BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

domingo, 9 de outubro de 2016


O 57.º aniversário da Base Aérea N.º 5


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador, 7 de Outubro de 2016

Ocorreu no passado dia 4 de Outubro.

Fui assistir. Coincidiu também, com o facto de fazer 40 anos que lá me apresentei (os militares ainda se «apresentam»), pela primeira vez. Mas não estou a escrever por isso; apeteceu-me, simplesmente.

Assistir a uma cerimónia militar digna, é sempre um lenitivo para o espírito e um bálsamo para a alma, o que ajuda a retemperar o cada vez mais alquebrado corpo. Foi o caso.

Numa cerimónia militar tudo tem o seu significado e razão de ser, todos sabem o seu lugar e função, como estar e como fazer, e nada deve estar a mais ou a menos.

Existe ordem, tradição e cerimonial.

Entre cada acto cerimonial, marca-se a sua individualidade, intervalando-a por dois toques de «firme»; «sentido» e outros dois, de «descansar»; «à vontade».

Não há atropelos nem confusões.

Tudo está previsto e não há lugar a improvisações. Tal também se aplica à assistência e os civis devem ser benevolamente educados pelos militares relativamente à parte da compostura que lhes cabe.

O dia ajudou no seu azul (Força Aérea) esplendoroso, e o silêncio que ecoava do «pinhal» termo carinhoso como na gíria se apelida a Base alternava com os acordes da banda (em que notei melhorias de performance), os discursos e as vozes de comando.

Qualquer cerimónia militar começa com a chegada da entidade que preside à mesma e respectivas honras militares.

É a maneira como os militares recebem as altas entidades que os visitam, reconhecem e preservam o princípio da hierarquia e dão as boas vindas.

Como na vida militar tudo tem um carácter biunívoco, a entidade retribui, correspondendo à continência; postando-se respeitosamente frente ao Guião da Unidade e passando em seguida revista às tropas, verificando o seu aprumo, uniformização e atavio. Esta revista não deve ser feita «à pressa» ou displicentemente, por motivos que julgo óbvios (o que se cumpriu).

A apresentação da entidade é apenas antecedida da chamada a «sentido», aquando da chegada do oficial mais antigo presente, que já esteja retirada do serviço activo. É mais uma vez a preservação do princípio hierárquico, da afirmação da importância da antiguidade e uma demonstração de respeito por quem já não tendo funções de responsabilidade, serviu e continua a pertencer à instituição e à grande família militar. Segue-se a integração do estandarte nacional, à guarda da Base, na formatura, sem o que nenhuma cerimónia militar, neste âmbito, pode decorrer.

Vem acompanhado da respectiva escolta, que pode ser aumentada em ocasiões mais solenes, ou disponibilidade de efectivos.

É o momento patriótico por excelência. Fica o estandarte numa posição central, à vista de todos, sendo recebido em «ombro arma».

É o símbolo da Nação sublimada, em cuja defesa e por quem os militares combatem e morrem – não morrem (não devem morrer) por ideologias, regimes políticos, partidos ou interesses mercenários…

Apresentam-se armas e abatem-se espadas; a banda toca o hino e a formatura canta e a assistência também o vai fazendo.

É sempre bom relembrar o que somos, no que estamos e ao que vimos.

O estandarte coloca-se, então, à cabeça das tropas como deve ser o seu lugar.

Pela alocução do comandante ficámos a saber o que a unidade realizou no ano transacto, e não fez pouco, o que é notável face às dificuldades existentes e aos tempos de vacas magras que vivemos – que têm atingido a Instituição Militar numa proporção lamentavelmente muito superior à generalidade do país e sobretudo aos restantes organismos e instituições do Estado.

Dificuldades que, por pudor, contenção e sentido de Estado, são normalmente dissipadas nestes momentos de celebração. Mas «alguém», ou muitos, têm de o dizer nas instâncias e ocasiões apropriadas, usando os métodos adequados às circunstâncias.

Sendo normalmente gasto 1/5 do tempo em agradecimentos às entidades presentes, protocolo «oblige», o segredo de um bom discurso, segue o do sal na comida: nem de mais nem de menos; e a habilidade em dizer algumas coisas relevantes e passar mensagens de uma forma que não fira o disposto no artigo quarto do RDM[1]

Seguiu-se a rendição do Porta Estandarte Nacional e do Porta Guião da Unidade e respectivas escoltas.

A nomeação de Porta – Estandarte e do Porta Guião recai, respectivamente, na figura do subalterno e sargento-ajudante mais condecorados, ou considerados com mérito para a honra da função.

Sim, porque a função deve ser encarada como uma honra, que não é despicienda.

A relevância do porta-estandarte ficou na memória e na tradição militar nacional, desde a Batalha de Toro, em 1/3/1476, em que o alferes-mor de D. Afonso V, Duarte de Almeida, que empunhava o estandarte real, no mais aceso da peleja se obstinou em defender o símbolo de todos, mesmo depois de lhe terem cortado ambas as mãos, à cutilada, agarrando-o com os cotos e os dentes.

Com a sua acção e mesmo depois de derrubado, permitiu que o estandarte fosse recuperado por Gonçalo Pires, e se salvasse.

Ficou para a História com o cognome de «o decepado», tendo sido levado moribundo para um hospital em Castela, onde recuperou, tendo voltado ao reino mais tarde, depois de ter merecido o respeito e consideração dos seus captores.

A responsabilidade de um porta-estandarte é, pois, muita: ele pode morrer, mas as «cores nacionais» têm que ser salvas e preservadas…

O ponto alto da cerimónia ocorre a seguir: a homenagem aos mortos.

É o momento dos olhos húmidos e do nó na garganta.

É a homenagem aos que já partiram na sequência, que se pretende perene, com aqueles que os substituíram e a quem passaram o testemunho.

Inicia-se com o toque «de silêncio», em «ombro arma», que impõe a ausência de qualquer ruído no local, que é o ambiente que melhor quadra ao recolhimento; segue-se o toque «a mortos», em apresentar armas (posição de máxima elevação cerimonial), em que num momento de interiorização se lembram os amigos e camaradas já desaparecidos, mas que, enquanto forem assim lembrados pertencem «àqueles em quem poder não teve a morte»; pelo meio o capelão profere uma oração alusiva e no caso da Força Aérea, uma esquadrilha de aviões sobrevoa o local, executando o n.º 4, a manobra do «missing man».

Finalmente a banda toca a «marcha da alvorada», novamente em «ombro arma», que simboliza o porvir, a esperança no futuro, a vida que se reata.

É altura agora de nos congratularmos com o presente e destacar publicamente, os servidores da Instituição Militar que se distinguiram no cumprimento das suas missões e deveres.

É a cerimónia das condecorações e entrega de prémios.

O exemplo que se aponta a todos…

Aqui o que está em causa é a importância da condecoração e não o posto ou categoria, dos condecorados; por isso a sequência é ditada pela condecoração mais elevada, independentemente da hierarquia dos agraciados.

Representam as condecorações, uma distinção de mérito, um prémio à competência e às virtudes militares, que não tem expressão monetária – embora tenha influência na avaliação do mérito relativo para promoção – o que evidencia mais uma vez, a condição de servidores do bem público, atribuída aos militares.

Situação cada vez mais difícil de «entender» pela sociedade contemporânea…

A cerimónia termina com o desfile das forças em parada (infelizmente cada vez mais diminutas devido à falta de efectivos existente), onde só há uma maneira de fazer as coisas, que é bem, com garbo, queixo levantado e batimento forte.

Outra agradável constatação pois tudo saíu certinho e até com «souplesse»!

Desfile de meios aéreos em formação cerrada, ao passarem as últimas tropas, como é de boa tradição e num «timing» perfeito.

Foi o momento do «da pele de galinha»

Este desfile aéreo não deve ser posto em causa por maiores que sejam as restrições orçamentais, pois é nos meios aéreos e suas tripulações, que está centrado o âmago do cumprimento da missão, para a qual todas as restantes especialidades e órgãos concorrem.

E não posso, para terminar, deixar de referir a missão primária e fundamental, da Base Aérea N.º 5, consubstanciada nas esquadras 201 e 304, que é a da defesa do espaço aéreo nacional, e que mais ninguém pode, ou está apto, a cumprir.[2]

Por via desta missão e do cunho inicial que lhe foi dado pelo primeiro pessoal que a guarneceu, a partir de 1959, esta base tem um «espírito» diferente de todas as outras bases e isso é transversal a oficiais, sargentos, praças e civis; bem como às diversas especialidades existentes, havendo um maior entrosamento entre o pessoal navegante e o restante para o cumprimento das missões operacionais.[3]

O que nada diminui as restantes bases existentes, a velhinha e aristocrática BA1, em Sintra; a vetusta e, na altura, pólo de força e modernidade, ex-Base Aérea n.º 2, na Ota; a Base Aérea n.º 3, em Tancos, que transitou (mal) para o Exército e devia ser a última Base Aérea a encerrar, se alguma vez chegássemos a tanto; a BA4, nas Lages, sentinela avançada no Atlântico; a BA6, no Montijo, construída de raiz para ser a melhor base da Antiga Aviação Naval; a extinta BA7, em Aveiro, berço de tantos pilotos e a BA11, em Beja, magnífica (senão a melhor) infraestrutura aeronáutica, do inventário, cuja construção herdámos dos alemães.

Mas é na BA5 que está centrada a missão mais importante (não direi nobre, pois todas as missões o são), por relevante e única, do poder aéreo: A defesa aérea consubstanciada na aviação de caça.

E serão eles, dada a natureza das coisas da guerra que, normalmente, primeiro entrarão em combate, caso essa situação se venha a verificar.

E não é todos os dias que assistimos a uma formação de sete F-16 em escalão para a direita, entre a «inicial» e a «ruptura», seguido da aterragem.[4]

Confesso que ainda fazia uma perninha.


[1] RDM – Regulamento de Disciplina Militar.

[2] Esquadra 201, Falcões, lema «Guerra ou Paz, tanto nos faz»; Esquadra 304, Jaguares, lema «De nada a forte gente se temia».

[3] Devia-se fazer um esforço em convidar o maior número de pessoal que lá prestou serviço, para assistirem ao dia da «sua» base!

[4] Espero que não tenham a triste ideia de venderem mais dos nossos…





quarta-feira, 5 de outubro de 2016


Os ricos, nossos amigos


Helena Matos, Observador, 2 de Outubro de 2016

Criar ricos é muito mais fácil do que criar riqueza. Basta alterar por decreto o valor do património que faz de cada um de nós um rico. Não duvido que dentro de pouco tempo seremos todos ricos.

Os ricos são muito nossos amigos e muito úteis. Sem os ricos não se pode governar porque são os ricos quem tem o dinheiro que os governos dão aos pobrezinhos, aos remediados, à classe média e também aos ricos seus amigos.

Os ricos têm, no banco, o dinheiro que permite aumentar as pensões de miséria e são donos das casas que devem pagar mais impostos para acabar com a privatização dos transportes e de caminho com as obras no Palácio da Ajuda. Os ricos fazem muita falta. Temos até de construir estufas para produzir mais ricos porque cada vez precisamos mais deles. Afinal sem ricos não há dinheiro e sem dinheiro não há políticas para virar a página da austeridade.

Se cada rico depois de pagar os seus impostos ainda pagar mais dez euros para aumentar as pensões e mais dez para ficarmos com os Mirós e mais dez para termos medicamentos nos hospitais e mais dez para os artistas fazerem cultura e mais dez para que as florestas não morram e mais dez para o direito à habitação e mais dez para que os carros sejam eléctricos e mais dez para que aumente o número de professores sem turma e mais dez para que o que for preciso, libertamo-nos de vez do problema da falta de crescimento da economia. Basta ir buscar dinheiro aos ricos.

Tal como no passado possuir uma vaca afiançava a sobrevivência do agricultor, agora ter um rico guardadinho só para si não no estábulo mas na Autoridade Tributária garante a cada um de nós a manutenção dos direitos atribuídos pelos nossos governos quando pensam em eleições. Os governos que não são nossos amigos pretendiam que o dinheiro viria do investimento e da economia. Mas depois deu-se esta revolução que tudo mudou: se cada um de nós domesticar um rico tem garantida a sua sobrevivência e a libertação da selva dos mercados. Claro que um rico dá para mais do que uma pessoa (desde que o nosso concidadão José Sócrates não entre nesta aritmética!) mas é precisamente para isso que existe o Governo: para repartir com justiça a riqueza de cada rico.

A domesticação dos ricos é por isso o passo mais importante nas nossas vidas desde a domesticação dos animais feita pelos nossos antepassados. Obviamente que tal como no Neolítico os animais resistiam à domesticação também os ricos nem sempre aceitam a mudança. Os mais difíceis de domesticar são mesmo aqueles que se obstinam em dizer que não são ricos, que trabalham e poupam… Enfim, arcaísmos! Importante, importante é saber a cada momento se estamos diante de um muito rico, um rico ou apenas um bocadinho rico. Quem sabe um dia teremos um ricómetro ou seja uma geringonça que no próprio instante determina o nosso grau de riqueza!

Mas seja qual for o grau de riqueza, um rico que em 2016 em Portugal não mostra o que tem, é como uma vaca que no século passado, depois de em vida ter dado leite, se recusasse, depois de morta, a dar a carne para comermos, a pele para a indústria dos curtumes, os chifres para os pentes e cabos de talheres sem esquecer os tendões que também serviam para qualquer coisa que agora não me lembra mas que a dona Maria que regia a primeira e a segunda classes garantia ser muito importante: «na vaca tudo se aproveita» – dizia a dona Maria e nós, aprendizes das primeira letras, repetíamos-lhe a lição com rigores de magarefe.

Felizmente que no novo tempo as criancinha só fazem redacções sobre as vantagens do comércio justo da quinoa e as vacas passaram a seres sencientes, a saber criaturas com os direitos dos humanos mas sem os seus deveres nomeadamente os fiscais o que pode levar a que vários ricos, manhosos como é seu hábito, invoquem sentir-se animais unicamente para não pagarem taxas. A possibilidade de vermos aparecer transgender fiscais desde já deve merecer a atenção do senhor Ralha «vale tudo para cobrar mais impostos» pois não se vê como podendo uma pessoa mudar de sexo unicamente porque lhe apetece não há-de passar de homem para cão quando lhe der fiscalmente na gana.

Mas continuando, a domesticação dos animais é hoje uma recordação de um passado em que aos animais estava reservado um papel submisso. Civilizados como somos agora só bebemos leite de soja – donde não nos podemos esquecer de pedir mais dez euros aos ricos para que os produtores de leite de vaca deixem o leite para os bezerros e também mais dez euros para reconverter os produtores de carne de vaca em produtores de trevos de quatro folhas para alimentar os animais salvos dos matadouros. Mais cedo ou mais tarde teremos de pedir desculpa aos animais por todos os assados, costeletas e guisados s em que os transformámos. Por todas as cargas que carregaram. Por todos os campos que lavraram… E pensar que tanto sofrimento foi inútil! O segredo da riqueza estava ali ao alcance da nossa mão. Bastava ter imaginação. Bastava sonhar. Bastava ousar… Domesticam-se os ricos, dá-se um rico a cada cem pobres (mais uma vez, não esquecer que José Sócrates não pode entrar nestas contas porque elas ainda não contemplam fatinhos em Rodeo Drive) e está resolvido o problema.

Àqueles desmancha-sonhos que se estão a perguntar como resolver o problema da reposição de ricos para continuar a garantir que nunca faltarão contas bancárias onde ir buscar o dinheiro para sustentar esta nova economia, chamo a atenção que a reposição de stocks, ou se quisemos o problemas das prateleiras vazias (de medicamentos ou de ricos é o mesmo) sempre foi uma marca do socialismo e não foi por causa desse por assim dizer somenos que o socialismo deixou de se apresentar como uma alternativa política válida e para mais humanista. De qualquer modo essas angústias só assistem a quem ignora as potencialidades do Diário da República. Afinal é mais fácil criar ricos do que abastecer supermercados na Venezuela, garantir em Portugal material no SNS até ao final deste ano e sobretudo é muito mais fácil criar ricos do que riqueza. Basta alterar por decreto o valor do património que faz de cada um de nós um rico. Não duvido que dentro de pouco tempo seremos ricos a partir dos mil euros no banco.

Portugal acabará com onze milhões de ricos. E naturalmente com António Costa de sorriso estampado no rosto a congratular-se pelo seu sucesso no combate à pobreza.






Daniel Sampaio: o hipócrita e sonso

da corrupção da juventude


Heduíno Gomes

Circula pelo Facebook uma entrevista de Daniel Sampaio ao Jornal de Leiria (Os pais não são amigos dos filhos. São adultos e devem funcionar como tal, traçando limites, 26 de Maio de 2016) que pode levar as pessoas a pensar que o sujeito é defensor da autoridade dos pais.


Acreditem nas palavras «sensatas» deste hipócrita, acreditem...

Ele aqui diz isto, a armar em pessoa de bom senso. Mas na volta...

Eis o que ele diz ao vivo aos jovens.

Eu ouvi-o, com os meus ouvidos, no Fórum Picoas, num evento da revista do DN organizado pela «católica progressista» Isabel Stilwell — irmã do padre do mesmo nome igualmente «progressista» —, perante uma plateia de jovens, defender que estes deveriam comportar-se à revelia dos pais, classificados de «botas de elástico» por este «educador» «especialista de educação de jovens». Com o aplauso do agente de viagens, que patrocinava o evento, claro.

Então, afinal, os pais devem exercer autoridade ou serão «botas de elástico» quando tentam exercê-la?

Eis a hipocrisia deste figurão do regime.

O oportunista escreve livros soft e fala soft quando vai à televisão, que é para vender os livros à grande massa de pais e professores crédulos. Na realidade é um dos maiores venenos que por aí há a corromper a juventude.

Ele é um dos patronos da chamada «educação sexual» nas escolas, que na realidade significa a sexualização da escola. Eis com que princípios.

Ele é um dos apoiantes do lóbi dos invertidos, a que a chamada «educação sexual» nas escolas obedece.

Ele é um dos apoiantes da «teoria do género», a que a chamada «educação sexual» nas escolas obedece.

Ele é um confesso abortista (e um dos signatários de um manifesto abortista promovido pelo PCP), a que a chamada «educação sexual» nas escolas obedece.

Em psiquiatra, mais descarado do que ele só o Júlio Machado Vaz. Apenas no descaramento. Porque na essência são iguais.


Como eles gostam de ler o Sampaio...

(http://good-blog-bad-blog.blogspot.pt/2014/09/books-with-gays-in-it.html)





sábado, 1 de outubro de 2016


Os Comandos: Agora a sério[1]


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

«A Infantaria não é uma pêra doce».
Capitão Moura (meu instrutor em 1972/73).

Um determinado tipo/especialidade/arma/serviço de um Exército (no conceito lato de Forças Armadas) deve ser criado ou extinto, por uma simples e única razão: existir ou não, uma necessidade doutrinária/estratégica/táctica, para a sua criação, manutenção ou extinção. Tudo o resto são divagações.

Por isso é que os Alabardeiros foram extintos a partir do fim do século XVI e os Fuzileiros renasceram em 1961.[2]

Os Comandos também surgiram em 1962, devido a uma necessidade premente de ter uma força específica de contra-guerrilha que cumprisse missões que mais ninguém fazia, ultrapassando rapidamente a especialidade de «caçadores especiais» – que tinham a sua inspiração remota nos Batalhões de Caçadores das Guerras Peninsulares – preparados em Lamego e que tiveram uma vida efémera.

No fundo a preparação dos caçadores especiais, era aquela que devia ser comum a todas as unidades de infantaria…

É evidente que a partir do 25 de Novembro de 1975, no caso específico português,[3] e na queda do muro de Berlim, em 1989, na generalidade dos países europeus, passaram a existir dois outros aspectos que condicionaram a maneira como os políticos e a opinião publicada passaram a olhar para as FA: a sua dispensabilidade e a alocação de meios financeiros.

O resultado tem sido um desastre extenso em termos de segurança e de vivência em sociedade.

Daí que, e agora vamos reportarmo-nos apenas ao âmbito nacional, as FA tenham vindo a ser reduzidas a termos simbólicos e a IM e os militares, a serem apoucados; a condição militar – que é o fulcro da idiossincrasia da profissão militar – a ser destruída e a Deontologia triturada.

Tudo, porém, acompanhado de um conjunto de mentiras matraqueadas «ad nauseum», e em que quase todos colaboraram, de que tudo era feito para «racionalizar» a estrutura e os meios existentes; adequado e adaptado às novas «realidades» estratégicas e geopolíticas; às necessidades de «contenção financeira» (enquanto se esbanjavam e roubavam biliões em todas as outras áreas) e «last but not least», tudo se passando em harmonia e de acordo com as chefias militares…

Que cambada de despudorados mentirosos!

E ainda com uma outra particularidade, ainda mais despudorada e deveras infantil: a de que, até hoje, ninguém ter tido a coragem e a decência, de cortar uma única missão que fosse, a qualquer ramo das Forças Armadas!

Está tudo preso por fios e ninguém tem vergonha na cara.

Por isso o que é de admirar – e já agora de louvar! – é que não haja mais problemas, incidentes, acidentes ou falhanços – quando se pretende cumprir todas as missões com cada vez menos dinheiro, homens, treino, logística, concorrentes às fileiras, disciplina, moral, etc…

Não tenho dúvida em afirmar que, se qualquer empresa, organismo do Estado ou instituição civil, tivesse passado por um/vinte avos daquilo por que tem passado a Instituição Militar, já tinha cessado há muito, a sua actividade!

*****

É sobretudo pelos resultados que qualquer organismo deve ser avaliado.

Ora, com todas as «facadas» que a IM levou, as mais dolorosas das quais, foram facadas espirituais e não materiais, e de terem emergido do caos do maldito «PREC»,[4] onde se meteram e se deixaram meter, rapidamente se convertendo numa força armada tão boa como as mais modernas existentes, descontando os «hiatos» logísticos, tecnológicos e em armamento, existente para as mais avançadas e equipadas, nestes âmbitos.

E esta avaliação passou a ser feita não só no âmbito dos exercícios da NATO como também pelos Comandantes de Teatro (mais de 30), onde desde os anos 90 do século passado, forças militares portuguesas actuaram.

O mesmo se passou, até com especial destaque, para com as tropas «Comando», sempre empregues nas zonas e nas operações mais difíceis e exigentes.

Ora tudo isto não se consegue propriamente com jogos de escuteiros (embora sejam excelentes), exercícios de ginástica sueca, das nove às cinco, concertos rock ou com actividades tipo daquelas efectuadas nos acampamentos do Bloco de Esquerda.

Requer muito empenho, treino, suor, estudo, carácter, nódoas negras, sacrifício, desenvolvimento de capacidades múltiplas, disciplina e doutrinação mental e muitas coisas mais, completamente arredadas do dia-a-dia da gorda, titubeante, baralhada, ignorante e imbecilizada, maioria da sociedade contemporânea.

E todas as actividades de treino militar são envoltas em risco elevado, não havendo volta a dar! Uma evidência que muitos pretendem escamotear…

Por outras palavras, os acidentes são sempre uma possibilidade acrescida.

Não está em causa – e nunca esteve – que tudo se deve fazer para minimizar os riscos e quando existam acidentes, estes devem ser investigados para se tirarem ensinamentos para o futuro e apurar responsabilidades – outro âmbito em que a sociedade civil deve aprender com os militares, vide a matança existente nas estradas e o rol de acidentes no trabalho, ocorridos anualmente (só para citar estes)!

E que se saiba, a CP ainda não deixou de enviar comboios para Espanha, depois do inexplicável acidente recente, na Galiza, onde houve a lamentar vários mortos…

O que é de procurar entender, especialmente neste último caso ocorrido nos Comandos, é o facto de tal ter acontecido no primeiro dia de instrução do curso e ao fim de seis horas; numa prova apelidada de «aptidão comando», especialmente desenhada para o Ultramar, onde antigamente se dava um cantil por dia, por instruendo e agora já se distribui 7,5l…[5]

Como é que um instruendo apresenta, aparentemente, o fígado destruído (a sede ataca sobretudo os rins) e ainda não se sabe se alguém utilizou substâncias químicas para melhor superarem o rigor dos treinos. A autópsia o dirá.

A decisão médica de evacuação e em que termos, também me parece ser um ponto critico neste caso – seguramente que não foi avaliado nenhum problema de extrema gravidade, senão ter-se-ia accionado o helicóptero de alerta na BA6 (Montijo) a cinco minutos de tempo de voo.

E o que dizer do facto do actual Hospital das Forças Armadas (o Serviço de Saúde Militar tem vindo a ser destruído pelos sucessivos governos anteriores), não se atrevesse a receber e a tratar, os militares evacuados, enviando-os para os hospitais civis? Para que serve pois, o HFAR?

Esperemos que todas as questões sejam esclarecidas, e a opinião pública e sobretudo as famílias, informadas da causa da morte dos militares, naquilo que não ponha em causa qualquer aspecto que seja considerado classificado.

Como pano de fundo de tudo isto devemos ainda referir, e para terminar, um aspecto transversal a toda a sociedade portuguesa e ocidental, que é mister acudir: a falta de candidatos à vida militar em quantidade e qualidade suficiente.

A juventude – e os mais velhos também, pois esta situação já leva décadas – perderam toda a rusticidade, deixou de ser preparada para as dificuldades da vida e está inundada de individualismo e relativismo moral.

Pode dizer-se que é o preço do «desenvolvimento», eu diria que são os sintomas da decadência. Desde a queda do Império Romano que se sabe que é assim, mas nunca se quis assumir tal consciência!

A instrução dada no sistema de ensino, é um desastre extenso, a educação familiar, acompanha quando não fomenta o mesmo, em conluio com sindicatos, políticos, «media», etc…

O desporto escolar e universitário é quase inexistente e deixado à balda; os «campus» universitários passaram a ser espaços onde campeiam os desregramentos e excessos com álcool, estupefacientes, batota e sexuais, já sem contar com toda a casta de experiências pedagógicas delirantes que começam na pré-primária…

Salvo raras e honrosas excepções pode-se acreditar tanto no sistema de avaliação, como na qualidade dos relógios vendidos pelos ciganos na feira da Amareleja…

A malta nova, mal nutrida – apesar das campanhas todas de sensibilização – anda com a coluna deformada pela falta de postura no assento e camas fofas; tem a vista num molho de brócolos por causa dos vídeo jogos e os ouvidos estuporados por causa dos MP3, música rock aos berros e discotecas sem regras nos decibéis.

E como lhes andam a dizer desde pequeninos que têm direito a tudo e dever a nada (menos pagar impostos); que o dia de amanhã será cor-de-rosa (demagogia dos Partidos), são super protegidos desde o berço e deixaram de jogar à bola na rua, ou subir às árvores para verem os ninhos (ninhos, o que é isso?), etc., deixaram de ter vontade própria e tendem a desistir à primeira dificuldade que lhes surja, tal como privá-los de telemóveis durante uns dias...

Os resultados de todo este desastre que se perpetua (pois ganhar votos não se compadece com emendar seja o que for), salta bem à vista nos resultados dos concursos de todas as incorporações militares, desde as praças até aos candidatos às Academias Militares. Estes resultados deviam ser estudados e sobre eles elaborados relatórios adequados, pois permitem visualizar em corte, o estado da juventude à volta dos 20 anos.

Estes relatórios deviam ser entregues e discutidos em Conselho de Ministros e Parlamento, pois são as únicas entidades que podem influir nas eventuais correcções a fazer.

É sobretudo neste âmbito que valeria a pena debruçarem-se nas investigações a realizar ao que se passou nos «Comandos» (que têm problemas específicos de recrutamento, que não vou esmiuçar).

Com esta sociedade que criámos, é impossível ter um Exército digno desse nome… Mas isto digo eu, que sou estúpido, ao ponto de andar, há décadas, a malhar neste ferro, que nunca está quente para se poder modificar.


[1] Embora a crítica ao Bloco de Esquerda também fosse muito a sério…

[2] Os Alabardeiros foram sendo postos de lado a partir das derrotas dos Suíços em meados do Século XVI e com a vulgarização da arma de fogo. Tiveram durante muito tempo depois, uma função honorífica.

[3] Mais propriamente, a partir de 1982, com a extinção do Conselho da Revolução e a Lei 29/92, Lei da Defesa Nacional e das FA.

[4] Processo Revolucionário em Curso – 11/3/75 (no fundo desde 26/4/74) – 25/11/75.

[5] De referir que todos os instruendos eram já militares com a recruta feita.





quarta-feira, 21 de setembro de 2016


Última hora: O Bloco de Esquerda reorganiza

os «Comandos»


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador, 20 de Setembro de 2016

Fontes geralmente bem informadas revelaram que os equilíbrios instáveis no «governo geringoncional», obrigaram o PM – o feliz e bem – humorado António Sorridente Costa a ordenar ao inefável e consideradíssimo MDN, que constituísse um grupo de trabalho (GT), a funcionar nas alcatifas fofas do 7.º piso do edifício do Restelo – onde a Câmara de Lisboa já mandou retirar todo e qualquer símbolo que pudesse lembrar o tenebroso passado colonial português (as janelas que davam para o antigo Jardim do Ultramar foram até mandadas entaipar).

Este GT seria presidido pela novel especialista em assuntos de Defesa, de seu nome Catarina «Eufémia/Eumacho» Martins, acolitada por um representante de cada facção do lixo ideológico amalgamado numa coisa a que chamaram Bloco de Esquerda (BE) (conhecido na gíria por Bloco Canhoto, Bloco de Esterco, Bloco de Estrume, etc., tudo termos depreciativos que os invejosos da oposição põem a correr subversivamente para os denegrirem…)

Até ao momento em que escrevemos estas linhas não se sabe quantos membros vai ter o GT, já que ninguém se entende no tal BE, sobre quantas tendências há, ou se o GT há-de ter uma coordenação bicéfala, tricéfala, ou outra. Provavelmente, digo eu, vai acabar tudo ao molho e fé em belzebu!

Bom, quando soube disto o Dr. Azeredo Lopes apanhou um «golpe de calor», arrancou em fúria a gravata da sua desabotoada camisa (de onde se podiam vislumbrar uns pêlos negros – o homem é peludo, portanto) e mandou o chefe de gabinete recolher todas as gravatas que havia no piso e enviá-las para um qualquer centro de refugiados na Grécia, jurando que era desta que nunca mais usava semelhante objecto de tortura medieval.

O «Comandante Supremo» que passasse revista às tropas (que ele até gostava disso), terá pensado, ou mandaria o secretário Perestrello representá-lo, pois até estava no cargo uma segunda vez, para ver se levantava a nota (ah, ah, ah, como o filho do caseiro se deve estar a rir!).[1]

Mas, pensando melhor, o MDN lá convocou o tal GT, não fosse o belzebu tecê-las…

Naturalmente os chefes militares souberam de tal decisão pela imparcialíssima e mui profissional comunicação social, podendo inferir-se que tenham reagido da mesma maneira, quando confrontados com casos semelhantes no passado.

A sala e os corredores de alcatifas fofas tinham ainda a vantagem no caso, remoto, do chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, ser convocado pela Catarina, para dar o seu parecer, este possa explicar como se enrola uma cambalhota em frente; rasteja de costas, executa uma «queda na máscara», simula o «passo fantasma», etc.[2]

A praxe faz muita falta e a «aplicação militar» é (era) linda!…

O relatório final foi célere, já que foi escrito apenas pela «coordenadora» do mesmo, por via dos elementos do GT o terem abandonado por diversas razões: três por se declararem objectores de consciência e ficarem com erupções de pele só de pensarem naquelas barbaridades todas; um saiu em protesto contra o facto de não haver um único transexual no GT; outro foi internado de repente devido a uma «overdose»; um deles nunca conseguiu chegar a horas a nenhuma reunião; uma recusou-se a identificar-se para entrar no edifício, ficando à porta com um cartaz a protestar contra tal violência; um outro ficou de tal maneira confuso com a terminologia que encontrou, que foi logo para casa digerir que um «tanque» não servia só para lavar a roupa ou molhar os pés; um «canhão» não significava uma manga de casaco com botões; uma continência não era um aceno lúbrico e não devia ser acompanhado de expressões como «oi»; que havia navios para além dos cacilheiros e que podiam ser armados e tudo (se bem que ele tivesse uma lembrança que um «fascista» de nome Vasco da Cama, ou Casco da Gama, tinha chegado à Índia num barco a remos a fim de roubar pimenta aos indígenas); e não conseguia entender que houvesse aviões, ainda por cima tão bonitos, que andassem para trás, e para a frente, sem ser com o objectivo de levar turistas à Tailândia, a fim de massajarem as têmporas ou irem fumar uns charros a Amesterdão.

Deste modo a dita Catarina encantada com a oportunidade única que se lhe deparava, elaborou uma série de propostas de onde se respingam:

O código «Comando» seria substituído pela Declaração Universal dos Direitos dos Animais, perdão, dos Homens; no mastro destinado à Bandeira Nacional, esta seria substituída por uma outra totalmente branca; as formaturas seriam trocadas por «molhadas»; a instrução do dia seguinte seria discutida em plenário, na véspera; o lema dos Comandos – designação a substituir por «delícias do campo» – deixaria de ser «Mama Sumae» (aqui estamos, prontos para o sacrifício) para ser «avante rebaldaria»; deixaria de haver postos (que diabo somos todos iguais!), e a continência seria suprimida – não se pode impor nada a ninguém – e substituída por saudações modernaças tais como «xau meu», «tas bué fixe»? «Topas?», etc…

O horário seria das 09:00 às 17:00 (enfim, mais ou menos), com amplos intervalos para descanso, refrescos e rancho reforçado (com muita rúcula, sushi, bagas e tofu) e cada instrutor seria sempre acompanhado por um canhoto militante devidamente certificado (de preferência LGBTQIA+).

Não haveria apenas um uniforme, mas sim uns 20, à escolha, já que a não ser assim tal constituiria uma castração inadmissível da personalidade; uma aberração quanto à livre escolha e um insulto à originalidade!

A instrução seria dada em salas climatizadas, com cada instruendo usando um termómetro no sovaco; as tácticas seriam estudadas em vídeo jogos; só seriam disparadas balas de borracha e apenas para o ar e seria abolida toda a linguagem agressiva, patriótica, máscula, etc., e qualquer tipo de vernáculo, tidos como reminiscências serôdias e imperialistas do malandro do Afonso Henriques e seus descendentes desequilibrados.

Deste modo o relatório garantia que não haveria mais mortes na instrução ao mesmo tempo que assegurava a constituição da melhor unidade jamais constituída que garantia a preservação da paz e o amor fraternal, perpétuo e universal.

Só não prometia a vida eterna – uma falha deveras lamentável e incompreensível – falha esta logo aproveitada pela Conferência Episcopal, que disse que esse assunto era com eles, apesar de a Catarina ter sugerido, entretanto, retirar todos os crucifixos das unidades militares e proibir a entrada de capelães (enfim, com a excepção, se forem muçulmanos).

Consta que o relatório teve um bom acolhimento no seio do partido no governo, nomeadamente da sua ala esquerda, onde se destaca o «Grupo de Argel» (para quem os «Comandos» seriam certamente um grupo a abater nos mais escuros momentos da «guerra colonial»); os partidos tidos de Direita (ah, ah, ah), armados em betinhos, liberais, aburguesados, cumpriram o dever de fazer uma ou outra crítica pontual e demagógica, num âmbito onde só têm feito asneiras ao longo do tempo.

O PCP, discreto e comedido, como sempre, fez um protesto cândido, defendendo que a instrução dos «Komandos» devia passar a ser feita na Sibéria…

O pessoal da Força Aérea (abençoados) ofereceram-se, espontaneamente, para carregarem os C-130 (e mais que houvesse) com militantes bloqueiros escolhidos entre os menos néscios, e largá-los nas montanhas do Afeganistão, a fim de participarem num estágio de sobrevivência.

O Comandante Supremo avisou entretanto, que se o relatório fosse aprovado (apesar de conter ideias muito construtivas) convidaria o Secretário-Geral da NATO para o próximo Conselho de Estado, a realizar em Bruxelas, onde o assunto iria ser discutido.[3]

Parafraseando o Eça, Portugal deixou de ser um país para ser um sítio. Mal, mesmo muito mal, frequentado.


[1] Um tal António de Oliveira Salazar, que intentou namorar uma Perestrello tendo sido apostrofado com o epíteto, pela mãe da mesma…

[2] Para estes casos o general CEMGFA apresentar-se-ia de uniforme n.º 3 sem nada por baixo (ai do último!).

[3] Os exaustos membros da casa civil e militar já procuram, afanosamente, instalações condignas para tal evento, no bairro de Molembeck.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016


As perseguições mafiosas

ao juiz Carlos Alexandre


António José Vilela e Fernando EstevesSábado, 26 de Março de 2015


O juiz de instrução Carlos Alexandre não tem tido uma vida fácil. Nos últimos 10 anos, já o ameaçaram, invadiram-lhe a casa, tentaram atropelar-lhe a mulher e agora envenenaram-lhe o cão.

O animal de nome Bart, que lhe tinha sido oferecido pelo procurador João de Melo, morreu envenenado com remédio dos ratos. Durante semanas, o cão agonizou e acabou por morrer na semana passada. Suspeita-se que alguém tenha atirado para o quintal da casa do juiz um alimento misturado com veneno para ratos.

Estes casos já não são estranhos para o magistrado judicial que há mais de 10 anos lida com os processos mais complexos relacionados com criminalidade violenta e económico financeira. Quando estava colocado na Polícia Judiciária Militar, Carlos Alexandre chegou a ser ameaçado e temeu até ser agredido dentro das instalações daquela força policial que dependia hierarquicamente do ministro da Defesa Nacional. Na altura, Paulo Portas era o titular do cargo e o juiz tinha ordenado que o seu chefe de gabinete fosse colocado sob escuta por causa de um alegado negócio de compra de material militar.

Mais tarde, já colocado no Tribunal Central de Instrução Criminal,  invadiram-lhe a residência e deixaram-lhe uma velha pistola à vista que estava guardada numa gaveta. O juiz achou que se tratava de um aviso. Apesar de ter segurança 24 horas por dia, outros dois acontecimentos viriam a deixá-lo bastante preocupado, sobretudo porque em causa esteve a mulher Felisbela, que terá sido objecto de duas tentativas de atropelamento quando passava numa passadeira para peões.

Agora foi a vez do cão da família.