BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Alemanha, Áustria: Imãs advertem muçulmanos a não se integrarem

Centro Islâmico de Viena.
(Imagem: Zairon/Wikimedia Commons)

Stefan Frank, Gatestone Institute, 3 de Janeiro de 2018


Original em inglês: Germany, Austria:
Imams Warn Muslims Not to Integrate

Tradução: Joseph Skilnik

  • «Enquanto fora da mesquita se conversa muito sobre integração, dentro dela o contrário é pregado. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão...» — Constantin Schreiber, autor de Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.
  • «Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está a pregar o quê naquelas mesquitas». − Necla Kelek, consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, no Allgemeine Zeitung.
Na polémica que gira em torno dos migrantes na Alemanha e na Áustria, nenhum outro termo é usado com mais frequência do que «integração». Contudo, a instituição mais prestigiada por muitos migrantes muçulmanos, via de regra, não colabora muito neste empreendimento e não raramente se opõe a ele, qual seja: a mesquita. Esta é a conclusão de um estudo oficial austríaco, bem como de um levantamento do sector privado realizado por um jornalista alemão.

No final de Setembro, o Austrian Integration Fund (ÖIF), órgão do Ministério das Relações Exteriores, publicou o estudo: «o papel da mesquita no processo de integração». Para efeitos do estudo, funcionários do ÖIF estiveram em dezasseis mesquitas em Viena, participaram em diversos sermões à sexta-feira e conversaram com os imãs em segredo, isto é, quando os imãs se disponibilizavam a conversar, o que amiúde não era o caso. A conclusão, de acordo com o ÖIF, é que apenas duas das associações de mesquitas fomentam a integração dos seus membros. O estudo aplaude uma associação de mesquitas da Bósnia que também dirige um clube de futebol. Durante a conversa, o imã salientou: «qualquer país, como a Áustria por exemplo, tem as suas leis e os seus costumes e não me canso de dizer, é nosso dever religioso respeitar as normas e integrar-se como manda o modelo».

No tocante aos papéis de género, em todas as mesquitas em que estiveram, os autores foram surpreendidos pela quase total ausência de mulheres nas rezas à sexta-feira:

«Apenas três das mesquitas percorridas... proporcionam espaço reservado para as mulheres, reservado e ocupado por elas. Caso haja este tipo de acomodação, a maioria das mesquitas também transforma estes espaços à sexta-feira em lugares para os homens».

Separação por etnia

Salvo raríssimas excepções, as mesquitas de Viena são divididas de acordo com a etnia:

«Há mesquitas turcas, albanesas, bósnias, árabes, paquistanesas e outras, nas quais os sermões são, via de regra, proferidos exclusivamente no respectivo idioma da terra natal. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo o sermão, é traduzido para o idioma alemão».

Portanto as associações de mesquitas são «espaços fechados em termos de etnia e idioma». Esta diferenciação estimula a «integração social num ambiente étnico próprio e, consequentemente, a segmentação étnica». Em oito das dezasseis mesquitas avaliadas, esta propensão é ainda mais reforçada pelo «nacionalismo predominante, flagrantemente difundido».

A mesquita gerida pelo movimento turco Milli Görüs destacou-se pelo alto grau de radicalismo. Milli Görüs é uma das organizações islâmicas da Europa mais influentes e está intimamente ligada ideologicamente ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. De acordo com o estudo, o imã da mesquita de Milli Görüs «defende abertamente o estabelecimento de uma Ummah (nação muçulmana) politicamente unida regida por um califado». Atribui a instabilidade no Islão à fitna («revolta») trazida para a comunidade islâmica de fora para dentro. Segundo os autores do estudo, o imã «vê-se cercado em todo o lado pelos inimigos do Islão que querem impedir a comunidade islâmica de dominar o mundo conforme previsto nas profecias». Nos três serviços religiosos nos quais participámos, o tema crucial era a unidade dos muçulmanos: muçulmanos de um lado, «infiéis» do outro. De acordo com o estudo, algumas das declarações do imã indicaram uma «pesada visão do mundo impulsionada por teorias da conspiração», como por exemplo: «as forças que estão fora da Ummah fizeram tudo o que estava ao seu alcance para minar a percepção da Ummah pela própria Ummah».

A conclusão do estudo assinala:

«Em síntese, poder-se-ia dizer que das dezasseis associações de mesquitas avaliadas neste estudo, com excepção das mesquitas D01 (uma das poucas mesquitas de língua alemã) e B02 (a mesquita da Bósnia mencionada acima), que não promovem diligentemente a integração social dos seus membros. Na melhor das hipóteses não impedem que isso ocorra. Na maioria das vezes têm em si um efeito inibitório no processo de integração».

Conforme a matéria, seis das dezasseis mesquitas avaliadas (37,5%) cortejam «uma política que impede diligentemente a integração dos muçulmanos na sociedade e, até certo ponto, manifestam propensões fundamentalistas». Metade das dezasseis mesquitas examinadas «pregam uma visão do mundo dicotómica, cujo princípio central é a divisão do mundo em muçulmanos de um lado e o restante do outro». Constatou-se que seis das mesquitas praticavam o «enxovalhamento explícito da sociedade ocidental».

Recriminação ao estilo de vida na Alemanha

Observações parecidas foram feitas pelo jornalista alemão Constantin Schreiber que em 2016 passou mais de oito meses a assistir a serviços religiosos à sexta-feira em mesquitas alemãs. Schreiber, fluente em árabe, é conhecido como moderador de programas de televisão em árabe, nos quais explica como funciona a vida na Alemanha aos imigrantes. Publicou as suas experiências nestas mesquitas num livro que esteve na lista dos best sellers na Alemanha durante meses a fio: Dentro do Islão: O que está a ser pregado nas mesquitas da Alemanha.

Schreiber apresentou-se às associações das mesquitas como jornalista, revelando que pretendia escrever um livro de não ficção sobre as mesquitas na Alemanha. Pouquíssimos imãs se dispuseram em aceitar conceder uma entrevista. Numa ocasião, foi informado de que era «proibido» falar com ele. Normalmente os imãs com os quais era permitido conversar não falavam praticamente nada de alemão. «Ao que tudo indica, é possível viver na Alemanha durante anos a fio, com esposa e filhos e sequer ser capaz de falar alemão ao comprar pão», salienta Schreiber.

Um assunto habitual nos sermões que Schreiber assistiu nas mesquitas consistia em recriminações ao estilo de vida na Alemanha.

«Vira e mexe, como acontece na mesquita Al-Furqan (mesquita árabe sunita em Berlim), os muçulmanos parecem estar comprometidos com a ideia de que são uma espécie de comunidade com um destino em comum: 'vocês são a diáspora! Nós somos a diáspora! Eles (alemães) assemelham-se a uma torrente que vos aniquila, que vos destrói e tira de vos os valores e substitui-os pelos valores deles'».

Na mesquita sunita/turca Mehmed Zahid Kotku Tekkesi em Berlim, no sermão à sexta-feira, no dia anterior à véspera de Natal, o imã alertou para a ameaça do «maior de todos os perigos», o «perigo do Natal»: «todo aquele que imita outra tribo torna-se membro dela. É a nossa passagem do Ano Novo? As árvores de Natal têm algo a ver com a gente? Não, nada a ver com a gente!»

O imã da mesquita de Al-Rahman em Magdeburg comparou a vida na Alemanha com um caminho através de uma floresta sedutora, realça Schreiber. Os seus encantos têm o poder de desviar os muçulmanos, de afastá-los do caminho da virtude, de perderem o caminho na «mata densa» até serem «devorados pelos animais selvagens que vivem na floresta».

O Estado não tem uma panorâmica clara

O que chamou a atenção de Schreiber, ainda no estágio de planeamento das visitas às mesquitas, foi a falta de transparência envolvendo as mesquitas na Alemanha. Para começar, não existe um directório oficial de mesquitas. Ninguém sabe quantas mesquitas existem na Alemanha. O Website Moscheesuche.de, mantido pela iniciativa privada, é o único cadastro desta natureza. «De modo que as autoridades alemãs», salienta Schreiber, «dependem de cadastros compilados por um particular, que obviamente é caracterizado por um determinado posicionamento ideológico». Além disso, como a inserção de dados no cadastro é voluntária, é incerto se as mesquitas que desejam permanecer à socapa estejam lá cadastradas. Schreiber considera improvável que o cadastro esteja perto de ser concluído ou actualizado:

«Deparei-me com mesquitas que constam do cadastro, mas já não existem, pelo menos por enquanto. Ou então mesquitas recém inauguradas que não estão registadas em nenhum lugar, nem os serviços de inteligência nem as autoridades regionais sabem da sua existência».

Além disso, o pedido de Schreiber à prefeitura de Hanover revelou que as autoridades alemãs sentem-se constrangidas no tocante ao fornecimento de informações sobre as mesquitas da sua própria cidade. Um funcionário da administração local escreveu num e-mail: «por gentileza, forneça informações mais detalhadas sobre a finalidade do cadastro. Não queremos que estas instituições estejam sob suspeição generalizada».

Medo e silêncio

Schreiber ficou surpreendido com a reacção defensiva daqueles cujas profissões exigem transparência e cooperação. Como Schreiber queria certificar-se de que, na tradução dos sermões, não haveria nenhuma interpretação errada, contactou o que afirma ser uma das agências de tradução mais conceituadas da Alemanha:

«A agência solicitou o envio da transcrição de um dos sermões para análise e estimativa de precificação. A agência recusou o trabalho. O texto foi considerado 'fora da alçada habitual de trabalho' dos tradutores, uma vez que não havia ninguém suficientemente seguro para traduzir correctamente este tipo de texto».

Achar um tradutor dos sermões proferidos no idioma turco também foi difícil: «o simples facto de estar interessado neste assunto resultava na imediata acusação de que o que eu realmente queria era instigar «atacar o Islão».

Schreiber também se viu diante de forte resistência ao procurar estudiosos alemães especializados no Islão para conversar com eles sobre o conteúdo dos sermões. Professores universitários, cujos salários são pagos pelos contribuintes alemães, recusaram-se em providenciar informações sobre matéria relacionada com a sua própria especialidade.

«Durante meses a fio, enviei consultas a diversas faculdades de estudos islâmicos com as quais trocávamos ideias na nossa função de editores. Uma universidade ficou a enrolar-me durante meses com a desculpa de que ainda estavam a procurar a pessoa certa. Em 16 de Dezembro, isto é, três meses depois do meu primeiro pedido, o professor de estudos islâmicos escreveu-me que já não havia tempo suficiente para marcar uma reunião. Quando respondi que, se necessário fosse, poderíamos marcar outra reunião no início de Janeiro, não recebi mais nenhuma resposta. Vários professores da universidade pediram-me para que lhes enviasse os sermões, o que eu fiz de imediato. Após enviá-los não recebi mais nenhum e-mail, sequer uma confirmação do recebimento».

Segundo Schreiber, todo este trabalho mostrou ser uma «experiência interessante», a despeito do facto de estudiosos de estudos islâmicos e especialistas em Islão «serem por demais prestativos em se disponibilizarem em conceder entrevistas sobre questões de política actual». Entretanto, esta abertura não existe, quando se trata de sermões em mesquitas alemãs: «inúmeros especialistas evitam-me após receberem as minhas perguntas, sem responderem, de forma consistente, aos meus e-mails». Um estudioso do Islão  aconselhou-me, indirectamente, a abandonar o projecto, porque isso poderia, «hipoteticamente», «aumentar ainda mais o abismo». Porquê isto? Porque, segundo este estudioso de estudos islâmicos, «mesmo leitores liberais e tolerantes poderiam facilmente achar estes textos extremamente incompreensíveis e estranhos, bem como grosseiros».

Políticos ingénuos

A conclusão de Schreiber sobre os sermões que presenciou:

«Após 8 meses de pesquisa devo dizer que as mesquitas são espaços políticos. A maioria dos sermões em que participei visava resistir à integração dos muçulmanos na sociedade alemã. Quando o assunto se voltava para o estilo de vida na Alemanha, isto acontecia primordialmente em contexto negativo. Normalmente os imãs retratavam a vida quotidiana na Alemanha como ameaça e exortavam as suas comunidades a resistirem. A característica comum de quase todos os sermões é o apelo aos fiéis para se fecharem e não compartilharem».

Em «todas as mesquitas praticamente», Schreiber notou a presença de «dezenas de refugiados que não estavam há muito tempo na Alemanha». Eles também tinham sido alertados para o perigo da integração: «fora da mesquita há muita conversa sobre integração, o contrário é pregado dentro dela».

O perigo desta abordagem fica evidente pelo assassinato de Farina S., uma afegã que foi assassinada na cidade bávara de Prien. Há oito anos ela abandonou o Islão, converteu-se ao cristianismo e, dois anos depois, fugiu para a Alemanha. Em 29 de Abril, foi assassinada por um muçulmano afegão em plena luz do dia. Inúmeros muçulmanos que moram na cidade foram ao funeral, ao passo que as associações de mesquitas faziam de conta que o assassinato não lhes dizia respeito. Karl-Friedrich Wackerbarth, pastor da igreja evangélica de Prien, onde Farima S. era filiada, pediu às associações que condenassem o crime. Em Outubro, meio ano após o assassinato, respondeu a um pedido do Gatestone Institute: «lamentavelmente, até hoje», salientou, «ninguém se manifestou».

Wackerbarth acha que as associações islâmicas não querem emitir um comunicado contra as fatwas emitidas pela Universidade Al-Azhar do Cairo e de outras, segundo as quais os «apóstatas» (aqueles que abandonam o Islão) devem ser mortos.

Este quadro levanta a questão da razão do governo alemão acreditar que as associações de mesquitas o ajude a resolver os problemas. Não faz muito tempo, a consagrada activista dos direitos humanos e crítica do Islão, Necla Kelek salientou:

«Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam os seus membros para conferências sobre o Islão, não fazem ideia de quem está pregando o quê naquelas mesquitas».





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

3 físicos mundialmente reconhecidos afirmam: «Existe uma lógica superior.»


Redacção da Aleteia, 5 de Dezembro de 2017

«A ideia de que tudo é resultado do acaso e da diversidade estatística é inaceitável. Existe uma inteligência a um nível superior, que vai além da existência do próprio Universo»

É instigante uma recente reflexão do físico italiano Antonino Zichichi, cuja autoridade científica, durante bastante tempo, sofreu uma campanha de descrédito promovida por expoentes do mundo anticlerical. Motivo? Zichichi afirmou, muitas vezes, que acredita em Deus graças à ciência.


Apesar das tentativas de alguns militantes ateístas de diminuí-lo por causa da sua crença em Deus, Zichichi continua muito bem avaliado no H-Index, uma espécie de escala que mede o impacto de indivíduos no mundo científico: o índice dele é 62, igual ao de Stephen Hawking e bastante superior, por exemplo, ao de Sheldon Lee Glashow (52), que ganhou o Prémio Nobel.

Zichichi é professor emérito de Física na Universidade de Bolonha, vencedor do Prémio Fermi, ex-presidente da European Physical Society (EPS) e do Instituto Nacional de Física Nuclear, de Itália. Com estes atributos nada desprezíveis, ele escreveu:

«As descobertas científicas são a prova de que não somos filhos do caos, mas sim de uma lógica rigorosa. Se há uma lógica, deve haver um Autor».

O físico afirma que a ciência não pode explicar ou reproduzir milagres. Isto equivaleria a «iludir-se com a ideia de descobrir a existência científica de Deus», o que, para ele, é impossível:

«Se a ciência O descobrisse, Deus só poderia ser um facto da ciência e ponto final. Se a matemática chegasse ao ‘Teorema de Deus’, o Criador do mundo só poderia ser um facto da matemática e ponto final. Seria pouca coisa. Para nós, crentes, Deus é tudo, não apenas uma parte do todo».

Dito de outra forma: se Deus pudesse ser destrinchado pela ciência (a famosa «prova científica» tão pedida pelos antiteístas), então Ele não seria mais o Criador, mas apenas uma criatura.

Zichichi descreve duas realidades da existência: a transcendente e a imanente. Esta última, diz ele, é estudada pelas descobertas científicas, enquanto a primeira é de competência da teologia.

«É um erro pretender que a esfera transcendente deva ser como a que estudamos nos nossos laboratórios. Se as duas lógicas fossem idênticas, não poderia haver milagres, mas somente descobertas científicas. Se fosse assim, as duas esferas, a do imanente e a do transcendente, seriam a mesma coisa. É isto o que reivindicam os que negam a existência do transcendente, como faz a cultura ateia. Não é um detalhe. Os milagres são a prova de que a nossa existência não é exaurida no imanente. Existe algo além».

O Autor de tudo aquilo que a ciência descobre.

«…é uma inteligência muito superior à nossa. É por isso que as grandes descobertas não vieram da melhoria dos cálculos e das medidas, mas do totalmente inesperado. O maior dos milagres, como dizia Eugene Wigner, um gigante da ciência, é que a ciência existe».

As palavras de Zichichi conectam-se claramente às reflexões de Albert Einstein, que escreveu:

«Você acha surpreendente que eu pense na compreensibilidade do mundo como um milagre ou um eterno mistério? Afinal, poderíamos esperar, a priori, um mundo caótico, totalmente impenetrável pelo pensamento. No entanto, o tipo de ordem que, por exemplo, foi criada pela teoria da gravitação de Newton é de carácter completamente diferente: embora os axiomas da teoria tenham sido postos pelo homem, o seu sucesso pressupõe um alto grau de ordem no mundo objectivo, que não tinha qualquer justificativo para ser previsto a priori. É aqui que surge o sentimento do ‘milagroso’, que cresce cada vez mais à medida que o nosso conhecimento se desenvolve. E aqui reside o ponto fraco dos positivistas e dos ateus de profissão, que se sentem pagos pela consciência por terem não apenas libertado com sucesso o mundo de Deus, mas até mesmo por tê-lo privado dos milagres» (cf. A. Einstein, carta a Maurice Solovine, GauthierVillars, Paris, 1956).

Único Nobel italiano ainda vivo, o físico Carlo Rubbia também se deixou questionar pelo porquê de a ciência poder ser tão eficaz:

«Se contamos as galáxias do mundo ou demonstramos a existência das partículas elementares, de forma análoga provavelmente não podemos ter provas de Deus. Mas, como pesquisador, sou profundamente impactado pela ordem e beleza que encontro no cosmos, bem como dentro das coisas materiais. E, como observador da natureza, não posso deixar de pensar que existe uma ordem superior. A ideia de que tudo isto é resultado do acaso ou da pura diversidade estatística é, para mim, completamente inaceitável. Existe uma inteligência a um nível superior, que vai além da existência do próprio Universo» (C. Rubbia, Neue Zürcher Zeitung, março de 1993).





segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Congresso Internacional sobre Cristóvão Colon


Caros amigos e interessados no tema,

A Associação Cristóvão Colon, em parceria com a Academia Portuguesa de História, a Academia de Marinha e a Comissão Portuguesa de História Militar, vai realizar o 1.º Congresso Internacional em Portugal sobre Cristóvão Colon.

Está aberto para comunicações de historiadores, académicos, pesquisadores ou estudiosos nacionais e estrangeiros, as quais serão seleccionadas pela Comissão Científica.

Solicitamos também a sua divulgação pelos meios que entenderem apropriados.

Em anexo poderão consultar a respectiva Apresentação e Call for Papers.

ou na nossa página

http://colon-portugues.blogspot.pt/


Cumprimentos

ACC

Carlos Calado





domingo, 12 de novembro de 2017

SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA





 O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de convidar V. Ex.ª para participar na Conferência «O papel das Forças Armadas na luta contra o terrorismo no território nacional», promovida pela Secção de Ciências Militares.

A sessão terá lugar no dia 23 de Novembro de 2017

pelas 17h00 na Sala Algarve.

Será orador o Tenente General Manuel Vizela Cardoso

Rua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LISBOA Tel.: 21 3425401/5068
geral@socgeografialisboa.pt www.socgeografialisboa.pt





sábado, 21 de outubro de 2017

Conferência na Universidade do Minho



Caros amigos e interessados no tema Cristóvão Colon,

No próximo dia 27 o nosso membro Walter Gameiro estará na Universidade do Minho para divulgar e debater as questões em torno da 1.ª viagem de Colon às Américas, nomeadamente sobre quais as ilhas efectivamente alcançadas.

Qual a ilha de Guanahani a que Colon chamou S. Salvador?

Seria a ilha de Watling ou alguma outra, de entre as 10 candidatas?

Samuel Elliot Morison estava certo ou errado quanto a este aspecto?

E quanto a outros aspectos que transmitiu no seu livro, considerado uma referência?

Esperamos a vossa presença


Associação Cristóvão Colon





quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Conferência: «Ases da Aviação de Caça da 1.ª Guerra Mundial»



CONVITE

Quarta-feira, 25 de Outubro, às 18h00
Salão Nobre do Palácio da Independência
Largo de São Domingos (ao Rossio), Lisboa

CONFERÊNCIA

«Ases da Aviação de Caça da 1.ª Guerra Mundial»

pelo Ten.-General Piloto Aviador (Ref.) José Armando Vizela Cardoso

Instituto Bartolomeu de Gusmão

Entrada Livre





domingo, 15 de outubro de 2017

Eventuais cenários político/castrenses [(2 conclusão)]




João José Brandão Ferreira, oficial piloto aviador, 14 de Outubro de 2017

12/10/17 (Dia da chegada de Cristóvão Colon às Índias)
«A ingenuidade é o humilde parasita da ignorância»
Ortega y Gasset

Mas que o Dr. Costa tem que pôr ordem no beco, rapidamente, tem (mas não vai pôr, é claro).

Olhe o Exército está de rastos, há mais de quatro meses e, na prática, apenas tem um general e anda tudo zangado. Ninguém se entende sobre as promoções (há ainda pendente o caso do major-general Vasconcelos, que está emprateleirado no EMGFA); o seu «4.º secretário» das finanças nunca mais se resolve a dar autorização para que alguém seja promovido (uma situação escabrosíssima para as Forças Armadas (FA), mas com a qual todos os generais e almirantes têm convivido felizes da vida – por muitíssimo menos se fez o 25/4, que deu nisto); o caso das mortes dos Comandos arrasta-se; a questão de Tancos – que está para lá de qualquer congeminação – não tem fim à vista e, aparentemente, ninguém sabe o que se passou; para já não falar nos anteriores assaltos às arrecadações de material de guerra dos Comandos, dos Fuzileiros e da PSP.

O Exército está tão desgraçado – e isto pesa-me pois eu até sendo da Força Aérea, fui formado na Academia Militar – que já nem consegue comemorar o Dia da Infantaria e o seu Patrono, o Condestável e Santo D. Nuno Álvares Pereira.

De facto, após mais uma decisão assaz infeliz sobre a reforma das Escolas Práticas das Armas e Serviços – uma asneirada infrática de que só o Exército se pode queixar – o Dia da Infantaria era comemorado como de tradição e estava certo, a 14 de Agosto e em Mafra, onde estava instalada a casa mãe da Arma, desde 1887.

Acontece que com o fim dessa Escola Prática há cerca de três anos, passaram as comemorações para o Campo de S. Jorge, onde se deu a inolvidável batalha.

A cerimónia foi um fiasco.

No ano seguinte foi cancelada, alegando-se que a maior parte do pessoal militar estava envolvido nos incêndios, e passada para o dia do Regimento de Infantaria de Beja…

Este ano alegou-se o mesmo, mas passou-se a cerimónia para o dia 4 de Outubro, em Aveiro, Aniversário do Regimento de Infantaria 10, lá (ainda) aquartelado!

Acontece que, por coincidência, fazia parte desta cerimónia a passagem de testemunho (um bastão) entre o general mais antigo, oriundo de Infantaria, designado «Director Honorário da Arma de Infantaria» e o seu sucessor.

Esta cerimónia que é uma tradição firmada e grada, na hoste que defendeu a Nação desde 1128, é antecedida de um jantar de confraternização e despedida, do cessante.

Este ano o jantar estava marcado para a véspera, como é habitual, pelo actual vice-chefe tenente general Serafino (o único general que resta no activo) que iria receber o «bastão» das mãos do CEME, depois de recebido do director cessante, tenente general Menezes.

Acontece que este último general foi um dos que se demitiu recentemente em choque com o actual e algo moribundo general CEME.

Ora este, uns dias antes do evento marcou uma reunião do Comando do Exército justamente para o mesmo dia, não se esquecendo de informar que a mesma não tinha hora para terminar.

Ou seja inviabilizou na prática, o jantar. Em face disto, vários oficiais cancelaram a sua participação nas comemorações do dia seguinte.

Isto é mau demais para ser verdade. E vamos a ver e, afinal, é!

Parece, outrossim, ser de uma evidência cristalina que os dias festivos devem ser comemorados nesses precisos dias e não noutros!

Seguiu-se a mesma cena relativamente ao Dia da Engenharia Militar, adiada do seu verdadeiro dia (13/7) por na altura o comandante estar «exonerado temporariamente» e o ambiente ser de cortar à faca…

A cerimónia teve lugar a 13/10, mas as ausências gradas da família do «Barrote ao Alto» foram mais que muitas.

Nada, porém, que afecte deslumbrados que vivem em estado de negação…

E vamos ficar por aqui.

Na Marinha continua em curso o apaziguamento após a saída do ex-CEMA, almirante Macieira Fragoso, há poucos dias brindado com a pequena prebenda de presidente não executivo dos Estaleiros da Naval Rocha (do grupo Empordef).

Mas existe um problema derivado da saída extemporânea do vice-almirante Pires da Cunha, do EMGFA e que passava à reserva em Janeiro. Para o seu lugar seguiu o tenente general Almeida da Força Aérea.

Dadas as estritas regras e completa ausência de «almofadas» administrativas e de autoridade na administração de pessoal por parte dos Chefes de Estado-Maior – reduzidos na prática a «ajudantes» (finalmente a «célebre» frase de Cavaco Silva sobre os secretários de Estado fez carreira), o senhor almirante boia à tona de água. Vamos a ver para onde a corrente o leva.

Porque é que as coisas se passam assim? Mistério.

A Força Aérea está sem comandante de Pessoal e sem comandante da Logística, pois as promoções tardam – uma situação deveras caricata e insustentável, mas como pelos vistos não há sindicatos que defendam a instituição e os generais e almirantes ainda não ameaçaram fazer greve como os juízes, nem fazem dos militares gato, sapato.[1]

Uma palavra em defesa da Instituição e da inocência presuntiva dos militares presos preventivamente há demasiado tempo, até serem condenados, por causa do problema das eventuais falcatruas nas messes, também seria apreciada.

Enfim este último caso, como outros, levanta o magno tema do fim dos tribunais militares e do foro próprio militar, pecado original terrível e que não mereceu da hierarquia de então, qualquer repúdio, nem levantou qualquer prurido, até hoje, às chefias que se seguiram.

Um desastre!

Finalmente e como prova do maior desprezo, e inaudita desfaçatez, o Governo – depois de andar a brincar e enganar tudo e todos com um orçamento esquálido para sustentar o ridículo dispositivo e sistema de forças existente – depois de aprovar os «numerus clausus» para os cursos de oficiais e sargentos dos três Ramos, e cadetes das Escolas Superiores Militares, e já depois dos concursos feitos e pessoal admitido, veio reduzir há poucos dias, estes mesmos números, deixando os Ramos ainda mais desprovidos de pessoal, que já está abaixo de todos os mínimos há muito, e criando problemas pessoais a dezenas de cidadãos que vêm as suas vidas profissionais serem destruídas ou adiadas.

Uma situação inadmissível que só encontra explicação no miserável rateio que andam a fazer com o Orçamento de Estado a fim de contentarem os partidos defensores de ideologias criminosas e desgraçadas!

Estava a esquecer-me do CEMGFA, general Pina Monteiro. Naturalmente porque desapareceu em combate; combate que deve estar a ser sério, pois recordo-me de o ter ouvido queixar-se de um murro que levou no baixo-ventre.

Já agora, e para terminar, Sr. PM e Sr. MDN e, também, Senhor PR, os aviões da Força Aérea (FA) não existem para transportar a selecção portuguesa de futebol, ou outra, para Andorra ou seja para onde for. Os aviões da Força Aérea servem para ir, por exemplo, salvar os jogadores ou outros portugueses, caso eles estejam em perigo.

Vejam se percebem a diferença.

Como podem observar os leitores há por aqui soma considerável de assuntos por onde reflectir. A começar por esta crónica que não devia ter razão de existir.

E não faltam instituições e organizações espalhadas pelo País onde se estudam e reflectem estas e muitas outras coisas.

Convinha é que quem agora reflecte tivesse tido e querido, o ensejo de o fazer quando ainda estavam no activo da sua vida profissional.[2]

E mais do que reflectir, importa agir. Haver gente que decida.

Os Governos sustentados nos Partidos, ou os Partidos sustentados pelos Governos, são por norma relapsos a qualquer reflexão e ideias que venham de fora do ovo da serpente que os gera e mantém, visando a manutenção do Poder, o que não tem nada a ver com o governo da cidade, mas sim com o acesso a negócios de muito dúbia idoneidade.

Como os sucessivos escândalos judiciais têm demonstrado à saciedade.

A Instituição Militar anda perdida (embora nem todos se percam) no meio disto tudo.

Finis Pátria.


[1] Já agora também convém referir que os polícias – que têm neste momento (a situação é dinâmica) 16 sindicatos (!), sendo um de civis – teimam em desfilar e confrontar os seus «colegas» de serviço, quando não provocam desacatos, numa cadência estudada. Uma organização destas só tem um destino – apesar de não serem eles os principais responsáveis – é ser extinta na hora, e nascer no dia seguinte com outro tudo.

[2] Farão os leitores o favor de decidir o que entenderem melhor como corolário: «agora é tarde e Inês está morta», ou «vale mais tarde do que nunca»…





Eventuais cenários político/castrenses (1)




João José Brandão Ferreira, oficial piloto aviador, 14 de Outubro de 2017

12/10/17 (dia da chegada de Cristóvão Colon às «Índias»)
«A ingenuidade é o humilde parasita da ignorância»
 Ortega y Gasset

Agora que passaram as eleições autárquicas e o Orçamento para 2018 está quase pronto, é possível que já reste tempo e querer para o governo – sobretudo ao seu ministro entre todos o primeiro, pois é ele o responsável ante todos, pela política de Defesa Nacional (se é que alguma) – verter um pouco da sua atenção sobre o estado para – caótico em que se encontram as Forças Armadas (FA) em geral e o Exército, em particular.

Como a resolução dos problemas deve começar por cima deve apontar-se para o MDN, o Dr. Azeredo Lopes, cuja prestação tem sido singularmente desastrosa e está debaixo de fogo de tudo e todos, há basto tempo.

Sem embargo, e como pano de fundo, é necessário dizer isto: nós não temos, nem tivemos, nenhum ministro da Defesa, pois esta não existe como um todo. A Defesa Nacional está reduzida às FA e por isso nós apenas temos um ministro das, ou para, as FA!

Em segundo lugar a classe política em geral, tem demonstrado, com invulgar fulgor, pouco perceber de Defesa Nacional e de FA, e acha que aquela, e estas, não têm razão de existir desde que regressámos do Ultramar; consideram não haver ameaças (e se houver a NATO defende-nos, ah, ah, ah e a UE também, um ah, ah, ah, ainda maior) e que os militares são uns seres esquisitos, chatos, quadrados, que gostam de brincar às guerras e custam dinheiro que faz falta noutros âmbitos. Como se tem visto.

Finalmente os Partidos Políticos que são organizações inqualificáveis e que já levaram, grosso modo, o País por quatro vezes à beira da tragédia nos últimos 180 anos – e, tomem nota, hão-de levar uma quinta vez – não têm ninguém que saiba o mínimo de Defesa Nacional e sobre a Instituição Militar tão pouco, que queira prestar-se ao sacrifício, que julgam não estar à altura das suas ambições.[1]

Por isso é que existe sempre uma grande dificuldade em escolher uma figura para a função que é, aliás, tida como a maior das maçadas.

Em tempos o cargo de MDN ainda era visto como trampolim para o de MNE, ou outro voo qualquer. E, até ao Dr. António Vitorino, ainda engalanavam o título de MDN com o ministro de Estado ou vice-primeiro ministro. Mas isso foi chão que deu uvas e, de qualquer modo, agora a coisa está bloqueada.

E como quiseram e querem, arredar os militares de quaisquer funções que não estejam estritamente ligadas ao «quartel», nunca lhes passou pela cabeça colocar um militar em tal função governativa (e raramente noutra).[2]

Diga-se em abono da verdade que não seria fácil encontrar um militar com «jeito» para a função e não levantasse logo anticorpos aqui e ali, nomeadamente no seio dos oficiais generais e entre Ramos.

Relembra-se que o MDN, não existe, mas apenas o ministro para a tropa (isto é, para a controlar, reduzir e asfixiar).

Só o professor Salazar conseguiria nomear e aguentar um militar na função, durante 20 anos tendo ele sido promovido, no lugar, de capitão a coronel…

Mas tendo em atenção que a situação agora está a ficar assaz de má; não se vislumbra ninguém no PS que possa ir para o lugar, a não ser o eterno candidato, Dr. Miranda Calha (conhecido por «pisca-pisca»), que as sucessivas lideranças partidárias têm rejeitado, vá-se lá saber porquê; o actual secretário de Estado Perestrello ainda não saber se consegue levantar a nota ou não, desde a sua última prestação e o rebento do defunto Dr. Soares, apesar de ostentar uma recruta de três meses, em Mafra, ter perdido hipóteses desde que começou a ameaçar galhetas no «cara-livro» (em inglês «facebook»); o PCP não se querer meter neste «bagaço» (chiça!), e a Joana Amaral Dias, que teria todo o gosto, imagina-se, em passar revista às tropas grávida e nua, já não pertencer ao Bloco Canhoto, a coisa não está fácil.

Mas, tendo em conta a reconhecida esperteza saloia colorida a maquiavelismo, do optimista Dr. António Costa, vamos atrever-nos a especular sobre se não estará na base da sua mente de estiloso oportunista, querer empurrar um militar para a fogueira do granel em que estamos metidos e assim aliviar encargos à sua querida coligação gerigoncial.

Não me parece haver falta de putativas vítimas.

A opção, a dar-se, teria que ser por razões óbvias, num oficial na situação de reforma. Mas também não ponho as mãos no fogo por isso…

Não se vislumbrando ainda um familiar ou amigalhaço do peito (é normalmente por aí que a escolha começa) vai ter que se fazer um giro no horizonte para lobrigar quem possa estar em condições de aceitar o cargo.

A primeira escolha que ocorre é a do director do IDN, major-general Viana. Já está há algum tempo afastado das lides militares, tem feito um trabalho seguro, discreto e politicamente neutro, dentro do Instituto e já teve tempo de adquirir uma visão global das coisas.

Tem o óbice de só ter duas estrelas, mas isso para políticos que nem sabem distinguir os postos, é de somenos importância, e as sequelas da sua ultrapassagem na promoção já estarão esbatidas.

Segue-se um eventual adjunto militar do primeiro-ministro que tenha caído no goto de algum proeminente político, neste caso do PS, mas tal não parece ter hipóteses de acontecer pois, por norma, os PM ignoram olimpicamente tais personagens.

Haveria um, que por acaso é do meu curso, que tem boas capacidades para o cargo mas teve o azar de lhe calhar o «Agente Técnico» Sócrates, na rifa, pelo que pode apanhar por tabela. Além disso é por demais inteligente, para se ir envolver em tais andanças.

A maior parte dos ex-chefes militares, ou outros generais e almirantes, pelo que julgo saber, se fossem convidados para um cargo destes nem se dignariam responder e alguns teriam até movimentações anormais no cólon e inversões de fluxo no piloro…

Há porém, um ainda recentemente criado grupo, cujo acrónimo é GREI (Grupo de Reflexão Estratégica Independente), constituído apenas por oficiais generais, onde um eventual «recrutamento» pode ainda ser tentado. Passe a propaganda.

É preciso dizer que este grupo de cidadãos militares que enquanto no activo tiveram um estatuto cívico de «capitio diminuto», agravado pelo desprezo político e falta de defesa institucional, tem toda a legitimidade em existir e nada obstar à sua respeitabilidade. E qualquer intervenção cívica neste âmbito, feita com competência e boa intenção, só há que louvar.

O próprio general Ramalho Eanes teceu loas, publicamente, aquando do aparecimento do GREI, numa curta intervenção, «muito à sua moda».

Acontece, porém, que alguns dos seus mais proeminentes membros vieram apoiar pública e explicitamente um dos candidatos à Presidência da República, nas últimas eleições, precisamente aquele que, não sendo o candidato do PS, foi quem este apoiou realmente, e que saiu perdedor na contenda, o professor Sampaio da Nóvoa – por acaso meu colega no Liceu Nacional de Oeiras (digam lá se este liceu não andava muito à frente?!).

Ora isto introduziu alterações de monta no posicionamento do grupo, apesar de ter havido o cuidado de esclarecer (embora a opinião pública não o saiba), que tais apoios seriam a nível individual e não a nível de grupo.

A direcção do mesmo teve o cuidado até de, recentemente ter pedido uma audiência ao actual Presidente da República, a fim de lhe oferecer um livro sobre as suas actividades, com a respeitabilidade que o prefácio do professor Adriano Moreira lhe confere.

Porém, a possibilidade de escolha existe (para MDN), e dadas as circunstâncias as pessoas que melhor se posicionam para tal eventualidade são (a ordem é arbitrária) os generais Pinto Ramalho, major-general Sequeira (que já foi Secretário-Geral do MDN e de seguida convidado para administrador da EPUL, tido como próximo do actual PM) e almirante Melo Gomes.[3]

O general Luís Araújo que, apesar de não pertencer ao grupo, esteve aparentemente, com um pé dentro e outro fora, no apoio ao candidato derrotado, não nos parece estar para se sujeitar a tal encargo, já que terá a sua ambição de defender a Pátria, saciada e está a desfrutar da confortável situação como administrador delegado do Estado (não executivo), nas OGMA, recebendo por sessão de «trabalho» um confortável pecúlio típico destas funções. E que nunca ninguém sabe como e em que termos, é definido.

Além disso passou a ser representante da NAV, para o que se está a preparar relativamente à utilização da Base Aérea do Montijo, como complemento da Portela.

O tenente general Mourato Nunes (também do GREI), que foi Comandante – Geral da GNR, cujas ambições várias são conhecidas, também é outro personagem sobre que o radar dos actuais políticos pode fazer «lock on», tendo o Governo de Sócrates chegado a inventar um cargo feito à medida para ele aquando da sua passagem à reserva.[4]

Respirem fundo que o texto é apenas um exercício de ficção.

(Continua)


[1] Para não haver dúvidas queremos deixar expresso que o período considerado começa em 1820 (antes dessa data nunca se falou em Partidos Políticos); passa por três guerras civis: liberais versus legitimistas, Maria da Fonte e Patuleia; A Regeneração, com o seu «Rotativismo» que desembocou na queda da Monarquia; a I República que acabou ao fim de 16 anos de desgraça; a situação pós revolução dos cravos que vai sobrevivendo à dívida galopante (e já vai em três pré bancarrotas) e à geométrica perda de soberania, lambendo as feridas, para já, do resgate da «Troika».

[2] É preciso dizer que após o 25/4/74 houve dois militares que foram ministros da defesa, os generais Firmino Miguel e Loureiro dos Santos, mas foram-no em Governos Provisórios, após a euforia da «revolução».

[3] EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa, extinta em Dezembro de 2012.

[4] Tinha o incrível nome de (não se riam) «Secretário-Geral para a Cooperação entre os povos de Língua Portuguesa, em matéria de Segurança Pública, no âmbito do Ministério da Administração Interna». O Ministro era então o Dr. A. Costa. Durou entre 2008 e 2010. Foi posteriormente Presidente do Instituto Geográfico Português, tendo apresentado o seu pedido de exoneração, antecipando a extinção do cargo ao tempo de Assunção Cristas como ministra, da Agricultura, do Mar, etc.