Luís Lemos
Segundo a esforçada repórter Aura Miguel da
(in)coerente Rádio Renascença, o cardeal Francesco Coccopalmerio falou
sobre matrimónio no Sínodo da Família, que decorre no Vaticano. E, muito
tolerantemente, declarou:
«Temos de ser honestos e dizer: para
nós – e não é só para a Igreja Católica, penso que é para a
cultura humana em geral – o casamento é entre um homem e uma mulher.»
Até aqui, tudo bem.
E depois acrescenta este senhor, que é, nada mais,
nada menos, o Presidente do Conselho Pontifício para os Textos
Legislativos:
«... em relação aos casais homossexuais, não os julgamos, mas nunca, em absoluto,
podemos equipará-los a um matrimónio, por motivos lógicos e de identidade. E
também não os abençoamos, porque não
podemos dizer que seja uma coisa boa».
Eis a lógica do senhor cardeal: não os julga; mas
depois não pode dizer que seja uma coisa boa. Afinal,
julga ou não julga? Ser neutra neste caso não implicará já um julgamento?!
O verbo julgar tornou-se um tabu.
Ou, melhor, recusar julgar tornou-se uma arma do relativismo.
Em resumo, segundo o perspicaz cardeal, a Igreja
deve ser neutra em relação ao assunto dos chamados
«casamentos» entre os invertidos. O distanciamento da Igreja apenas se deve
limitar a colocar aspas na palavra. Por enquanto.
A estas incoerências segue-se nas suas
declarações uma suposta e genérica defesa dos valores da Civilização
cristã. Ora bem. Isto, no seu conjunto e concretamente, será
realmente a defesa da Civilização cristã ou a capitulação perante as forças que
pretendem destruí-la?
Claro que dizemos capitulação partindo
do princípio de que esta desastrosa estratégia seria fruto apenas de insanidade
mental ou cobardia. A alternativa é maquinação.
«Temos de ser honestos» na
análise – diz o cinzentão
cardeal... Força, cardeal! Honestidade para a frente!
Sem comentários:
Enviar um comentário