BLOGUE DA ALA DOS ANTIGOS COMBATENTES DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

terça-feira, 2 de maio de 2017

Duzentos capitães


Joaquim Paço d´Arcos.

    Duzentos capitães!
    Não os das caravelas
    Não os heróis das descobertas e conquistas,
    A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
    Como um altar
    Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
    À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
    Ó marujos do sonho e da aventura,
    Ó soldados da nossa antiga glória,
    Por vós o Tejo chora,
    Por vós põe luto a nossa História!

    Duzentos capitães!
    Não os de outrora...
    Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
    Levando hílares, ufanos e contentes
    A Pátria à sepultura,
    Sem sequer se mostrarem compungidos
    Como é o dever dos soldados vencidos.
    Soldados que sem serem batidos
    Abandonaram terras, armas e bandeiras,
    Populações inteiras
    Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
    Ao extermínio feroz da populaça.

    Ó capitães traidores dum grande ideal
    Que tendo herdado um Portugal
    Longínquo e ilimitado como o mar
    Cuja bandeira, a tremular,
    Assinalava o infinito português
    Sob a imensidade do céu,
    Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
    Um Portugal em miniatura,
    Um Portugal de escravos
    Enterrado num caixão d'apodrecidos cravos!

    Ó tristes capitães ufanos da derrota,
    Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
    Para vossa vergonha e maldição
    Vossos filhos mais tarde ocultarão
    Os vossos apelidos d'ignomínia...
    Ó bastardos duma raça de heróis,
    Para vossa punição
    Vossos filhos morrerão Espanhóis!





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