco –
dizia, uma ronda do meu glorioso Exército voluntaríssimo, que nem munições
reais pode usar, descobriu um buraco na vedação (qual linha Maginot, qual quê!)
e após apurada investigação alguém deu conta que um paiol tinha sido profanado.
Foi como se a virgindade
do Exército tivesse sido corrompida (a Honra, essa, tinha sido perdida nos idos
da «Descolonização» e ainda não foi reposta…), sem uma gota de sangue ser
vertida!
Sabe-se lá como e
porquê, a notícia chegou aos jornais tendo caído o Carmo e a Trindade (enfim já
estavam caídos, desde o terramoto de 1755…).
Mas, ó tropas, eu, o
vosso Director, reagi como um leão e fui-me a eles como Santiago aos mouros –
sem ofensa é claro, para os dilectos seguidores de Allah, o «Misericordioso».
O que eu fiz, meu Deus:
dei entrevistas, disse uma coisa e o seu contrário, aquilo meteu luta e até o
meu querido superior hierárquico (não me estou a referir agora à luz que me
orienta (o Azedo L.) que soube já ter o futuro garantido, pois foi-lhe
oferecido um lugar de consultor no Pentágono para as relações com o futuro
Exército Europeu), mas sim ao meu camarada infantaroco que até levou um murro no
estomago durante a contenda. (Era para isso, aliás, que o saudoso Xico da
Mouraria nos preparava nas aulas de boxe).
E vejam como ficou tudo
esclarecido, tim tim por tim tim (só não entendo é por que o Senhor Comandante
Supremo, continua com aquelas diatribes sobre querer saber mais coisas) e no
fim poupei uma palete de massa ao contribuinte, dizendo que já não queria nada
com aqueles paióis (ficam para o pessoal do «Barrote ao Alto» fazerem
exercícios de demolição por implosão) e fui-me para a Santa (Margaridorum) e
quando por obra e graça do Espírito Santo, o material desaparecido (será que
desapareceu mesmo?) deu à costa numa mata da Chamusca, eu até recuperei uma
caixa a mais!
A SIC, por exemplo,
ficou tão contente que até apresentou várias vezes, imagens todas catitas da
minha pessoa!
E para que a minha
autoridade não fosse posta em causa (nem chamuscada a imagem do nosso
inspirador, o Azedo L., que – vejam só – se confessou emocionado, após ter lido
o antigo Regulamento Geral de Serviço de Campanha, de quando Portugal tinha
Exército, e se sentia agora capaz de avançar contra o inimigo «dando gritos
selvagens, tais como Viva a Pátria», dizia, num atrevimento legislativo
inaudito, decidi exonerar temporariamente, os comandantes das unidades da área
de Tancorum, à falta de perceber quem é que mandava naquele aborto
organizacional todo!
E depois de tudo
esclarecido – como se viu – lá os reconduzi nas funções, a bem da paz e da
concórdia (e também da falta de vergonha na cara).
E eles, coitados, lá
aceitaram tudo, até porque não tinham tempo sequer, para passar à reserva…
Isto é o que se chama
triunfar em toda a linha, ó tropas!
*****
Mas nem com todos estes
exemplos de liderança que irão marcar o ensino nas Academias Militares (perdão
nos «campus da defesa») futuros, consegui sossegar alguns de vós.
Refiro-me a esses «brutos»
que acampam ali para os lados da depressão lunar da «Carregueirorum» e que
contra todas as regras da camuflagem têm o estranho hábito de usar uma peça de
tecido redondo na cabeça, de cor vermelha!
Já sei, vou despachá-los
para Marte, o planeta da mesma cor, aí já ninguém os vê, além de que é quente!
Mas enquanto isso não
acontece vou mudar o nome deles para «centro de escuteiros, bem comportados»,
para ver se deixam de andar a querer brincar aos soldados a sério, e correrem o
risco de morrerem no caminho…
E depois ter essa
procissão toda de procuradores e jornalistas do mais fino recorte e cheios de
boas intenções justiceiras, à perna?
Uma maçada!
Por isso, ó tropas,
estou a pensar fazer deles além de escuteiros, uma reserva táctica debaixo das
ordens da Protecção Civil, essa extraordinária organização babilónia, que está
prestes a constituir-se como a quinta-essência desta (apodrecida) III
República!
E vão ver, ó tropas,
como ainda vereis um Presidente dessa Protecção Civil arvorado em Marechal, com
oito estrelas douradas e dois bastões. Um para cada mão.
Como eu vejo à frente!
Mas com tudo isto em
mente não consegui domar aqueles que ajudaram a impedir aquela cáfila toda da
comunagem e tarados a esmo, de tomar o Poder nos idos de 1975.
Os gajos tiram-me do
sério!
Tive o azar de lá
colocar um tipo assim a modos que avantajado e não é que o ímpio começou a
falar grosso?
Ah, mas eu mandei vir da
cratera da Santa, uma bataria autopropulsionada de 15,5, regulei a alça e
pulverizei-o!
O impertinente teve o
despautério de não seguir as minhas sugestões, quando lhe pedi o último
discurso para revisão gramatical (o que nada tem a ver com o que faziam os meus
camaradas serôdios, munidos de lápis azul do antigamente)!
E eu, cheio de boas
intenções, ainda o deixei falar e não é que o desobediente disse o que a
sua cabeça pensava e a sua consciência ditava? Que estranho Carácter!
Aí fiquei furibundo e só
não lhe fui aos fagotes, pois o tipo parece uma parede e ri-se pouco, mas
invectivei-o como um (mau) mestre-escola faz aos gaiatos.
Isto passando-se apesar
de haver várias pessoas presentes a ouvirem, as quais se afastaram pudicamente
(fiquei até a pensar, muito mais tarde, se não seria por coisas destas que os
generais de outros tempos se afastam dos locais onde me desloco).
E como quem mas faz,
paga-mas – segundo, aliás, uma velha prédica desse farol, o PS, que nos
ilumina, como se tem visto – guardei a vingança para mim e não disse a ninguém
– ou não será a surpresa, um dos princípios da guerra? – e na primeira
oportunidade despedi-o, acusando-o de andar a dizer a verdade aos quatro
ventos!
Onde já se viu uma coisa
assim?
E que melhor ocasião
para o fazer do que no fim de um almoço em dia festivo, mesmo saltando por cima
da cadeia hierárquica?
Ou não será almoçar
fora, ao contrário do futebol, o verdadeiro desporto nacional?! (Aqui para nós
que ninguém nos ouve até já pensei contratar o trineto de um tipo que se
chamava Bruno de Carvalho, para meu assessor…).
Sem embargo, consultei
uns oráculos (de Delfos) e já não vou despachar o dito cujo no dia 12, fica
para depois de 29 do corrente, mas com a condição (!) de não haver mais
discursos, ou a coisa sair inócua…
Estou pois, ó tropas,
ufano de mim mesmo e não queria deixar passar em claro este momento de
felicidade e de alto exemplo castrense e épico, sem o partilhar convosco e
assim aumentar o vosso Moral.
Que eu já sabia que era
alto, mas assim, fica melhor.
Quartel (isto é, campus
da defesa), em Mar das Tormentas, 11 de Maio de 2118.
(Assinatura ilegível)
Chaparro, o
deslumbradinho.
(Segue-se salva de 17
tiros de pólvora – seca)
*****
O guião deste filme foi
enviado para a Academia de Hollywood.
A resposta foi rápida e
o filme foi chumbado.
O argumento começou por
ser passado do departamento de filmes de ficção científica, para o departamento
dos filmes de terror.
Ali foi rejeitado por
ser demasiado téctrico e impróprio para menores de 65 anos (o que não
configurava qualquer lucro na bilheteira), sequer para passar na «Casa dos
Segredos».
Como nota adicional e «post-scriptum»,
afirmaram que o argumento era mau demais para ser verdade, mesmo em filme.
A resposta foi remetida
para o Campus da Defesa, para o Campus de S. Bento, para o Campus de Belém e
para o campus dos comentadores.
Por uma vez, não se
conhecem reacções.
___________________________________
[1] «Oceanus Procellarum» é o maior dos mares lunares, que se estende por
2.500 km de comprimento, formado por lava basáltica que cobre toda a
superfície. Foi lá que pousou a Apolo 12, a segunda missão tripulada a pousar na
Lua.
[2] E «populistas», já me esquecia e está muito na moda…
domingo, 6 de maio de 2018
A propósito de uma «notícia» sobre as despesas em Defesa Nacional
Miguel Mattos Chaves
É MENTIRA! Pura e simplesmente!
Vamos aos FACTOS:
1).– PORTUGAL tem gasto apenas entre 0,8% e 1% do seu PIB em Defesa Nacional.
2).– A Alemanha tem gasto entre 1,0% e 1,1%;
3).– A «habilidade», que está retratada no artigo do Jornal que publicou a «notícia», é a de que pretende misturar:
3.1) – As despesas com a DEFESA (Forças Armadas, Equipamentos e Comunicações Militares);
COM
3.2).– As Despesas com a SEGURANÇA (PSP, GNR, GF, etc...).
4).– AGORA, depois da posição do novo Presidente dos EUA, a Alemanha e os outros membros da NATO vão ter que aumentar os seus gastos em Defesa para 2% dos respectivos PIB em cinco anos.
Vamos ver se lá chegam. Seria um sinal de prudência face ao futuro incerto e à turbulência crescente do Sistema Internacional.
5).– Quanto a Portugal. Antes fosse Verdade.
Era sinal de que as Autoridades estariam finalmente conscientes das Ameaças Externas (Novas e Velhas) e estaríamos assim em condições de nos defendermos delas.
E assim vão as «FAKE NEWS» dos ditos órgãos de informação, ou seja daqueles que se têm arvorado em «filtros».
E dizem eles, os ditos «filtros» que as «fake news» estão nas Redes Sociais.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Capitão paraquedista, José Luís da Costa Sousa
![]() |
| Militares da 1.ª / BCav8421, prisioneiros da Frelimo, a caminho da Tanzânia. Foto publicada em Set74 na revista «Mozambique Revolution» (editada pela Frelimo) |
Luís Alberto Oliveira Lidington da Silva
«...TRAIDORES,
sempre os houve entre alguns.»
Luís Vaz de Camões
Tomei conhecimento desta vergonhosa entrega da Companhia de OMAR já depois da independência e, protegido pela escuridão do cinema em Vila Cabral, onde a FRELIMO fez passar um documentário que me apanhou desprevenido, as lágrimas de vergonha e dor correram-me pela face... A Companhia formada na parada em Dar-es-Salam foi «magnanimamente» libertada por Samora Machel perante a imprensa internacional... Em Moçambique a FRELIMO ao fim de 13 anos de guerrilha não tinha uma dúzia de prisioneiros para apresentar como prova da sua vitória! E fomos nós que lhe proporcionámos os figurantes para este cenário.
A FRELIMO fez o seu papel e bem! Nada tenho contra eles....Eram o inimigo e sabíamos, que estava a ser instrumentalizado pela URSS e com o apoio de todos os países que queriam um Moçambique fraco que fosse uma presa fácil para ser sujeito ao neo-colonialismo.
O nosso Exército, despolitizado, foi presa fácil do comunismo internacional.... VERDADEIRAMENTE nunca, em 14 anos de mobilização, se tentou explicar aos nossos soldados porque lutávamos! Na classe dos oficiais apenas os da «esquerda» estavam politizados... Servi o Exército durante quatro anos e, posso dizê-lo, saí de cabeça levantada em 1970! Ainda hoje, apesar do desfecho, não estou arrependido...
Honra e Louvor ao capitão José Luiz da Costa Sousa que tem a coragem moral de escrever sobre este assunto.
A história, a verdadeira história da descolonização, será feita depois deste e outros assuntos, deixarem de ser considerados «política» e testemunhos destes serão importantes.
Abraço deste teu Amigo de sempre
Leiam este relato impressionante do capitão paraquedista, José Luís da Costa Sousa, sobre corja que traiu e roubou Portugal, e continuará a roubar e a sujeitar... os portugueses a humilhações. Um dia haverá justiça. Um homem quando cai levanta-se mais forte.
A quebra do moral das tropas portugueses em África, como ocorreu e eu a vivi no terreno.
Moçambique é para sempre, na minha memória, o paraíso maravilhoso que o português ali construiu, feito de felizes viveres, a brancos e pretos, amarelos e indianos, mistos e outros, em cidades maravilha onde viviam sociedades multiétnicas em paz e felicidade como Lourenço Marques, Beira, Quelimane, etc.. e as suas ilhas feitas de sonhos tropicais.
Apresentei-me no Batalhão de Paraquedistas 31, BCP 31, na Beira em Fev74, já com 3 anos de guerra de Angola; levava comigo de Portugal a informação das reuniões dos capitães preliminares do 25Abr74, em que tinha tomado parte, vestido eu de políticas inocências, purezas e outras madurezas enfim, singelezas de mim.
O Comandante do 31 era um senhor peculiar em zangas permanentes com o seu ego e a vida, no acto da minha apresentação perguntou-me:—
«Vem por imposição ou voluntário?», «Voluntário» digo eu, responde ele «Talvez se arrependa», pensei «Estou feito...», mas enfim, ossos do ofício, o oposto de Angola, onde reinava a absoluta normalidade na cadeia de comando.
Passei a informação sobre o movimento dos capitães e fui cumprir uma curta missão a Lourenço Marques, monitorar um curso de queda livre para civis em aviões FAP,, e depois regressei.
Nomeado comandante da 1.ª CCP, em substituição do meu impagável amigo Capitão Monteiro, avancei com a Companhia para Vila Paiva de Andrade, na Gorongosa.
O 25Abr74 apanhou-me ali, o administrador de Posto trouxe tal notícia ás 5 da tarde, tinha um ar fúnebre... e fúnebres ficaram o comandante do Batalhão do Exército e seus oficiais, que eu ali reforçava, estranhei tal nos meus 26 anos, virgens de políticas.
Reuni a Companhia para informação, informei e terminei com a afirmação da minha profunda e gongórica ignorância política:—
«Agora, com o general Spínola à frente dos destinos do País, vamos fazer a guerra a sério, e vamos acabar com isto, rapidamente.»
Constava-se que o dito cujo general, mais tarde marechal, era um grande cabo de guerra, mas era sobretudo teatro e teatral e nada mais afinal!
Dia 30 de Abril, a minha Companhia saiu para operações, foi emboscada, sofremos um morto, o infeliz e inesquecível Furriel A. Silva, e um ferido grave; era a guerra e a sua lógica de fatalidades; continuámos com a actividade operacional normal.
Entretanto, de Portugal iam chegando notícias do 25Abr, vagas, dispersas.
Um dia os meus alferes e sargentos, urgentes, solicitaram uma reunião comigo e o alferes Ledo, afoito transmontano, perguntou-me:—
«Meu capitão, ouvimos na rádio que vai haver contactos e conversações com a FRELIMO com vista á Independência, assim sendo, a partir de hoje, o senhor explique-nos quais as razões pátrias, para morrerem mais paraquedistas na guerra, como aconteceu ao furriel Silva?»
Triste e crítico, foi dos piores momentos da guerra para mim, de repente e de chofre, sou colocado perante a destruição irreversível do MORAL das tropas portuguesas, quinze dias pós Abril74.
A vontade de combater e morrer em defesa de Portugal, tinha acabado de ser assassinada na alma de todos os militares, paraquedistas ou não, e foi.
Nesses momentos, não há retórica que valha contra os factos e eu disse apenas:—
«Esta Companhia vai continuar a cumprir todas as ordens e missões que recebermos via hierarquia, independentemente de tudo; quando recebermos ordens para terminar a actividade operacional, fá-lo-emos, até lá cumprimos, entendido?!».
Entendido e cumprido religiosamente até à Independência, data em que fui para Angola, voluntariamente.
Mas, a quebra do Moral das tropas espalhou-se Moçambique fora e em Omar, Cabora Bassa, etc… onde militares do Exército, ora entregavam as armas à Frelimo, mal estes apareciam, ora se entregavam a eles próprios.
O caso em Moçambique, duma companhia do Exército sediada no Norte, em Omar, foi o mais brutal, o mais cobarde e traidor de todos os conhecidos.
Em tal caso, 120 militares portugueses pediram à Frelimo por telefone, para virem ao seu quartel para se renderem eles e as armas… a Frelimo veio e prendeu-os a todos, levaram-nos para a Tanzânia, Dar-es-Salam, onde andaram a ser exibidos nas ruas como animais de circo… como derrota de Portugal e a vitória da Frelimo... foram libertados em meados de Setembro.
Foi um incidente pré-planeado pelo PCP e afins mais o MFA, e executado por militares infiltrados naquela companhia com tal propósito, para forçarem a entrega de Moçambique sem pré-condições.
Está aí o relato:—
2 de Agosto de 1974, Tanzânia, Dar-es-Salam, Hotel Kilimanjaro, quarto 602
Neste local decorreu uma reunião, clandestina e ilegal, em que esteve presente um grupo de militares portugueses constituído pelo major Melo Antunes e mais uns poucos elementos do MFA, sem qualquer delegação, autorização e até sem conhecimento do Governo Português ou do Presidente da República; representavam apenas o MFA.
Foi este grupo clandestino de militares do MFA, que estabeleceu os termos irreversíveis do posterior acordo de Lusaka para a Independência de Moçambique, contra aquilo que o Presidente da República tinha determinado, e colocou Portugal perante um facto consumado sem saída e, fê-lo intencionalmente.
A reunião começou com Samora Machel a dizer:—
«E agora oiçam esta gravação…»
Samora sabia que aquilo que se ia ouvir forçaria os termos do acordo de Lusaka em 07 Set 75.
No gravador começa a rodar a cassete, e ouvem-se vozes, vozes em português.
Vozes que se identificam como sendo de militares portugueses, colocados numa base situada no Norte de Moçambique, junto à fronteira com a Tanzânia, a Base do Exército em Omar.
À medida que a cassete avança o constrangimento entre os MFA´s que representaram ilegalmente Portugal cresceu:
Frelimo:
— «Vocês quem são? (Veio a identificação.)
— E querem entregar-se porquê?
Militares de Omar:
— Porque é hoje o dia! Porque vocês são os libertadores da nossa Pátria! Queremos entregar-vos as nossas armas!
«Os vivas à Frelimo repetem-se!»
O comandante Almeida e Costa, presente nesta reunião, recordou que Melo Antunes se levantou e desabafou:—
«Merda, assim não se pode fazer nada».
Foi teatro, ele sabia de tudo, foi por isso que lá foi clandestinamente, o caso de Omar serviu apenas para justificar em Portugal as cedências à URSS / Frelimo e para isso o planearam e executaram:—
Este encontro que começou a 31 de Julho de 1974, em Dar-es-Salam, estava inquinado desde o princípio.
No seu livro, «País sem Rumo», o gneral Spínola afirmou que tal encontro decorreu sem a sua autorização e sem o seu conhecimento, enquanto Presidente de Portugal, dizendo:—
«O major Melo Antunes, então ministro sem Pasta, deslocou-se, sem meu conhecimento, a Dar-es-Salam para, à margem de qualquer política concertada com a Presidência da República ou com os ministros dos Negócios Estrangeiros [Mário Soares] e da Coordenação Interterritorial [Almeida Santos], estabelecer um plano de entrega de Moçambique à Frelimo, plano que viria a concretizar-se numa proposta inicial a que ele desde logo aderiu e que representava a abdicação total perante o inimigo por nós próprios tornado poderoso.»
Na reunião seguinte, essa autorizada pelo Presidente da República, que teve lugar logo em 15 de Agosto, em Dar-es-Salam, Almeida Santos refere que Spínola exigiu que a delegação da Frelimo apresentasse desculpas à delegação portuguesa por aquilo que sucedera em Omar, como condição para se iniciarem conversações.
E aqui temos mais um relato, que confirma a miséria de Omar, este feito por Almeida Santos:—
«Assim fizemos. Mas, com surpresa nossa, Samora Machel começou por pretender desconhecer do que estávamos a falar»:
Samora Machel:
— Emboscada de Omar?! Uma Companhia aprisionada?
Por fim fez-se luz no seu espírito:
Samora Machel:
— O quê? Aquela «entrega» dos vossos soldados?
E voltando-se para um qualquer assessor da sua delegação:
– Traz a cassete…«Cassete?
Íamos de surpresa em surpresa.
Mas a verdade é que a misteriosa cassete veio, foi por nós ouvida, e ouvi-la ficou a constituir uma das maiores humilhações porque terá passado a delegação de um país.
O que nós ouvimos foi o registo sonoro de uma «entrega», não apenas voluntária, mas insistentemente solicitada.»
Frelimo:
— Vocês quem são? (Veio a identificação.)
— E querem entregar-se porquê?
Militares portugueses:
— Porque é hoje o dia! Porque vocês são os libertadores da nossa Pátria! Queremos entregar-vos as nossas armas!
Almeida Santos:
— Não garanto a exactidão das palavras – cito de memória –, mas asseguro o sentido delas.
Seguiram-se os abraços, o «pega lá a minha arma, meu irmão», etc., etc.
É claro que não havia lugar a exigência de desculpas. Limitámo-nos a pedir uma cópia da cassete para em Lisboa documentarmos isso mesmo.
Foi, pois, este major Melo Antunes o 1.º responsável do processo descolonizador de Moçambique tal como decorreu, ao arrepio do Governo e do Presidente da Republica General Spínola e exclusivamente pró URSS.
Foram incontáveis os casos de cobardia induzida e humilhação Pátria, indescritíveis, recordo um Pelotão do Exército que içava a bandeira nacional, Fingoé, se não me engano, apareceu a Frelimo, esta exigiu que a bandeira fosse retirada, calcaram-na, rasgaram-na e levaram as armas; reacção dos militares, zero, demissão total.
Várias unidades do Exército, manipuladas por agitadores intestinos politizados, fugiram e abandonaram os aquartelamentos… outros prenderam os comandantes que pretendiam continuar a presença de Portugal com um mínimo de dignidade.
Em 14 anos de guerras nada disto acontecera; foi consequência única, exclusiva e imediata da quebra do Moral e da infiltração nos batalhões do Exército de submarinos treinados do PCP, com estas instruções de rendição.
Os mesmos heróis revolucionários que, como o major Melo Antunes, premeditadamente tinham colocado as intenções de descolonizar nos média, e que, consequentemente, provocaram a quebra total do Moral das tropas, usaram depois esses casos como o de Omar e outros por eles provocados e até dirigidos, para alegarem que o Exército Português estava derrotado e destroçado, sem vontade de combater e justificaram assim a urgência da descolonização, que foi uma mera fuga, ordenada pela URSS, via seus acólitos políticos em Portugal e não só.
Tudo foi cientificamente planeado e executado; 500 anos de História e o sacrifício e trabalho de milhões de gerações de portugueses, foram-se nos ventos da revolução, num ano e meio.
O descolonizador chefe foi de facto o major Melo Antunes, apoiado pelo MFA e com a autoridade e a força de ser o testa de ferro do PCP dentro do MFA, era tido como pessoa culta e inteligente... mais tarde disse da descolonização:—
«Foi a descolonização possível… a melhor possível».
Hipocritamente tinha sido ele que, politica e militarmente, dirigido pelo PCP, mais fez para criar as condições para que assim fosse.
Mas culpabilizou as políticas e as forças armadas, acusando-as de estarem desmoralizadas, derrotadas e como tal, houve que «Descolonizar em força e já!» avaliou-as por si próprio, amedrontado e etilizado lá por Ninda em 70, como eu o vi.
Foi assim o inicio da descolonização que eu vivi, no terreno onde aconteceu.
Como militar, tinha aprendido nos bancos da Academia Militar, que o Homem e o seu Moral, eram as armas fundamentais e a espinha dorsal de qualquer exército e que sem elas, nada feito.
Mas só face ás circunstâncias concretas se percebe a dimensão de tal verdade.
José Luiz da Costa Sousa.
Capitão Paraquedista
sábado, 10 de fevereiro de 2018
Chefes das Forças Armadas protestam para exigir mais efectivos
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| Segundo os chefes das Forças Armadas portuguesas, apesar da entrada de 200 novos elementos, há uma diminuição de cerca de 400 efectivos na globalidade das Forças Armadas face a 2015 | DR |
Lusa, 3 de Fevereiro de 2018
Os quatro chefes das Forças Armadas portuguesas fizeram um protesto formal ao ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, por considerarem insuficiente o aumento de 200 efectivos previsto para este ano, noticia hoje o jornal Expresso.
Na sua edição de hoje, o jornal explica que este «insólito protesto» foi feito através de um memorando após uma reunião do conselho de ministros, no final de Janeiro, assinado pelos generais Pinto Monteiro (chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas), Manuel Teixeira Rolo (chefe do Estado-Maior da Força Aérea), Frederico Rovisco Duarte (chefe de Estado-Maior do Exército) e pelo vice-almirante António Mendes Calado (vice-chefe do Estado-Maior da Armada).
Aludindo à decisão tomada pelo Governo, de recrutar 200 elementos para estas estruturas no âmbito do reforço da prevenção e do combate aos fogos, estes responsáveis consideram no memorando que este número «configura, de algum modo, uma iniquidade relativamente ao crescimento já anunciado para as forças de segurança e outros organismos, em contraste com as carências já conhecidas nas Forças Armadas que, tudo indica, se irão acentuar com saídas de pessoal para ingresso nas forças de segurança».
Segundo os chefes das Forças Armadas portuguesas, apesar da entrada de 200 novos elementos, há uma diminuição de cerca de 400 efectivos na globalidade das Forças Armadas face a 2015, tendo em conta as saídas.
No entender dos responsáveis, tal situação vai exigir mais esforço aos militares no cumprimento das suas missões, sendo também um «acréscimo dos níveis de risco» pela «redução ou cancelamento de missões, além de assumir riscos não negligenciáveis em termo de segurança do pessoal, colectiva e de instalações».
«O presente ajustamento condicionará igualmente a qualidade e quantidade desse reforço, impossibilitará a adequação de necessidades emergentes em áreas específicas, (...) impossibilitará a adequação da situação dos efectivos militares dos quadros permanentes, na situação de activo, a desempenhar funções fora da estrutura orgânica das Forças Armadas», sustentam.
Segundo o jornal, esta iniciativa de protesto é «absolutamente inédita e representa uma forte subida de tom dos militares face ao poder político».
Contactado pelo jornal, o gabinete do ministro da Defesa indica que «caberá a cada um dos chefes militares identificar estas incapacidades e adequar os efectivos às missões que venham a ser classificadas como prioritárias».
A tutela recorda as «dificuldades sentidas» no recrutamento e retenção de elementos, apontando que «a alegada fixação insuficiente no número de efectivos para as Forças Armadas não pode deixar de lado outra realidade».
«Nos últimos anos, nunca foi possível preencher os objectivos do recrutamento (...), qualquer que tenha sido o número de efectivos autorizado», acrescenta.
O Ministério da Defesa assinala ainda que esta é «a primeira vez desde há três anos que o Governo aprovou um aumento relevante do número de efectivos face ao ano anterior», apesar de este acréscimo se justificar pela «participação das Forças Armadas no combate aos incêndios rurais».
O Exército e a Marinha não quiseram comentar, enquanto a Força Aérea não respondeu atempadamente. Por sua vez, o Estado-Maior General das Forças Armadas indicou que o Conselho de Chefes de Estado-Maior foi ouvido para este reajustamento.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
NATO, Guerra Fria, Turquia, Rússia e a Europa. O essencial da entrevista a Jens Stoltenberg
Christopher Marques, RTP, 29 de Janeiro de 2018
O secretário-geral da NATO garante que a organização está pronta para defender qualquer aliado. Em entrevista à RTP, Jens Stoltenberg apresenta a estratégia «dual» da organização para responder a Moscovo: a busca pelo diálogo mas mostrando firmeza contra a ingerência russa, nomeadamente na Crimeia. O responsável garante ainda que os EUA estão empenhados na NATO e elogiam o aumento do investimento em defesa feito por Portugal.
O secretário-geral da NATO considera que o principal desafio da organização é o facto de se enfrentarem actualmente «muitos desafios complexos ao mesmo tempo». Na conversa com o jornalista Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg faz nomeadamente referência aos conflitos que assolam o Norte de África, o Médio Oriente, para além da luta contra o autoproclamado Estado Islâmico.
A estes soma-se o papel «mais assertivo a leste» que a Rússia vai assumindo, as ameaças cibernéticas e o desenvolvimento do poderio nuclear da Coreia do Norte. «Há muitos desafios ao mesmo tempo e daí que a NATO esteja a adaptar-se, a mudar e implementar a maior adaptação na NATO desde o fim da Guerra Fria», explica o responsável máximo da organização.
Jens Stoltenberg lidera desde 2014 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), a aliança militar que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, num período em que o mundo se dividia entre pró-russos e pró-americanos.
O mundo mudou. O muro de Berlim caiu e o ocidente aproximou-se da Rússia, já depois da queda da União Soviética. A aproximação inverteu-se nos últimos anos, com as relações entre o bloco ocidental e a Rússia a deteriorarem-se.
Na conversa com Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg rejeita que a NATO esteja a enfatizar a tensão com a Rússia na Europa de Leste, recordando o papel da Aliança Atlântica no combate ao terrorismo, nomeadamente a «maior operação militar de sempre» da NATO que decorre no Afeganistão.
«Trabalhamos para fazer face aos desafios vindos de leste, mas também de desafios vindos de sul. Além disso, por exemplo, o que fazemos para combater as ameaças cibernéticas não está relacionado com o leste, norte, sul ou ocidente. Está relacionado com o domínio cibernético, algo relevante para todos nós, onde quer que estejamos», sublinha o líder norueguês.
«Não voltámos à guerra fria»
A relação do ocidente com a Rússia tem piorado ao longo dos últimos anos. O ocidente tem acusado a Rússia de realizar ciberataques e campanhas de propaganda nas redes sociais, interferindo mesmo em actos eleitorais. A este conflito virtual com consequências reais soma-se o papel russo no conflito militar ucraniano.
Convidado a adjectivar este novo conflito entre o ocidente e Moscovo, Stoltenberg aponta apenas que a Rússia está «mais assertiva» e a usar «muitas ferramentas diferentes».
«Usaram as forças armadas contra a vizinha Ucrânia mas também na Geórgia. E há muitos relatórios sobre as tentativas da Rússia de interferir em processos políticos domésticos, com propaganda, com desinformação e também com ciberferramentas», confirma o secretário-geral da NATO.
Apesar da tensão com Moscovo, Stoltenberg garante que não se regressou ao período que antecedeu a queda do Muro de Berlim. «Não voltámos à Guerra Fria, mas também não estamos na parceria estratégica que tentámos estabelecer após o final da Guerra Fria», assume.
O líder norueguês considera que esta «parceria estratégica» falhou porque Moscovo «decidiu tentar restabelecer esferas de influência e, de certa forma controlar os seus vizinhos como vimos na Geórgia, Moldávia e na Ucrânia». Uma luta que a NATO promete combater.
«Nunca aceitaremos que uma grande potência como a Rússia tenha o direito de controlar vizinhos ou estabelecer qualquer tipo de esfera de influências», garante, prometendo uma abordagem firme mas que tente reduzir a tensão.
A estratégia com a Rússia
Uma das pedras angulares deste clima de tensão com Moscovo é o conflito ucraniano e a anexação da Crimeia à Federação Russa em 2014. Apesar do conflito, Stoltenberg acredita que é possível «combinar a defesa, dissuasão e diálogo» no que considera ser uma abordagem «dual» com Moscovo.
«A Rússia é nossa vizinha. A Rússia está cá para ficar. Não queremos uma nova Guerra Fria, não queremos uma nova corrida ao armamento. Temos de ser firmes quando a Rússia emprega a força contra um vizinho, como fez com a Ucrânia. A Rússia tem de perceber que não pode fazer nada semelhante a qualquer aliado da NATO, esteja onde estiver. Mas também queremos ter um diálogo significativo com a Rússia», explica.
É com este diálogo em vista que Stoltenberg recorda as reuniões do Conselho NATO/Rússia que tiveram já lugar. Apesar de ainda terem ocorrido poucos encontros, o dirigente da Aliança Atlântica enfatiza a existência de «um diálogo com a Rússia» onde se falam precisamente de questões como a Ucrânia.
Para o responsável, é necessário enviar uma «mensagem clara à Rússia»: «a forma como se comportou na Ucrânia, com a violação do direito internacional e da integridade e soberania de uma Nação a quem já tinham garantido as fronteiras antes, tem de ter consequências».
Com o diagnóstico feito, Stoltenberg apresenta o caminho mais rápido para a melhoria das relações entre o ocidente e a regime de Vladimir Putin. «A melhor maneira de melhorar relações entre a NATO e a Rússia é a Rússia deixar de violar o direito internacional. Nós estamos dispostos a trabalhar com eles mas têm de respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os membros, incluindo o Reino Unido», afirma.
Solução para a Ucrânia
O secretário-geral da NATO considera que a solução para o conflito ucraniano não é militar mas política. Na entrevista à RTP, o responsável recorda que «a solução política está nos acordos de Minsk», numa referência ao protocolo assinado em 2014 entre Kiev, Moscovo, Donetsk e Lugansk sob o amparo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
«O que temos visto é que os acordos de Minsk não são cumpridos. Os acordos de Minsk exigem que todas as tropas estrangeiras se retirem da Ucrânia e de Donbass, do leste da Ucrânia. Não é o que acontece. A Rússia continua lá, a apoiar os separatistas, e isso é uma violação clara dos acordos», afirma.
Confrontado com a acusação russa de que há nações ocidentais a vender armamento à Ucrânia, Soltenberg recorda que Kiev é um «governo soberano numa nação soberana» e «tem o direito de comprar armas para se defender».
«A NATO não fornece armas porque não as temos. Mas alguns dos aliados da NATO vendem e fornecem à Ucrânia. A grande diferença é que a Ucrânia tem um governo legítimo em Kiev. A integridade territorial e a soberania da Ucrânia são violadas na Crimeia e no Leste da Ucrânia por forças apoiadas pela Rússia e pela presença das capacidades militares russas», insiste.
Questionado sobre um eventual receio de Moscovo perante a presença de tropas atlânticas no Leste da Europa, Stoltenberg realça que a mobilização só surgiu depois do conflito na Ucrânia. «É uma consequência directa das acções agressivas da Rússia contra a Ucrânia», justifica.
O secretário-geral da NATO rejeita ainda a ideia de que a Rússia tenha receio por estar rodeada por nações da NATO, depois da adesão de países como a Polónia, a Letónia e a Lituânia a partir de 1999.
«São nações soberanas e independentes que decidiram, através de processos democráticos, que queriam aderir à NATO. Não é uma provocação ou uma ameaça para a Rússia. É o resultado de decisões democráticas por nações soberanas», afirma.
«Defender qualquer aliado»
Questionado sobre se a NATO seria capaz de seguir uma estratégia semelhante à adoptada pela Rússia na Crimeia nos países bálticos, Jens Stoltenberg responde positivamente. «A NATO está preparada para defender qualquer aliado contra qualquer ameaça. Esta é a mensagem principal da NATO», recorda.
O ex-primeiro-ministro norueguês lembra que a missão da NATO é «evitar um conflito» e não provocá-lo, mantendo sempre a solidariedade entre Estados-membros: «Um por todos, todos por um».
«Esta ideia de defesa colectiva manteve a paz na Europa durante quase 70 anos, um dos mais longos períodos de paz durante séculos na Europa. Iremos continuar a fazê-lo, evitando e prevenindo conflitos e não provocando-os», assegura.
Investimento em defesa
O secretário-geral da NATO considera que os EUA têm mostrado que «estão empenhados nos laços transatlânticos», assinalando que Washington está mesmo a aumentar a presença militar no continente europeu. «Não são só palavras, são factos», afirma Stoltenberg.
O líder da Aliança Atlântica espera agora que os restantes Estados-membros «cumpram o que decidiram», numa referência ao aumento da despesa com defesa tendo por objectivo os dois por cento do Produto Interno Bruto, uma meta que Portugal – e a maioria dos países – não cumpre actualmente.
«Vejo com bons olhos o facto de Portugal ter acabado com os cortes e começado a aumentar. Depois de anos de cortes nas despesas de segurança, vimos um aumento nos últimos dois anos», afirma.
Stoltenberg vê neste aumento uma «expressão do compromisso de Portugal para com a NATO», mas pede «mais» investimento em defesa. O líder defende que o investimento em defesa deve ser flexível e admite que ele próprio, quando exercia cargos políticos na Noruega, defendeu cortes no passado.
«Tal como reduzimos os gastos com defesa quando as tensões diminuíram, também temos de as aumentar quando as tensões se agravam», justifica.
O secretário-geral da Aliança Atlântica admite ainda que é preciso melhorar a forma como se deslocam meios militares entre Estados-membros na Europa. «Vivemos num ambiente de segurança diferente a que temos de fazer frente», justifica, sem comentar a possível criação de um «espaço Schengen militar».
Turquia tem «direito a defender-se»
Questionado sobre a situação política na Turquia e a sua adequação aos valores da NATO, Stoltenberg recorda a localização estratégica do país e o seu papel «crucial» na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico. «A Turquia sofreu muitos ataques terroristas, mais do que qualquer outro aliado da NATO, e uma tentativa de golpe sangrenta», afirma.
Ancara tem comprado armamento a Moscovo e tem combatido os curdos, que são apoiados por Washington, Londres e Paris. Stoltenberg insiste que a Turquia tem o direito a defender-se mas assinala que deve fazê-lo de «forma proporcional».
O responsável admite ainda que «a indústria de defesa europeia é demasiado fragmentada», com muitos modelos diferentes do mesmo sistema. Por exemplo, há cerca de 20 tipos diferentes de caças. O secretário-geral da NATO assinala que este é um tema sensível, porque está relacionado com empregos em diferentes países.
Jens Stoltenberg acredita que o fortalecimento da cooperação em matéria de defesa na União Europeia irá contribuir para «resolver a fragmentação da indústria europeia de defesa, tornando-a mais competitiva e reduzindo os vários modelos de cada tipo de arma».
VER LINK:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/jens-stoltenberg-a-rtp-a-entrevista-na-integra_v1055056
O secretário-geral da NATO considera que o principal desafio da organização é o facto de se enfrentarem actualmente «muitos desafios complexos ao mesmo tempo». Na conversa com o jornalista Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg faz nomeadamente referência aos conflitos que assolam o Norte de África, o Médio Oriente, para além da luta contra o autoproclamado Estado Islâmico.
A estes soma-se o papel «mais assertivo a leste» que a Rússia vai assumindo, as ameaças cibernéticas e o desenvolvimento do poderio nuclear da Coreia do Norte. «Há muitos desafios ao mesmo tempo e daí que a NATO esteja a adaptar-se, a mudar e implementar a maior adaptação na NATO desde o fim da Guerra Fria», explica o responsável máximo da organização.
Jens Stoltenberg lidera desde 2014 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), a aliança militar que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial, num período em que o mundo se dividia entre pró-russos e pró-americanos.
O mundo mudou. O muro de Berlim caiu e o ocidente aproximou-se da Rússia, já depois da queda da União Soviética. A aproximação inverteu-se nos últimos anos, com as relações entre o bloco ocidental e a Rússia a deteriorarem-se.
Na conversa com Paulo Dentinho, Jens Stoltenberg rejeita que a NATO esteja a enfatizar a tensão com a Rússia na Europa de Leste, recordando o papel da Aliança Atlântica no combate ao terrorismo, nomeadamente a «maior operação militar de sempre» da NATO que decorre no Afeganistão.
«Trabalhamos para fazer face aos desafios vindos de leste, mas também de desafios vindos de sul. Além disso, por exemplo, o que fazemos para combater as ameaças cibernéticas não está relacionado com o leste, norte, sul ou ocidente. Está relacionado com o domínio cibernético, algo relevante para todos nós, onde quer que estejamos», sublinha o líder norueguês.
«Não voltámos à guerra fria»
A relação do ocidente com a Rússia tem piorado ao longo dos últimos anos. O ocidente tem acusado a Rússia de realizar ciberataques e campanhas de propaganda nas redes sociais, interferindo mesmo em actos eleitorais. A este conflito virtual com consequências reais soma-se o papel russo no conflito militar ucraniano.
Convidado a adjectivar este novo conflito entre o ocidente e Moscovo, Stoltenberg aponta apenas que a Rússia está «mais assertiva» e a usar «muitas ferramentas diferentes».
«Usaram as forças armadas contra a vizinha Ucrânia mas também na Geórgia. E há muitos relatórios sobre as tentativas da Rússia de interferir em processos políticos domésticos, com propaganda, com desinformação e também com ciberferramentas», confirma o secretário-geral da NATO.
Apesar da tensão com Moscovo, Stoltenberg garante que não se regressou ao período que antecedeu a queda do Muro de Berlim. «Não voltámos à Guerra Fria, mas também não estamos na parceria estratégica que tentámos estabelecer após o final da Guerra Fria», assume.
O líder norueguês considera que esta «parceria estratégica» falhou porque Moscovo «decidiu tentar restabelecer esferas de influência e, de certa forma controlar os seus vizinhos como vimos na Geórgia, Moldávia e na Ucrânia». Uma luta que a NATO promete combater.
«Nunca aceitaremos que uma grande potência como a Rússia tenha o direito de controlar vizinhos ou estabelecer qualquer tipo de esfera de influências», garante, prometendo uma abordagem firme mas que tente reduzir a tensão.
A estratégia com a Rússia
Uma das pedras angulares deste clima de tensão com Moscovo é o conflito ucraniano e a anexação da Crimeia à Federação Russa em 2014. Apesar do conflito, Stoltenberg acredita que é possível «combinar a defesa, dissuasão e diálogo» no que considera ser uma abordagem «dual» com Moscovo.
«A Rússia é nossa vizinha. A Rússia está cá para ficar. Não queremos uma nova Guerra Fria, não queremos uma nova corrida ao armamento. Temos de ser firmes quando a Rússia emprega a força contra um vizinho, como fez com a Ucrânia. A Rússia tem de perceber que não pode fazer nada semelhante a qualquer aliado da NATO, esteja onde estiver. Mas também queremos ter um diálogo significativo com a Rússia», explica.
É com este diálogo em vista que Stoltenberg recorda as reuniões do Conselho NATO/Rússia que tiveram já lugar. Apesar de ainda terem ocorrido poucos encontros, o dirigente da Aliança Atlântica enfatiza a existência de «um diálogo com a Rússia» onde se falam precisamente de questões como a Ucrânia.
Para o responsável, é necessário enviar uma «mensagem clara à Rússia»: «a forma como se comportou na Ucrânia, com a violação do direito internacional e da integridade e soberania de uma Nação a quem já tinham garantido as fronteiras antes, tem de ter consequências».
Com o diagnóstico feito, Stoltenberg apresenta o caminho mais rápido para a melhoria das relações entre o ocidente e a regime de Vladimir Putin. «A melhor maneira de melhorar relações entre a NATO e a Rússia é a Rússia deixar de violar o direito internacional. Nós estamos dispostos a trabalhar com eles mas têm de respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os membros, incluindo o Reino Unido», afirma.
Solução para a Ucrânia
O secretário-geral da NATO considera que a solução para o conflito ucraniano não é militar mas política. Na entrevista à RTP, o responsável recorda que «a solução política está nos acordos de Minsk», numa referência ao protocolo assinado em 2014 entre Kiev, Moscovo, Donetsk e Lugansk sob o amparo da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
«O que temos visto é que os acordos de Minsk não são cumpridos. Os acordos de Minsk exigem que todas as tropas estrangeiras se retirem da Ucrânia e de Donbass, do leste da Ucrânia. Não é o que acontece. A Rússia continua lá, a apoiar os separatistas, e isso é uma violação clara dos acordos», afirma.
Confrontado com a acusação russa de que há nações ocidentais a vender armamento à Ucrânia, Soltenberg recorda que Kiev é um «governo soberano numa nação soberana» e «tem o direito de comprar armas para se defender».
«A NATO não fornece armas porque não as temos. Mas alguns dos aliados da NATO vendem e fornecem à Ucrânia. A grande diferença é que a Ucrânia tem um governo legítimo em Kiev. A integridade territorial e a soberania da Ucrânia são violadas na Crimeia e no Leste da Ucrânia por forças apoiadas pela Rússia e pela presença das capacidades militares russas», insiste.
Questionado sobre um eventual receio de Moscovo perante a presença de tropas atlânticas no Leste da Europa, Stoltenberg realça que a mobilização só surgiu depois do conflito na Ucrânia. «É uma consequência directa das acções agressivas da Rússia contra a Ucrânia», justifica.
O secretário-geral da NATO rejeita ainda a ideia de que a Rússia tenha receio por estar rodeada por nações da NATO, depois da adesão de países como a Polónia, a Letónia e a Lituânia a partir de 1999.
«São nações soberanas e independentes que decidiram, através de processos democráticos, que queriam aderir à NATO. Não é uma provocação ou uma ameaça para a Rússia. É o resultado de decisões democráticas por nações soberanas», afirma.
«Defender qualquer aliado»
Questionado sobre se a NATO seria capaz de seguir uma estratégia semelhante à adoptada pela Rússia na Crimeia nos países bálticos, Jens Stoltenberg responde positivamente. «A NATO está preparada para defender qualquer aliado contra qualquer ameaça. Esta é a mensagem principal da NATO», recorda.
O ex-primeiro-ministro norueguês lembra que a missão da NATO é «evitar um conflito» e não provocá-lo, mantendo sempre a solidariedade entre Estados-membros: «Um por todos, todos por um».
«Esta ideia de defesa colectiva manteve a paz na Europa durante quase 70 anos, um dos mais longos períodos de paz durante séculos na Europa. Iremos continuar a fazê-lo, evitando e prevenindo conflitos e não provocando-os», assegura.
Investimento em defesa
O secretário-geral da NATO considera que os EUA têm mostrado que «estão empenhados nos laços transatlânticos», assinalando que Washington está mesmo a aumentar a presença militar no continente europeu. «Não são só palavras, são factos», afirma Stoltenberg.
O líder da Aliança Atlântica espera agora que os restantes Estados-membros «cumpram o que decidiram», numa referência ao aumento da despesa com defesa tendo por objectivo os dois por cento do Produto Interno Bruto, uma meta que Portugal – e a maioria dos países – não cumpre actualmente.
«Vejo com bons olhos o facto de Portugal ter acabado com os cortes e começado a aumentar. Depois de anos de cortes nas despesas de segurança, vimos um aumento nos últimos dois anos», afirma.
Stoltenberg vê neste aumento uma «expressão do compromisso de Portugal para com a NATO», mas pede «mais» investimento em defesa. O líder defende que o investimento em defesa deve ser flexível e admite que ele próprio, quando exercia cargos políticos na Noruega, defendeu cortes no passado.
«Tal como reduzimos os gastos com defesa quando as tensões diminuíram, também temos de as aumentar quando as tensões se agravam», justifica.
O secretário-geral da Aliança Atlântica admite ainda que é preciso melhorar a forma como se deslocam meios militares entre Estados-membros na Europa. «Vivemos num ambiente de segurança diferente a que temos de fazer frente», justifica, sem comentar a possível criação de um «espaço Schengen militar».
Turquia tem «direito a defender-se»
Questionado sobre a situação política na Turquia e a sua adequação aos valores da NATO, Stoltenberg recorda a localização estratégica do país e o seu papel «crucial» na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico. «A Turquia sofreu muitos ataques terroristas, mais do que qualquer outro aliado da NATO, e uma tentativa de golpe sangrenta», afirma.
Ancara tem comprado armamento a Moscovo e tem combatido os curdos, que são apoiados por Washington, Londres e Paris. Stoltenberg insiste que a Turquia tem o direito a defender-se mas assinala que deve fazê-lo de «forma proporcional».
O responsável admite ainda que «a indústria de defesa europeia é demasiado fragmentada», com muitos modelos diferentes do mesmo sistema. Por exemplo, há cerca de 20 tipos diferentes de caças. O secretário-geral da NATO assinala que este é um tema sensível, porque está relacionado com empregos em diferentes países.
Jens Stoltenberg acredita que o fortalecimento da cooperação em matéria de defesa na União Europeia irá contribuir para «resolver a fragmentação da indústria europeia de defesa, tornando-a mais competitiva e reduzindo os vários modelos de cada tipo de arma».
VER LINK:
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/jens-stoltenberg-a-rtp-a-entrevista-na-integra_v1055056
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