BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016


França na iminência do colapso total




Guy Millière, Institute Gatestone, 5 de Dezembro de 2016

Dr. Guy Millière, professor da Universidade de Paris,
é autor de 27 livros sobre a França e a Europa.


A França não percebeu isso naquela época, mas montou uma armadilha para si mesma e a armadilha agora está a começar a disparar.

Nos anos de 1970 os palestinos começaram a usar o terrorismo internacional e a França optou por aceitar esse terrorismo desde que ela não fosse afectada. Ao mesmo tempo a França acolheu a imigração em massa do mundo árabe-muçulmano, evidentemente, como parte do desejo muçulmano de expandir o Islão. A população muçulmana desde então aumentou em número, porém não se assimilou.

Os levantamentos mostram que um terço dos muçulmanos franceses querem a aplicação plena da Lei Islâmica (Sharia). Mostram também que a maioria esmagadora dos muçulmanos franceses apoia a jihad, especialmente a jihad contra Israel, um país que gostariam de ver varrido da face da terra.

«É melhor sair do que fugir.» – Sammy Ghozlan, Presidente da Agência Nacional de Vigilância contra o Anti-semitismo. Depois foi assaltado e o seu carro incendiado. Ele foi embora.

Villiers também menciona a existência de «zonas proibidas» com milhares de armas de guerra. Acrescenta que as armas provavelmente nem sequer serão utilizadas, os islamistas já venceram.

Originalmente os sonhos franceses poderiam ter sido os de desarticular os Estados Unidos como potência mundial, distanciá-lo do acesso ao petróleo barato e aos negócios com países islâmicos ricos em petróleo, além das preces de não terem terrorismo interno.

Em França reina a agitação descontrolada. «Migrantes» que chegam de África e do Médio Oriente semeiam a desordem e a insegurança em inúmeras cidades. O enorme bairro de lata, mais conhecido como a «selva de Calais», acaba de ser desmantelado, no entanto outros bairros de lata aparecem de repente todos os dias. Na zona leste de Paris, as ruas estão cobertas de telhas onduladas, toalhas de plástico ou de outro material e placas desconjuntadas. Violência é o lugar comum. As 572 «zonas proibidas», oficialmente denominadas «áreas urbanas sensíveis», continuam crescendo e os policias que se aproximam delas muitas vezes sofrem as consequências. Recentemente uma viatura da polícia foi emboscada, o veículo foi incendiado e os policias foram impedidos de sair. Se forem atacados, conforme as ordens dos superiores a indicação é fugir em vez de retaliar. Muitos policias, furiosos por terem que se comportar como covardes, organizaram manifestações. Não houve ataques terroristas desde o assassinato de um padre em Saint-Etienne-du-Rouvray em 26 de Julho de 2016, mas os serviços de inteligência sabem que os jihadistas que regressaram do Médio Oriente estão prontos para atacar e que os distúrbios podem explodir em qualquer lugar, a qualquer hora, sob qualquer pretexto.

Apesar de estar sobrecarregado com uma situação interna que mal consegue controlar, ainda assim o governo francês intervém em assuntos mundiais: um «estado palestino» ainda é a principal bandeira, Israel é o seu bode expiatório favorito.

Na Primavera passada, apesar de a França e dos territórios palestinos estarem em péssimo estado, o ministro das Relações Exteriores de França Jean-Marc Ayrault declarou que era «urgente» relançar o «processo de paz» e criar um estado palestino. Por conseguinte, a França convocou uma conferência internacional realizada em Paris em 3 de Junho. Nem Israel nem os palestinos foram convidados. A conferência foi um fracasso. Terminou com uma declaração insípida sobre a «imperiosa necessidade» de «avançar».

A França não parou por aí. O governo então decidiu organizar uma nova conferência em Dezembro. Desta vez juntamente com Israel e os palestinos. O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu observando que Israel não necessita de intermediários recusou o convite. Os líderes palestinos aceitaram-o. Saeb Erekat, porta-voz da Autoridade Palestina congratulou a França acrescentando, o que não é de se estranhar, que foi a Autoridade Palestina que «sugeriu» aos franceses a realização da conferência.

Donald Trump agora é o presidente eleito dos EUA e tudo leva a crer que Newt Gingrich desempenhará um papel-chave na Administração Trump. Gingrich destacou há alguns anos que não existe um povo palestino, acrescentando na semana passada que os ajustamentos não são de modo algum um obstáculo à paz. Sendo assim, ao que tudo indica, a conferência será outro fracasso.

Diplomatas franceses, no entanto, estão elaborando juntamente com funcionários da Autoridade Palestina uma resolução da ONU para reconhecer um estado palestino dentro das «fronteiras de 1967» (as linhas de armistício de 1949), isso sem nenhum tratado de paz. Eles têm aparentemente a esperança de que o presidente dos EUA Barack Obama, ainda no exercício das suas funções, não use o veto americano no Conselho de Segurança, permitindo a aprovação da resolução. Não é possível afirmar se Barack Obama vai querer terminar a sua presidência com um gesto tão flagrantemente traiçoeiro. É quase certo que o gesto francês não vai ter êxito novamente.

Durante muitos anos a França dá a entender ter construído toda a sua política externa em cima do alinhamento com a Organização de Cooperação Islâmica (OIC em inglês): 56 países islâmicos mais os palestinos. Originalmente os sonhos franceses poderiam ter sido os de desarticular os Estados Unidos como potência mundial, distanciá-lo do acesso ao petróleo barato e aos negócios com países islâmicos ricos em petróleo, além das preces de não terem terrorismo interno. Todas as quatro esperanças não deram em nada. É óbvio também que a França tem problemas mais urgentes para resolver.

A França persiste porque está tentando desesperadamente impor limites aos problemas que provavelmente não podem ser resolvidos.

Nos anos de 1950 a França era bem diferente do que é hoje. Era amiga de Israel. A «causa palestina» não existia. A guerra na Argélia estava no auge e a grande maioria dos políticos franceses nem sequer apertaria a mão de terroristas que não se tivessem arrependido dos seus actos.

Tudo isto mudou com o fim da guerra na Argélia. Charles de Gaulle entregou a Argélia a um movimento terrorista chamado Frente de Libertação Nacional. Ele então passou a criar uma reorientação estratégica da política externa da França, inaugurando o que chamou de «política árabe de França

A França assinou acordos comerciais e militares com diversas ditaduras árabes. Para seduzir os seus novos amigos, de maneira ávida, adoptou uma política anti-Israel. Quando na década de 1970, o terrorismo na forma de sequestros de aviões foi inventado pelos palestinos e, com o assassinato dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique em 1972, «os palestinos» de repente tornaram-se uma «causa sagrada» e uma ferramenta útil para alavancar a posição francesa no mundo árabe, a França ao adoptar a «causa», passou a ser inflexivelmente pró-palestina.

Os palestinos começaram a usar o terrorismo internacional e a França optou por aceitar esse terrorismo, desde que não fosse afectada. Ao mesmo tempo a França acolheu a imigração em massa do mundo árabe-muçulmano, evidentemente, como parte do desejo muçulmano de expandir o Islão. A população muçulmana desde então aumentou em número, porém não se assimilou.

A França não percebeu isso naquela época, mas montou uma armadilha para si mesma e a armadilha agora está a começar a disparar.

A população muçulmana de França dá a entender que é antifrancesa em termos judaico-cristãos, valores do Iluminismo e pró-francesa apenas na medida em que a França se curva às exigências do Islão. Não obstante, os muçulmanos de França que também são pró-palestinos, teoricamente não deveria ter havido nenhum problema. Mas a França subestimou os efeitos da ascensão do Islão radical no mundo muçulmano e além dele.

Cada vez mais os muçulmanos franceses se consideram acima de tudo muçulmanos. Muitos afirmam que o Ocidente está em guerra com o Islão, vêem a França e Israel como parte do Ocidente, assim sendo estão em guerra com os dois. Vêem que a França é anti-Israel e pró-Palestina, mas também vêem que vários políticos franceses mantêm laços com Israel, de modo que provavelmente acham que a França não é anti-Israel e pró-Palestina o suficiente.

Eles vêem que a França tolera o terrorismo palestino e parecem não compreender porque é que a França combate o terrorismo islâmico noutros lugares.

Para agradar aos muçulmanos que estão em França, o governo francês pode até acreditar que não há outra escolha senão ser ainda mais pró-palestina e anti-Israel o máximo possível – muito embora, conforme as pesquisas de opinião indicam, esta política é um fracasso estrondoso.

O governo francês, sem dúvida, vê que não tem condições de impedir o que cada vez mais parece ser um desastre iminente. Este desastre já está a ocorrer.

Talvez o actual governo de França ainda alimente a esperança de poder empurrar um pouco com a barriga o desastre e evitar uma guerra civil. Talvez possam ter a esperança de que as «zonas proibidas» não expludam – pelo menos durante o mandato deste governo.

Há hoje em França seis milhões de muçulmanos, 10% da população, e a percentagem está a aumentar. Os levantamentos mostram que um terço dos muçulmanos franceses querem a aplicação plena da Lei Islâmica (Sharia). Também mostram que a maioria esmagadora dos muçulmanos franceses apoia a jihad, especialmente a jihad contra Israel, um país que eles gostariam de ver varrido da face da terra.

A principal organização muçulmana francesa, a União das Organizações Islâmicas de França, é o ramo francês da Irmandade Muçulmana, um movimento que deveria ser incluído na lista das organizações terroristas pelo seu aberto desejo de derrubar governos ocidentais.

A Irmandade Muçulmana é primordialmente financiada pelo Qatar, país que investe intensamente em França – e que conta com a comodidade de ter a sua própria base aérea dos EUA.

Os judeus estão a deixar a França em número recorde e a debandada não pára. Sammy Ghozlan, presidente da Agência Nacional de Vigilância contra o Anti-semitismo, reiterou por muitos anos que: «é melhor sair do que fugir». Foi assaltado. O seu carro foi incendiado. Ele saiu e agora vive em Israel.

O restante da população francesa vê claramente a extrema gravidade do que está a acontecer. Alguns estão furiosos e em estado de revolta, outros parecem resignados esperando o pior: a tomada da Europa pelos islamistas.

As próximas eleições francesas estão programadas para Maio de 2017. O presidente francês François Hollande perdeu toda a credibilidade e não tem nenhuma probabilidade de ser reeleito. Quem chegar ao poder terá uma tarefa difícil.

Ao que tudo indica os franceses perderam a confiança em Nicolas Sarkozy, de modo que provavelmente escolherão entre os candidatos Marine Le Pen, Alain Juppé ou François Fillon.

Marine Le Pen é a candidata da Frente Nacional de extrema-direita.

Alain Juppé é o prefeito de Bordéus e muitas vezes faz campanha na companhia de Tareq Oubrou, imã da cidade. Até recentemente, Tareq Oubrou era membro da Irmandade Muçulmana. Alain Juppé parece acreditar que a presente desordem irá perder força se a França se curvar totalmente ao Islão.

François Fillon, será provavelmente o candidato da direita moderada.

Ele indicou recentemente que «o sectarismo islâmico» cria «problemas em França». 

Ele também destacou que se um estado palestino não for estabelecido brevemente, Israel será «a principal ameaça à paz mundial.»

Há três anos o filósofo francês Alain Finkielkraut publicou o livro: A Identidade Infeliz (L'identité malheureuse), no qual descreve os perigos inerentes à islamização da França e os principais distúrbios que se originam a partir daí. Juppé escolheu um lema de campanha que se destina a contradizer Finkielkraut: «A Identidade Feliz».

Desde a publicação do livro de Alain Finkielkraut, outros livros de carácter pessimista foram publicados e tornaram-se best-sellers em França. Em Outubro de 2014 o colunista Eric Zemmour publicou O Suicídio Francês (Le suicide français). Há poucas semanas publicou outro livro: Um Mandato de Cinco Anos Para Nada (Un quinquennat despeje rien). Descreve o que vê a acontecer com a França: «invasão, colonização, explosão.»

Zemmour define a chegada de milhões de muçulmanos em França nas últimas cinco décadas como uma invasão e a recente chegada de um turbilhão de imigrantes como a continuação daquela invasão. Descreve a criação de «zonas proibidas» como a criação de territórios islâmicos em solo francês e parte integrante de um processo de colonização.

Ele escreve que as erupções de violência que se espalham são sinais de uma explosão iminente, que cedo ou tarde, a revolta vai ganhar terreno.

Outro livro: Os Sinos da Igreja Tocarão Amanhã? (Les cloches sonneront-elles encore demain?), foi publicado recentemente por Philippe de Villiers, ex-membro do governo francês.

Villiers chama a atenção para o desaparecimento de igrejas em França e a sua substituição por mesquitas. Também menciona a existência de «zonas proibidas» com milhares de armas de guerra (fuzis automáticos AK-47, pistolas Tokarev, armas antitanque M80 Zolja, etc). Acrescenta que as armas provavelmente nem sequer serão utilizadas – os islamistas já venceram.

No seu novo livro: Os Sinos da Igreja Tocarão Amanhã?, Philippe de Villiers observa
o desaparecimento de igrejas em França e a sua substituição por mesquitas.
Na foto acima: em 3 de Agosto a polícia francesa retirou à força um padre e a sua congregação
da Igreja de Santa Rita em Paris antes dela ser demolida, conforme estava programado.
A líder da Frente Nacional Marine Le Pen salientou furiosamente:
«e se construíssem estacionamentos no lugar de mesquitas salafistas e não de nossas igrejas?»
(imagem: captura da tela de vídeo RT)

Em 13 de Novembro de 2016 a França assinalou o primeiro aniversário dos ataques de Paris. As placas foram descerradas em todos os lugares onde as pessoas foram mortas.

As placas diziam: «Em memória das vítimas feridas e assassinadas nos ataques». Nenhuma menção foi feita sobre a barbárie jihadista. À noite, a casa de espectáculos Bataclan foi reaberta com um concerto de Sting. A última canção do concerto foi «Insh' Allah»: «se Alá quiser». A direcção do Bataclan não permitiu a entrada de dois membros da banda norte-americana Eagles of Death Metal – que estavam no palco quando o ataque começou. Algumas semanas depois do ataque, Jesse Hughes, vocalista do grupo,  atreveu-se a criticar os muçulmanos que participaram no ataque. O director do Bataclan indicou acerca de Hughes: «há coisas que não dá para perdoar».


Tradução: Joseph Skilnik





domingo, 4 de dezembro de 2016


Anticomunista, graças a Deus




P. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 3 de Dezembro de 2016

Os regimes não se medem pelas suas belezas retóricas mas pelas suas obras. O sonho revolucionário de Fidel, um terrível pesadelo para os cubanos, não o exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo.

Apesar de esperada, a morte de Fidel Castro foi uma notícia surpreendente. Talvez porque a invulgar resistência do ancião guerrilheiro tivesse levado a crer que alcançara, como os antigos deuses, o dom da imortalidade. Mas, humano como era, embora não muito, Fidel também tinha os seus dias contados e, a estas horas, já prestou contas ao Criador. Paz à sua alma e, já agora, à nossa também. A sua morte não significa, para o seu país, o fim do comunismo mas, desaparecido o ditador, está mais próxima a tão desejada libertação de Cuba. Neste sentido, é um sinal de esperança.

Apesar de decorrida uma semana sobre a sua morte, continuam as inevitáveis reacções à sua vida e acção política, em catadupa de declarações mais ou menos hipócritas, ou mais ou menos comprometedoramente envergonhadas. É sabido que, no que se refere aos ditadores falecidos, a esquerda é como aquele detergente que lava duas vezes mais branco. A imprensa, enquanto por um lado diaboliza Adolf Hitler e Augusto Pinochet; pelo outro absolve e idealiza as atrocidades de Che Guevara e de Fidel Castro … enfim, o costume.

Não vale a pena insistir nas atrocidades protagonizadas por Fidel Castro, ou por ele consentidas, porque são já sobejamente conhecidas e foram, em sua vida, denunciadas pelos Repórteres sem Fronteiras (O livro negro de Cuba, prefácio e introdução de José Manuel Fernandes, Aletheia, 2005). Mas vale a pena retirar uma conclusão a que nem todos se atrevem: a natureza essencialmente antidemocrática da ideologia comunista.

Há quem distinga a teoria da prática comunista: desculpam a realidade ditatorial dos regimes comunistas, à conta do alegado altruísmo do marxismo-leninismo. Uma atitude tão incoerente como seria condenar Hitler, mas ressalvando o nacional-socialismo. Os regimes políticos não se medem pelos seus encantos retóricos, mas pelas obras. O indiscutível ideal patriótico de Hitler não o desculpa dos crimes do nazismo, do mesmo modo como o sonho revolucionário de Fidel, que foi um terrível pesadelo para milhares de cubanos, o não exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio.

O nazismo não foi apenas um fracasso político mas, sobretudo, uma aberração ideológica. O comunismo não é apenas uma prática que nunca resultou, nem sequer economicamente, mas também uma ideologia intrinsecamente contrária à liberdade e à dignidade humana. Ou seja, não se pode ser comunista e democrata, nem humanista, como aliás a história não se cansa de provar e a trágica vida de Fidel Castro, mais uma vez, confirmou. Considerar o marxismo-leninismo como um regime democrático é já um embuste da propaganda comunista.

Mas mesmo sabendo, como ninguém minimamente honesto pode hoje ignorar, que o comunismo é uma ideologia per se antidemocrática, poucos são os que ousam dizê-lo. Todos os democratas são unânimes em excluir, em absoluto, qualquer regime fascista ou nazi mas, paradoxalmente, alguns ainda toleram o comunismo, que é analogamente antidemocrático. Ninguém tem qualquer pejo em se afirmar, sem tibiezas, antifascista, mas – muito embora seja evidente que um verdadeiro democrata não pode, sem cair em contradição, deixar de ser anticomunista – poucos são os que têm a coragem de o assumir. Quanto muito, alguns mais afoitos dirão que não são comunistas, ou que são não comunistas, mas não anticomunistas, porque uma tal afirmação parece relevar radicalismo e cheira a extremismo fascista, ou coisa que o valha. Contudo, o mesmo não se verifica quando alguém se define, sem rebuço, como antifascista, ou antinazi…

Marx e Engels invocaram a história como o garante da inevitabilidade das suas previsões políticas e económicas, mas a história não só não confirmou os seus prognósticos como os desmentiu categoricamente. Mais ainda, a história veio dar razão ao juízo profético da Igreja católica que, pela encíclica Qui pluribus, já em 1846 condenou o comunismo, precisamente por ser contrário à liberdade humana, à justiça social e ao bem comum.

Foi pena que o mundo ocidental não tivesse ouvido a voz autorizada do beato Pio IX e de todos os papas que lhe sucederam e que também condenaram, sem cobardes ambiguidades, o comunismo. Se se tivesse feito caso ao magistério da Igreja, hoje ninguém deploraria os muitos milhares de vítimas de meio século de ditadura comunista em Cuba. E, no mundo inteiro, haveria menos cem milhões de vítimas a lamentar.






A BRONCA DAS MESSES DA FORÇA AÉREA


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

«As Instituições do passado não são
boas por serem antigas, mas são
antigas por serem boas.»
Guilherme Koehler

Um caso recente de denúncia de eventual corrupção na aquisição de bens alimentares para abastecer as messes das unidades da Força Aérea, agitou a opinião pública e publicada.

Neste momento existem, ao que se sabe, entre 30 a 40 arguidos, civis e militares, sendo que só se sabe a identidade dos únicos seis militares, para já envolvidos e que estão presos preventivamente.

O que configura, desde logo, alguma estranheza.

Independentemente do desfecho do caso o dano causado na imagem dos militares, em geral, e na da Força Aérea, em particular, e o incómodo que tal causou na generalidade dos mesmos é indesmentível.

Não vale a pena escamotear o óbvio, mesmo sabendo que diariamente vem nos jornais, notícias dos mais variados escândalos, em todos os âmbitos – uma praga que faz parecer que a sociedade portuguesa atravessa há anos (décadas) uma falta de referências morais avassaladora – o que é verdade…

Mas, qualquer coisa que se passe no âmbito militar, por razões que não vou especificar agora, toma sempre proporções inusitadas por mais pequenas que sejam, o que não parece ser, infelizmente, o caso em apreço.

Um primeiro ponto cumpre ilustrar:

A Instituição Militar é indubitavelmente diferente da sociedade civil, pelas suas especificidades próprias e peculiares, mas não está obviamente imune ao que se passa na comunidade à qual pertence e que é suposto defender de qualquer ameaça externa e ser último garante da unidade do Estado e da soberania nacional.

O segundo ponto é o de estranhar, que o processo em causa, apresentado pela generalidade dos «media», como tendo origem numa denúncia anónima feita algures, havendo até, conivência da hierarquia.

Ora o que se passou na realidade, é que a suspeita de que algo não estaria bem foi espoletada numa unidade da Força Aérea, por um subalterno que levou o caso ao comandante e, a partir daqui, foi informada a mais alta hierarquia do Ramo, que denunciou o caso à Polícia Judiciária Militar.

Esta entidade (PJM), que esteve para ser extinta pelo poder político, dois governos atrás, pediu ajuda à PGR e PJ – por manifesta falta de meios – desenvolvendo-se, então, a operação mediática que decorreu perante o nosso olhar televisivo.

Até parece que há quem ande a ver quem se põe mais em bicos dos pés…

Para já não falar na patética e confrangedora qualidade das notícias/reportagens, como a evidenciada por uma jovem jornalista, a qual postada à entrada do Estado-Maior da Força Aérea, afirmava estar junto à porta do Estado-Maior-General das Forças Armadas e atroando o éter com imaginativos envolvimentos de «altas patentes» (o arguido mais graduado detido, é um major).

Os órgãos de comunicação social sofrem de muitos defeitos terríveis (que ninguém com responsabilidades aparenta pretender modificar); vamos ilustrar dois deles que se têm reflectido nas notícias veiculadas sobre este caso.

Um deles é a especulação jornalística.

Por exemplo foi amplamente divulgado que o Estado já teria sido lesado em 10 milhões de euros, no espaço de dois anos.

Umas contas simples desmontam rapidamente a atoarda. Vejamos, o orçamento anual para a alimentação na Força Aérea é inferior a oito milhões de euros (sendo o orçamento uma previsão).[1] A haver tais «desvios», das duas, uma, ou toda a gente passava fome ou não havia ninguém que não estivesse metido no esquema…

O outro comportamento inadmissível é o facto de fazerem entrevistas com pessoas de costas, encapuzadas e com voz destorcida. Tal prática dá direito a tudo, é equivalente a uma carta anónima e indicia práticas delatórias e exercícios inquisitoriais, ao mesmo tempo que se permite a pessoas ignorantes, ressabiadas ou simplesmente mal formadas, vão destilar a sua bílis, com total impunidade.

Escusado será dizer que todo o edifício legal em que se escoram a liberdade de expressão e de imprensa, carece de urgente revisão, sob pena de se continuar a infligir graves danos nas mesmas.

O tipo de problemas apontados, porém, devem ser descobertos e investigados ao nível das Forças Armadas, mas tal desiderato está muito prejudicado pelo facto de terem acabado praticamente com a Justiça Militar (incluindo tribunais) e, totalmente, com o seu foro próprio.

Restam quatro níveis de detecção de problemas como este, como de resto de tudo o que possa correr mal ou vá contra os parâmetros definidos, para as Forças Armadas, apesar de estarem muito debilitados, devido à «erosão» contínua induzida pelos diferentes governos e parlamentos, na Instituição Militar, faz décadas. Mas ainda existem.

Os níveis hierárquicos mencionados são: o nível do comando de unidade; o nível dos comandos funcionais; o nível Inspecção do Ramo, que era até há pouco tempo chefiado por um oficial general de três estrelas e terceira figura da hierarquia – logo a seguir ao Chefe e Vice-Chefe – e que uma das trinta mil «reestruturações» feitas nas últimas décadas degradou para um general de duas estrelas; finalmente existe a Inspecção-Geral de Defesa Nacional com jurisdição sobre todas as estruturas do Ministério da Defesa.

Estes níveis são os necessários e correctos, mas convinha não os degradar, em termos materiais, anímicos, de exemplo, de moral e de estabilidade, a tal ponto que um dia destes pura e simplesmente colapsem.

E desenganem-se também, aqueles que julgam que o controlo por via informática resolve tudo.

Sabe-se desde o tempo do Afonso Henriques, que a aquisição de abastecimentos para os exércitos é sempre um ponto crítico, que exige especial supervisão e cuidado. O que é transversal a todos os exércitos, desde a Antiguidade Clássica…

Por isso a cultura acumulada no exercício do comando tem isso bem presente (ou deve ter) desde tempos imemoriais.

O mesmo se aplica, aliás, a tudo o que envolve «negócio» gerido por humanos, sabendo-se a facilidade com que se pode acabar em corrupção.

Ora o que pode ser preocupante – mesmo tendo em conta que por vezes é difícil descobrir determinadas ocorrências – é que este caso, a confirmar-se, aparenta não ser um caso pontual, mas configura uma organização tipo «associação de malfeitores»

Entretanto esperamos que se faça justiça e quem eventualmente enlameia a Instituição Militar seja punido exemplarmente ou, como se diz na gíria militar, «devidamente beneficiado»…

[1] De notar que este orçamento contempla a «alimentação em espécie»; a «alimentação em dinheiro»; as «rações de combate» e as «rações de voo».




sábado, 3 de dezembro de 2016


Afinal o que aconteceu em Cuba?



Teve o que os outros não tiveram... Fidel Castro!!!

— A primeira nação da América Latina que utilizou máquinas e barcos a vapor foi Cuba em 1829;

— A primeira nação da América Latina e a terceira do mundo (só atrás da Inglaterra e dos EUA) a ter caminho-de-ferro foi Cuba em 1837;

— Foi um cubano quem primeiro aplicou anestesia com éter na América Latina – em 1847;

— Foi lá a primeira demonstração (a nível mundial) de uma indústria movida a electricidade – em Havana – 1877;

— Em 1881, foi um médico cubano, Carlos J. Finlay, que descobriu o agente transmissor da «febre-amarela» e definiu a sua prevenção e tratamento;

— O primeiro sistema eléctrico de iluminação – em toda a América Latina e Espanha – foi instalado em Cuba em 1889;

— Entre 1825 e 1897, 60% a 75% de toda a renda bruta que a Espanha recebeu do exterior, veio de Cuba;

— Antes do final do século XVIII Cuba aboliu as touradas por considerá-las «impopulares ... sanguinárias e abusivas para com os animais»;

— O primeiro «carro eléctrico» que circulou na América Latina foi em Havana em 1900;

— Também em 1900, antes de qualquer outro país da América Latina, foi a Havana que chegou o primeiro automóvel;

— A primeira cidade do mundo a ter telefones com ligação directa (sem necessidade de telefonista) foi Havana em 1906;

— Em 1907 foi estreado, em Havana, o primeiro aparelho de Raios-X... de toda a América Latina;

— Em 19 de Maio de 1913 quem primeiro realizou um vôo em toda a América Latina foram os cubanos Agustin Parla e Rosillo Domingo... entre Cuba e Key West... que durou uma hora e quarenta minutos;

— O primeiro país a conceder o divórcio foi Cuba em 1918;

— O primeiro latino-americano a ganhar um campeonato Mundial de Xadrez foi o cubano José Raúl Capablanca. Ele venceu todos os campeonatos mundiais de 1921 a 1927;

— Em 1922 Cuba foi o segundo país do mundo a abrir uma estação de rádio assim como o primeiro país do mundo a transmitir um concerto de música e a fazer noticiários radiofónicos;

— A primeira locutora de rádio no mundo foi uma cubana: – Esther Perea de la Torre;

— Em 1928 Cuba tinha 61 estações de rádio, 43 delas em Havana, ocupando o quarto lugar no mundo; perdendo apenas para os EUA, Canadá e União Soviética;

— Cuba foi o primeiro do mundo em número de estações por população e área territorial;

— Em 1937 Cuba foi o primeiro país da América Latina a «Decretar» a «jornada de trabalho» de 8 (oito) horas... assim como o «salário mínimo» e a «autonomia universitária»;

— Em 1940 Cuba foi o primeiro país da América Latina a ter um presidente de raça negra... eleito por «sufrágio universal»... por maioria absoluta... quando a maioria da sua população era branca; (Adiantou-se pois em 68 anos aos Estados Unidos;

— Em 1940 Cuba aprovou uma das mais avançadas constituições do mundo;

— Na América Latina foi o primeiro país a conceder o direito de voto às mulheres;... Igualdade de direitos entre os sexos e raças... Bem como o direito das mulheres ao trabalho;

— O movimento «feminista» na América Latina apareceu, pela primeira vez, no final dos anos trinta, em Cuba;... Ele antecipou-se à Espanha em 36 anos... que só veio a conceder às mulheres espanholas o direito de voto... A posse dos seus filhos... Bem como poder obter o passaporte ou ter o direito de abrir uma «conta bancária», sem autorização do marido, depois de 1976;

— Em 1942 um cubano tornou-se o primeiro director musical e também o primeiro a receber a «indicação» para um Óscar; Seu nome ... Ernesto Lecuona;

— O segundo país do mundo a emitir uma transmissão pela TV foi Cuba em 1950;

— As maiores «estrelas» de toda a América «rumaram» a Havana para actuarem nos seus canais de televisão;

— O primeiro hotel a ter «ar condicionado» – em todo o mundo – foi construído em Havana: – Hotel Riviera em 1951;

— O primeiro prédio construído em «betão» armado, em todo o mundo, ficava em Havana: – O Fosca em 1952;

— Em 1954 Cuba tinha uma «cabeça» de gado por habitante; O país ocupava a terceira posição na América Latina (depois da Argentina e Uruguai) no consumo de «carne» por «capita»;

— Em 1955 Cuba é o segundo país da América Latina com a menor taxa de mortalidade infantil (33,4 por mil nascimentos);

— Em 1956 a ONU reconheceu Cuba como o segundo país da América Latina com as «menores» taxas de analfabetismo (apenas 23,6%); As taxas do Haiti... eram de 90% e as de Espanha, El Salvador, Bolívia, Venezuela, Brasil, Peru, Guatemala e República Dominicana eram de 50%;

— Em 1957 a ONU reconheceu Cuba como o «melhor» país da América Latina em número de médicos por habitante (1 por 957 habitantes)... assim como do maior percentual de casas com energia eléctrica, depois do Uruguai, e com o maior número de «calorias» (2 870) ingeridas por capita;

— Em 1958 Cuba é o segundo país do mundo, a emitir a cores, uma transmissão de televisão;

— Em 1956 Cuba era o país da América Latina com maior número de automóveis (160 000 – Um para cada 38 habitantes);

— Em 1958 Cuba era também o país da América Latina com mais eletrodomésticos por mil habitantes e...

— Em 1958 Cuba era o país da América Latina que mais quilómetros ferroviários possuía por KM2;

— Em 1958 Cuba era também o segundo país da América Latina com maior número de «aparelhos de rádio»;

— Ao longo dos anos cinquenta Cuba detinha o segundo e terceiro lugar em «internamentos» hospitalares per capita... na América Latina... à frente da Itália e com mais do dobro que a Espanha;

— Em 1959 Havana era a cidade do mundo com maior número de salas de cinema (358) batendo Nova York e Paris – segundos e terceiros lugares respectivamente;


E... O QUE «ACONTECEU» DEPOIS DE 1959???

....VEIO A «REVOLUÇÃO» FIDELISTA/COMUNISTA

E... NUNCA MAIS LÁ SE «PREGOU UM PREGO»!!!!

...«ISTO É QUE FOI... PROGRESSO»!?!?






quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


CARTA ABERTA AO REI DE ESPANHA


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

Mui Católica Majestade, Filipe VI

Ao pisar de novo a terra da Nação dos Portugueses, iremos recebê-lo com a galhardia da lusa gente, até porque, se está entre nós oficialmente, é porque foi convidado.

Lamentavelmente não temos hoje um Rei com igual majestade para o receber, pois não há nada como os laços telúricos do sangue e da terra, irmanados pelo espirito de servir e na crença do sobrenatural, que nos ultrapassa, para o correcto entendimento e tratamento das coisas e dos homens.

Território de Olivença e seu termo.

Todavia, não lhe irei dispensar as boas vindas.

Tal não tem a ver com as 18 invasões de que já fomos alvo durante uma História que partilhámos como vizinhos – nós também já as retribuímos algumas vezes; tão pouco tem a ver com a má memória que a dinastia (Filipina) – que V. Majestade herdou no nome – por cá deixou para todo o sempre.

Como sabe estamos prestes a comemorar mais um aniversário da sua feliz expulsão, através da aclamação de um Rei natural, num feriado há pouco reposto, que uma decisão política «infeliz», tinha extinguido.

Sabe, por cá sempre tivemos uns quantos compatriotas com responsabilidades, que se distraem das coisas importantes, quiçá fundamentais…

Olivença, no Alentejo.

V. Majestade certamente compreende o que estou a dizer, pois no seu Reino não se pode gabar de estar isento deles, também.

Tão pouco não lhe darei as boas vindas, pela má vizinhança – chamemos-lhe assim – que os governos que os vossos súbditos têm elegido, têm feito àqueles pedaços de terra rodeados de mar, a que chamamos «Ilhas Selvagens».

Espero que o bom senso e a diplomacia vão tratando da questão a contendo.

Castelo de Olivença, mandado construir por D. Dinis.

Também não queremos esquivar-nos a dar-lhe as boas vindas e à senhora sua esposa, por causa do «ataque» à economia e, sobretudo, às finanças portuguesas.

Nesse campo apenas tenho que vos tirar o chapéu, pois estão a fazer, naturalmente, o vosso papel. O problema maior, mais uma vez, é o facto de andar por cá muita gente distraída, para não lhes chamar outras coisas, sabe?

Igreja de Santa Maria Madalena – Olivença.

Não, aquilo que me leva a não lhe dar as boas vindas tem a ver com o facto da Coroa e da República Espanholas, não terem restituído a Portugal a portuguesíssima vila de Olivença e seu termo, que ocupam ilegalmente, «manu militare», desde 1815 (eu diria, desde 1807).

V. Majestade sabe certamente os contornos do caso e tem seguramente à mão, excelentes diplomatas e historiadores que lhe podem dar conta dos pormenores.

Calçada portuguesa, na «Plaza de Espana» – Olivença.

Vou apenas recordar-lhe o que um deles, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Fedrico Trillo Y Figueroa, disse, em 12 de Setembro de 1997, no Mosteiro de Santa Maria de Aguiar (Castelo Rodrigo), nas comemorações dos 700 anos do Tratado de Alcanizes. Disse ele, «Na questão de Olivença a Espanha não tem defesa».

Espero ter ilustrado o ponto.

Porta manuelina nos Paços do Concelho – Olivença.

Se nada mais fizesse, o reinado de Filipe VI, já teria algo importante na balança do «deve e do haver», ao tratar este assunto com deve, e limpava uma nódoa que não ilustra a nobreza dos povos que o ceptro de Castela foi unindo, ao longo dos séculos.

Com este caso resolvido, ou seja pela retrocessão dos cerca de 750 Km2, na modalidade a acordar entre Estados e Nações que se desejam amigas e colaborantes.

Nesse dia eu serei o primeiro a ir esperá-lo, Majestade, e dar-lhe as boas vindas.

E brindarei com um bom vinho de «Rioja» acompanhado de umas «tapas».

Fica prometido.

Deus guarde a V. Majestade.






Porque Cuba se chama Cuba




Heduíno Gomes

D. João II, através de navegações secretas, havia ficado a conhecer a geografia e verificou que o Tratado de Alcáçovas não nos convinha nada...Então, para convencer os reis de Espanha a aceitar o Tratado de Tordesilhas, precisava de fazê-los acreditar que poderiam chegar à Índia navegando para Ocidente.

Tratou pois de enviar o seu primo Salvador Fernandes Zarco como espião junto dos reis de Espanha, e montar assim a primeira grande operação de desinformação à escala global que deixa os especialistas do KGB a léguas de distância...

Salvador Fernandes Zarco era filho de D. Isabel Perestrelo (filha do descobridor da Madeira) e de D. Fernando, Duque de Beja (este era irmão de D. Afonso V, e tio de D. João II, e pai da Rainha D. Leonor e do D. Manuel I). Portanto, Salvador Fernandes Zarco era primo de D. João II e meio-irmão da Rainha D. Leonor e do D. Manuel I.

Então lá vai o Salvador a caminho da corte de Espanha, com as tábuas de Abraão Zacuto no bolso (informação científica altamente secreta que D. João II lhe deu para se orientar correctamente no Atlântico), dizendo ser genovês e chamar-se Cristovão Colon e a vender a ideia de chegar à Índia navegando para Ocidente...



Os reis de Espanha embarcaram na patranha e promoveram a viagem. Salvador Fernandes Zarco regressou da América dizendo que tinha chegado à Índia (é por isso que hoje os índios assim se chamam...) e os reis de Espanha prontificaram-se a assinar o Tratado de Tordesilhas. E assim estariam a enganar um dos nossos maiores de todos os tempos, D. João II... Ah, ah!

Um pormenor interessante. O papa, como mediador na contenda, propôs como linha divisória o meridiano de Cabo Verde. Mas D. João II, que conhecia a geografia e queria sacar o Brasil sem perder o Oriente, exigiu que o meridiano passasse a 370 léguas mais para Oeste... 370! Não eram 300 nem 400!

Nas suas andanças por aquelas bandas da América central, Salvador Fernandes Zarco foi dando como nomes àquelas terras os nomes da sua região natal. Ele nasceu em Faro, pequena aldeia perto da Cuba, no Baixo-Alentejo, a 5 km desta e a 18 km de Beja. Aquela ilha levou com o nome de Cuba e um dos seus locais o nome de Faro.

Eis porque o Castro é de Cuba — e não da Cuba.

É por esta razão que, como se vê no filme 1492, o chamado «Cristovão Colon» (que nunca assinou «Colombo»!), ao regressar da América, antes de ir para Sevilha contar aos reis de Espanha que tinha encontrado a «Índia», vai a Santarém fazer o relatório ao Príncipe Perfeito: missão cumprida!