BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

sexta-feira, 18 de março de 2016


Activistas dos invertidos pretendem proibir

o filme «Pink» que descreve o sofrimento

das crianças por eles adoptadas



México, 11 de Março, de 2016 (LifeSiteNews) – Uma nova imagem exibida nos cinemas mexicanos está revelando pela primeira vez ao público para uma representação implacavelmente realista dos perigos e danos sofridos por crianças adoptadas por casais homossexuais.

Pink: Não é o que eles dizem que é, que se estreou no Duzentas Telas neste fim-de-semana na cadeia Cinemex de teatros, é a história de um casal homossexual que adoptou um menino expondo-o inevitavelmente ao caos e confusão gerada pelo seu estilo de vida promíscuo.

Retrato intransigente do filme da subcultura gay tem provocado protestos dos activistas homossexuais no México, que pediram às autoridades governamentais para proibir a exibição do filme nos cinemas do país.

O Conselho Nacional para a Prevenção da Discriminação (Copred) do governo federal, inicialmente, recusou-se a agir, mas agora o seu secretário pediu para aumentar a classificação do filme para outro mais restritivo (que é actualmente acessível para aqueles que tenham idade igual ou superior aos 15 anos). Pediu também para que a indústria do cinema elimine os «estereótipos, preconceitos e estigmas» associados às «famílias» homossexuais.

O «casamento» homossexual e a adopção são legais na capital do país, Cidade do México, há vários anos, e o Supremo Tribunal está gradualmente a tentar impor a redefinição do casamento em todo o país, apesar dos protestos das pessoas e a resistência dos legisladores estaduais. A grande maioria dos mexicanos continua a opor-se à adopção por homossexuais.

Confusão e tristeza

Pink oferece um sincero exame das consequências sociais, psicológicos e espirituais da exposição de uma criança para a homossexualidade.

«Porque é que todas as crianças têm um pai e uma mãe, e eu tenho dois pais?» o menino adoptado, em lágrimas, interroga o seu «pai»  homossexual numa cena de uma passagem do filme.

A criança adoptada começa a sentir confusão sobre a sua identidade sexual e como ele é repetidamente exposto à influência lasciva e perigosa de uma grande variedade de personagens bizarras típicas da subcultura homossexual. Ele encoraja um amigo para abraçar as suas próprias formas cada vez mais afeminadas desse comportamento. Ele também sofre de chacota e rejeição social dos seus colegas de escola.

O casal homossexual encontra vários cristãos que intransigentemente se opõem à sua relação e procuram convertê-los.

«Como é terrível que as crianças cresçam com os homossexuais. Elas vão crescer com tendências [homossexuais]», observa uma. Outra diz a um membro do par que os seus actos sexuais com o seu namorado são «não-naturais» e pergunta se ele está realmente feliz.

Um membro do par, em última análise arrepende-se depois de ler a Bíblia e rejeita o homossexualismo, enquanto que o outro não ficando contagiado com HIV (SIDA).

Produtor responde às críticas

O filme tem sido criticado por baixos padrões cinemáticos e representações exageradas de homossexuais ultra-afeminados. Foi produzido com um orçamento de cerca de meio milhão de dólares por um cineasta evangélico Francisco del Toro, um ex-actor e evangélico protestante que já fez filmes sobre uma variedade de temas, incluindo a toxicodependência, os danos causados ​​por práticas ocultas e dedicação à família.

Del Toro tem rebatido acusações de «homofobia» feitas contra ele por activistas homossexuais.

«As crianças não devem ser troféus para o movimento gay. Os interesses da criança devem prevalecer na adopção», disse o cineasta numa entrevista recente.

A respeito da sua representação de uma criança seguindo os seus «pais» homossexuais no seu estilo de vida gay, Del Toro observou que «uma criança absorve o comportamento e costumes da casa como uma esponja, e se não acredita nisso, explique-me porque há famílias que durante gerações têm sido sequestradores ou ladrões de bancos».

Ele negou que o filme é «homofóbico» e incentivou o público a vê-lo por si mesmo, em vez de prestar atenção aos seus detractores.

O retrato do estilo de vida gay em Pink ​​reflete-se em numerosos estudos que estabeleceram altas taxas de promiscuidade e instabilidade nas relações entre homossexuais, que também sofrem uma frequência substancialmente elevada de infecção por HIV, bem como muitos outros distúrbios fisiológicos e psicológicos. Os estudos também indicam que as crianças adoptadas por homossexuais sofrem taxas significativamente mais elevadas de problemas emocionais e de desenvolvimento e têm uma maior taxa de tratamento para problemas de saúde mental.

Pablo Cheng, um famoso actor mexicano e homossexual que interpreta um dos dois homens que adoptam, disse à publicação TV Notas que se opõe à adopção homossexual.

«Acho que estas crianças vão sofrer muitíssimas consequências. Acho que o bullying para as crianças que têm duas mães ou dois pais – terá consequências muito graves. Não interessa como se educa no México ou no mundo nós iremos ser sempre muito criticados por sermos homossexuais», disse ele, e mais tarde acrescentou que as crianças «precisam da presença de um pai e de uma mãe





quarta-feira, 9 de março de 2016


Do género da parvoíce


Inês Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 5 de Março de 2016

A minha filha tem uma voz fininha que até podia achar esganiçada se não estivesse a falar da minha filha. Ela é muito delicada, amua e reclama que é muito sensível. Tem pânico de aranhas e quer ser educadora de infância. Adora vestir-se de princesa e fica horas na casa de banho a pentear-se. Ela e as amigas gostam de brincar aos cabeleireiros e sentam-se nos cantinhos a falar e a rir de tudo e por nada.

A minha filha cresceu com cinco irmãos a infernizar-lhe a vida e ela a vida deles. Ao princípio, quando era mais pequenina, queria ser maria-rapaz já que não podia ser rapaz – uma injustiça. Mas ela combatia a injustiça: batia nos rapazes, gritava mais do que eles e levava uma bola para a escola. E lá ia ela, com a voz esganiçada, medo de aranhas e bola debaixo do braço. Acabou por desistir da bola porque, dizia: tiravam-na dos pés só por ela ser rapariga.

Lá está. Quando a minha filha soube que o último irmão seria rapaz, chorou. Perguntámos pela razão do desgosto, já que ela seria sempre a única menina. Sem concorrência. Mas ela só chorava. Até que gritou: «Eu queria ter uma irmã para poder brincar com coisas de meninas.»

Ups... Mas o que é isto? Isto é sinal de que a minha filha padece de «atitude discriminatória que reforça os estereótipos de género», como diz a secretária de Estado da Igualdade – uma feroz opositora da «prática de dividir brinquedos por sexo». A minha filha discrimina, divide. Ela nunca gostou de carrinhos ou de futebol – coisas de rapazes, diz. E eles? Eles também. Eles, Deus lhes perdoe, não apreciam a Barbie e evitam pintar as unhas.

Só há uma solução para isto: acabar com os Happy Meals discriminatórios – óbvio, o fim da divisão das roupas, das palavras, mães e pais e tudo o que se divida na cabeça da secretária de Estado da Igualdade. Já agora, quando é que escolhem um homem para esta pasta?


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quarta-feira, 2 de março de 2016


A visita do Presidente da República

e as contradições insanáveis


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

O professor Cavaco Silva cumpriu, em final de mandato, uma visita à Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), sita no antigo Palácio dos Almadas, no Rossio de Lisboa. Esta sociedade foi fundada, em 1861, em reacção a um surto de iberismo que, à época conhecia um atrevimento pouco usual.

Congratulámo-nos com a visita da mais alta figura do Estado, ocorrida no passado dia 16 de Fevereiro, já que o político Cavaco Silva nunca se tinha deslocado à SHIP, enquanto nas actuais funções.

A visita honra a SHIP e também honra o Chefe do Estado, pois a casa que o recebeu não é uma casa qualquer: é uma antiga instituição da sociedade portuguesa, com desígnios elevados, pergaminhos obtidos e obra feita.

Obra que, infelizmente, não está acabada e tem muito caminho a fazer pela frente…

A visita e a cerimónia correram bastante bem.

Os discursos foram equilibrados e enxutos.

Quando chegou a vez, do PR chegar à fala – o qual se apresentou anormalmente descontraído e bem – disposto – o fluir do discurso também surtiu bom efeito até chegar à parte em que referiu serem os tempos diferentes dos de 1861 – subentendendo-se que as ameaças estariam esbatidas – e entrando na defesa simultânea da Independência Nacional (que é o objecto estatutário n.º 1 da SHIP) e da União Europeia. Se bem que, no referente a esta última entidade, estivesse longe de tecer os encómios ouvidos durante a sua longa carreira política.

Ora aqui é que os professor Cavaco Silva e o PR Cavaco Silva entraram, ambos, numa contradição insanável.

Em primeiro lugar porque a situação actual sendo diferente da de 1861, é pior, sobretudo no que diz respeito à Espanha e ao iberismo. Muito pior.

Em 1861 houve reacções patrióticas, hoje não há quase nenhumas; em 1861 tínhamos uma fronteira real com a Espanha, hoje essa fronteira está esbatida; naquele tempo vivíamos costas com costas, hoje está tudo misturado; no século XIX, a maior ameaça, a mais visível, era a militar, hoje é fáctica, mas em todos os outros âmbitos ela cresceu desmesuradamente, nomeadamente no campo financeiro.

Em 1861 a Espanha estava em decadência e não pertencia a nenhuma aliança de que nós fossemos parte; hoje é uma média potência com interesses no mundo inteiro e está em todas as alianças, à excepção da Aliança Inglesa, onde nós estamos. Aliança que o Estado português há muito despreza, ao ponto de nem no Conceito Estratégico de Defesa Nacional nem no Conceito Estratégico Militar, a ela se faça sequer uma referência.

Estando o ponto ilustrado, não nos vamos estender mais.

O professor Cavaco Silva já certamente aprendeu há muito, que os «Lusíadas» têm 10 Cantos, mas parece que há coisas, por mais anos que permaneça em altos cargos, nunca vai conseguir ou querer aprender.

Em segundo lugar porque a compatibilidade entre a salvaguarda da soberania nacional e a fuga para a frente federativa da UE, é um símbolo de impossibilidade. E o actual PR, que se tem mostrado um adepto dessa tese, tem obrigação de saber isso.

Mas nunca quis, nem o Partido a que sempre pertenceu (já agora, os outros também), alguma vez discutir este grave assunto, nem que fosse pela rama. E nunca quiseram, outrossim, que a população portuguesa se apercebesse das consequências.

Fizeram até, ao tempo do doutor Jorge Sampaio como PR, com o apoio da maioria das forças parlamentares da altura (2004), uma revisão constitucional quase furtiva, em que introduziram um clausulado que nos escraviza às directivas emanadas de Bruxelas!

Ora o interesse português em estar nesta organização europeia indefinida, esgotou-se aquando do Tratado de Maastricht, que entrou em vigor, a 1 de Novembro de 1993 e subsequente adesão ao «Euro», ao qual o nosso país nunca devia ter aderido.

Assinámos aí a nossa certidão de óbito enquanto Estado-Nação.

Aliás a própria revisão constitucional citada, é ela própria, anticonstitucional e inconstitucional…

Anda toda a gente (enfim a minoria que disto tem conhecimento) a assobiar para o lado.

Há quem afirme, e serão a maioria, que a soberania plena, ninguém a tem hoje em dia, muito menos os pequenos países. A soberania é resultado da habilidade que se tem em gerir as diferentes interdependências.

Bom, tal asserção é razoável e factual e é isso que Portugal e os portugueses têm feito, com altos e baixos, desde Afonso Henriques. Até há cerca de 40 anos.

E deixámos de o fazer porque nos abandonámos…

O sentimento de perda, o choque, o corte cerce com o passado e o desvario das paixões foi de tal monta e afectou-nos de tal modo, que ainda hoje não recuperámos.

Destarte, a «elite» política que tem estado à frente dos destinos do país, deixou de querer saber do objectivo nacional histórico permanente, que está à frente de todos, e vem do princípio da nacionalidade, consubstanciado na independência nacional e na defesa da integridade do território e salvaguarda da respectiva população.

Pensaram que Portugal deixou de ter ameaças; abandonaram a política externa em favor do mero exercício das relações internacionais; deixaram cair os reflexos centenários da defesa e segurança e assumiram que a NATO, a ONU e a CEE iriam tratar de nós.

Por isso é que a única coisa consistente, que todos os governos portugueses têm feito desde então, foi o de destruírem todo e qualquer resquício do poder nacional português, de uma forma sistemática!

E foram-se «esquecendo» de diversificar as tais «dependências», colocando os ovos todos na UE.

Ora sem «Poder» efectivo não se pode influenciar coisa alguma, logo não estamos em condições de poder gerir as tais interdependências…

O professor Cavaco Silva adepto confesso, ao que se sabe, da libérrima «Escola de Chicago», foi um dos principais obreiros da destruição dos sectores primário e secundário da nossa economia, apostando tudo no sector terciário, ou seja nos serviços.

E ajudou a permitir que se desregulasse o sistema financeiro e a banca, na onda da mesma escola…

Erros dramáticos que, aos poucos, vão ficando claros no horizonte nacional.

O político Cavaco Silva, que teve aquela infeliz tirada de que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, enganou-se muito e só lhe ficava bem pedir desculpa pelo mal que fez a Portugal, sem embargo de lhe darmos o benefício das boas intenções.

Mas dessas sempre se ouviu dizer que o Inferno está cheia delas.

Esta visita foi praticamente ignorada pela comunicação social, uma prática, aliás, corrente. É claro que não se trata de «censura», mas apenas e somente, de opções de redacções livres e democráticas!

Excepção para uma notícia do jornal «O Público», logo no dia da visita, hábil e manipuladoramente escrita, que mistura factos com opiniões, tendentes a levar o leitor a intuir que a SHIP é uma instituição passadista e ligada ao Estado Novo.

Lembramos ao senhor jornalista que a SHIP já atravessou quatro regimes políticos completamente diferentes uns dos outros e contínua de boa saúde e que o objectivo da sociedade não é defender políticos, políticas ou regimes, mas valores e princípios que se coadunam com a preservação de Portugal como entidade autónoma na comunidade mundial.

E que os termos «Deus, Pátria, Família», que escolheu para destaque, dando-lhe uma conotação negativa, são de sempre, são respeitáveis e são elevados. São, até, naturais e de simples bom senso.

Os cães ladram e a caravana passa.


Nota:

Este escrito apenas vincula a minha pessoa e não qualquer órgão social da SHIP.






De que falamos quando falamos de eutanásia?


Filipe d'Avillez

O que é eutanásia voluntária? E involuntária? Qual é a diferença entre esta e outras práticas médicas como a ortotanásia, a distanásia e os cuidados paliativos? Explicamos estes e outros conceitos na semana em que se instalou o debate sobre a eutanásia.

A palavra eutanásia vem do grego e significa «boa morte». Em termos médicos, contudo, significa pôr termo intencionalmente à vida de uma pessoa, normalmente de alguém que sofre de uma doença incurável ou que está em grave sofrimento.

Há diferentes tipos de eutanásia, conforme envolvem a manifestação de uma vontade da pessoa doente ou em sofrimento, ou não, mas envolve sempre uma segunda pessoa que toma parte no acto, sendo isso que a distingue do suicídio.

A eutanásia é voluntária quando existe um pedido expresso por parte da pessoa para ser morta. É não voluntária quando essa decisão é tomada por outra, normalmente um familiar, porque o doente não tem capacidade para o fazer. Este último tipo não deve ser confundido com eutanásia involuntária, que é o acto de matar alguém doente, que tem capacidade para manifestar a sua vontade mas não o faz, ou porque a opinião não lhe foi solicitada, ou porque não quer morrer.

Há outras situações em que é a própria pessoa que toma a medida que põe fim à sua própria vida, mas fá-lo com a ajuda de outra que, por exemplo, lhe fornece uma dose letal de medicação. Nestes casos não se fala de eutanásia, mas sim de suicídio assistido.

Há ainda uma série de outros termos que frequentemente são confundidos com eutanásia. A palavra ortotanásia significa morte natural e por vezes é utilizada para situações em que são desligados ou retirados os meios extraordinários para manter a vida. O que é coloquialmente designado como «desligar as máquinas», ou o recusar tratamentos que podem curar uma doença ou eventualmente prolongar a vida, não são formas de eutanásia, nem são moralmente equiparáveis.

distanásia é precisamente o contrário da eutanásia. A palavra significa «má morte» e é entendida como o prolongamento de uma vida, por meios artificiais, mesmo quando isso implica sofrimento para o doente. A distanásia é considerada universalmente uma prática médica inadequada.

Nos últimos anos tem-se falado bastante da expressão testamento vital. Também isto não pode ser confundido com eutanásia. O testamento vital é apenas um instrumento jurídico que permite a uma pessoa, em plena possa das suas capacidades, deixar instruções sobre como gostaria de ser tratada caso venha a encontrar-se incapacitada. O que se pede no testamento vital é que pode, ou não, ser polémico. Mas o pedido de não ser prolongada a vida por meios artificiais, quando não existe esperança médica de uma cura ou recuperação de consciência, por exemplo, mais uma vez, não é eutanásia. Naturalmente, enquanto a eutanásia não for uma prática legal em Portugal, não se pode requisitá-la num testamento vital.

Quando se fala de sofrimento em fim de vida, fala-se ainda de cuidados paliativos, os cuidados de saúde prestados a pessoa com doença incurável, avançada e progressiva, com o objectivo de intervir no sofrimento global (físico, psicológico, emocional), independentemente da doença de que sofre e do prognóstico (que pode ser de anos, meses ou semanas). Não se destinam apenas a moribundos e pretendem intervir globalmente no sofrimento, evitando que ele se torne intolerável, e apoiam também a família.

Uma das ferramentas terapêuticas, que não se utiliza como medida de primeira linha mas sim para sintomas que não podem ser tratados de outra forma, é a sedação paliativa.

O que é pedido a todos os profissionais de saúde, nomeadamente aos que trabalham em cuidados paliativos, é que não prolonguem a qualquer custo, nem encurtem, a vida dos doentes, mas sim respeitam a inevitabilidade da morte.





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


A Eslovénia recusa em referendo

o chamado «casamento» entre invertidos



Luís Dufaur

Em Dezembro de 2015, a Eslovénia recusou em referendo a lei que pretendia permitir o «casamento» entre invertidos, noticiou o jornal francês Le Monde.

O referendo foi de iniciativa popular e os eleitores eslovenos rejeitaram a lei, aprovada pelos deputados há dez meses. A maioria vencedora atingiu 63,12% dos votos.

A participação no escrutínio foi fraca (35,65%), mas legalmente suficiente para validar a votação. Os defensores da família natural conseguiram o apoio de pelo menos 370 000 eleitores. Eram necessários 342 000 votos para vetar a lei.

Esta tinha sido aprovada por larga maioria dos deputados do Parlamento, constituída por partidos de esquerda e engrossada pelos representantes do partido centrista que, como é de praxe nessas formações de meio termo, no momento decisivo traem o seu «centrismo», a sua «moderação» ou a «equidistância» e aliam-se à esquerda.

A Eslovénia votou NÃO ao «casamento invertido»
e à adopção de crianças por esses «casais».

O partido centrista é o mesmo do primeiro-ministro Miro Cerar e tinha à sua disposição as alavancas do poder do Estado.

O texto legal, hoje despojado de valor, concedia aos casais invertidos e lésbicos os mesmo direitos dos casais heterossexuais bem constituídos, inclusive o direito de adopção de crianças, um dos pontos mais contestados pela população.

O referendo pôde ser realizado graças às 40 mil assinaturas recolhidas por grupos pela vida pedindo a convocação de uma consulta de iniciativa popular com poder de veto.

A lei não entrou em vigor antes do veredicto popular e hoje encontra-se revogada.

Santuário e castelo de Bled na Eslovénia

Em 2012, numa consulta similar, os eslovenos já tinham dito «não» ao «casamento» sodomítico com uma maioria de 55%.

O país tem dois milhões de habitantes, pertence à União Europeia desde 2004 e é considerado o mais liberal das antigas nações que sofreram a imoral opressão comunista.

Contudo a lei antinatural acabou por ser rejeitada, facto que pressagia recusas análogas ou mais truculentas noutros países eslavos libertados da tirania soviética.





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016


EUTANÁSIA

Morrer


Cristina Líbano Monteiro, professora da Faculdade de Direito de Coimbra

Gostava de morrer quando morrer. Receio dar ordens à morte. E se ela se enganar? E se eu me enganar? E se me faltar tempo? E se cortando a relação com todos ainda me faltar dizer alguma coisa a alguém?

Gostava de morrer como vivi. Com a mesma liberdade, com a mesma teimosia, com a mesma gratidão a quem cuidou de mim.

Gostava de morrer com a mesma liberdade (ou falta dela) com que nasci. Dizem que então chorei e que foi bom tê-lo feito. Dizem que também sofri, pois talvez tendesse a viver para sempre no ambiente fechado em que até então cresci.

Gostava de morrer como nasci. Rodeada do mesmo cuidado. Do mesmo carinho. Como vivi. Procurando beijar as mãos de que tantas vezes dependi. As mãos, os olhos, a atitude dos que, estando perto, me transmitiam certeza, segurança. Me repetiam e me repetem: é bom que existas; é bom que estejas aqui.

Gostava de morrer quando morrer. Receio dar ordens à morte. E se ela se enganar? E se eu me enganar? E se me faltar tempo? Liberdade? E se cortando assim a relação com os outros, com toda a gente, ainda me faltasse dizer alguma coisa a alguém: um pedido, umas palavras de amor, de perdão…? E se rompendo assim a relação comigo própria, não chegasse a encontrar o sentido de tudo isto, da minha vida e da minha morte?

Gostava de morrer quando morrer. Não quero programar o dia em que hão-de chorar por mim. E se não chorarem? E se chorarem pelo abandono a que os votei, não por mim? E as lágrimas forem de quem se dispunha a cuidar-me, tornando-se mais pessoa, mais capaz de sentir o que a une aos outros?

Agarro com as duas mãos, com senhorio, o meu ser em dor. Peço à minha liberdade que me acompanhe até ao fim. Auto-determino-me a morrer quando a morte vier. Quem disse que a dignidade é incompatível com sofrer?

Não permitirei que ninguém me mate. Não sou verso solto. E não quero que por mim, ou seja por quem for, alguns de entre os melhores comecem a desfazer o tecido social, a quebrar os fios da nossa coesão. A vida não é o valor mais alto da existência pessoal: pode dar-se a vida por uma causa, por alguém. Mas a norma das normas, a que estrutura e suporta o viver comunitário, não deve ser tocada e é esta: «não mates outra pessoa».





quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


A adopção («gay») e o engano


Abel Matos Santos, Público, 2 de Fevereiro de 2016

É deplorável, quando estão em causa questões tão cruciais para a família e as crianças, ter de assistir à passividade do centro e da direita.

Chega de ser enganado! Estou cansado de ver mentir sem pudor.

Nesta questão da confirmação parlamentar da lei vetada pelo Presidente da República sobre a adopção por uniões do mesmo sexo, sinto-me cansado, saturado, farto, ao ver o porta-voz do PS a faltar descaradamente à verdade, afirmando que toda a comunidade científica e o mundo inteiro são unânimes na ideia de que é igual para as crianças terem um pai e uma mãe, ou só dois pais, ou só duas mães.

É particularmente chocante e reprovável a falta de honestidade intelectual quando se convoca o testemunho da Ciência. É certo que, infelizmente, a falsidade já se tornou moeda corrente na política; mas não podemos deixar que essa mesma onda contamine a ciência ou a sua citação, cavando o seu descrédito geral.

Percebo porque o povo se distancia do que considera «políticos de pacotilha», ao ouvir-lhes falsidades e vê-los afirmarem todas as inverdades possíveis sobre o tema, apenas para fazerem aprovar derivas ideológicas, usando, neste caso, as crianças e desprezando o seu superior interesse.

A lógica subjacente é apenas a do poder, o poder circunstancial, e não a da razão, a serena e objectiva procura do que está certo. Como a democracia é, formalmente, a aprovação das leis pela maioria, ou seja pelo maior número de votos, mesmo que se aprovem coisas más, acreditam que leis injustas, leis desajustadas ao bem da pessoa humana, estão «legitimadas pela democracia».

Por isso, não hesitam diante de qualquer vulgar técnica de propaganda, mesmo quando estão em causa valores humanos fundamentais e até o bem de crianças desvalidas.

Seria mais correcto que afirmassem claramente aquilo a que vêm: que é uma lei para defender os direitos e os interesses dos homossexuais (ou melhor, da sua linha mais radical) e do lobby LGBTI.

Deviam também dizer, num assomo de seriedade, que é certo que muitos homossexuais são contra esta lei, revelando e publicitando as suas posições e os seus argumentos.

Deviam reconhecer que esta lei diminui os direitos das crianças, em especial o direito natural a terem um pai e uma mãe.

Deviam ter a  hombridade de reconhecer, noutro assomo de seriedade, que os estudos e a comunidade científica não são de todo unânimes e que, por sinal, os principais e mais credíveis estudos indicam que esta lei vai permitir a pior opção quanto às crianças.

Tenham a simplicidade e a objectividade de dizer tudo isto e, depois, em consciência, como agora se usa em política, votem!

Votem e aprovem esta lei, se é mesmo isto que querem impor à sociedade e às crianças confiadas ao poder e aos serviços do Estado (para que delas cuide efectivamente). Mas não confundam a opinião pública, nem enganem os cidadãos menos informados, que não têm acesso aos estudos.

E, por favor, não acusem o Presidente da República, nem acusem o Mark Regnerus, o Paul Sullins, o Loren Marks, o Sarantakos, a Kristin, o Nock, o Colégio Americano de Pediatras, e todos os demais clínicos e investigadores com trabalhos publicados nas melhores academias e revistas científicas, atacando-os e denegrindo-os só por provarem que existem diferenças enormes, significativas, entre ser criado e viver com um pai e uma mãe e o modelo que agora querem aprovar.

Não venham com os argumentos hipócritas de as crianças estarem mal em instituições, porque não estão, desde que as instituições sejam boas. Haverá sempre, infelizmente, crianças em instituições – por isso, é fundamental que o Estado Social (ou também aqui querem destruir o Estado Social?) assegure a existência dessas instituições pelo apoio à livre iniciativa comunitária e garanta que sejam muito boas.

Não me venham também falar das capacidades dos homossexuais cuidarem de crianças porque todos sabemos que não é isso que está em causa – do que se trata é de impor a uma criança, dependente e desvalida, que tenha dois pais (sem mãe) ou duas mães (sem pai).

Certo que é de amor que se trata. É que, quando se ama, queremos o melhor para aqueles que amamos e não para nós próprios – focamo-nos principalmente no outro e não nos centramos sobre o nosso ego.

E o melhor para a criança não é a adopção por pares do mesmo sexo, com imposição da dupla filiação materna ou paterna no registo civil, atropelando o direito à identidade pessoal, um direito humano fundamental de cada um.