BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

domingo, 24 de setembro de 2017

A formação dos pilotos civis


João José Brandão Ferreira, TCor Pil AV/Comd. Linha Aérea/Instrutor de voo
19 de Setembro de 2017

«Um piloto é uma pessoa normal em excelentes condições psicofísicas»
Definição «clássica» de piloto

A formação dos pilotos civis é hoje regulada nos países da União Europeia, fundamentalmente pelo Regulamento 1178, da UE, de 3 de Novembro de 2011, que foi também adoptado pelo nosso País.[1]

A nível da ANAC – Autoridade Nacional para estes assuntos, dependente do Secretário de Estado dos Transportes – alguns dos aspectos neste âmbito são regulados por CIAs (Circulares de Informação Aeronáutica).

À ANAC cabe ainda supervisionar, fiscalizar, regular, controlar e manter registo de todas as actividades relacionadas com a instrução de pilotagem a cargo das escolas de pilotagem, licenciadas e aprovadas por aquela Autoridade: as ATO «Approved Training Organization».

Os requisitos para um cidadão poder, por exemplo, tirar um curso integrado de piloto de linha aérea (ATPL – que é, digamos, o mais elevado), obriga a que a idade mínima seja de 18 anos (para a emissão da licença que, no início da sua carreira é a de piloto comercial – a de piloto de linha aérea exige, entre outras coisas, pelo menos 1 500 horas de voo como piloto), ter o 12.º ano de escolaridade, ou equivalente, incluíndo as cadeiras de Matemática e Física, e passar num exame médico efectuado em organização licenciada para o efeito (classe 1), mediante uma tabela de exames aprovada.[2]

A partir daqui a parte administrativa, cumprimento das aulas teóricas, efectivação do programa de voos (tudo especificado no tal Regulamento supra e traduzido em manuais aprovados para cada escola), marcação de exames e fluxo da burocracia correspondente, passa para as ATOs.

O curso tem a duração máxima de 36 meses.

O extraordinário desenvolvimento da aviação comercial (quer de transporte de passageiros, carga ou trabalho aéreo) levou a que a necessidade de tripulações, nomeadamente pilotos, se tornasse geométrica, por vezes exponencial.[3]

A tendência não mostra sinais de abrandar e as relações de trabalho vão desde o capitalismo selvagem à ditadura dos sindicatos.

Ora tudo isto levou à massificação da formação e ao florescimento de um negócio apetecível.

Na necessidade de formação de pilotos para a aviação civil deve ser tido em conta ainda, o cada vez menor número de pilotos militares que passam ao mercado civil, dado as Forças Aéreas (onde a instrução é muito mais dura e completa) terem vindo a ser reduzidas drasticamente em todos os países ocidentais.

Ora a combinação da «massificação» com a variável «negócio» pode dar (e está a dar) muito maus resultados.

Em primeiro lugar porque na massificação (há quem lhe chame «democratização») há uma tendência irresistível para baixar os padrões de exigência e qualidade aferindo-se cada vez mais por baixo. Por outro lado a supervisão e o controlo da qualidade torna-se mais difícil pelo volume de meios envolvidos.

A questão do negócio pode tornar toda a questão «explosiva». Porquê?

Naturalmente, por causa da natureza humana.

Em primeiro lugar, pela ambição desmedida do lucro – não confundir com a razoável necessidade de se obter «superavit», sem o que nenhuma empresa sobrevive; depois pela necessidade de as empresas se tornarem competitivas a fim de atraírem potenciais clientes; finalmente porque o constante disparar dos custos dos «factores de produção» (manutenção, taxas aeroportuárias, licenças, combustível, etc.), onde os salários dos profissionais envolvidos são sempre os parentes pobres!

Para já não falar, no caso português, da carga fiscal massiva imposta por sucessivos desgovernos, que traz a totalidade das empresas asfixiadas em termos financeiros.

Finalmente a eventual acção de «lobbies» da «indústria» aeronáutica, em quem legisla, não é de descurar…

Ora tudo isto constitui uma pressão imensa que leva a que se tente compensar com a redução de horas de voo, e, ou trocá-las por simulador; na diminuição ou exclusão de treino em manobras essenciais (por ex. perdas, «vrilles», atitudes anormais); menor qualidade dos equipamentos e sua manutenção, etc.

Sempre com a desculpa da evolução tecnológica e dos automatismos, por pano de fundo, o que finalmente começou a ser posto em causa com a tragédia do voo da Air Fance 447, Rio de Janeiro – Paris, em 31/5/2009, que causou 228 mortos.

Como factores adicionais de problemas, em todo este âmbito, temos o facto de cada vez, ser mais difícil encontrar instrutores de voo disponíveis (não existe nada que se assemelhe a uma carreira de instrutor e a função é mal paga – é aliás o parente pobre da aviação (idem para examinadores); a selecção dos alunos é cada vez pior e as empresas passaram a ter a péssima postura de tratarem os alunos como clientes que pagam (alguns julgam até que têm direito garantido ao brevet…) e por isso só têm direitos, ao contrário de os tratar e assumir que eles são instruendos que necessitam demonstrar que têm motivação, capacidade, querer e proficiência para conseguir uma boa prestação e assim obterem honestamente os seus diplomas e qualificações.

É preciso não esquecer que todo este estado de coisas deriva em grande parte da desastrosa permissividade, facilitismo, indisciplina, falta de autoridade e qualidade e das experiências pedagógicas delirantes, de que sofre o ensino privado e, sobretudo, público, português.[4]

E da cada vez maior falta de educação existente, derivada da desagregação da família e do relativismo moral reinante.

O que contaminou toda a sociedade.

E se isto não deve ser assim em todas as profissões creio que o pessoal navegante deve estar no grupo mais selecto, onde esta necessidade é prioritária. Penso não ter que explicar porquê.

Ora a única entidade que está, isto é, devia estar capacitada para garantir a qualidade de todo o ensino de pilotagem, e não só, é a ANAC, e o Governo e a AR – aqueles que legislam sobre o assunto.

Infelizmente desde a fundação daquela autoridade, em 1946 (DL 36061, de 27/9), com o nome de Direcção Geral de Aeronáutica Civil, raros foram os momentos (se é que algum), em que esta Autoridade esteve minimamente apetrechada em termos de meios, organização e liderança para bem cumprir a sua missão.[5]

Creio que esta afirmação não irá escandalizar qualquer cidadão que destes assuntos tenha um conhecimento, mesmo que ténue.

Ora a legislação internacional da União Europeia onde, por norma, nos integramos acriticamente, não impede salvo melhor opinião, que cada país (e por enquanto ainda há países!) não possa definir critérios mais apertados que tenham em conta os seus interesses ou especificidades próprias.

Deste modo parece haver um conjunto de medidas que urge tomar.

E a primeira é esta: é urgente tornar um curso de piloto comercial equivalente a um curso superior. A uma licenciatura que mais tarde, para quem quiser e estiver habilitado, possa evoluir para um mestrado e um doutoramento.

É perfeitamente desajustado e desprestigiante ter um comandante de linha aérea, cujas habilitações se fiquem pelo 12.º ano de escolaridade e por um «curso técnico»…

Com a inacreditável agravante de a legislação obrigar a que estejam incluídas as cadeiras de matemática e física, mas simultaneamente se permita que haja candidatos a pilotos e oficiais de operações de voo, que se possam inscrever nas ATOs sem estas cadeiras e frequentem um micro curso de 15 horas em cada uma daquelas matérias (e passem) antes de iniciarem as aulas do curso propriamente ditas.

O estado actual da organização social e do mercado faz com que este desiderato possa mais facilmente ser atingido através de parcerias entre Universidades e ATOs.

Esta modalidade permitiria ainda implementar a obrigatoriedade da existência da disciplina de educação física, dada a importância que a boa condição física tem num piloto, e sabendo-se a deplorável situação em que a esmagadora maioria dos candidatos a tripulantes chegam à porta das escolas.

Além disso estas aulas deviam visar os conhecimentos para a vida, para que estes futuros profissionais estejam aptos a manter a sua condição física à medida que a idade avança.

Outro aspecto em que o facilitismo (e a redução de custos) entrou a imperar, tem sido nas inspecções médicas. Mesmo não tendo conhecimentos apropriados nessa área arrisco-me a dizer que a triagem está facilitada e que, por exemplo, o exame conhecido por electroencefalograma nunca deveria ter sido eliminado, para já não falar na área da Psiquiatria que é pura e simplesmente ignorada.

Não é minimamente razoável, outrossim, que os candidatos a piloto (ou outros) não sejam sujeitos obrigatoriamente a testes psicotécnicos eliminatórios antes de começarem os cursos.

Tal facto deixa ao livre arbítrio de cada um e ao das escolas, fazerem-no ou não; faz entrar nos cursos uma quantidade elevada de gente que não tem capacidade mínima para a frequência do (s) curso (s) – emperrando todo o sistema – deixa passar entre as malhas pessoas que melhor seria terem escolhido outra profissão, além do que vai originar, mais tarde, uma quantidade de gente frustrada (por não arranjarem emprego), ou profissionais com limitações, na sua vida futura.

Ora mais uma vez aqui a acção da ANAC devia ser fundamental, a fim de garantir uma descriminação positiva entre os candidatos e entre as ATOs, bem como a de assegurar que as entidades que estejam devidamente licenciadas para efectuarem exames médicos e psicotécnicos, sejam auditadas frequentemente a fim de impedir que o «negócio» e a «concorrência desleal» passe para esse âmbito.

Do mesmo modo que deve haver um sistema que permita fazer inspecções inopinadas, a fim de detectar quaisquer uso de substâncias psicotrópicas ou excesso de álcool, nos corpos docentes e discentes.

O serviço de medicina aeronáutica da ANAC deveria estar habilitado, ainda, a receber e tratar casos de alunos com problemas psicológicos ou psiquiátricos que se venham a revelar durante os cursos.

Seria ainda muito conveniente que todos os assuntos que levantam problemas de interpretação e possam afectar o normal desenvolvimento da actividade das ATOs fossem objecto de CIAs a fim de se uniformizarem procedimentos – uma palavra – chave em toda a aviação – e, ou garantir a justiça relativa entre os intervenientes – uma pedra de toque nas relações humanas.

Seria ainda de boa prática, disciplinar os contactos funcionais e hierárquicos entre as ATO versus ANAC, bem como os contactos entre a entidade e os alunos, que regulamentarmente se devem fazer através das ATOs e vice-versa.

Complementarmente a tudo isto e às sempre necessárias e desejáveis inspecções periódicas ou reuniões avulsas seria, estamos em crer, de ponderar a criação de um «órgão/fórum» a nível da ANAC que reunisse anual ou bianualmente, com o fito de fazer o balanço da actividade de instrução no âmbito aeronáutico civil, onde se fariam representar todas as entidades tidas por pertinentes, e onde também se pudessem discutir os problemas que houvesse neste campo de actividade.

Que é onde tudo começa.

Finalmente será de eliminar liminarmente a possibilidade de se aceitarem candidatos com o 12.º ano sem matemática e física.

E será de ponderar, ainda, que as ATOs ou a ANAC obriguem à realização de exames prévios sobre conhecimentos gerais, dado não se poder confiar nos conhecimentos dos jovens formados nas escolas secundárias, que se deveriam voltar a chamar liceus e escolas comerciais e técnicas.

De saudosa memória.

É que, a maioria dos alunos que frequentam um curso de pilotagem não sabem, sequer, a tabuada. E juro que falo com conhecimento de causa!

A complicar as coisas inventou-se um sistema de ensino modular. Isto é, para os alunos que não conseguem finalizar o curso no prazo previsto (36 meses), é-lhes agora permitido continuarem o curso por módulos (nocturno, instrumentos e multimotor), desde que tenham cumprido determinados requisitos.

Ora tal modalidade além de tender a causar uma gestão caótica nos cursos, subverte por completo uma «base doutrinária», há muito estabelecida na Aviação e que é esta: um candidato a piloto tem não só de ser capaz de se tornar proficiente num conjunto de matérias, exercícios e procedimentos, mas também de o fazer num determinado período de tempo.

Não é como outro curso qualquer que um «aluno» pode continuar aluno «ad eternum».

E sabem que mais? Esta doutrina está, a vários títulos, correcta!

E já nem vou falar na «licença de piloto» multi-crew (MPL), e no «e-learning», ou ensino à distância…

*****

Dado que os cursos de pilotagem são muito caros e desenvolvem-se num relativo curto espaço de tempo, devem ser pensadas formas de financiamento atractivas, que permitam aos candidatos a pilotos e ATOs, suportar os custos de formação inerentes, sob pena de todo o sistema colapsar ou, no mínimo, não se conseguir a breve trecho o número de pilotos em quantidade e qualidade, que o mercado requer.

Tudo o que se passa com o espectro dos alunos que vêm frequentar um curso de pilotagem civil – a sua idade, formação, motivação, trilho de vida, etc. – daria um interessante estudo sociológico. Mas ainda ninguém se lembrou de o fazer.

ANAC, sindicatos, associações de pessoal navegante, indústria aeronáutica, empresas de aviação, etc., poderiam aqui ter um papel relevante.

É que neste âmbito, como noutros, o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho, é no dicionário.

Se tiverem dúvidas, mesmo assim, meditem no lema do ministério da educação de Singapura (que bem deveria ser copiado para o de Portugal): se acham que a Instrução é cara, experimentem a ignorância!


[1] Aprovado no seguimento do Regulamento (EC) n.º 216/2008, de 20 de Fevereiro, do Parlamento Europeu.

[2] A legislação que se aplica em Portugal é a da UE; porém, quando a legislação europeia é omissa e existe legislação nacional, aplica-se esta, desde que não conflitua com aquela. O que regulava do anterior estes aspectos era o decreto-lei 17-A/2004, de 16 de Janeiro (que sofreu uma alteração dos seus artigos 28 e 29, em Agosto desse ano), que postula (e é idêntico para o curso de piloto comercial – CPL) « a) ter completado 18 anos de idade à data de emissão da licença; b) ter completado o 12.º ano de escolaridade ou equivalente em área que inclua as disciplinas de Matemática e Física ou demonstrar conhecimentos de matemática e física mediante aprovação em exame a realizar pelo INAC, tendo neste último caso, de ter completado, pelo menos, a escolaridade mínima obrigatória». Ora aqui levanta-se a dúvida se os candidatos a admitir têm de ter o 12.º ano ou basta o 9.º (que representa a escolaridade mínima obrigatória, em Portugal, mais os tais exames (ridículos) nas disciplinas apontadas. Presume-se que o decreto-lei esteja em vigor, já que o Reg. 1178, é omisso nestes pontos.

[3] Em artigo credível, do caderno de Economia do «Expresso» de 19/8/17, é afirmado que serão necessários 617 mil pilotos, para a aviação comercial, até 2035.

[4] Eu sei que não é só o nosso, mas com o mal dos outros posso eu bem, como soi dizer-se.

[5] Decreto-Lei 36061, de 27 de Dezembro





sábado, 23 de setembro de 2017

Não há ministro — no limite, não há Exército


David Martelo, coronel do Exército, 11 de Setembro de 2017

Depois da preocupante entrevista do ministro da Defesa ao DN e TSF, em 10 de Setembro, já não há contenção verbal que se não transforme em desinteresse ou cumplicidade. Se é verdade que a maioria do país – jornais, televisão, rádio, partidos políticos – terá enorme apetência por assestar as suas baterias na figura de Azeredo Lopes, importa perceber que o problema do ministro, sendo muito grave, é de resolução relativamente fácil. O mesmo se não pode dizer do Comando do Exército, o qual, inexplicavelmente, é dado como desaparecido (e não foi em combate).

Em poucos meses, vieram para o domínio público os dolorosos acontecimentos relacionados com a morte de dois instruendos do Curso de Comandos e o espantoso «caso de Tancos» – assim mesmo, com aspas, porque já não é certo que seja algo relacionado com uma organização militar.

Não custa a crer que o enorme desinvestimento a que sucessivos governos têm vindo a sujeitar as Forças Armadas (FA) tenha algo a ver com o filme de terror a que vimos assistindo nos últimos meses. Mas é chegado o momento de falar claro sobre o Exército e as responsabilidades próprias que o Ramo tem no desprestigiante cenário que está perante os olhos dos Portugueses.

Quando o ministro afirma ao DN/TSF que, «no limite, pode não ter havido furto nenhum», está a acusar o Comando do Exército de completa incapacidade para, ao fim de cerca de 70 dias, ter alguma certeza sobre o que se passou em Tancos, que pudesse ser objecto de um sucinto Relatório Preliminar. O silêncio humilhante do Comando do Exército parece confirmar esta sombria realidade. E, se o silêncio é, por si só, humilhante para a hierarquia superior do Exército, é igualmente humilhante para todos os militares, no activo, na reserva e na reforma, impossibilitados, por assombrosa falta de informação, de perceberem o que se passou e poderem usar essa informação no convívio com os seus familiares e amigos.

É uma emergência nacional a tarefa de pôr fim a esta calamidade militar. O Exército tem de ser objecto de uma urgente reanimação, na qual não podem participar os quadros que o fizeram marchar, num pântano de inaceitáveis cedências e egoísmos carreiristas, para a deplorável situação em que se encontra. É urgente a ascensão ao topo do Exército de oficiais que deixem de ser os representantes do governo junto dos seus militares e sejam, acima de tudo, os representantes dos militares junto do governo.

É difícil fazer chegar ao topo militares com perfil de CORAGEM? Sim, especialmente em tempo de paz. Como afirmava Charles de Gaulle:

As personalidades poderosas, orientadas para a luta, para os grandes acontecimentos, nem sempre são detentoras dessas vantagens fáceis, dessa sedução superficial, que agradam no dia-a-dia. Os temperamentos sujeitos a censuras são, por norma, ásperos, incómodos, até cruéis. Se as massas concordam, em surdina, com a sua superioridade e lhes prestam uma obscura justiça, é raro, no entanto, que os amem e que, consequentemente, os beneficiem. A selecção que administra as carreiras recai mais gostosamente sobre o que agrada do que sobre o que merece.[1]

Tem sido este o drama da selecção dos altos postos do Exército. Quando chega a ocasião de nomear um novo Chefe de Estado-Maior, tem sido regra, com poucas excepções, a escolha do mais sorridente e colaborante dos candidatos. Alguém que não traga problemas e esteja muito contente por ter chegado onde chegou. Este perfil não serve para a emergência que o Exército atravessa. O Presidente da República e Comandante Supremo das FA tem, nesta conjuntura, o dever patriótico de influenciar decisivamente a escolha do próximo chefe do Exército, ao qual competirá conduzir a reconstrução do MORAL dos seus subordinados, fazendo-os voltar ao culto do brio sem o qual tudo fica em causa. Razão tinha Napoleão Bonaparte quando afirmava que «na guerra, o moral está para o físico como três para um». E, é justamente no plano moral que o Exército se encontra submerso. Já nem pia!


[1] Charles de Gaulle, Le fil de l’épée, Plon, Paris, 1971, p. 49.





Já não existe Natureza, abre-se o reino do desejo




Pedro Vaz Patto

Para a «ideologia do género» este será uma escolha independente do sexo de nascença e não haverá modelos de família (homossexual ou heterossexual) de referência, antes, uma indistinta parentalidade.

Quando se estudava o regime político do Reino Unido e se queria acentuar o parlamentarismo que o caracteriza, era habitual dizer: «O Parlamento pode fazer tudo, excepto transformar um homem numa mulher». Para além do exagero da afirmação, quanto à extensão dos poderes de qualquer legislador, o exemplo já não serve hoje, desde que a «ideologia do género» foi penetrando na ordem jurídica de vários países. Entre nós, desde a entrada em vigor da Lei n.º 7/2011, de 15 de Março, pode ser registado como homem ou mulher quem não tenha as características biológicas respectivas, mas que como tal se identifique pela sua auto-percepção subjectiva.

Para a «ideologia do género», que o Papa emérito Bento XVI designou como «revolução antropológica» contrária ao legado judaico-cristão e de outras culturas tradicionais, o género será uma escolha independente do sexo de nascença e não haverá modelos de família (homossexual ou heterossexual) de referência, como não serão modelos de referência a paternidade e a maternidade (antes, uma indistinta parentalidade). Para qualquer destes âmbitos, os dados biológicos relativos à diferença e complementaridade dos sexos serão irrelevantes.

Agora, pretende-se dar mais uns passos no sentido da penetração dessa ideologia na ordem jurídica portuguesa, através dos projectos em discussão na Assembleia da República (uma proposta de lei do Governo e projectos de lei do Bloco de Esquerda e do P.A.N.), relativos ao «direito de autodeterminação da identidade de género». Todos eles dispensam, para a mudança de identificação de género no registo civil, a apresentação, exigida pela lei vigente, de um diagnóstico médico de transexualidade, bastando a vontade do próprio. A proposta do Governo reduz para dezasseis anos a idade mínima para requerer essa mudança. O projecto do Bloco de Esquerda prevê a possibilidade de um menor (sem fixar qualquer idade mínima) requerer essa mudança contra a vontade dos representantes legais (que são quase sempre os pais) e com autorização judicial. O projecto do P.A.N. permite que esse requerimento seja formulado por um menor (também sem fixar idade mínima) através dos seus representantes legais ou do Ministério Público. A proposta do Governo prevê, por outro lado, a possibilidade de cirurgias de reatribuição de sexo em menores, em caso de diagnóstico de transexualidade, com autorização dos representantes legais.

O projecto do Bloco de Esquerda segue a tendência norte-americana que tem dado origem à chamada WC War, fonte de polémicas que inundam os tribunais. Determina que serão «adoptadas as medidas necessárias que permitam, em qualquer situação que implique o alojamento ou a utilização de instalações públicas destinadas a um determinado género, o acesso ao equipamento que corresponda ao género autodeterminado da pessoa». As polémicas norte-americanas surgem porque tal política pretende sobrepor um desejo de afirmação da «identidade de género» à salvaguarda de privacidade e segurança que justifica a separação por sexos de casas de banho, balneários e dormitórios.

O projecto do Bloco de Esquerda consagra o direito de qualquer pessoa ser tratada pelas outras, em qualquer contexto, de acordo com o género com que se identifica, para além do que conste do registo civil. E impõe (tal como a proposta do Governo) directrizes nesse sentido especialmente destinadas às instituições de ensino, públicas e privadas. O que significa impor a todos os ditames próprios da «ideologia do género», com as consequentes limitações da liberdade de expressão de um pensamento que possa ser contrário a tais ditames.

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu três pareceres sobre estes projectos. Com uma unanimidade pouco frequente neste tipo de questões, este órgão de composição pluralista pronunciou-se pela reprovação ética dos mesmos.

Afirma o parecer relativo à proposta do Governo que esta (o que também se verifica em relação aos restantes projectos), por dispensar qualquer atestado médico para a mudança de identificação no registo civil, «ignora a existência de pessoas afectadas por perturbações mentais, que se manifestam por convicções delirantes de transformação sexual, nas quais a autodeterminação está coartada ou mais ou menos comprometida. A questão suscitada é tão-somente esta: quem distingue, quando e como, os transexuais primários, detentores da plena convicção de pertencerem ao sexo oposto, daqueles outros, reféns de uma crença delirante ou de uma outra condição patológica (transexuais secundários), que procuram alcançar o mesmo desiderato, ou seja, mudar de sexo e nome? Ora, afigura-se inaceitável que esta questão, pelos riscos que envolve, possa ser resolvida mediante a simples apreciação do Conservador do Registo Civil (…). Tornar o registo civil um acto de natureza privada em que cada um, no exercício de uma liberdade absoluta, registasse a sua identidade de género quando entendesse, tornaria este registo como algo da esfera privada de cada pessoa, afastado da natural vivência pública onde todos estamos inseridos. Do mesmo modo, o estabelecimento de uma liberdade absoluta do registo de género de cada pessoa tornaria impossível um reconhecimento público da identidade de cada cidadão. Em diversos sectores da nossa sociedade, como no sistema de saúde, na educação, nos sistemas da segurança e da defesa do Estado, a simples e imprescindível identificação de uma pessoa poderia ficar comprometida.(…)»

Quanto à questão dos menores, afirma esse parecer que «o adolescente de 16 anos não está ainda em situação de exercer o direito de autodeterminação mas tão-só no patamar da elaboração cognitiva e sensitiva que o levará a essa compreensão, para posterior e oportuna decisão.»

A oposição ao projecto do Bloco de Esquerda é sintetizada, no parecer a ele relativo, nestes termos (nalguma medida também aplicáveis aos restantes projetos): « a) interpreta o «reconhecimento da identidade e/ou expressão de género» como «livre autodeterminação do género», autonomizando esse conceito do conceito de sexo, e a essa interpretação atribui, sem sustentação jurídico-constitucional suficiente, valor de «direito humano fundamental»; b) remete para um exercício simples de vontade individual o acto de identificação pessoal no registo civil, desconsiderando a sua natureza pública, com todas as consequências daí advenientes, em termos de certeza e de segurança jurídicas; c) confere aos menores de 16 anos o acesso universal à autodeterminação de género, como expressão de vontade autónoma, sem acautelar ponderadamente questões associadas ao seu próprio processo de maturação e desenvolvimento neuro-psíquico e advogando a possibilidade de litígio judicial contra os progenitores, no exercício das responsabilidades parentais; d) garante o direito ao livre acesso ao SNS para efeitos de tratamentos farmacológicos e para realização de procedimentos cirúrgicos que têm efeitos irreversíveis, sem a existência de um quadro clínico que configure apropriadamente as condições da intervenção terapêutica a realizar.»

As alterações propostas inserem-se, assim, numa agenda de afirmação ideológica. Uma ideologia que se afirma contra a realidade mais evidente, como se o legislador, na sua arbitrária omnipotência, pudesse contrariar essa realidade (se os factos contrariam a ideologia, «tanto pior para os factos»). Afirma o filósofo francês François-Xavier Bellamy a propósito de questão análoga: «Já não existe natureza, abre-se o reino do desejo».

Sobre a «ideologia do género» afirma a carta pastoral da Conferência Episcopal portuguesa de 14 de Março de 2013:

«Reflecte um subjectivismo relativista levado ao extremo, negando o significado da realidade objectiva. Nega a verdade como algo que não pode ser construído, mas nos é dado e por nós descoberto e recebido. Recusa a moral como uma ordem objectiva de que não podemos dispor. Rejeita o significado do corpo: a pessoa não seria uma unidade incindível, espiritual e corpórea, mas um espírito que tem um corpo a ela extrínseco, disponível e manipulável. Contradiz a natureza como dado a acolher e respeitar. Contraria uma certa forma de ecologia humana, chocante numa época em que tanto se exalta a necessidade de respeito pela harmonia pré-estabelecida subjacente ao equilíbrio ecológico ambiental. Dissocia a procriação da união entre um homem e uma mulher e, portanto, da relacionalidade pessoal, em que o filho é acolhido como um dom, tornando-a objecto de um direito de afirmação individual: o «direito» à parentalidade. (…) É certo que a pessoa humana não é só natureza, mas é também cultura. E também é certo que a lei natural não se confunde com a lei biológica. Mas os dados biológicos objectivos contêm um sentido e apontam para um desígnio da criação que a inteligência pode descobrir como algo que a antecede e se lhe impõe e não como algo que se pode manipular arbitrariamente. A pessoa humana é um espírito encarnado numa unidade bio-psico-social. Não é só corpo, mas é também corpo. As dimensões corporal e espiritual devem harmonizar-se, sem oposição. Do mesmo modo, também as dimensões natural e cultural. A cultura vai para além da natureza, mas não se lhe deve opor, como se dela tivesse que se libertar.»

Dir-se-á que todas estas considerações revelam insensibilidade perante o sofrimento das pessoas que se sentem de um género diferente do sexo de nascença e que poderão ver minorado esse seu sofrimento se forem reconhecidas pelo género com que se identificam. Mas não é frutuoso o amor que sacrifica a verdade, mascarando ilusoriamente a realidade. São muitos os casos de pessoas que se arrependem de cirurgias de reatribuição do sexo (veja-se o sítio www.sexchangeregret.com), uma mudança com consequências irreversíveis e que acaba por ser ilusória, dada a dimensão genética do sexo, que é obviamente inalterável. O psiquiatra Paul Mc Hugh afirma que essas práticas mascaram e exacerbam o problema da «disforia de género», sem o resolver, e que delas resultam apenas homens efeminados e mulheres masculinizadas, e não quaisquer verdadeiras mudanças de sexo. Via mais sensata será a da psicoterapia que conduza à harmonia entre a percepção subjectiva e as características biológicas (porque a pessoa nunca deixará de ser uma unidade que integra um corpo na sua integridade). Uma via que, também por razões ideológicas, se pretende proibir, como se proíbem terapias tendentes à mudança de orientação sexual não desejada.

Quanto às crianças e adolescentes, o American College of Pediatricians (ver www.acpeds.org) considera que práticas como cirurgias de reatribuição de sexo, ou o bloqueio da evolução pubertária (que também se advoga em nome do respeito pela «identidade de género») constituem uma «perigosa experiência de engenharia social», «baseada na ideologia e não na ciência», salientando que a grande maioria de casos de «disforia de género» em menores são superados com o normal crescimento, sendo que o bloqueio da evolução pubertária acarreta graves e irreversíveis danos.

O amor na verdade (caritas in veritate) – é o que se deve exigir para enfrentar estas situações.





terça-feira, 19 de setembro de 2017

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»









Parceiro Institucional




O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de convidar V. Exª para participar no Ciclo de Conferências «A Cultura e a Defesa Nacional», promovida pela Secção de Ciências Militares.

A sessão terá lugar no dia 26 de Setembro de 2017 pelas 17h30 no Auditório Adriano Moreira.

Será orador o TCor. João José Brandão Ferreira que desenvolverá o tema:

«A Importância da Cultura Portuguesa na Defesa Nacional»
Rua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LISBOA Tel.: 21 3425401/5068 geral@socgeografialisboa.pt www.socgeografialisboa.pt






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Concurso entre «militares de Abril»



Disputa pela medalha da vergonha.

Quem é que começou primeiro a destruição de Portugal?

O pessoal do venenoso Spínola na Guiné ou o Vasco Lourenço por cá?


DIZ A RDP:

PRIMEIRA REUNIÃO DO MOVIMENTO DOS CAPITÃES DE ABRIL DECORREU

HÁ 40 ANOS


Ricardo Alexandre — Antena 1

9 de Setembro de 2013

A 9 de Setembro de 1973, há precisamente 40 anos, decorreu a primeira reunião que juntou os capitães de Abril. A coragem, a indignação e a curiosidade levaram ao Alentejo os jovens que mais tarde iriam dar origem à revolução dos cravos.

O ponto de encontro foi nos jardins do Templo de Diana, em Évora, um local que até dava nas vistas, como admite à Antena 1 o coronel Vasco Lourenço.

O coronel Aprígio Ramalho recorda à Antena 1 que tinham a consciência do acto que estavam a cometer.

O encontro entre os capitães teria lugar em Monte Sobral, numa quinta de Alcáçovas, em Viana do Alentejo.


CONTESTAÇÃO DO CORONEL CARLOS MATOS GOMES NO FACEBOOK

Carlos Matos Gomes
Facebook — 10/9 às 19:45

É historicamente falso! A primeira reunião do movimento de capitães – que viria a transformar-se em Movimento das Forças Armadas e a dar origem ao golpe de Estado do 25 de Abril, ao fim da guerra colonial e à independência das colónias realizou-se no dia 18 de Agosto de 1973 na messe de oficiais de Bissau, na Guiné.

Esta reunião foi convocada para contestar o DL 353/73 e no final foi nomeada uma comissão constituída com os capitães Almeida Coimbra, Branco e Matos Gomes que elaborou uma carta dirigida ao Presidente da República, ministros da Defesa e do Exército, chefes de Estado Maior e ministro da Educação a contestar um decreto do Governo.

Esta carta foi assinada por cerca de 80 militares e constituiu a primeira manifestação de indisciplina colectiva com que o regime se confrontou e foi essa manifestação que desencadeou o apoio de militares em serviço noutros teatros de operações e dos oficiais na Metrópole.

Entre os militares que assinaram esta acção de indisciplina colectiva, conscientemente tomada, encontravam-se Otelo Saraiva de Carvalho, Fernando Salgueiro Maia...

A RTP tem historiadores à sua disposição para fazer história contemporânea com rigor...

«Os capitães de Abril» têm uma história e essa história não é a que convém a uma certa leitura ideológica da história. Há os factos e a adulteração dos factos. Esta notícia de a primeira reunião do que seria o movimento dos capitães se ter realizado a 9 de Setembro de 1973 é uma falsidade histórica...






terça-feira, 12 de setembro de 2017

Petição dirigida à: População portuguesa e entidades governativas


Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil 
através da chamada «Comissão para a Cidadania
e a Igualdade de Género»


Ex.mo Senhor Presidente da República,

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,

Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro,

Ex.mo Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,

1 — Diversos sectores do Estado português e certas instituições privadas beneficiando de apoios e protecções do Estado têm vindo a ser infiltrados pelo lóbi que se opõe à família natural e promove a ideologia homossexualista «do género», a qual, como é sabido, pretende que o sexo de cada pessoa é uma opção de cada um e não aquele com que nasce, condição que o lóbi qualifica simplesmente de género.

2 — Esses sectores do Estado e essas instituições tornaram-se assim instrumentos desse lóbi, que os utiliza para influenciar as pessoas através dos mais variados canais e exercer uma ditadura do seu pensamento sobre a esmagadora maioria dos Portugueses.

3 — A chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» é o principal instrumento do lóbi homossexualista no Estado. Através dos seus próprios conceitos homossexualistas, pareceres homossexualistas e pressões homossexualistas, exerce uma ditadura homossexualista sobre a sociedade civil, as empresas, os meios de comunicação, os professores, as crianças, as famílias, as pessoas, os candidatos a cargos políticos e até sobre o próprio legislador. Toda esta ditadura homossexualista procura destruir a família natural e afecta a harmonia familiar, a educação, a saúde mental das crianças, jovens e adultos, a economia e até põe em causa a defesa nacional.

4 — Recentemente, esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género» exerceu pressão sobre uma empresa editorial para retirar do mercado dois livros, um destinado a meninos e outro destinado a meninas. Para além do já referido aspecto de destruição da identidade sexual das crianças e consequentemente do tecido social e nacional, trata-se de um grave atentado à liberdade das pessoas e à liberdade de educação, um acto apenas qualificável como homonazi.

5 — O Ministro Adjunto Eduardo Cabrita prontificou-se a dar imediata cobertura política a esta chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género», confirmando assim a sua adesão à política do homonazismo e a comunhão de interesses que une todos os do lóbi.

6 — Esta ditadura homossexualista viola a liberdade das pessoas, direitos expressos na Constituição da República Portuguesa, que os membros do lóbi tanto proclamam prezar mas que afinal pretendem violar. Especificamente, os ditadores homonazis violam o número 5 do Artigo 36.º, os números 1 e 2 do Artigo 37.º, os números 1 e 2 do Artigo 41.º  e o número 2 do Artigo 43.º  da Constituição da República Portuguesa.

7 — Acresce que esta manobra ditatorial para uniformizar a educação das crianças segundo os conceitos homossexualistas viola também o direito natural, inalienável e inegociável das famílias a escolherem a educação a dar aos seus próprios filhos, direito aliás expressamente proibido ao Estado no já referido número 2 do Artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa.

8 — Acresce ainda que o direito dos pais a escolherem a educação para os seus filhos é um direito acima de quaisquer  normas estabelecidas por mentes doentes de quaisquer burocratas de uma qualquer comissão ou administração.

9 — Perante tais violações dos direitos das pessoas e das famílias e atentados à saúde física e mental das crianças, jovens e adultos, à Constituição e à defesa nacional, a União das Famílias Portuguesas vem reclamar:

a) a demissão imediata do Ministro Adjunto Eduardo Cabrita;

b) a extinção imediata da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género»;

c) a suspensão de todos os projectos do Estado baseados na ideologia homossexualista do «género»;

d) a proibição de qualquer órgão do Estado exercer a ditadura homossexualista do «género»;

e) o fim dos apoios e protecções do Estado a quaisquer instituições privadas promotoras da ideologia homossexualista do «género».


Lisboa, 25 de Agosto de 2017
                                                  
A União das Famílias Portuguesas
Atenciosamente,

Acabei de assinar a Petição contra a ofensiva e ditadura homossexualista na sociedade civil através da chamada «Comissão para a Cidadania e a Igualdade em CitizenGO , endereçada à População portuguesa e entidades governativas.

Penso que se trata de um tema importante e ficaria grato se você também assinasse a petição.

Aqui está o link:



Muito obrigado!





domingo, 10 de setembro de 2017

Um Exército em colapso, um País em colapso!


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador, 3 de Setembro de 2017

«Dai-nos Senhor, o que Vos sobra, aquilo que ninguém quer, nem sequer Vos pedem mas dai-nos, ao mesmo tempo, o valor, a vontade, a força e a fé que temperam a alma do soldado na grandeza da sua servidão»
Trecho retirado da «prece» do militar das Operações Especiais

O Exército – que há muitos anos está nas lonas – encontra-se agora à deriva desde o assunto mal resolvido da escolha do novo CEME (uma espécie de pecado original); do incidente nos Comandos – não tanto pela morte dos dois recrutas, mas mais pelo processo que se lhe seguiu; dos anteriores eventos no Colégio Militar, a que se deve ainda juntar a ultrapassagem na promoção do Major General Moura – assunto ainda não resolvido – as cabeçadas com a GNR, o seu Comandante e a MAI, mais a saída do anterior Presidente da Protecção Civil e a nomeação do actual – tudo peças do mais fino recorte! – para culminar no incrível «roubo» (?) dos paióis de Tancos e toda a sucessão de eventos que se lhe seguiram, dignos da mais apurada série do «Tom and Jerry»!.

Agora até é acusado (o Exército!) – vice-presidente da Câmara «dixit» – de ser o culpado da má comida servida aos bombeiros nos fogos de Oleiros (ao menos podiam ter enviado as rações de combate importadas de… Espanha).

Já é azar!

Falámos atrás do pecado original (enfim, tem havido tantos...), que situamos na substituição do anterior CEME general Jerónimo, que se demitiu, e que melhor teria servido a Nação se tivesse agarrado os colarinhos do ministro e, com ele a um palmo do solo, ter-lhe dito umas quantas à boa maneira paraquedista…

Ora após a sua saída, consta (repito, consta – quem pode e quiser que o confirme) que os restantes generais combinaram que ninguém iria aceitar o lugar – uma atitude que há muito devia ter já sido tomada – estou a lembrar-me, até, do tempo em que o general Loureiro dos Santos houve por bem abandonar a mesma função…

Ora à última hora (por um processo alquímico que também se conhece mas que não vou expôr) o actual comandante do Exército, terá roído a corda, acabando por ser nomeado.

Tudo isto deu origem a um mal-estar terrível e a um ambiente de cortar à faca na cúpula da hoste que é suposto defender o País quando este estiver em perigo.

E, de facto, o País tem sobre ele vulnerabilidades e ameaças grandes que os políticos escamoteiam (ou nem se apercebem) e a população nem suspeita. E a perspectiva é a de piorar não de melhorar…

O mal-estar continua e o Exército está há meses com um vice-chefe à espera de arrumar as botas, o que acontecerá por dias, e sem comandante Operacional e comandante de Pessoal, há meses.

Tudo somado representa a situação mais vergonhosa por que passa o Exército, desde a lamentável história do «batalhão» em cuecas, em Nova Lisboa e a ocupação indecorosa de Omar, no Norte de Moçambique, nos idos de 1974/5, a que não fica atrás a cerimónia de juramento de bandeira do Ralis, de punho fechado, com a presença do então CEME, um tal de Fabião, de triste memória!

Enfim estes últimos eventos ainda têm a «desculpa» (?!) de se terem passado no tempo da javardice do PREC e do episódio mais vergonhoso de toda a História de Portugal que ficou conhecido como descolonização…

Olha-se para tudo isto com a maior irresponsabilidade e insensatez, fruto da vereda estreita, pedregosa e mal cheirosa, que leva ao precipício, em que este Regime da III República nos conduziu e colocou.

A qual, para além dos defeitos e erros políticos, ideológicos e conceptuais que a enformam, nem sequer tem o menor cuidado com as pessoas que escolhe para a «servir» e continuar.

Parafraseando o Almada,

Abaixo isto.

PIM!





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Cresce na Europa o fenómeno dos bandos islâmicos armados



Outros autores, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 1 de Setembro de 2017

Numa Europa cada vez mais invadida por fluxos imigratórios e refugiados políticos de religião muçulmana, florescem e consolidam-se progressivamente guetos islâmicos e «no go zones» [zonas impenetráveis],verdadeiras áreas territoriais autogestionárias não policiadas, controladas por bandos armados fora do controle do Estado.

Um dos países mais atingidos por este processo de islamização é a Alemanha, que repentina e dramaticamente tomou conhecimento da situação na noite de Ano Novo de 2015, quando milhares de homens de origem árabe ou norte-africana molestaram e agrediram sexualmente mais de 500 mulheres alemãs, no centro de Colónia.

Um cenário suicida é descrito com exactidão num texto de um documento privado do governo alemão, publicado pelo Die Welt, onde se lê:

«Estamos a importar o extremismo islâmico, o anti-semitismo árabe, os conflitos nacionais e étnicos de outros povos, bem como uma concepção diferente da sociedade e do direito. As agências de segurança alemãs não abordam estes problemas de segurança importados e as consequentes reacções da população alemã.»

O fracasso do modelo multicultural alemão foi claramente destacado num estudo de 22 páginas do Departamento de Religião e Política da Universidade de Münster e relatado pelo Gatestone Institute, intitulado Integration und Religion aus der Sicht von Türkeistämmigen in Deutschland [Integração e Religião do ponto de vista dos turcos que vivem na Alemanha], onde se nota que «quase metade dos três milhões de turcos que vivem na Alemanha acredita ser mais importante respeitar a lei islâmica da Sharia do que a lei alemã, se elas se contradizerem. (…) A consulta – baseada numa pesquisa envolvendo turcos que vivem na Alemanha há muitos anos, muitas vezes por décadas – rejeita o que as autoridades alemãs dizem, a saber, que os muçulmanos estão bem integrados na sociedade alemã».

De acordo com o documento da Universidade de Münster, 47% dos entrevistados concordam com a afirmação de que a «observância dos mandamentos da minha religião é mais importante para mim do que as leis do Estado em que vivo»; 32% dos entrevistados são favoráveis ao facto de que «os muçulmanos devem lutar para retornar a uma ordem corporativa como nos tempos de Maomé»; 36% acreditam que «apenas o Islão pode resolver os problemas do nosso tempo»; 20% dos entrevistados afirmam que «a ameaça representada pelo Ocidente ao Islão justifica a violência»; 7% acreditam que «a violência é justificada para espalhar o Islão», e assim por diante, com estatísticas inequívocas deste teor.

A inação ou ligeireza do governo em abordar este processo de islamização incentivou recentemente o surgimento de grupos de vigilância antimuçulmanos, levando o Bundesamt für Verfassungsschutz (BfV) – a inteligência alemã – a alertar, no seu último relatório anual, sobre os riscos concretos de desencadeamento de uma espiral perigosa de reacções incontroláveis que podem levar a uma guerra aberta entre bandos opostos nas ruas da Alemanha.


Um dos mais recentes bandos muçulmanos alemães, fundado em Maio de 2017, chama-se Germanys Muslim. Trata-se de um grupo de motociclistas no estilo dos Hell Angels cujos componentes se propõem, como escreve o jornal Die Welt, o objectivo de proteger os seus «irmãos» ameaçados pela crescente islamofobia.

O grupo, fundado por Marcel Kunst, um alemão convertido ao islamismo com o nome de Mahmud Salam, tem escritórios em Mönchengladbach, Münster e Stuttgart e aspira a espalhar-se progressivamente por toda a Alemanha. Na sua página do Facebook, onde conta com cerca de mil seguidores, o grupo é apresentado como uma iniciativa de cidadania gratuita «que promove a convivência pacífica entre muçulmanos e não muçulmanos na Alemanha». No entanto, a polícia alemã concorda muito pouco com uma definição tão controversa, sublinhando que muitos dos seus membros mais velhos são conhecidos como salafistas radicais, a começar pelo próprio fundador, Kunst, definido como um «islâmico que se move nos círculos salafistas».

O preocupante crescimento do fenómeno salafista na Alemanha foi confirmado pelo relatório anual do Bundesamt für Verfassungsschutz, publicado em 4 de Julho, o qual afirma que o salafismo é um «movimento islâmico de rápido crescimento na Alemanha». Crescimento atestado por dados estatísticos que revelam como o número de salafistas cresceu progressivamente na Alemanha nos últimos anos, passando de 3 800 em 2011 para 9 700 em 2016.

BfV advertiu, portanto, sobre os riscos de possíveis distúrbios civis decorrentes deste contexto de um contraste ideológico cada vez maior:

«A potencial ameaça da violência de salafistas permanece perigosamente alta. A violência salafista poderia gerar dinâmicas adicionais através de interacções com grupos extremistas de outros campos ideológicos ‘hostis’, como aconteceu com actos no passado.»

Um segundo bando de motociclistas de Alá – constituído pelos Osmanen Germania [Otomanos da Alemanha], igualmente conhecidos e activos não apenas no território alemão –, é um grupo composto principalmente por alemães de origem turca, e o seu nome já deixa claro a sua linha de acção. A referência explícita ao Império Otomano, interrompido e derrotado em 1683 às portas de Viena de Áustria, expressa de modo emblemático qual é o verdadeiro objectivo deste grupo: retomar e completar a conquista islâmica da Alemanha e da Europa no século XVI.

Os Osmanen Germania aparecem oficialmente como uma empresa de boxe que tira os meninos da rua, mas de acordo com a polícia alemã, trata-se de uma verdadeira associação criminosa que opera em toda a Europa e se financia através de negócios no mundo da exploração da prostituição, do tráfico de armas e da droga.

https://www.youtube.com/watch?v=psfMLKIjGTY

É possível visualizar no YouTube dezenas de vídeos do grupo, todos do mesmo teor, com aparências severas e ameaçadoras, corpos tatuados e avantajados, carros desportivos e armas. Num deles, um musculoso componente do bando, cercado por outros afiliados, volta-se para a câmara gritando: «Agora ataque frontal, entende?», enquanto uma voz fora da cena acrescenta: «Estamos a chegar e a tomar todo o país». O vídeo continua com imagens alternando hordas selvagens de cavaleiros no deserto e homens em pose de roqueiros, com uma voz narrativa sempre a explicar «que permanecerão no campo de batalha até a última gota de sangue».


O ministro alemão do Interior, Ralf Jäger, disse recentemente que a taxa de expansão do bando Osmanen Germania é tão rápida, que é muito difícil de ser contida: «Não há como gerir esta situação com os recursos existentes».

Uma confirmação de que o grupo Osmanen Germania se está a expandir mesmo fora da Alemanha é a notícia de que abriu recentemente dois escritórios «estrangeiros» na Suíça, em Zurique e Basileia, os quais já poderiam contar com 180 a 220 membros e um crescente número de adeptos. Segundo declarou ao principal jornal suíço 20 Minuten um representante do Osmanen Germania Switzerland, a última célula do bando chama-se Osmanen Germania Southend e reúne membros oriundos de Ravensburg e do lago de Constança, e «em breve serão muitos os membros oriundos da Suíça Oriental».


A irrupção de gangs islâmicas armadas no coração da Europa e a crescente preocupação da inteligência europeia com o possível surgimento de conflitos étnicos entre bandos ideologicamente opostos confirma a estratégia promovida e divulgada on-line pelo ISIS por um longo período de tempo, através das suas várias redes. Em particular, o Estado Islâmico desenvolveu uma estudada e sofisticada campanha de propaganda na Internet por meio de vídeos, áudios, imagens e textos, que são divulgados pelos principais canais de comunicação visando viralizá-los para recrutar lutadores, espalhar tanto quanto possível a sua mensagem de luta e obter financiamento.


Um destes e-books, intitulado coincidentemente Gangs muçulmanas, inicia com este aviso preciso ao leitor: «O objectivo deste livro é dar aos muçulmanos um ponto de partida sobre como criar os seus próprios bandos e fazê-los crescer num movimento jihadista que pode assumir e tornar-se uma força de resistência no Ocidente». O autor enfatiza que as Gangs muçulmanas, em oposição às publicações anteriores, constituem um passo adiante na luta contra o Ocidente, proporcionando ao leitor uma série de dicas valiosas: «No e-book já discutimos como sobreviver no Ocidente, como ser um lobo solitário. Neste e-book, as Gangs muçulmanas querem ir além e transformar-nos numa gang de resistência. A primeira coisa que têm de decidir é: Qual é o seu objectivo como bando? Quer fazer o trabalho de propaganda para mudar a sociedade, ou quer fazer o trabalho militar e treinar a sua milícia armada? Escolha uma das opções: cada país e cada organização terrorista têm duas opções principais: a opção da propaganda e a opção militar».

O e-book aproveita o sentimento de fraternidade universal que reúne todos os muçulmanos do mundo, pertencentes indistintamente à grande comunidade da umma islâmica, escrevendo:

«Um muçulmano pode estar em qualquer lugar do mundo, de toda a raça e cultura, mas a sua fé torna-o um irmão de outro muçulmano. Então, haverá um muçulmano branco, um preto e um marrom dentro do mesmo grupo, mas os seus corações são um, a sua lealdade é uma, estão unidos na sua causa e unidos na sua dependência de Alá (Deus). (…) Somos apenas um povo, misericordiosos uns com os outros e implacáveis com o inimigo. (…) Todos os bandos muçulmanos que não são muçulmanos praticantes são fiéis à sua religião, mesmo que não a pratiquem, e especialmente quando são ameaçados por um inimigo comum».

O autor deste texto também salienta que o fenómeno dos «bandos muçulmanos», embora diferenciados de acordo com as etnias de imigrantes presentes no território, está amplamente espalhado por toda a Europa:

«É importante enfatizar que este fenómeno dos bandos – ‘Guetos’ – muçulmanos está espalhado por toda a Europa. Exemplo: no Reino Unido, a maioria dos bandos é composta de muçulmanos do Sul da Ásia; em França são os bandos árabes do Magreb; na Alemanha são bandos de turcos; na Finlândia são bandos de somalis etc.».

Segundo o autor do e-book, um formidável e inesperado aliado em tal processo de conquista da Europa é a própria Europa, frágil e desorientada, presa a uma profunda crise económica e de identidade:

«A Europa está a retornar à Idade Média [devido à recessão financeira]. Gangues armados estão-se a transformar em milícias para os políticos racistas, e uma jovem de minoria muçulmana é o seu inimigo. Tudo isto enquanto um califado está a crescer ao lado de todo o Mediterrâneo.»

O cenário proposto pelo autor, como já vimos, é aquele hoje compartilhado por alguns representantes da nossa Intelligentsia, de uma situação de crescente conflito social que levará inevitavelmente a um confronto frontal entre as duas facções, islâmica e anti-islâmica:

«Os teus ataques, no início, serão pequenos em represália aos ataques do inimigo no teu território. Procurarão bater onde dói, então deverás também acertá-los onde mais dói. Estes golpes entre os dois lados aumentarão a intensidade do conflito e gradualmente uma guerra pegará fogo. A guerra será tão grave que não haverá espaço para a polícia, e permanecerão enfrentando-se no campo somente os mujadins e os neonazistas. (…) A única razão pela qual a polícia pode mostrar um sinal forte é porque podem trazer reforços para um ponto ‘específico’ da violência. Mas, se houver várias áreas de violência em todo o país, simplesmente não haverá policiais suficientes para neutralizá-las. E assim, haverá batalhas ‘tribais’ e minimilícias que se formarão em vários países europeus, cada grupo defendendo o seu próprio território, e a mesquita, a igreja ou as lojas maçónicas tornar-se-ão os quartéis-generais de cada um destes grupos.»

Portanto, o Islão avança na Europa de acordo com as duas principais orientações estratégicas, representadas pelas suas duas opções de acção, descritas acima como «opção de propaganda e opção militar».

A primeira opção representa a linha «doce», operada silenciosamente, graças à conivência suicida europeia, por meio de armas demográficas, migratórias e de propaganda; a segunda opção – a militar – é, pelo contrário, a linha «dura», posta em prática através de ataques e bandos armados, visando criar uma situação de caos incontrolável e de conflito social. Esperemos, pois, que o conhecimento do plano de conquista possa ajudar a Europa e o Ocidente a inteirar-se da realidade e promover uma maior consciencialização. sobre o perigo que nos circunda.